3. İLGİLİ ARAŞTIRMALAR
3.2. Öz-yeterlik ile İlgili Araştırmalar
3.2.1. Matematik başarısı ile öz-yeterlik arasındaki ilişkiler ile ilgili araştırmalar Üredi ve Üredi (2005)’nin çalışmaları, İstanbul ili Kadıköy ilçesindeki üç devlet
DASCAL (1978, p. 26) enfatiza a natureza da oposição entre o estruturalismo (americano) e o gerativismo como medida de verificação das atribuições de Kuhn às revoluções científicas. Metodologicamente, ao analisar os elementos funcionais da língua, como a estrutura sentencial, por exemplo, o estruturalismo filia-se ao indutivismo, procurando formular procedimentos rigorosos de descoberta e observação, gerando um corpus e subtraindo, daí, suas teorias. Já Chomsky rejeita os procedimentos indutivistas de pesquisa e a importância de um corpus, compreendendo "que o que a teoria deve explicar é a competência tácita de qualquer falante de gerar e compreender um número ilimitado de sentenças da língua", ou seja, são as intuições do linguista que deverão gerar hipóteses através das quais suas afirmações teóricas serão testadas – como acontece nos encaminhamento do falsificacionismo, segundo entendemos.
De acordo com Dascal, Chomsky defende a noção de uma gramática da língua, dominada pelo falante, como um conjunto de regras recursivas (e não taxonômicas, como no caso do estruturalismo). De um outro ponto de vista, mais substancial, ainda conforme Dascal, Chomsky nega a forma como o estruturalismo concebe a estrutura sintática de uma sentença, ou seja, através de insuficientes e superficiais regras de estrutura frasal, hierárquica e sistematicamente derivadas de um único marcador frasal. Para Chomsky, segundo DASCAL (op. cit., p. 28), não é possível abranger todas as estruturas frasais da língua como advindas de um único marcador frasal, como pretendia o estruturalismo, já que a estrutura sintática de uma frase é representada por "regras de transformação" ou "derivação"; ou seja, "por uma sequência de marcadores frasais (e não apenas por um só), da qual apenas o último corresponde à sua ´estrutura superficial´, que constituía o objeto único da atenção dos linguistas estruturalistas".
As colocações de DASCAL (1978) sobre as naturezas (metodológica e substancial) da oposição entre o estruturalismo e o gerativismo também são compartilhadas por Percival
141 (1976), exatamente por serem (nos parece) diferenças um tanto quanto inquestionáveis. No entanto, de acordo com Percival, isso não bastaria para classificar a visão chomskyana de paradigma, mesmo porque o próprio Kuhn, na Estrutura, não oferece os mecanismos que diferenciariam um paradigma de um não-paradigma, nesse sentido, Kuhn teria se preocupado mais em descrever o que não seria um paradigma. Assim, Percival avança no tema e enfatiza a questão da dimensão sociológica que um paradigma kuhniano deve atingir para ser entendido como tal. Questiona os limites de adesão ao paradigma chomskyano que se limita aos linguistas da escola norte-americana e, entre esses, muitos já se distanciaram da proposta gerativo-transformacional inicial formando outras linhas de pensamento que se fundamentam, até, no próprio Chomsky.
De acordo com Percival, as ideias de Chomsky estão longe de poderem ser estabelecidas como um novo paradigma na Linguística, tendo em vista que elas não constituem uma escola unificada – característica de suma importância, segundo o autor, para a constituição de um paradigma no sentido kuhniano.
No entanto, é assim que a Linguística se constrói: com várias, diferentes e opostas ramificações sustentadas por distintas visões sobre o mesmo objeto de estudo. O que para Kuhn, nas interpretações de PERCIVAL (1976), mostraria que as ciências humanas e sociais não teriam ainda atingido maturidade científica a ponto de possuírem seus próprios paradigmas, o que, ao contrário, ocorreria nas ciências naturais.
