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2.1. YOKSULLUK KAVRAMI VE FARKLI TANIMLAR

2.1.4. YOKSULLUĞUN NEDENLERĠ

Para compreender as dinâmicas do ensino superior em África e a migração estudantil internacional de alunos africanos, utilizo, essencialmente, dados disponíveis nos relatórios de organismos internacionais como a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), a Organização Internacional para as Migrações (OIM) e a Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e na coleção História Geral de África. Via de regra, o ensino superior tem sido tema recorrente de debate internacional, frente ao crescente reconhecimento que se tem dado às habilidades e competências de mais alto nível, muitas das vezes consideradas como essenciais para o desenvolvimento dos países, particularmente, no contexto da globalização ante uma acelerada evolução em direção às economias baseadas no conhecimento (UNESCO, 2009).80 Nesse contexto de discussões

acerca do ensino superior e da mobilidade estudantil internacional, designa-se por “estudante internacional” aquele aluno que viaja de sua terra de origem com intenção de estudar em outro país ou território. Enquanto que “estudante estrangeiro” ou “estudante internacionalmente móvel” é aquele aluno matriculado em um programa de educação num determinado país, sem residir de forma permanente nesse território. Já a “mobilidade estudantil internacional” seria a migração de pessoas para o estrangeiro para fins de estudos (Idem, 2009).

116 Embora ainda pesem e continuem válidas as motivações originais que, levavam os países a apostar na migração estudantil internacional, a mobilidade com fins de estudos responde cada vez mais a considerações econômicas. De fato, muitos governos veem-na como um ponto de apoio ao desenvolvimento econômico e um meio de melhorar a qualidade do ensino superior em seus países e suas IES. Outras nações consideram-na como um elemento de prestígio e, algumas vezes, uma fonte de renda que lhes ortoga vantagens. Já para as pessoas, a migração para estudar no estrangeiro constitui um novo meio de melhorar suas carreiras profissionais, tanto em seus países de origem como no mercado de internacional do trabalho, ou ainda, como um investimento para uma possível mobilidade no futuro (OIM, 2008).81

No tocante às causas da mobilidade estudantil internacional, este relatório da OIM aponta que a decisão de estudar no exterior e a seleção do país dependem de uma variedade de fatores culturais, educacionais, econômicos e sociais. Por um lado, entre os fatores que determinariam a escolha de um local de estudos no exterior pelos estudantes estariam: a política de imigração ou de concessão de vistos do país de acolhida aos estudantes estrangeiros; as facilidades de obter o visto de entrada, as possibilidades de trabalhar e estudar ao mesmo tempo, ou mesmo, de permanência no país após terminar os estudos; mas também, as possibilidades de trabalho no país de acolhida e no país de origem, após completar os estudos, bem como o valor que atribuído aos diplomas e certificados no mercado de trabalho quando voltar ao seu país natal (Idem, 2008). Outras razões para essas mobilidades, estão ligadas ao reconhecimento dados às aptidões profissionais e às qualificações obtidas no exterior pelo país de origem e pelo país de acolhida; o reconhecimento automático dos diplomas e créditos obtidos tanto de um como de outro lado; assim como, a avaliação dos custos monetários e não monetários dos estudos no exterior em comparação com os custos no país de origem; quer seja, a proximidade geográfica e cultural entre o país de destino e o país de origem; quer seja, os laços históricos. Essas constituem algumas das razões de preferência na escolha de um país estrangeiro para estudar (Ibidem,2008).

Por outro lado, temos razões, quais sejam: o prestígio e a qualidade das instituições de ensino e do sistema educacional no país de acolhida em comparação com o país de origem, o tipo de ensino superior oferecido pelo país de origem e as possibilidades de acesso ao ensino

81 OIM. La Movilidad de los Estudiantes, la internacionalización de la educación superior y la migración de

117 superior no país de acolhida, a existência de redes de estudantes e ex-alunos do país de origem no país de acolhida. Como também, o idioma do país de destino e a língua de ensino, no qual sabemos que a língua inglesa constitui o primeiro idioma internacional e o segundo mais falado no mundo, oferecendo vantagens comparativas aos seus falantes; a qualidade de vida no país de destino e, a infraestrutura e benefícios sociais à disposição do estudante estrangeiro no país de destino, sejam eles serviços médicos, residência estudantil, centro de línguas. Essas eram as outras razões que motivavam os estudantes a migrar para outros países (OIM, 2008).

