2.2. İlgili Araştırmalar
2.2.1. Yurt İçinde Yapılmış Çalışmalar
Foi com grande dificuldade que o ainda menino Euclides da Cunha formou-se bacharel em ciências naturais, matemática e engenheiro pela Escola militar da Praia Vermelha no Rio de Janeiro em Janeiro de 1892. Em sua infância estudou no Externato Aquino, “[...] importante instituição de ensino do Rio de Janeiro dirigida pelo professor João de Aquino, a quem o professor Escragnolle Dória11 chamava de ‘santo da pedagogia brasileira.’” (GARCIA, 2009, p. 15). Filho de Eudóxia Moreira da Cunha e Manoel Rodrigues Pimenta da Cunha ficou órfão de mãe aos três anos tendo que viver na casa de parentes por um bom tempo.
Foi no externato que teve contato com Benjamin Constant e iniciou seus estudos científicos balizados no positivismo e de ideais republicanos. Antes de ingressar na Escola militar da Praia Vermelha, provavelmente por razões econômicas, ele havia deixado a Escola politécnica do Rio de Janeiro para ingressar na referida Escola militar. (GARCIA, 2009) É importante salientar e dar destaque à figura de Benjamin Constant como importante difusor do positivismo e do republicanismo no Brasil à época.
Benjamin Constant foi o idealizador da frase cunhada na bandeira brasileira “ordem e progresso”, claramente inspirada no ideário positivista. O teórico iniciou seus estudos em matemática e foi influenciado pelas “doutrinas” cientificistas da época como o spencerianismo, o cientificismo, o determinismo o positivismo. (LEMOS, 1997)
Voltando à questão da formação de Euclides da Cunha, vamos tratar da estrutura da Escola da Praia Vermelha. A Escola Militar da Praia Vermelha foi fundada por Dom João VI, em 1810, e tem por inspiração o pensamento ilustrado e teve ilustres alunos como Cândido Rondon o General Tarso Fragoso:
11 Trata-se de Luis Gastão D’Escragnolle Dória, ensaísta, professor do Colégio Pedro II, arquivista, escritor e participante de sociedades científicas do século XIX. (GARCIA, 2009)
[...] uma geração que participou da Independência e que tem raízes nas primeiras tentativas dos brasileiros de adaptar às condições de seu meio, a cultura ilustrada da Europa no século XVIII; características do pensamento que continuam depois pelo século XIX a dentro, motivo pelo qual nos preocupamos também em traçar os seus reflexos nas manifestações progressistas e modernizadoras do Brasil durante o Império. [...] A nova ética do século das Luzes, segundo a qual os homens poderiam aspirar à liberdade e a realização de sua felicidade na terra, deram um vigoroso impulso ao estudo das ciências. Os homens, [...], passaram a tentar edificar o paraíso celeste no mundo de todo o dia, aliando o seu otimismo utópico a mentalidade pragmática das reformas concretas. (DIAS, 1968, p. 105-106).
O artigo de Maria Odila Dias (1968) no Jornal do Instituto Histórico e geográfico brasileiro faz uma análise desse intuito modernizador e da influência das Luzes no período que se inicia pouco depois da chegada da família Real portuguesa ao Brasil (1808) e se estende até o período republicano. É com esse intuito modernizador e balizado nas ideias do pensamento ilustrado que está ancorada a fundação e o desenvolvimento da Escola Militar da Praia Vermelha ainda no período do Império. Nesse aspecto, os fundamentos pedagógicos e curriculares da Escola militar eram inspirados na École Polytechnique de Paris. (SANTANA, 2001)
No seu desenvolvimento institucional, a Escola militar da Praia Vermelha passou a desenvolver ainda mais um ambiente de profunda influência do positivismo, doutrinas científicas, evolucionistas e deterministas em sua base curricular. O currículo da Escola militar da Praia Vermelha passou por várias reformas e estava organizado da seguinte maneira:
1. Curso preparatório:
a)- 1º ano: gramática nacional, geografia, francês, aritmética e desenho linear. b)- 2º ano: língua vernácula, francês inglês, história antiga, álgebra e desenho linear. c)- 3º ano: língua vernácula, inglês, história (Idade média, moderna, contemporânea e pátria), geometria e trigonometria plana, desenho linear e geometria pratica.
2. Curso de infantaria e cavalaria:
a)- 1º ano: 1ª cadeira: álgebra superior, geometria analítica, cálculo diferencial e integral. 2ª cadeira: física experimental, compreendendo elemento de telegrafia elétrica militar, química inorgânica; Aula: desenho topográfico, topografia e reconhecimento do terreno.
b)- 2º ano: 1ª cadeira: tática, estratégia, história militar, castrametação, fortificação passageira e permanente, compreendendo o ataque e defesa dos entrincheiramentos e das praças de guerra, e noções elementares de balística. 2ª cadeira: direito internacional aplicado às relações de guerra, noções de direito natural e direito público, direito militar, análise da constituição do Império; Aula: geometria descritiva, planos cotados e sua aplicação ao desenfiamentos das fortificações militares.
