• Sonuç bulunamadı

MEDYADA YOKSULLUĞUN TEMSĠLĠ YAKLAġIMI LĠBERAL BOYUTU

DÖRDÜNCÜ BÖLÜM

4. GAZETECĠLERĠN YOKSULLUK VE MEDYADA TEMSĠLĠ HAKKINDA GÖRÜġLERĠ HAKKINDA GÖRÜġLERĠ

4.4. BULGULAR VE YORUMLAR

4.4.2. MEDYADA YOKSULLUĞUN TEMSĠLĠ YAKLAġIMI LĠBERAL BOYUTU

Como lembra Sayad (1998), para se compreender a imigração é necessário primeiro compreender a emigração. Seguindo essa trilha, na compreensão da migração e presença de estudantes africanos em universidades públicas e faculdades particulares do Ceará, precisamos compreender a situação das IES nos seus países de origem. Assim sendo, nas linhas seguintes faço uma análise histórica e político-econômica dos sistemas de ensino superior nos países africanos, particularmente dos PALOP, tentando mostrar suas características e, as possíveis conexões com a migração de seus alunos para estudos no exterior, para cursar o ensino superior.

Fruto das minhas observações na cidade de Fortaleza, de conhecimentos históricos adquiridos ao longo de minha formação acadêmica e, a partir dos dados estatísticos disponíveis, percebo que Guiné-Bissau e Cabo-Verde são os países africanos que apresentam os maiores contingentes de estudantes no Brasil e em Fortaleza-Ceará. Uma das razões para a existência de tais quantitativos é o fato dessas duas nações lusófonas vizinhas e banhadas pelo Oceano Atlântico, estarem localizadas na costa ocidental africana, geograficamente, próximas do Ceará, distando a há cerca de seis a horas de voo de avião e, ademais, até poucos anos, possuíam uma ou nenhuma IES pública em seus territórios. Cabe também mencionar, o período de instabilidade político-militar e socioeconômica que se vivencia na Guiné-Bissau desde 1998, como outra forte razão para um maior quantitativo de seus estudantes provenientes desse país africano em território brasileiro.122

122 Desde 1998, a Guiné-Bissau vem vivenciando crises político-militares e socioeconômicas, com tentativas de golpes de Estado e golpes de Estado, crises dos governos que impedem o término de seus mandatos, crises provocadas pelo tráfico internacional de drogas, situações de desabastecimento alimentício e energético. Assim, tais fatores têm sido determinantes para a migração laboral, socioeconômica e estudantil de milhares de cidadãos Bissau-guineenses para o exterior.

185 Já Cabo-Verde, é um arquipélago de origem vulcânica com poucos recursos minerais, energéticos, em terras aráveis, cuja migração internacional constitui alternativa de vida e tradição para as suas populações, desde a época colonial: quer da pobreza, trabalhos forçados e repressão coloniais, quer fugindo de secas prolongadas, ora das condições socioeconômicas desfavoráveis, ora em busca de mais e melhores condições de vida e de trabalho.123 Desta

forma, as remessas em dinheiro enviadas pelos cabo-verdianos espalhados pelo mundo constituem uma fonte significativa de receitas para a manutenção socioeconômica e política