Por sua vez, o relatório da UNESCO (2009) apontava diversas outras razões para os estudantes decidirem estudar no exterior: para alguns, estudar fora de seu país de origem representa uma oportunidade de ampliar seus horizontes culturais e intelectuais, enquanto que outros viajam para o estrangeiro a fim de evitar a frustração de cursar universidades locais, muitas delas, com recursos insuficientes. Já outros estudantes não têm alternativa senão deixar o país quando desejam desenvolver estudos num campo específico, inexistente no país de origem. Entretanto, há também outros fatores de atração de estudantes para as universidades estrangeiras, como por exemplo, o fato de algumas instituições prestigiadas serem muito mais atrativas para um grande número de estudantes estrangeiros, o fato de certos países adotarem estratégias orientadas para captar e reter imigrantes altamente qualificados e, por outro lado, a existência de incentivos econômicos fortes que fazem com que as instituições anfitriãs promovam um ativo recrutamento de estudantes internacionais (Idem , 2009).

Já a grande parte de artigos sobre a mobilidade estudantil internacional refere-se às realidades da Europa Ocidental, América do Norte e dos países da OCDE. Dentre os artigos, cabe destacar o texto de Vinokur (2006), acerca da migração de pessoas qualificadas – fenômeno conhecido como brain dain ou “fuga de cérebros” 82– entre os EUA e os países da

OCDE. Esta autora faz um debate epistemológico mostrando existir insuficiência de dados empíricos nos estudos sobre a temática, assim como distingue conceitos e, procura dar clareza ao debate acerca da mobilidade estudantil internacional.83 Nesse cenário, o trabalho de

Gribble (2008) aborda a gestão da migração estudantil internacional sob a perspectiva dos países emissores de estudantes, diante da crescente permanência de seus alunos nos país

82 Comumente, designa-se de “fuga de cérebros”, à emigração/saída em massa de indivíduos com alto nível educacional ou, altamente qualificados de países pobres para países ricos, devido a fatores como instabilidade política, conflitos étnicos, guerras, ausência de oportunidades, riscos à saúde, entre outros.

118 receptores.84 Esta autora mostra que países “ricos” como Austrália, Grã-Bretanha e Canadá

tiram benefícios desta tendência de permanência de estudantes oriundos da mobilidade internacional, aproveitando-se das habilidades dos estudantes estrangeiros formados em seus territórios. Contudo, os países emissores desses estudantes perdem essa mão-de-obra qualificada, com consequências nefastas para o seu desenvolvimento socioeconômico (GRIBBLE, 2008). Normalmente, os emissores de estudantes são países em desenvolvimento, por isso, mais propensos ao risco de “fuga de cérebros”. Por conseguinte, percebo que grande parte dos relatórios e artigos sobre a mobilidade estudantil internacional abordam a temática da “fuga de cérebros” tem como focos centrais, a Europa Ocidental, a América do Norte e, os países da OCDE, ignorando as realidades de outros continentes e regiões “periféricas” como África, Médio Oriente, o Mundo Árabe e a América Central e do Sul.

No tocante à migração estudantil internacional na África Subsahariana – região mais pobre do planeta, donde são provenientes os integrantes da Diáspora no Ceará – entre os anos de 1994 a 2004, os estudantes africanos envolvidos nessas mobilidades apontavam diversas razões para estudar no exterior, entre as quais se destacavam: a experiência de estudar fora e viver no estrangeiro, uma forma de preparação para viver num mundo cada vez mais globalizado e, a falta de acesso ao ensino superior de melhor qualidade em seus países. Por certo, as altas taxas de mobilidade estudantil dessa região em direção ao exterior poderiam indicar a existência de um défice na prestação de serviços educacionais nos países emissores de alunos (UNESCO, 2006).85 Este mesmo relatório apontava que a África Subsahariana,

região mais pobre do planeta, apresentava as taxas mais altas de mobilidade estudantil para o estrangeiro, cerca de 5.9%. Tal taxa representava quase três vezes mais que a média mundial, quando a média das outras regiões não chegava a 4%. A Ásia Central tinha 3,9%, o Mundo Árabe 2,9% e, Ásia Meridional e do Sul 1,3%, América Latina e Caribe 1,0% e, a América do Norte com 0,4%. Assim, 1 em cada 16 estudantes subsaharianos estudava fora do país ou do continente (Idem, 2006).

