3. İLGİLİ ARAŞTIRMALAR
3.1. Yazma Etkinlikleri ile İlgili Araştırmalar
3.1.3. Yazma etkinlikleri ile ilgili nitel araştırmalar
3.1.3.3. Yazma etkinliklerinin etkileri ile ilgili nitel araştırmalar
Apesar de Kuhn não dissertar sobre o tema paradigma nas ciências humanas na Estrutura, como o faz tão enfaticamente sobre as ciências exatas e de forma bem menos enfática nas ciências sociais, sua obra clássica acaba guiando as reflexões de outras obras que abordam o tema no contexto das ciências não destacadas por ele.
Markova (1982 apud FIGUEROA, 1994, p. 19-21; tradução nossa), por exemplo, descreve o que ela compreende serem dois arcabouços filosófico-culturais ou duas tradições intelectuais ocidentais presentes no desenvolvimento científico do campo da psicologia, a saber: o "arcabouço cartesiano" e o "arcabouço hegeliano" (cf. Quadro 19).
Na área da linguística, de acordo com FIGUEROA (1994, p. 21; tradução nossa), a divisão mais comum se dá entre dois grandes paradigmas, quais sejam: o "paradigma formal" e o "paradigma funcional" que, segundo a autora, é nomeado de formas distintas por diferentes autores na literatura da área (cf. Quadro 20; sendo que os vários nomes listados seguem contextos históricos diferentes não enfatizados nesta tese).
O paradigma formal, segundo Leech (1983 apud FIGUEROA, 1994), toma a língua primariamente como um fenômeno mental e a estuda considerando-a como um sistema autônomo; já o paradigma funcional enxerga a linguagem primariamente como um fenômeno social e seu estudo está relacionado às suas funções de uso no contexto social. Dessa forma, Figueroa afirma haver uma evidente correspondência entre o paradigma formal e o arcabouço cartesiano e entre o paradigma funcional e o arcabouço hegeliano.
135 Arcabouço Cartesiano:
• A natureza da mente é individual
• A mente é estática e passiva na aquisição do conhecimento
• O conhecimento é adquirido através de algoritmos
• O critério de conhecimento é externo • Dualismo: separa a mente (consciente) do
corpo (inconsciente)
• A interação entre o sujeito pensante e o resto do mundo não é considerada
• Os processos evolucionários e de
desenvolvimento são considerados em termos de estruturas e funções inatas predeterminadas e vistos como ahistóricos
• As leis do pensamento são puramente lógicas e separadas das atividades cognitivas
• Mantém uma teoria do conhecimento que objetiva identificar o que é exato; o que direciona uma procura por invariantes conhecidas como universais
• A preocupação é com os universais abstratos que são distintos, essenciais, objetivos, eternos e não afetados pelas ações humanas
• O mundo interior é epistemologicamente superior ao mundo exterior
• A natureza da mente é social
• A mente é dinâmica e ativa na aquisição do conhecimento
• O conhecimento é adquirido através de um círculo retornando dentro dele mesmo; ou seja, com cada experiência nossa consciência é alterada
• O critério de conhecimento é interno
• Integração e interdependência entre mente e corpo para o crescimento e existência de ambos
• A consciência se desenvolve através da interação com o mundo; e a relação sujeito- objeto não é desconectada
• Há um base inata para estruturas e funções, mas é um potencial que emerge e muda dentro de um contexto interativo particular
• É significativamente histórico e desenvolvimentalmente orientado
• Rejeita as “leis do pensamento” como sendo puramente formal e fora da realidade; substituindo-as com a noção da dialética natureza do ser
• A procura não é por invariantes, mas universais realizados nos particulares; ou seja, descobrir expressões particulares de traços comuns em situações particulares ou individuais
• A preocupação é com os particulares concretos que são não-distintos, sujeitos à mudanças, relativos, temporais e dependentes das ações humanas
Arcabouço Hegeliano:
Quadro 19 – Os arcabouços cartesiano e hegeliano em Markova (1982 apud FIGUEROA, 1994)
FIGUEROA (1994, p. 18; tradução nossa), inserida no campo específico da sociolinguística, aponta a necessidade da reflexão sobre paradigmas e/ou metateoria (como a autora prefere denominar) nas ciências de um modo geral – ao destacar que
É no nível do paradigma que somos capazes de ver diferenças fundamentais, ou similaridades fundamentais, nos trabalhos que poderíamos ou não enxergar como similares ou diferentes em um nível mais concreto de modelos teóricos, métodos, ou aplicações [...] é também no nível do paradigma que alguém pode explicar problemas ou inconsistências em modelos, métodos ou aplicações particulares.