123 Cabo-Verde, arquipélago africano, uma nação insular com poucos recursos naturais, tem uma tradição bastante arraigada de imigração internacional, na qual, famílias inteiras veem-se espalhadas nos quatro cantos do mundo: África, Europa, América e Ásia. Em alguns momentos, a população cabo-verdiana residente na diáspora chega a ser superior àquela existente dentro do país. As remessas enviadas pelos cabo-verdianos residentes no estrangeiro constituem uma importante fonte de renda, para as famílias no país, consequentemente para economia local e, para o Estado que cobra taxas pelas transações monetárias. A história de muitos cabo- verdianos confunde-se com a história de emigração do país. A diáspora cabo-verdiana esteve na base na independência do país, onde os movimentos independentistas –PAIGC – tiveram parte de seu suporte assegurada pela diáspora. De fato, a economia bem como, a maioria das famílias cabo-verdianas conseguiram sobreviver, graças à emigração de homens jovens e adultos, mas também de mulheres rabidantes que, compram produtos e mercadorias fora no exterior e vendem dentro do país. É importante realçar que Cabo-Verde figura entre os cinco países com maior taxa de emigração relativa à população, no mundo. Mesmo possuindo uma população relativamente pequena, a taxa de emigração é enorme. A diáspora sempre teve um papel importante na economia, com uma contribuição à volta de 10 a 12% do PIB, cujas remessas dos emigrantes permitem ao país, a criação de uma poupança interna. Desprovido de indústrias, Cabo-Verde sempre apostou em serviços turísticos, portuários e aeroportuários, etc., mas quem alimenta a poupança interna é a diáspora que envia cerca de 100 a 120 milhões de euros/ano. Desta forma, as diásporas cabo-verdianas mundo a fora, tiveram um papel determinante para a viabilidade deste país africano. De fato, há mais cabo-verdianos residindo fora, do que dentro do país. Assim, é quase impossível encontrar uma família que não tenha membros fora do país, em países da Europa, Américas e África, na condição de imigrantes. Às vezes, acontece de 5 irmãos cabo-verdianos morarem em cinco países europeus e norteamericanos diferentes. Assim, a diáspora cabo-verdiana desempenha papel crucial não apenas na economia, mas também influencia no modo como os cidadãos desse país insular se comportam. A influência dos EUA e da cultura norte-americana, particularmente, faz-se presente através do consumo nas casas dos imigrantes – mais do que a influência africana, ou portuguesa enquanto país colonizador, ou mesmo francesa por conta do histórico de migração – financeiramente, economicamente e emocionalmente. Um exemplo clássico dessa influência evidencia-se, pelo sucesso da seleção nacional de futebol de Cabo-Verde. A qualidade atual dessa seleção deve-se ao recrutamento dos “filhos da diáspora”, isto é, cabo-verdianos que nasceram na Europa, em Portugal, França, Itália e Holanda, filhos da segunda, terceira e quarta gerações de imigrantes cabo-verdianos nesses países, que são reconhecidos pela lei do país como cabo-verdianos. Assim, o país faz uma espécie de caça-talentos na Europa, reconhecendo indivíduos dessas segundas, terceiras e quartas gerações na diáspora como sendo seus cidadãos, bastando para tal, ter um familiar cabo-verdiano, aumentando dessa forma, a dimensão econômica e afetiva do país. Entretanto, não devemos reduzir a contribuição dos imigrantes cabo-verdianos na diáspora, à dimensão econômica, mas também política e cultural. Daí que este país africano se distinga dos demais, apresentando-se bem destacados no continente, nos quesitos como desenvolvimento humano, democracia, transparência na gestão política, administrativa e de recursos naturais. Entretanto, a emigração também causa desgostos em parte dos cabo-verdianos, pois, as remessas monetárias não preenchem o vazio familiar deixado pelos emigrantes. O processo de separação, o vazio deixado na família pelo familiar que emigrou ainda são marcantes para muitos daqueles que ficaram na Ilha. Desta forma, percebe-se que tal como em outros países africanos, a independência de Cabo-Verde da colonização portuguesa, antes vista como uma solução para as questões como a pobreza e dos problemas econômicos que o país enfrentava, não eliminou estes males, visto que a grande maioria dos cabo-verdianos continua a migrar em busca de melhores condições de vida. A emigração em massa é reflexo da existência e persistência desses problemas. Alguns analistas cabo-verdianos consideram que a existência dessas diásporas cabo-verdianas espalhadas pelo globo como um reflexo da ineficácia deste país africano em superar a pobreza e outros males sociais.

186 deste arquipélago. Historicamente, a migração laboral, socioeconômica ou mesmo estudantil, são consideradas uma realidade tradicional comum às suas populações, algumas vezes, em conjunturas algumas vezes, em que os indivíduos têm de emigrar para se sentir cabo- verdianos. Desse modo, famílias inteiras migram para diferentes destinos internacionais, ficando apenas um integrante destas no arquipélago.124 Nesse contexto migratório, Cabo-

Verde é o país dos PALOP com maior número de indivíduos com formação superior, ainda que, a maioria tenha sido formada no estrangeiro.