Os dados referentes à mobilidade estudantil internacional na África Subsahariana indicavam que cerca de 99% dos estudantes estrangeiros que cursam seus estudos nesses países, são provenientes de países dessa mesma região. O mesmo acontece com outras regiões

84 GRIBBLE, Cate. Policy options for managing international student migration: the sending country’s

perspective.

85 UNESCO. Compendio Mundial de la Educación 2006: comparación de las estadísticas de educación en el

119 como é o caso da América Latina, Ásia meridional e Pacífico com cerca de 80%, seguidas pelos países do Mundo Árabe e da Ásia Central com cerca de 70%, e com somente 27% a Europa Ocidental e América do Norte, tomadas em conjunto (OIM, 2008). No cômputo geral, a mobilidade estudantil internacional mostra algumas tendências: assim, quanto menor for o número de estudantes estrangeiros que um país recebe, maior será a probabilidade de que tais estudantes provenham de países vizinhos ou do mesmo continente (Idem, 2008).

Esse cenário africano, caracterizado pela migração estudantil de africanos para diferentes destinos é histórico, conforme mostram os historiadores africanos Joseph Harris & Slimane Zeghidour (2010), capítulo 23 do VIII Volume, da Coleção História Geral de África, intitulado A África e a diáspora negra. Neste tópico, Harris e Zeggidour (2010) apontam que a migração de africanos para a Europa e para a América do Norte, com motivos de estudos, é antiga, assim como é, a permanência desses estudantes nos países receptores, que vem acontecendo desde 1935, na primeira metade do século XX. Senão vejamos sua descrição das migrações de estudantes africanos nesse período:

A necessidade de formação superior explica, igualmente, boa parte das emigrações africanas, quase todas as potências coloniais desinteressaram‑se pelo ensino universitário na África. O número de estudantes africanos inscritos nas universidades europeias e americanas cresce de modo intenso, entre 1935 e 1960, e muitos dentre eles não mais retornam ao seu pais de origem. Durante este período, a emigração africana para a América do Sul, Caribe e Índia cessa quase inteiramente, os emigrantes dirigiam‑ se, em sua grande maioria e desta feita, para a Europa e para os Estados Unidos da América do Norte, em uma proporção muito superior àquela dos dois séculos precedentes. Em que pese a ausência de estatísticas, pode‑ se afirmar com certeza que o número de africanos a terem deixado naquele momento o seu continente fora relativamente limitado, uma vez que se tratava principalmente de estudantes. (HARRIS; ZEGHIDOUR, Op cit, p. 863).

De acordo com estes autores, sempre houve relações históricas dinâmicas entre os africanos no continente e as suas Diásporas, quer sejam aquelas comunidades sobreviventes do tráfico escravista na Ásia, Europa e Américas,86 quer sejam aquelas constituídas por

estudantes africanos na América do Norte e Europa Ocidental, mais precisamente, nos EUA, França e Grã-Bretanha. Na sua ótica, “tais relações foram consolidadas pelas experiências psicológicas e sociais da Diáspora, a partir das quais, nasceram os movimentos internacionais em prol da libertação dos negros, da liberdade e igualdade dos africanos e dos seus

86 Ao descrever as atividades políticas desses sujeitos afrodescendentes nascidos na Diáspora, particularmente nos EUA, Harris e Zeghidour afirmam que, “essas tentativas de libertação processadas na África e na diáspora, culminaram, entre 1900 e 1935, no movimento pan-africanista; os anos 1920, particularmente, conheceram uma intensa atividade, especialmente, graças aos esforços de Marcus Garvey e William Du Bois, nos EUA” (Idem, p. 850).

