3.3. Veri Toplama Araçları
3.3.1. Matematiksel Düşünme Problemlerinin Geliştirilmesi
3.3.1.1. Birinci Problem
Para propor uma classificação das ciências que fosse mais adequada aos problemas humanos, na sua perspectiva, Comte pressupõe dois caminhos distintos: um denominado de caminho histórico; outro denominado de caminho dogmático:
Pelo primeiro procedimento, expomos sucessivamente os acontecimentos na mesma ordem efetiva, segundo a qual o espírito humano os obteve realmente, adotando, tanto quanto possível, as mesmas vias. Pelo segundo, apresentamos o sistema de ideias tal como poderia ser concebido hoje por um único espírito que, colocado numa perspectiva conveniente e provido de conhecimentos suficientes, ocupar-se-ia de refazer a ciência em seu conjunto. (COMTE, 1973, p. 33)
Desta forma, o estudo de acordo com o modelo histórico resume-se na exploração da uma ordem cronológica que demonstre de maneira clara a evolução de uma determinada ciência. Já o estudo do modo dogmático pressupõe uma ordem geral sob a qual possam ser apresentados de maneira natural segundo uma determinada lógica e em conjunto.
A exposição de ordem histórica torna-se bastante problemática de acordo com a própria evolução histórica de uma determinada ciência. Já a ordem dogmática, por ser mais abrangente e geral, estabelece a síntese e permite apresentá-la de forma mais direta sob um determinado ponto de vista. (COMTE, 1973)
Nesse sentido, o teórico argumenta que um geômetra da Antiguidade se limitaria a conhecer os estudos de um pequeno número de tratados de Arquimedes e Apolonius. Já os geômetras modernos podem estudar as “[...] descobertas mais recentes [...]” (COMTE, 1973, p. 34), sem ter contato direto com obras mais fundamentais e elementares. Assim, é natural a substituição da ordem histórica pela ordem dogmática por uma questão óbvia em relação ao grau de desenvolvimento de nossa ciência.
Segundo Auguste Comte há um inconveniente no que diz respeito ao tratamento destinado pela ordem dogmática à classificação e ao estudo da ciência: a questão de ignorar a origem de diversos conhecimentos humanos. Essa preocupação irá fomentar a classificação procedente que o teórico irá estabelecer. Assim,
[...] As diversas partes de cada ciência, que somos levados a separar na ordem dogmática desenvolveram-se na realidade, simultaneamente sob a influência recíproca umas das outras – o que tenderia a preferir a ordem histórica, [...] mas, vê-se, além disso, que as diferentes ciências foram de fato aperfeiçoadas ao mesmo tempo e imbricadas. (COMTE, 1973, p. 34)
O teórico divide as ciências pelo grau de abrangência e generalidade que possuem. Assim, umas seriam mais gerais, abstratas e, portanto, fundamentais. Outras, seriam particulares, concretas e mais complexas, sendo portanto, secundárias, pois dependem das primeiras e não as influenciam.
A distinção aqui estabelecida por Comte será característica nos trabalhos de formação dos currículos escolares de orientação positivista. Esses privilegiarão o ensino voltado para questões complexas, ou seja, ligadas às disciplinas concretas e práticas, mas sem deixar de valorizar e adotar em seus currículos disciplinas fundamentais, ou seja, abstratas. Foi o que observamos no exame do currículo escolar da Escola Superior de Guerra e da Escola Militar da Praia Vermelha.
Além disso, em sua proposta de classificação das ciências, Comte, a partir da problemática iniciada na discussão sobre os critérios de categorização, estabelece a filosofia positiva elencando cinco ciências fundamentais, em ordem sucessiva e invariável, relativa ao grau de importância: a astronomia, a física, a química, a fisiologia e a física social. A primeira seria mais geral e abstrata, enquanto a última mais complexa e particular.
Percebe-se uma valorização das disciplinas ligadas às ciências naturais e exatas. Nesse sentido, a finalidade da disciplina denominada “física social” seria a de compreender quais as regras permitem a sociedade manter-se coesa e em funcionamento. Essa hierarquia estabelece um certo grau de importância que se reflete na valorização das ciências naturais e exatas, pelo papel que ocupa na história do desenvolvimento das ciências e do grau de influência em relação a disciplinas secundárias. Daí, a valorização das ciências exatas pelo primado do mundo físico na evolução do universo.
Essa vertente filosófica ganhou grande repercussão e obteve grande influência no século XIX. Sua abrangência atingiu diversos grupos de pesquisa e instituições de ensino. No Brasil ela foi difundida por Benjamin Constant e atingiu também os estudos históricos. Assim, observamos uma historiografia positivista se desenvolvendo no século XIX e XX, a partir das premissas de Comte. Sobre essa questão, discutiremos no próximo capítulo.
Nesse capítulo, buscamos compreender de que maneira a formação de Euclides da Cunha pode elucidar a investigação sobre as matrizes discursivas presentes em sua obra. Nesse sentido, analisamos as grades curriculares e os programas de ensino das instituições de que o autor fez parte: a Escola Militar da Praia Vermelha e a Escola Superior de Guerra.
Analisamos as instituições das quais Euclides da Cunha foi sócio e fez parte, dentre elas o Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo. O referido instituto possuía um projeto de identificação do bandeirante paulista que tinha o objetivo de lançá-lo como edificador da nação brasileira. Percebe-se essa influência nas primeiras páginas da parte “O homem” em Os Sertões. Apesar desse alinhamento com o projeto político do instituto, o autor fez um caminho inverso ao caracterizar o sertanejo como o verdadeiro personagem da cultura e da nacionalidade brasileira.
Também observamos e abordamos o panorama da sociedade científica da época de Euclides da Cunha. Algumas das referências citadas na obra foram consideradas nessa avaliação. Nesse sentido, verificamos que o momento histórico era permeado de uma tendência cientificista dominada especialmente pelos trabalhos de Auguste Comte relativos à teoria do positivismo.
Assim, exploramos o trabalho de Comte a partir da obra Curso de filosofia positiva (1973). Identificamos sua classificação dos estágios do desenvolvimento humano e as teorias sobre a
classificação das ciências em primárias e secundárias. Esse aspecto é importante para entendermos como os programas das Escolas onde Euclides estudou foram influenciados pelos pressupostos positivistas.
Nesse sentido, o trabalho de Benjamin Constant na formulação desses projetos de organização curricular se alinha aos objetivos e pressupostos positivistas, uma vez que Constant foi o idealizado e difusor da filosofia positivista no país, sendo considerado um dos pais da teoria no Brasil.
Assim, após as análises das condições de produção e do contexto histórico ao qual estava submetido Euclides da cunha, no capítulo seguinte, analisaremos os fragmentos do corpus selecionado na obra Os Sertões.