Relativamente à São-Tomé e Príncipe, outro país africano localizado na costa Ocidental do continente e banhado pelo Oceano Atlântico, apresenta o terceiro maior contingente de estudantes em Fortaleza. Uma das razões para esse quantitativo é o fato dessa nação não possuir, até bem pouco tempo, instituições de ensino superior. De fato, somente em agosto do ano 2014, é que foi instaurada a primeira universidade nesse país africano, que até então contava apenas com um instituto superior politécnico. Por sua vez, o caso de Angola, mesmo sendo o país africano lusófono com maiores ligações históricas e culturais com o Brasil e se localizar, geograficamente próximo, na costa Ocidental do continente africano, tendo como fronteira marítima o Oceano Atlântico, apresenta, poucos estudantes em Fortaleza. Umas das razões é o fato deste estado africano ter, como parceiros tradicionais de cooperação na área da educação, países europeus, com ligações históricas, econômicas e políticas, como são os casos de Portugal e das nações da antiga URSS, particularmente a Rússia.

No tocante à Moçambique, país banhado pelo Oceano Índico, situado “do outro lado do mundo” na costa Oriental africana, localizado, portanto, a uma maior distância geográfica do Brasil, também apresenta um restrito contingente de estudantes em Fortaleza. Além disso, essa nação apresenta como referências tradicionais de cooperação na área de educação, países como África do Sul e Portugal, valorizando muito o envio de seus estudantes para países europeus e asiáticos que falam a língua inglesa, visto fazer fronteira com países africanos anglófonos. Outra razão deste menor quantitativo de estudantes moçambicanos no Brasil deve-se ao fato do governo desse país ter optado por enviar para o exterior, somente, estudantes de pós-graduação. Neste sentido, cabe considerar a análise, do então, vice-ministro

124 Para uma maior da migração cabo-verdiana para o exterior, cf. a reportagem do Jornal português O Público, intitulada, “Emigrar para ser cabo-verdiano”, da autoria dos jornalistas Joana Henriques e Frederico Batista, em 05 jul. 2015. Disponível em:< https://www.publico.pt/multimedia/video/emigrar-para-ser-caboverdiano- 20150703-175152 >. Acessado em 11 set 2016.

187 da educação moçambicano, acerca da situação do ensino superior no país num relatório, intitulado Dados sobre o Ensino Superior em Moçambique 2012, destacando um vertiginoso crescimento deste setor em Moçambique, na última década.125

Na última década, o Ensino Superior em Moçambique tem estado a registar um crescimento vertiginoso motivado pela necessidade premente de satisfazer a demanda cada vez mais expressiva por este nível de ensino. Em 2004, tínhamos somente 17 IES com 22.256 estudantes, com uma taxa de participação de somente 1.2. Como reflexo das políticas consentâneas do Governo, oito anos depois, o Ensino Superior registou um meteórico crescimento para 46 IES, com 124 mil estudantes, refletindo uma taxa de participação de 5.2. Muito embora se tenha registado este rápido crescimento, muitos moçambicanos em idade de frequentar o Ensino Superior ainda estão fora do sistema. (CHILUNDO, 2014, p.7).

Este relatório mostra que, apesar do “rápido” crescimento deste setor de educação em pouco mais de uma década, a maioria dos moçambicanos ainda não tema cesso ao ensino