120 descendentes no continente e no estrangeiro” (HARRIS e ZEGHIDOUR, 2010). Na visão destes historiadores, uma das razões para tais relações, foi a própria experiência de colonização em África, num contexto em que as potências europeias não estavam interessadas em instituir o ensino universitário em África. Assim, para fugir do colonialismo europeu, restava aos estudantes africanos, a alternativa de migrar para a Europa e EUA, para estudos. Então, vejamos:

Crescente número de africanos, impelidos pelo desejo de escaparem à opressão econômica e política, emigrou para as capitais europeias. Eles vêm principalmente das colônias francesas da África do Norte e das colônias belgas; milhares de argelinos estabelecem-se especialmente na França durante este período: no curso da guerra da Argélia, havia na França cerca de 450.000 argelinos e pouquíssimos retornaram à sua terra natal. A necessidade de formação superior explica, igualmente, boa parte das emigrações africanas, quase todas as potências coloniais desinteressaram-se pelo ensino universitário em África. O número de estudantes africanos inscritos nas universidades europeias e americanas cresce de modo intenso, entre 1935 e 1960, e muitos dentre eles não mais retornam ao seu país de origem. Durante este período, a emigração africana para a América do Sul, Caribe e Índia cessa quase inteiramente, os emigrantes dirigiam-se, em sua grande maioria e desta feita, para a Europa e para os Estados Unidos da América do Norte, em uma proporção muito superior àquela dos dois séculos precedentes. Em que pese a ausência de estatísticas, pode-se afirmar com certeza que o número de africanos a terem deixado naquele momento o seu continente fora relativamente limitado, uma vez que se tratava principalmente de estudantes (HARRIS; ZEGHIDOUR, 2010, p. 850-851).

Nesse cenário, estes autores apontam que, mesmo após as independências das colônias africanas, a migração se manteve, porém, com modificação na natureza, motivações e destinos. Desta forma, a migração leva os africanos não somente para a Europa Ocidental e EUA, mas para diferentes partes do mundo, como Canadá, Austrália, Pacífico Sul, bem como, ao Médio Oriente e países do antigo Bloco Socialista. Assim, são apenas os estudantes que migram, mas também técnicos e especialistas altamente qualificados, configurando o fenômeno da “fuga de cérebros” que, toma proporções alarmantes nas décadas de 60 e 70 do século XX. Vejamos sua narrativa acerca dos processos migratórios africanos no período pós- independências:

Após as independências, a partir dos anos 1960, a emigração prosseguiu, porém, a sua natureza, as suas motivações e o destino dos emigrantes foram, novamente, modificados. Não é mais estudantes que se expatriam, mas igualmente, técnicos e especialistas altamente qualificados: médicos, engenheiros, homens de negócios, músicos e outros artistas, professores universitários, etc. por outro lado, durante este período, a emigração conduz novamente os africanos a toda a parte do mundo, como anteriormente ao século XX, pois que, eles não somente se estabelecem na Europa Ocidental e nos Estados Unidos da América do Norte mas, igualmente, no Oriente Médio, nos antigos países socialistas, no Canadá, na Austrália e no Pacífico Sul. Professores e conferencistas africanos oferecem cursos na Universidade da Papuásia – Nova Guiné! Este fenômeno, a “fuga de cérebros”, tomou proporções realmente alarmantes nos anos 1960 e 1970, entretanto, e felizmente, parece ter chegado à sua

121 solução. Nesta mesmo época, não mais causa espanto encontrar africanos médicos, dentistas, cientistas, engenheiros, professores, etc., no estrangeiro. Se a África está privada das suas competências, estas ao menos testemunham o seu êxito nos planos intelectual, cultural e político. (HARRIS; ZEGHIDOUR, 2010, p. 851).