O problema de tal discussão (qual seja, se a gramática gerativo-transformacional de Chomsky pode ou não ser considerada como um novo paradigma na Linguística), de acordo com Percival, não estaria propriamente na forma como Chomsky desenvolveu sua teoria em oposição a outras dentro da Linguística, mas sim na forma como Kuhn se posicionou diante do que seria ciência e não-ciência e, a partir disso, desenvolveu a noção de paradigma. Assim, ainda de acordo com PERCIVAL (op. cit., p. 292; tradução nossa), "a teoria de Khun só poderia ser aplicada à Linguística se a distinção desse autor entre ciência e não-ciência for inválida", já que, nas reflexões de Kuhn, a Linguística possivelmente seria considerada como uma não-ciência, o que para Percival não procede.
Para SEARLE (1974, p. 17), no entanto, a "revolução chomskyana seguiu muito estreitamente o esquema geral descrito na obra [Estrutura] de Kuhn", tendo em vista que as ideias de Chomsky fizeram surgir um número cada vez maior de contra-exemplos ao paradigma estabelecido até então pela Linguística, e esses "contra-exemplos conduziram Chomsky a romper totalmente com o modelo antigo e a criar um completamente novo". Nesse
142 sentido, o paradigma vigente tinha como objetivo a classificação dos elementos da língua humana – fonemas, morfemas, palavras (e suas classes), orações (e seus tipos) – para compreender como a língua se estruturava.
Chomsky percebeu a impossibilidade de se compreender a construção das orações e, consequentemente, a língua, através dessa descrição, uma vez que a produção de orações pelo ser humano é de possibilidade infinita. A visão de Chomsky altera a concepção do método e a maneira de se olhar o objeto de estudo ao desenvolver uma teoria de descrição linguística (não-taxonômica) que pretendia dar conta do número infinito de orações de uma língua natural. Para tanto, Chomsky precisou considerar algo que o paradigma anterior não considerava: as ideias inatas na mente humana.
NEWMEYER (1986, p. 1; tradução nossa), por sua vez, defende a posição de que a revolução chomskyana também ocorreu com a publicação do livro clássico de Chomsky Estruturas Sintáticas102, que explicita "profundos efeitos, ambos intelectualmente no estudo da linguagem e sociologicamente no campo da Linguística" – embora o paradigma gerativista-transformacional tenha tido problemas em se sustentar como uma escola unificada103.
De acordo com NEWMEYER (1986, p. 2-3; tradução nossa), o livro Estruturas Sintáticas é revolucionário não apenas por "sua concepção de gramática como uma teoria da linguagem", mas também, e principalmente, por "demonstrar a possibilidade prática de uma teoria de estrutura linguística não-empirista" (algo inovador para a área na época), e por "colocar as relações sintáticas no centro da língua" e a "língua como um sistema bem definido" – o que possibilitou destacar a criatividade como um aspecto distintivo da linguagem humana.
A teoria de Chomsky, segundo NEWMEYER (op.cit., p. 3; tradução nossa), ainda estaria "sujeita à mesma restrição e avaliação como qualquer teoria das ciências naturai", sendo que Chomsky considerou, ao enfatizar a distinção entre competência e performance, o que para muitos especialistas fora apenas uma continuação da distinção previamente feita por Saussure entre langue e parole. Nesse sentido, Newmeyer coloca que há uma diferença importante entre a teoria de Chomsky e a de Saussure, na medida em que este último (e os linguistas da escola de Praga), considerando a Linguística como um ramo da psicologia social, classificava as relações sintagmáticas como parte da parole (a fala) e não da langue (a língua), exatamente por compreender que "não havia razão pela qual a língua deveria ser ´um
102 Como também é destacado em HOCKETT (1965). 103
143 objeto bem definido na massa heterogênea das atos da fala´" (p. 3).
No caso dos linguistas estruturalistas norte-americanos que não compartilhavam das ideias de Chomsky, a distinção entre langue/parole de Saussure, conforme Newmeyer, foi negada por considerarem a 'langue não mais do que um conjunto de ´hábitos´ diretamente deduzidos do comportamento da fala'. Assim, NEWMEYER (op. cit., p. 5; tradução nossa) enfatiza que Chomsky, ainda que faça parte do que chamamos de estruturalismo, produziu uma revolução dentro da própria Linguística Estrutural inaugurada por Saussure, não sendo, porém, uma revolução anti-estruturalista, mas sim uma revolução que "alterou profundamente nossa concepção da natureza da estrutura linguística, e abriu caminho para a compreensão de como essa natureza se manifesta nos mecanismo da mente humana".