125 Relativamente ao Ensino Superior em Moçambique, cabe aqui mencionar que, no ano 2015, passados,

exatamente, 40 anos de independência do país, assistia-se a um crescimento vertiginoso do Ensino Superior. Moçambique contava com 49 (quarenta e nove) IES, das quais, 18 (dezoito) eram públicas e 31 privadas, com um total de cerca de 130.000 (cento e trinta mil) estudantes. O Governo moçambicano assumiu o Ensino Superior como motor para o desenvolvimento. Cerca de 5 (cinco) anos antes, o Governo havia criado o Ministério do Ensino Superior Ciência e Tecnologia (MESCT), lançou o primeiro Plano Estratégico do Ensino Superior (2000-2010), bem como propôs a primeira Política de Ciência e Tecnologia, aprovando distintos mecanismos, leis e decretos que regem este grau de educação. Assim, no ano 2012, lançou o segundo Plano Estratégico do Ensino Superior, num ano em que celebrava os 50 (cinquenta) anos do Ensino Superior em Moçambique pois, o este nível de educação teve a sua gênese formal em 21 de agosto de 1962, com a criação dos Estudos Gerais Universitários de Lourenço Marques (nome da antiga capital de Moçambique, correspondendo à atual cidade de Maputo). Após a Independência de Portugal em 1975 e com a revisão da constituição em 1990 (transição do modelo socialista e monopartidário para uma economia de mercado e um sistema multipartidário), surge a primeira a primeira Lei do Ensino Superior em Moçambique –Lei n. º 1/93, de 24 de junho de 1993 – o que permitiu a criação de IES privadas, abrindo deste modo, uma nova era e realidade da educação no país. Esta Lei foi substituída, posteriormente, pela Lei nº. 5/2003, de 21 de janeiro de 2003, que visou a regulamentação, entre outros aspectos, o controle de qualidade. No ano 2007, a partir do Decreto nº 63/2007, o Governo concebeu um conjunto de instrumentos para a visão e regulamentação deste setor, com a aprovação do Sistema Nacional de Avaliação, Acreditação e Garantia do Ensino Superior. Em 2010, a partir do Decreto nº. 30/2010, passou a implementar o Regulamento do Quadro Nacional de Qualificações do Ensino Superior, bem como, por meio do Decreto 32/2010 criou o Sistema Nacional de Acumulação e Transferência de Créditos Acadêmicos, e através do Decreto nº. 29/2010 implementou o Conselho Nacional do Ensino Superior. Nesse mesmo ano de 2010, através do Decreto nº 48/2010, criou o Regulamento de Licenciamento e Funcionamento das Instituições de Ensino Superior, como também, aprovou o Decreto nº 27/2011 de Regulamento de Inspeção às Instituições de Ensino Superior. Todos essas Leis e Decretos visam desenvolver e regulamente este setor em Moçambique. Ainda no ano 2010, o Governo decidiu não mais enviar estudantes para o exterior alunos para Cursos de Graduação, enviando somente estudantes moçambicanos para se inserirem em Cursos de Pós-Graduação no estrangeiro. Os moçambicanos que viajam para fora do país com finalidade de cursar Graduação, fazem-nos às custas próprias (Fonte: Adaptado do Ministério da Ciência e Tecnologia, Ensino Superior e Técnico-Profissional de Moçambique (MCTESTP), 16 fev. 2015. Disponível em: < http://www.mctestp.gov.mz/?q=content/ensino-superior-em-mo%C3%A7ambique>. Acessado em 28 jun., 2016). Entretanto, há dificuldades em termos de expansão e diversificação do ensino superior em Moçambique, visto que 37 (trinta e sete) das 49 (quarenta e nove) IES estão localizadas e concentradas na cidade de Maputo, capital do país. Dessa forma, a cidade e província de Maputo concentra o maior número de IES per capita de toda a África. Apesar da riqueza em minérios no seu solo, dos altos níveis de crescimento econômico, exportações de mercadorias e commodities e investimento econômico estrangeiro, cerca de 87% da população moçambicana vive abaixo da minha de pobreza.

188 superior, bem como, as IES moçambicanas oferecem, na sua maioria, cursos de graduação. Na realidade, muitos moçambicanos em idade de frequentar o ensino superior ainda estão fora desse sistema: em cada 1.000 (mil) moçambicanos, poucos mais de 5 (cinco) podem frequentar o ensino superior (Idem, 2014). E continua, o autor, a sua análise, com base em dados estatísticos:

A situação torna-se mais dramática quando olhamos para o grupo etário compreendido entre 17 e 30 anos, isto é, aqueles que se espera que em condições normais deviam estar a frequentar a educação superior. Aqui constamos que temos uma taxa líquida de escolaridade de somente 1.6, o que significa, por outras palavras, que dos 5.6 milhões da população moçambicana com idade compreendida entre os 17 e 30 anos de idade, apenas 88 mil frequentam o ensino superior. (CHILUNDO, Op. Cit, p.7).

Nesta análise, tendo em conta, particularmente, a população com idades compreendidas entre 17 e 30 anos, que deveria estar frequentando o ensino superior em Moçambique, percebe-se que, apenas 1,57% dessa população tem acesso ao ensino superior, uma taxa de cobertura do ensino superior ainda tem muito que crescer (CHILUNDO, 2014).

