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2.1. Kuramsal Bilgiler

2.1.4. Matematiksel Düşünme

A filosofia positivista também postulava questões referentes à escrita da história. A disciplina, História, foi influenciada por essa tendência filosófica e tem nas figuras de Leopold Von Ranke e Hypolite de Taine seus grandes precursores, sendo que esse último é citado por Euclides da Cunha emOs Sertões. Como já anunciado, a influência do positivismo no campo científico atingia os historiadores que, de alguma maneira, procuravam se alinhar aos preceitos filosóficos legados por Augusto Comte. Inspirados por noções que se apoiam em autores gregos clássicos, como Tucídides e Aristóteles, os historiadores positivistas se orientavam pelo conceito de que a História era uma ciência guiada pela imparcialidade da narrativa histórica.

Inicialmente, valendo-se do pensamento aristotélico, no que diz respeito ao oficio do historiador, os positivistas valorizavam a narrativa imparcial que dá conta dos fatos tais quais eles ocorreram, considerando-os como um evento particular. O que é coerente com as ideias de Aristóteles que ao contrastar a história à poesia assim nos fala:

[...] Segundo o que foi dito se apreende que o poeta conta, em sua obra não o que aconteceu e sim as coisas quais poderiam vir a acontecer, e que sejam possíveis tanto da perspectiva da verossimilhança como da necessidade. O historiador e o poeta não se distinguem por escrever em verso ou prosa; caso as obras de Heródoto fossem postas em metros, não deixaria de ser história; a diferença é que um relata os acontecimentos que de fato sucederam enquanto outro fala das coisas que poderiam suceder. É por esse motivo que a poesia contém mais filosofia e circunspecção do que a história; a primeira trata das coisas universais, enquanto a segunda cuida do particular. (ARISTÓTELES, 1999, p. 47)

Na perspectiva aristotélica, a história não deve se preocupar em dar significado aos eventos e nem explicar a natureza do homem e do mundo. A narrativa histórica deve apenas limitar-se a narrar os acontecimentos do passado, ou seja, o particular. A poesia, ao contrário, visa o universal, o sentido das coisas do mundo.

A historiografia da época de Euclides da Cunha se distingue da de outras épocas pela influência positivista, na medida em que a História passa a ser considerada uma ciência, contrapondo-se a uma filosofia da História. A metodologia da História, nesse âmbito, se desenvolve em bases científicas inspiradas sobre bases das ciências naturais com abordagens empíricas guiadas pelo espírito da razão positivista. (REIS, 2005)

Assim, a história do século XIX é pós-kantiana8 e comtiana no qual a metafísica é uma impossibilidade, “[...] pois seus enunciados eram inverificáveis e incontroláveis.” (REIS, 2005, p. 36). Nessa perspectiva, para os historiadores comtianos, nada pode ser conhecido senão pelos sentidos e pelos fatos científicos com base em exatidão e métodos inspirados na matemática. Desta forma, é necessário “[...] observar os fatos, constatar suas relações, servir- se delas para a ciência aplicada.” (LEFEBVRE, 1981, p. 31) Nesse sentido, a historiografia do século XIX estava diretamente influenciada pelas tendências cientificistas da época na busca

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Para o filósofo alemão Imanuel Kant, a história deveria ter um dever moral, o que abre espaço para a subjetividade da narrativa historiográfica. Esse preceito foi substituído pela historiografia positivista do século XIX, que preconizava a objetividade e imparcialidade da historiografia.

pela objetividade e cientificidade. Assim, cada disciplina buscava se inserir nesse contexto delimitando sua pertinência e seu campo de atuação com base nesses preceitos.

Na historiografia positivista os grandes eventos históricos, os grandes vultos da humanidade, estadistas, diplomatas, religiosos, entre outros, são “dignos” de serem abordados e tratados pela História. Assim, a chamada “Escola Alemã” inaugura a chamada “história científica” ou “historicismo”. Ranke seria uma dos maiores nomes dessa tendência na disciplina. O historiador positivista adotaria uma postura de anulação de si mesmo dando ênfase e visão ao objeto de estudo. A crença é a de que a História é integral e autônoma, sendo que, através dos documentos ela se manifesta aos homens. Por isso, os historiadores positivistas consideram que os fatos devem ser “colhidos” dos documentos em sua integralidade.

