Languages); APLIESP (Associação dos Professores de Língua Inglesa do Estado de São Paulo); ALAB
(Associação de Linguística Aplicada do Brasil); PNIFE (Projeto Nacional Inglês para Fins Específicos).
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46 Para coletarmos os depoimentos dos especialistas listados no subtópico 1.2.1.1 (Quadro 3) direcionamos para os seus respectivos endereços eletrônicos duas perguntas sobre o ECL e o EIL como segue:
2) Contemporaneamente, é possível falarmos de paradigmas distintos de ensino de língua
(no sentido kuhniano do termo) quando discutimos sobre o ECL e o EIL?
3) É plausível pensar que os termos paradigma e abordagem possuam o mesmo significado
no contexto de ensino de línguas?
Como podemos observar no conteúdo das perguntas, o ECCL não foi destacado, por nós, na época, como preocupação para as reflexões54 que os especialistas estavam, gentilmente, a ponto de nos ceder. No entanto, o ECCL aparece nos depoimentos. Principalmente nas reflexões, mais e menos contida, respectivamente, de John Swales e de Nagore Prabhu, sendo esse último um autor-chave para o desenvolvimento do ECCL. Isso nos despertou para a importância de refletirmos (de forma mais enfática do que havíamos pretendido no início dos trabalhos desta tese), também, no ECCL como uma possível abordagem e/ou paradigma, distinta/o do ECL e do EIL.
Diante das perguntas destacadas obtivemos as respostas (R) e/ou depoimentos dos especialistas apresentadas/os a seguir. Esses depoimentos vão dar sustentação à discussão desenvolvida nesta tese e serão analisados e comentados separadamente no capítulo IV. Aqui, eles aparecem por ordem da data de coleta, disponível ao final de cada resposta.
Os depoimentos dos especialistas estrangeiros estão originalmente na língua inglesa (cf. Anexos) e foram traduzidos por nós para serem apresentados neste subtópico. Os depoimentos originais, em língua portuguesa, dos especialistas brasileiros também se encontram no anexo citado, bem como as respectivas autorizações de todos para publicação nesta tese.
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47 (R1) – Prof. Dr. Henry G. Widdowson (University of Vienna, Austria):
(cf. Anexo 1)
“Eu mesmo não os chamaria de paradigmas. Abordagem é uma palavra melhor. Mas eu
penso que EIL não é separado do ECL, mas parte de um mesmo desenvolvimento – de fato, o EIL, enquanto o Inglês estiver envolvido, foi de muitas formas o precursor do ECL como uma
abordagem geral de ensino de língua.” (coletada em 07/08/2006; tradução nossa)
(R2) – Prof. Dr. N. S. Prabhu (atualmente é pesquisador independente): (cf. Anexo 2)
“Eu sinto que ´paradigmas´ diferem uns dos outros em um sentido mais amplo e fundamental
quando comparados a ´abordagens´. Eles diferem, por exemplo, sobre qual o objetivo do questionamento/iniciativa (ou qual a questão básica ou problema que se deseja resolver), o que constitui procedimentos e métodos legítimos, como se avalia a realização/resultado, etc. Abordagens diferem com respeito a como se conceitualiza ou teoriza o objeto do questionamento (o que de fato se objetiva), que métodos/procedimentos são vistos ser os mais consistentes com ele [o objeto do questionamento] ou mais produtivos, etc. Podemos dizer que houve uma mudança de paradigma quando (logo após 1800) o ensino de línguas clássicas (visando o acesso ao conhecimento antigo ou a um refinamento/treinamento da mente) deu lugar ao ensino de línguas modernas (visando uma habilidade de utilizá-la para qualquer propósito); OU quando (quase cem anos mais tarde) o foco moveu-se do ensino da língua escrita para a língua falada, percebendo, assim, a natureza da linguagem como sendo essencialmente a fala e rompendo com o velho conceito de educação como leitura e escrita.