Já num estudo fundante e atualizado acerca da situação da educação superior nos cinco PALOP intitulado Higher Education In Portuguese Speaking African Countries: a five

country baseline study, o sociólogo moçambicano Patrício Langa (2013) mapeia o cenário e

as dinâmicas de mudanças no sistema de ensino superior nesses países, desde a era colonial até à atualidade. Nessa perspectiva, circunscreve processos em termos de expansão, diversificação, diferenciação, financiamento, gestão e de políticas de reformas desses sistemas, em momentos distintos. Este relatório oferece uma visão global histórica acerca do desenvolvimento do ensino superior nos PALOP desde o tempo colonial à atualidade, apresentando os cenários históricos de cada país, caracterizados por diferentes trajetórias, mas com similaridades em termos de formação e desenvolvimento da educação superior: países pobres, com sistemas de ensino estabelecidos durante a colonização portuguesa, com objetivos de satisfazer apenas, as demandas e interesses de uma minoria da população, constituída por colonos europeus, existindo poucas ou nenhuma IES durante o período de colonização portuguesa, até aos anos de 1970 do século XX.

De acordo com Langa (2013,) alguns desses países, como são os casos de Cabo-Verde, Guiné-Bissau e São-Tomé e Príncipe, só recentemente, na primeira década do século XXI é que conseguiram estabelecer IES Públicas em seus territórios, dezenas de anos após as independências de Portugal. Já Angola e Moçambique tinham, cada um, uma IES,

189 respectivamente, desde o tempo colonial. Contudo, enfrentaram guerras civis no contexto da bipolarização mundial, durante o período da Guerra Fria, que paralisaram, por quase vinte anos, suas economias. A Guiné-Bissau, desde a sua independência, vivenciou diversos momentos de instabilidade política até o período recente, por conta conflitos políticos e de golpes de Estado. Vejamos a sua análise acerca do ensino superior nos PALOP:

The study ha shown that higher education in the five PALOP countries took about diferente trajectories, in some cases with similarities, in terms of its formation and development. While Angola and Mozambique saw their first HEIs being established during the colonial period, to meet the demands and interests of colonial settler populations, higher education in Cape Verde, Guinea-Bissau and São Tomé and Príncipe is a postcolonial experience. In the postcolonial era, all five countries attempted to build socialist societies. The bi-polarisation of the international political order which led to the Cold War served as ideological background behind the civil wars in Angola and Mozambique. The wars in Angola and Mozambique lasted more than 20 years and paralysed the two countries economically, bringing them almost to the brink of colapse. While Cape Verde and São Tomé and Príncipe remained politically calm, Guinea-Bissau has never enjoyed and enduring Peace in its political process since gaining independence from Portugal in 1974. Consecutive coups d’etat

make the News headlines of the Guinea-Bissau political system (Op. Cit, p. 95).126 Após as independências em 1975, essas nações passam por gestões centralizadoras dos governos socialistas que se transformam, então, nos únicos provedores e gestores da educação superior nos territórios. E, finalmente, num terceiro momento, a partir de meados da década de 1980, caracterizado pelo fracasso das “experiências socialistas”, cujos anos foram caracterizados pelo liberalismo econômico, imposto pelo FMI e BM, efetiva-se a restrição da atuação dos governos na educação superior que ficam com o papel regulatório, com a entrada em cena das IES particulares. Suas economias sofrem com a liberalização dos processos de ajuste à ordem do capital, com efetivas mudanças, impostas pelo liberalismo econômico. Assim, são drásticos os impactos nos seus frágeis sistemas de educação superior, implantados, em muitos casos, por provedores particulares, cujos interesses são mercadológicos (LANGA, 2013). Assim descreve, este autor, os efeitos do liberalismo nas economias desses países:

126 Em tradução livre: “Este estudo mostra que o ensino superior nos cinco países que constituem os PALOP apresenta trajetórias distintas, em alguns casos com similaridades, em termos de formação e desenvolvimento. Ainda que Angola e Moçambique tenham estabelecido suas primeiras IES durante o período colonial, estas iam de encontro às demandas e interesses das populações colonas, enquanto que Cabo-Verde, Guiné-Bissau e São- Tomé e Príncipe tem uma experiência após o período colonial. No período pós-colonial, todos os cinco países tentaram construir sociedades socialistas. A bipolarização internacional no contexto da Guerra Fria serviu como pretexto ideológico para as guerras civis em Angola e Moçambique. As guerras civis que assolaram Angola e Moçambique nos últimos vinte anos e paralisaram economicamente os dois países, quase os levaram ao colapso. Já Cabo-Verde e São-Tomé e Príncipe permaneceram politicamente seguras, enquanto Guiné-Bissau nunca teve uma paz duradoura em seu processo político desde a independência em relação a Portugal em 1974, com