De fato, à medida que ocorriam mudanças em todo o continente, à medida que muitos países africanos alcançavam suas independências, entre as décadas de 1960 e 70, mais de 25.000 (vinte e cinco mil) profissionais de África abandonam o continente em direção ao mundo Ocidental. Para frear esta tendência e minimizar esta “fuga de cérebros”, a OIM criou o chamado “Programa de Migração para o Desenvolvimento”. Entretanto, não tenho informações sobre os resultados de tal iniciativa. Por último, estes autores circunscrevem os fenômenos da “feminização”87 das migrações africanas, bem como, da migração de pessoas

menos instruídas em busca de postos de trabalho – parte das quais envolvidas com o tráfico internacional de drogas – e de “exilados políticos”, enquanto “novas” características das migrações africanas das últimas décadas do século XX.

A emigração de mulheres confere uma nova característica à emigração africana. Instruídas ou semialfabetizadas, diplomadas ou não, frequentemente oriundas da costa ocidental, estas africanas emigraram para Europa (especialmente para a França, Alemanha ou Grã-Bretanha) e para as Américas na esperança de lá encontrarem um emprego (muitas são enfermeiras) ou enriquecerem-se (aqui incluindo o contrabando ou tráfico de entorpecentes). Uma emigração masculina do mesmo tipo constitui a terceira característica da diáspora moderna: uma crescente quantidade de africanos pouco instruído, sem formação, esperam ganhar a vida nas grandes metrópoles europeias, por intermédio de variados tipos de atividades, ilícitas ou não, a começar pelo “lavar a louça” em restaurantes, passando pelos trabalhos de manutenção, até, finalmente e inclusive, o contrabando ou tráfico de drogas. Uma última categoria de emigrantes, recentemente evidenciada, vem inchar as fileiras da nova diáspora, temporária ou definitivamente. Trata-se dos exilados políticos. Eles fugiram da guerra civil ou foram vítimas dos conflitos fronteiriços entre países independentes; foram os instigadores ou organizadores de um golpe de Estado fracassado ou foram expulsos do seu país por espionagem em benefício de uma potência estrangeira ou por outras razões (HARIS; ZEGHIDOUR, 2010, p. 851-852).

Para estes dois autores, as razões que levavam os africanos a migrar no passado são as mesmas que levam estes sujeitos a deslocar-se no presente, num contexto onde facilmente pode-se deduzir que as suas migrações têm origem inicialmente, na progressiva degradação da

87 O termo “feminização da migração” diz respeito às recentes tendências mundiais, nas quais, a migração das mulheres passa a ganhar maior evidencia nas dinâmicas migratórias, particularmente, em virtude da procura por empregos tradicionalmente femininos – trabalho doméstico, limpeza, prestação de cuidados a idosos, indústria do sexo, mas também por tomarem consciência dos seus direitos em sociedades onde persistem numerosos constrangimentos restritivos à sua emancipação. Assim, a feminização da constitui um processo social, político, econômico e cultural, em um mundo globalizado (Fórum Migrações do 36º Congresso Migrações, realizado em 19 abr. 2007, em Lisboa). Disponível em https://www.fidh.org/pt/forum-migracoes-portugues/. Acessado em 17 set 2016.

122 situação socioeconômica e política desde as independências, bem como, migram em busca de empregos ou de maior realização profissional, para rapidamente enriquecerem ou para conhecer a aventura.

Voltando aos relatórios das grandes organizações internacionais, esses documentos retratam um cenário de disparidades econômicas regionais e no nível de desenvolvimento entre a Europa Ocidente e a América do Norte, em relação às outras regiões do globo terrestre, particularmente, África Subsahariana, Ásia, partes da América Latina e Pacífico. Esse cenário de disparidades regionais – a Europa Ocidental e a América do Norte como principais regiões receptoras de estudantes estrangeiros – mostra que há motivos para temer que a migração estudantil possa reforçar a “fuga de cérebros”, na mesma medida em que promove o fortalecimento institucional nos países em desenvolvimento. De fato, ainda que também ofereça vantagens aos países de origem, a longo prazo, a migração de pessoas altamente qualificadas pode representar um custo alto às nações (OIM, 2008).

Por um lado, os países de origem perdem o capital humano e a produtividade que representam as pessoas qualificadas e; se a educação dessas pessoas foi realizada em escolas públicas, essas nações perdem também o investimento efetuado na educação primária, secundária e superior desses indivíduos. Por outro lado, essas diásporas altamente qualificadas podem contribuir para o desenvolvimento económico do país de origem através de