Entretanto, eu também penso que „paradigma‟ e „abordagem‟ são similares entre si, no que
eles aproximam grupos de atividades em bases similares e facilitam a discussão/comparação de maneiras similares. Pode-se distinguir entre (i) ensino de língua que é fundamentalmente guiado pela (o que se percebe como) natureza da linguagem ou da aprendizagem, e (ii) ensino de língua que é fundamentalmente guiado pelo propósito de aprendizagem ou pelo uso a ser feito, chamando os dois tanto como paradigmas diferentes ou (como eu mesmo diria) abordagens diferentes. EIL claramente pertence ao paradigma propósito-de-ensino ou abordagem. Se o ECL é pensado como ensino das partes (ou tipos) de linguagem que melhor se adequam a usos/propósitos particulares (como subentendido por planejamentos„funcional‟
e muitas atividades de „role-play‟), então ele não pertence a qualquer paradigma/abordagem
diferente. Mas se o ECL é guiado fundamentalmente por uma visão de linguagem como constituindo um meio ou processo de comunicação (como o livro de Widdowson de 1978 nos colocou), ou pela noção de que um esforço de comunicação é a condição mais favorável para a aquisição da linguagem, ambos como um processo de comunicação e como um sistema de regras (como pretendido no meu Projeto Bangalore), então ele de fato se constitui em um
48 paradigma/abordagem, na minha visão. (Eu consideraria, além disso, a posição de Widdowson e a minha como sendo abordagens diferentes dentro de uma abordagem mais ampla.) (coletada em 03/09/2006; tradução nossa)
(R3) – Prof. Dr. B. Kumaravadivelu (San Jose State University, EUA): (cf. Anexo 3)
“Eu não usaria a palavra „paradigma‟ no sentido kuhniano para me referir ao ECL ou EIL
(que é na verdade um tema do ECL). Uma mudança de paradigma é um conceito muito maior, amplo e profundo, como as leis de Newton ou a relatividade de Einstein, etc. Eu acho que seria um abuso do termo usá-lo para referir-se a qualquer coisa que fazemos em ensino de língua. Eu sei que há pessoas que fazem isso. Mas, isso não é certo, em minha visão.” (coletada em 13/09/2006; tradução nossa)
(R4) – Prof. Dr. José Carlos Paes de Almeida Filho (UnB, Brasil): (cf. Anexo 4)
“Considero, sim, dois paradigmas na teoria de ensino-aprendizagem de língua(s): o sistêmico-gramatical e o comunicacional. O instrumental é parte do comunicacional e não outro. Não têm o mesmo significado esses termos [paradigma e abordagem], mas se sobrepõem em certa dimensão – a de que representa a abordagem um conjunto de pressupostos teóricos que o paradigma comunicacional de pesquisa abrange no esforço de
construir um paradigma/modo de fazer pesquisa aplicada.” (coletada em 18/10/2006)
(R5) – Prof. Dr. John Swales (University of Michigan, USA): (cf. Anexo 5)
“Kumaravadivelu tem argumentado recentemente que nós estamos em uma „condição pós- metodológica‟ em que uma mistura eclética de atividades agora parecem triunfar. Assim, ECL
e EIL compartilham interesses em tarefas se não em textos, e talvez ambos tenham elementos
do „pós-processo‟ devido ao nosso campo (ensino de língua inglesa) ser tão variável eu não acho que podemos realmente falar sobre „paradigmas‟, embora o termo possa ser aplicável
49 para testar a linguagem e a aquisição de segunda língua.” (coletada em 19/10/2006; tradução nossa)
(R6) – Prof. Dr. Luiz Paulo da Moita Lopes (UFRJ, Brasil): (cf. Anexo 6)
“Acho complicado usar o termo paradigma no sentido de Kuhn para falar de ensino de
línguas comunicativa e instrumental a menos que você queira usar o termo paradigma em um sentido bem amplo, i.e., estamos diante de uma outra visão de ensino de línguas. Mas acho complicado separá-los. Isso é feito frequentemente para mistificação e defesa de territórios acadêmicos pouco esclarecidos (guerras sem sentido!), já que os dois enfoques nascem de uma visão de linguagem comum em que o foco é o significado e o que as pessoas querem fazer com ele no mundo. O problema é que nos dois, igualmente, o que as pessoas querem fazer com o significado e a natureza social e política dessa ação são frequentemente apagados (veja abaixo!). Nesse sentido, também não há diferença entre os dois. Em geral, se pensa o instrumental em relação à definição de propósitos imediatos e claros do aprendiz ao passo que o comunicativo visa a um ensino mais geral: alguém que vai ter que falar, escrever, ler, etc. Aqui sim há diferenças. Independente dos avanços relativos das duas tendências, ambas se voltam para estratégias que frequentemente apagam o social e o político: um falante/escritor/leitor sem desejo, raça, gênero, ideologia, etc., i.e., que não é um sujeito