3. Curso de artilharia:
a)- 1º e 2º ano: como os de infantaria e cavalaria. b)- 3º ano: 1ª cadeira: mecânica racional e sua aplicação às máquinas, balística; 2ª cadeira: tecnologia militar, compreendendo o desenvolvimento da telegrafia e iluminação elétrica da defesa das praças, noções de mineralogia, geologia e botânica, artilharia e minas militares; Aula: desenho de fortificação e das máquinas de guerra. (MOTTA, 2001, p. 160-161)
É perceptível em todo o currículo a influência e a presença das ciências básicas em todo o programa, demonstrando uma formação teórica e uma outra voltada ao empirismo e à prática, ressaltando a questão já exposta dos ideais cientificistas da época, em especial o positivismo. Embalados pelos ideais das Luzes a formação dos estudantes da Praia Vermelha caminhava na direção e na crença na ciência, na razão e no progresso como consequência natural e evolutiva. (DIAS, 1968)
Outra observação importante é a distribuição das disciplinas em todos os anos de curso. Contém sempre disciplinas teóricas em uma cadeira seguida de outra cadeira de disciplinas práticas. Na Escola militar os alunos recebiam ao mesmo tempo, “[...] formação militar, e um regulamento que enfatizava as matérias básicas e o ensino prático.” (SANTANA, 2001, p. 41) Nas teóricas dá importância às disciplinas “essenciais” e, na outra, às disciplinas secundárias nos moldes do cientificismo e do positivismo de Comte (1973).
Sua passagem pela Escola Militar da Praia Vermelha é marcada por um evento que lhe causou expulsão da instituição. O caso foi até batizado de “episódio da baioneta” no qual Euclides da Cunha, num ato de insubordinação, saiu da fileira dos alunos militares desrespeitando Tomás Coelho, ministro da guerra do governo Imperial, gritando as palavras, “Infames! A mocidade livre, cortejando um ministro da monarquia!”. (GARCIA, 2009, p. 17). O ano era 1888 e já havia uma grande movimentação para acabar com o regime monarquista e implantar a república. Seu caráter impulsivo havia se manifestado e causou sua expulsão da instituição e do exército.
No ano seguinte, com a Proclamação da República, (por iniciativa de Cândido Rondon), foi readmitido no exército, ingressando na Escola Superior de Guerra. (GARCIA, 2009) Desta forma, vejamos como ficou organizado o currículo da Escola Superior de Guerra:
Curso de Artilharia:
Primeiro ano – Primeira cadeira: cálculo diferencial e integral; Segunda cadeira: química, metalurgia; Aula: perspectiva e sombra.
Segundo ano – Cadeira: Mecânica, balística, artilharia, aplicação da eletricidade à guerra; Aula: desenho de fortificação e máquinas.
Ensino prático: o do curso de infantaria e cavalaria e mais: prática completa do serviço de artilharia, inclusive o das bocas-de-fogo, de grosso e pequeno calibre, e as pequenas manobras.
Curso de Estado-Maior e de Engenharia Militar:
Terceiro ano – Primeira Cadeira: trigonometria esférica, astronomia, geodésia; Segunda Cadeira: mineralogia, geologia; Aula: desenho de cartas geográficas, alemão.
Quarto ano – Primeira cadeira: construção civil e militar, hidráulica, estradas; Segunda Cadeira: biologia, botânica, zoologia;. Terceira Cadeira: Direito administrativo, administração militar, economia, política; Aula: arquitetura civil e militar, desenho da arquitetura, projetos.
Ensino prático: o dos cursos de infantaria e cavalaria e de artilharia, e mais: serviço de Estado-Maior em tempo de paz e de guerra, inclusive organização de exércitos permanentes, mobilização, combinações táticas e estratégicas; planos de campanhas; estudos de teatros prováveis de nossas guerras, estudo detalhado das campanhas modernas mais notáveis; práticas de observações astronômicas e de trabalhos geodésios; prática de construções militares. (MOTTA, 2001, p. 170-171)
O programa da Escola Superior de Guerra se assemelhava à estrutura organizacional do programa da Escola Militar da Praia Vermelha na questão das disciplinas básicas e as disciplinas secundárias e práticas. Percebe-se que isso mantém o espírito positivista e cientificista da Instituição sob a qual os militares brasileiros eram formados. “Na Escola militar o positivismo de Auguste Comte estaria fadado ao nítido predomínio.” (MOTTA, 2001, p. 153) Em seu percurso e formação escolar merecem destaque as notas de Euclides da Cunha que, em sua maioria, são mais expressivas nas disciplinas relacionadas às ciência naturais. (SANTANA, 2001)
A respeito da construção do currículo da grade e de disciplinas da Escola Militar da Praia Vermelha e da Escola Superior de Guerra, devemos ressaltar que o ideólogo e arquiteto dessa grade curricular é o pensador e militante republicano Benjamin Constant. Desta forma, “[...] se deve as conotações políticas resultantes da atuação de Benjamin Constant nos acontecimentos que levaram à República.” (MOTTA, 2001, p. 153) É importante lembrar que o ambiente de discussões e análises que se desenvolve na sociedade brasileira era amplamente debatido nas instituições de ensino, sobretudo as militares.
Um de seus discípulos Candido Rondon disse “[...] Benjamin Constant opera o prodígio quase sobre-humano de transfigurar sua cátedra de geometria algébrica em altar levantado à mais
pura idealização da Pátria.” (MOTTA, 2001, p. 155) Benjamin Constant tornou-se rapidamente um mestre para os simpatizantes e militantes da República e para os jovens estudantes das Escolas militares.
Verificamos como a formação escolar e científica de Euclides da Cunha se desenvolveu, a fim de compreendermos como as marcas linguísticas dessas vertentes científicas surgem em sua escrita. Passaremos agora a uma abordagem sobre o Instituo Histórico e Geográfico de São Paulo, o qual Euclides da Cunha fez parte.