Ainda de acordo com a autora, a falta dessa reflexão paradigmática faz com que as anomalias (termo kuhniano) apareçam apenas como uma extensão do próprio modelo teórico, mascarando, assim, certas tensões entre paradigmas competitivos, ou seja, se "as concepções
136 paradigmáticas influenciam profundamente nossas escolhas e valores, então as concepções fundamentais que subentende um trabalho ou campo em particular devem ser consideradas" (FIGUEROA, 1994, p. 18; tradução nossa).
Lass (1980) “sem falante” “centrado no falante”
Lyons (1977) “microlinguística” “macrolinguística”
Harris (1981) “linguística autônoma” “linguística integrativa”
Peng (1982) “linguística estreita” “linguística ampla”
Hopper (1988) “atitude gramatical a priori” “emergência de atitude gramatical ” Paradigma Formal: Paradigma Funcional: Dik (1978)
Quadro 20 – Os paradigmas formal e funcional e denominações correlatas em FIGUEROA (1994)
No que se refere a desconsiderar as concepções paradigmáticas nas discussões científicas, Markova (1982 apud FIGUEROA, 1994, p. 18; tradução nossa) vai ainda mais longe ao destacar que
Primeiro, se estivermos inconscientes de nossas pressuposições, somos incapazes de refletir sobre elas e consequentemente incapazes de considerar alternativas para se adotar caminhos de pensamento e investigação. Segundo, somos responsáveis por fazer generalizações injustificadas através de diferentes assuntos.
LASS (1980), refletindo dentro da área da linguística, enfatiza que os linguistas preferem fazer linguística e deixar as discussões metateóricas para os filósofos. No entanto, para o autor, o trabalho do linguista é profundamente influenciado por suposições e/ou hipóteses paradigmáticas. Dessa forma, a relação entre a linguística e a metateoria é uma importante relação a ser estudada.
Como pudemos constatar, LASS (1980) e FIGUEROA (1994) utilizam o termo metateoria como sinônimo para o termo paradigma – que se refere (cf. FIGUEROA, op. cit., p. 4) às "crenças subjacentes que geram uma abordagem particular" e/ou, ainda, uma "ideologia" ou "pressupostos teóricos", já que o termo em Kuhn, segundo Figueroa, é
desenvolvido em relação direta com as ciências “duras”. Dessa forma, a autora acaba não
137 outro, apesar de se mostrar simpatizante com as concepções de ciência normal e revolução científica inseridas no contexto da linguística e, no caso específico dos estudos da autora, no contexto da sociolinguística.
FIGUEROA (op. cit.; tradução nossa) considera – como alguns autores (HYMES, 1974; PERCIVAL, 1976; DRACHMAN, 1981; PEREZ, 1986 e BORGES NETO, 2004) já citados neste capítulo – que o esboço de Kuhn sobre a evolução das ciências não dá conta da história da linguística, uma vez "que achamos, durante sua história, a coexistência de paradigmas competitivos" (p. 8). Ela concorda com a visão de HYMES (1974) sobre a noção de "comunidades paradigmáticas" e de "focos de interesse competindo". Para Figueroa, a "metateoria" consiste nas "crenças subjacentes que geram uma abordagem particular" ou, ainda, um "pressuposto teórico ou ideológico" (p. 4).
A metateoria, nesse caso, pode ser comparada aos termos paradigmas como exemplos compartilhados (KUHN, 1962/2001) e paradigma metafísico ou metaparadigma (MASTERMAN, 1979)101, pois, para Figueroa (op. cit.) ciências, como a sociolinguística (e outras dentro da linguística consideradas por ela como metateorias), estão inseridas em um campo maior (no arcabouço hegeliano ou no arcabouço cartesiano). Os arcabouços citados podem ser considerados o que Kuhn denomina de paradigma como a constelação dos compromissos de grupo ou paradigma sociológicos, ressaltando que o primeiro grupo é um subconjunto do segundo grupo.