De certa forma, a própria seleção e recorte configuraria uma “intromissão” do sujeito historiador no processo. Os positivistas acreditavam narrar a história, “[...] tal como aconteceu, como fato, como ocorrência, como passado [...]” (REIS, 2005, p. 38) Assim, eles mantém a neutralidade sem problematizar ou estabelecer juízo de valor sobre os fatos narrados, já que as fontes históricas são outra preocupação dessa “ciência histórica”: fontes escritas, documentos oficiais, testemunhos, vestígios, entre outros.

Essa concepção de uma história científica se contrapunha à perspectiva anterior de uma história filosófica. A história filosófica possui um a priori buscando encontrar um final único. Ao contrário, a história científica busca recontar o fato histórico numa perspectiva de uma narrativa da reconstituição dos fatos e não de uma reconstrução dos fatos.

Entretanto, essa mesma historiografia científica se contrapõe à filosofia da história negando seu caráter a priori e especulativo. Ao mesmo tempo, apropria-se desse a priori e o ressignifica. Senão vejamos: de certa forma, ao definir que a História como ciência era a única forma de se chegar à verdade, a História do século XIX reforça os princípios iluministas da crença na razão. Assim, o discurso da história aspirava ser a própria verdade como tal.

Desta forma, o historiador poderia diferenciar culturas superiores adiantadas no processo de civilização, enquanto outras estariam em estágios inferiores. Ou então, que determinadas etnias são mais evoluídas que outras. Assim, em função da “ditadura” da razão, poderia se considerar todo esse a priori científico, nessa forma de escrever e pensar a História.

No que se refere especificamente a Hypolite de Taine, no qual Euclides da Cunha apoia-se na composição d`Os Sertões, vejamos alguns preceitos desse positivista do século XIX. Em primeiro lugar, Taine foi influenciado pelo movimento racionalista das luzes contrapondo-se a uma visão filosófica da História. Ao mesmo tempo, foi influenciado pelo darwinismo e pelo determinismo biológico. A relação raça, meio e momento, está expressa na própria estrutura d`Os Sertões como meio de se estabelecer a trama narrativa que pode estabelecer um método compreensivo dos fatos.

Para Taine, a História é o movimento da relação entre a raça e o meio. Sua obra Noveaux

Essais de Critique et d’histoire o teórico aponta suas postulações científicas quanto a História e seus métodos. Na época, “a disputa entre o saber laico e o religioso atravessou o século XIX, assim como a controvérsia acerca do tipo de ensino.” (OLIVEIRA JUNIOR, 2011, P. 3). De forte influência positivista, Taine critica duramente a influência da Igreja na educação e postula um ensino laico.

Taine demonstra ser um democrata ao definir que cada homem tem o direito de escolher se sua educação será religiosa ou laica. “Nous pouvons tous et nous devons tous vivre en paix et en amitié dans la societé civile, parce que dans la societé civile nous avons tous intérêt à nous protéger les uns les autres. ” (TAINE, 1866, p. 19) 9

Taine acredita na incompatibilidade entre razão e fé, de modo que cada um deve escolher um critério. Por isso a crença numa sociedade civil e democrática em que todos têm liberdade garantida pelo Estado e são regulados pelas regras dessa sociedade civil.

Taine acreditava que se fazia a História pelas premissas da mais pura objetividade tentando esboçar a história natural dos homens. “[...] le projet d’écrire une histoire naturelle de l’homme; on a composé le catalogue des animaux. ” (TAINE, 1866, p. 82) 10

Nesse sentido, Taine acreditava que seria possível escrever a História com o máximo de objetividade possível. Desta forma, as opiniões, os hábitos e os costumes de uma época nos ajudam a compreender a sua história e o conceito de História que preconiza Taine. A crença na almejada objetividade calcada em relações entre a sociedade e natureza orienta suas premissas.

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(Tradução nossa: Todos nós podemos e devemos todos viver em paz e amizade na sociedade civil porque na sociedade civil temos todo interesse em proteger-nos uns com os outros.)

Assim, os estudos de Taine influenciaram toda uma geração de estudiosos do século XIX a partir de questões deterministas e fundadas na objetividade e no racionalismo. Euclides da Cunha anuncia claramente a influência de Taine em sua obra ao dizer que segue as tendências mais modernas nas definições e relação entre o meio físico, o homem e a cultura.