social. Esse é um problema antigo no campo do ensino de línguas!” (coletada em
20/10/2006)
(R7) – Profa. Dra. Vera Lúcia Menezes de Oliveira Paiva (UFMG, Brasil): (cf. Anexo 7)
“O conceito de paradigma em Khun, um conjunto de práticas que definem uma disciplina
durante um certo período, pode ter vários significados: mito, modelo, ponto de vista epistemológico, etc. Vou construir minha resposta com base nesse último sentido, o de ponto de vista epistemológico. Eu sempre combati o uso generalizado do EIL. No Brasil, tornou-se sinônimo de leitura e foi postulado como a única possibilidade para as escolas dos menos privilegiados. Mesmo para os cursos universitários, onde o mal é menos pior, não passa de um quebra-galho em cima do pressuposto de que só a leitura basta. Assim, um grupo passou a defender o ensino de uma tecnologia, pois a leitura é tecnologia, ignorando a língua em sua totalidade. Visto desse modo, é possível dizer que pertencem a paradigmas diferentes, o EIL estaria, na minha visão, inserido no paradigma da simplificação e o comunicativo na da
50 complexidade. Eu me filio ao paradigma da complexidade que não admite o estudo de uma parte de um fenômeno isolado de seu todo. O paradigma da complexidade não separa a parte do todo, não isola, não disjunta, e tenta contemplar o caráter complexo dos fenômenos em sua dinâmica global. Quem se filia à complexidade não é determinista e entende que pequenas alterações podem produzir resultados inesperados. A visão dos que defendem o EIL é determinista e generalizante, pois acham que os alunos pobres nunca vão ter chance de falar a língua ou viajar para o exterior e acham, também, que é impossível se ensinar a língua em sua totalidade em escolas mal aparelhadas, etc. É um discurso autoritário, pois
decide para os alunos o que é „melhor‟ para eles sem lhes dar voz e ouvir o que eles desejam.
Vejo paradigma como algo maior, mais amplo e que está presente em várias áreas do conhecimento. Já a abordagem, no que concerne o ensino de língua, consiste em um conjunto de princípios, coerentes com o paradigma, que dão sustentação às ações do ensino de uma língua. Uma abordagem se baseará em uma teoria da linguagem e uma teoria de
aprendizagem consistente com o ponto de vista epistemológico defendido pela paradigma.”
(coletada em 21/10/2006)
(R8) – Profa. Dra. Maria Antonieta Alba Celani (PUC/SP, Brasil): (cf. Anexo 8)
“Não creio que seja apropriado falar-se de „paradigmas´ distintos, nesse caso, já que, para
mim, EIL é uma abordagem, e é comunicativa, sim. Isso no que refere à conceituação dessa abordagem. Para mim, paradigma está ligado à maneira de fazer pesquisa, e, na abordagem comunicativa, aí incluindo EIL, tanto se pode fazer pesquisa que se situaria em um paradigma (por ex. positivista/quantitativo) quanto em outro (por ex. qualitativo/colaborativo/crítico). Para mim, paradigma se refere à maneira de fazer pesquisa, abordagem se refere a um conjunto de pressupostos (axiomáticos) que embasam uma concepção de ensino-aprendizagem.” (coletada em 21/10/2006)
(R9) – Prof. Dr. Vilson J. Leffa (UCPel, Brasil): (cf. Anexo 9)
“É obvio que as duas palavras têm muitos traços em comum (criam capelinhas de seguidores,
fazem patrulhamento, criam modelos, formam comunidades fechadas, etc.), mas para por aí.
Não existe um „paradigma comunicativo‟, como existe uma „abordagem comunicativa‟. No
mínimo soa pomposo! Talvez seja uma questão de colocabilidade (collocation): simplesmente
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feminino de „cavalo de batalha‟ (não leve a mal a brincadeira). É como dizia o Firth: „uma palavra é conhecida pela companhia com que anda‟. Acho que é isso. Cada palavra tem seu
contexto e está presa a ele: em ciência eu falo de paradigmas; em ensino de línguas eu falo
de abordagem.” (coletada em 24/10/2006)
(R10) – Profa Dra. Matilde V. R. Scaramucci (UNICAMP, Brasil): (cf. Anexo 10)
“Para mim, paradigma é um termo bastante forte e não usaria para me referir ao ensino de
línguas. O termo que me parece adequado é, nesse caso, abordagem, que se refere a um conjunto de pressupostos teóricos, valores, crenças do que é língua(gem), ensinar, aprender, etc. Paradigma tem a ver com a maneira como vemos o mundo. No caso comunicativo e instrumental, não acho que sejam paradigmas distintos, porque o instrumental se insere dentro de uma abordagem comunicativa na medida em que leva em conta as necessidades do
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CAPÍTULO 2
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRIA