3. İLGİLİ ARAŞTIRMALAR
3.1. Yazma Etkinlikleri ile İlgili Araştırmalar
3.1.1. Yazma etkinliklerinin matematik başarısı ve matematiğe karşı tutumu arasındaki ilişkileri arayan deneysel araştırmalar
3.1.1.2. Liselerde okuyan öğrenciler üzerinde yapılan deneysel araştırmalar Miller ve England (1989) çalışmalarını Louisiana’da 1350 kişilik bir lisede çalışan
O tema em torno do que é ou não ciência é bastante antigo e consiste em uma das preocupações da filosofia da ciência, visto que para cada corrente filosófica (como já vimos no início deste capítulo) existem alguns critérios específicos para se delimitar a fidedignidade de um campo investigativo.
Conforme PEREZ (1986, p. 9; tradução nossa), os filósofos da ciência dividem-se em dois grandes grupos no que se refere à ideia do que é ciência: um interno e outro externo. Para os filósofos internalistas, como Popper, Hanson e outros, a ciência "resulta da análise de
69 corpos teóricos" em um contexto de justificação (Popper) ou de descobrimento (Hanson); já para os filósofos externalistas, como Kuhn, Lakatos, Toulmin e outros, a ciência é extraída "a partir da evolução desses corpos teóricos através da história", sob um ponto de vista sociológico (Kuhn), puramente histórico (Lakatos), ou humanista (Toulmin).
A discussão em torno do tema ciência vs não-ciência, no entanto, acaba ganhando força na contemporaneidade, gerando calorosas discussões sobre a "natureza essencial da ciência e a gênese das revoluções científicas" (WILLIAMS, 1979, p. 60), com as demarcações de Popper entre ciência (empírica) e não-ciência e as considerações de Kuhn sobre a natureza da ciência normal e ciência extraordinária. Nesse sentido, as palavras de WILLIAMS (1979, p. 60) e LAKATOS (1979, p. 111), respectivamente, se mostram bem esclarecedoras ao se referirem ao famoso debate – exposto em LAKATOS & MUSGRAVE (1979; ênfase dos autores) – entre esses dois filósofos:
Se bem entendi o pensamento de Sir Karl Popper, a ciência se acha, de um modo básico e constante, potencialmente à beira da revolução. Basta que uma refutação seja bastante grande para constituir uma revolução dessa ordem. Sustenta o Professor Kuhn, por outro lado, que a maior parte do tempo dedicado ao exercício da ciência é o que ele denomina ciência 'normal' – isto é, solucionamento de problemas ou resoluções de cadeias de argumentos implícitos em trabalhos anteriores. Nessas condições, uma revolução científica, para Kuhn, leva muito tempo para ser construída e só ocorre de tempos em tempos porque a maioria das pessoas não tenta refutar as teorias vigentes.
[...] ao passo que, de acordo com Popper, a ciência é 'revolução permanente' e a crítica é o cerne do empreendimento científico, de acordo com Kuhn a revolução é excepcional e, na verdade, extracientífica, e a crítica, em épocas 'normais', é maldição. Ao parecer de Kuhn, com efeito, a transição da crítica para o compromisso assinala o ponto em que o progresso – e a ciência 'normal' – principia. Para ele, a idéia de que na 'refutação' se pode exigir a rejeição (a eliminação de uma teoria) é falseacionismo 'ingênuo'.
Na visão de Popper, de acordo com CARVALHO (1990, p. 62-4), a capacidade de refutação empírica de uma teoria científica é "o critério que permite traçar uma linha de demarcação entre ciência (empírica) e não-ciência", ou seja, a falsificabilidade é para Popper a medida da autenticidade científica. Uma vez que uma dada teoria só pode ser real, e consequentemente científica, se ela for capaz de enfrentar a realidade da qual discursa. Assim, "o critério de demarcação popperiano estabelece que todo discurso não falsificável ultrapassa as fronteiras de ciência empírica, sendo portanto um discurso extra-científico".
70 Para KUHN (1962/2001), a ciência normal é
[...] um empreendimento altamente cumulativo, extremamente bem sucedido no que toca o seu objetivo, a ampliação contínua do alcance e da precisão do conhecimento científico (p. 77) [ou seja] significa a pesquisa firmemente baseada em uma ou mais realizações científicas passadas. Essas realizações são reconhecidas durante algum tempo por alguma comunidade científica específica como proporcionando os fundamentos para sua prática posterior (p. 29).
E é essa ciência normal, amadurecida, que expõe em seus manuais o conteúdo e as aplicações da teoria aceita e seguida pelos seus cientistas; teoria já testada empírica e experimentalmente. A teoria em questão, na ciência normal, ainda de acordo com KUHN (1962/2001, p. 30), assume tal postura por compartilhar de suas características – a própria compreensão de paradigma – de fundamental importância, a saber:
Suas realizações foram suficientemente sem precedentes para atrair um grupo duradouro de partidários, afastando-os de outras formas de atividade científica dissimilares.
Simultaneamente, suas realizações eram suficientemente abertas para deixar toda a espécie de problemas para serem resolvidos pelo grupo redefinido de praticantes da ciência.
Para KUHN (1979a), a visão de Popper sobre ciência e as suas necessidades de refutação empírica nada mais seriam mais do que a própria descrição que ele, Kuhn, faz sobre o processo que considera de ciência e/ou pesquisa extraordinária. POPPER (1979, p. 64), até certo ponto, concorda com as colocações de Kuhn enfatizando, porém, que a ciência normal pensada por esse filósofo não passaria de uma
[...] atividade do profissional não-revolucionário, ou melhor, não muito crítico: do estudioso da ciência que aceita o dogma dominante do dia; que não deseja contestá-lo; e que só aceita uma nova teoria revolucionária quando quase toda a gente está pronta para aceitá-la – quando ela passa a estar na moda, como uma candidatura antecipadamente vitoriosa a que todos, ou quase todos, aderem. Resistir a uma nova moda exige talvez tanta coragem quanto criar uma.
WAIKINS (1979), de um ponto de vista popperiano sobre a ideia de ciência normal kuhniana, enfatiza que Kuhn notadamente eleva a ciência normal a um patamar de essência da ciência ao se empenhar na Estrutura "em superestimar a ciência normal e em subestimar a
71 ciência extraordinária" (p. 37). O autor ainda coloca que essa mistura entre as visões de Kuhn e Popper sobre o que seria a natureza da ciência acaba refletindo um conflito, pois "a condição da ciência que Kuhn considera normal e apropriada é uma condição que, se fosse realmente obtida, Popper consideraria não-científica" (p. 41).