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3. İLGİLİ ARAŞTIRMALAR

3.1. Yazma Etkinlikleri ile İlgili Araştırmalar

3.1.3. Yazma etkinlikleri ile ilgili nitel araştırmalar

3.1.3.1. Yazma etkinliklerinin işlevleri ile ilgili nitel araştırmalar

Se, no final do século XIX, as reflexões nos estudos linguísticos se mostravam em profundas transformações com a rejeição do pensamento racionalista e universal das línguas; no campo da filosofia da linguagem não foi diferente em relação à lógica imputada às proposições. Se os neogramáticos e/ou linguistas percebiam a importância das questões da fala e do uso linguístico nos estudos da linguagem, os filósofos da linguagem conscientizavam-se da potência das línguas naturais e das funções da linguagem em situação de comunicação e motivavam, no início do século XX, tanto o que se conhece como "virada linguística da filosofia", quanto o início do desenvolvimento de teorias pragmáticas dentro dos estudos da linguagem (cf. PAVEAU & SARFATI, 2006: 215-6).

Por virada linguística da filosofia entende-se a superação da concepção clássica da linguagem como imagem do pensamento que refletia uma visão de uma "estrutura universal do pensamento humano, subjacente a todas as línguas e independente de sua variação superficial". A superação dessa tradição racionalista da linguagem ocorre com as reflexões de filósofos inseridos na "filosofia analítica" que acreditam que, "ao enunciar uma frase numa data situação de comunicação, o falante executa um certo tipo de ato social" (MARTIN, 2003, p. 127-32).

Nesse contexto, uma importante virada linguística da filosofia ocorre, no final dos anos de 1920, nos trabalhos de Wittgenstein68, quando o próprio estudioso se distanciar de uma de suas principais obras (que lhe deu o título de doutor em Cambridge), o Tractatus Logico-Philosophicus (de cunho positivista), publicada em 1921. Wittgenstein passa a duvidar de suas próprias reflexões no Tractatus e estabelece

[...] as grandes linhas de um programa de pesquisa inédito, relativo ao exame das relações que uma língua natural estabelece com a categorização da experiência, a percepção, o mundo da cultura. Wittgenstein distingue principalmente a função de comunicação da linguagem vernácula; a cada domínio de práticas (formas de vida) corresponde uma multiplicidade de cenários de comunicação (jogos de linguagem) (PAVEAU & SARFATI,

68

87 2006, p. 216).

A partir do ano de 1950, também o filósofo inglês John Austin (1911-1960) situa a linguagem ordinária (PAVEAU & SARFATI, 2006) como objeto de conhecimento ao propor uma teoria dos atos da fala – antes disso, tanto na filosofia quanto na linguística, toda proposição e/ou enunciado eram tidos como verdadeiras(os) ou falsas(os), dotadas(/os) de sentido ou sem-sentido. Diante disso, Austin propõe que nas línguas naturais as proposições dotadas de sentido vão além do verdadeiro/falso, podendo ser de dois tipos, a saber: enunciados constativos, que descrevem um estado de coisas, e enunciados performativos, que permitem realizar um certo tipo de ação. Por esse aspecto, a linguagem passa a ser compreendida de outra forma.

Assim, de acordo com MARTIN (2003, p. 132), Austin classificou os atos da fala como ilocutórios (realiza o ato que descreve) ou contendo uma força ilocutória (intenção real do falante ao produzir um enunciado), ou seja, os atos de fala se constituem em "atos de ordenar, interrogar, afirmar, aconselhar, sugerir, advertir, ameaçar, criticar, acusar, felicitar, agradecer, suplicar, prometer, insultar, desculpar-se, jurar, e muitos outros".

No final da década de 1950, o filósofo inglês Herbert Paul Grice (1913-1988), de acordo com PAVEAU & SARFATI (2006, p. 226), desenvolveu "as bases de uma teoria semântica e de uma teoria pragmática complementares, uma e outra fundada sobre a hipótese do caráter intencional da comunicação" – em um contexto de significação natural (não- induzida) e não natural (induzida) na produção dos enunciados pelos falantes e de percepção (dessa significação natural ou não) pelos ouvintes.

No final da década de 1960, o filósofo norte-americano John Searle – seguidor das ideias de Austin – propõe uma reformulação na teoria dos atos da fala, adicionando noções de conteúdo e força proposicional (concepção intencionalista da significação) na produção dos enunciados. Visando, com isso, compreender "sob quais condições os sujeitos podem adequadamente interpretar os enunciados e, portanto, inscreverem-se de maneira adequada

nos processos de comunicação (verbal e não-verbal)" (PAVEAU & SARFATI, 2006, p. 223). E é exatamente a valorização da intenção do falante e/ou as ligações entre linguagem e

ação em contexto de interação social, enfatizada nos estudos de filosofia da linguagem, que passa também a ser uma preocupação dos estudos linguísticos. Esse momento fica conhecido também como a "guinada pragmática" da linguística – já que a pragmática se preocupa em estudar "os fatores que regem nossas escolhas linguísticas na interação social e os efeitos de nossas escolhas sobre as outras pessoas" (WEEDWOOD, 2002, p. 144). Nesse contexto, as

88 escolhas linguísticas podem ser conscientes ou inconscientes e são regidas por regras sociais implicitamente marcadas no convívio sociocultural. A cultura, aqui, também exerce um papel importante na medida em que os fatores pragmáticos diferem nas diferentes línguas.

Ainda conforme Weedwood, a evolução da pragmática "não é um campo de estudo coerente" (op. cit., p. 146) e uma variedade de fatores contribui para uma sobreposição de reflexões de outras áreas nesse domínio. A seguir, mostraremos alguma dessas sobreposições enfatizadas pelo autor:

A pragmática e a semântica levam em conta noções como as intenções do falantes, os efeitos de um enunciado sobre os ouvintes, as implicações que seguem o expressar alguma coisa de certo modo, e os conhecimentos, crenças e pressuposições acerca do mundo sobre os quais os falantes e ouvintes se baseiam quando interagem.

A estilística e a sociolinguística se sobrepõem à pragmática em seu estudo das relações sociais que existem entre os participantes, e de modo como o contexto extralinguístico, a atividade e o tema da conversa regulam a escolha de aspectos e variedades linguísticas.

A pragmática e a psicolinguística investigam os estados e as habilidades mentais dos participantes que terão um maior efeito sobre seu desempenho verbal – fatores como atenção, memória e personalidade.

A pragmática e a análise da conversação compartilham várias das noções filosóficas e linguísticas que foram desenvolvidas para lidar com o exame das interações verbais (o modo como a informação é distribuída dentro de uma frase, as formas dêiticas, a noção de “máximas” conversacionais, etc.).

(WEEDWOOD, 2002, p. 146-7; ênfase nossa)

A psicolinguística começa a se estruturar, como hoje a conhecemos, no final da década de 1950, tendo sido influenciada, nos anos de 1960, pela teoria gerativa de Chomsky, principalmente pela sua preocupação com os estudos relativos aos processos psicológicos na aquisição da linguagem. Já na década de 1970 a psicolinguística persegue com mais afinco uma autonomia em relação à psicologia e à linguística, desviando seu foco de reflexão para outras áreas como a epistemologia genética, a etologia e a psicanálise. Atualmente, a psicolinguística é reconhecida também pelas preocupações de investigação do uso social da linguagem (cf. DEL RÉ, 2006).

A sociolinguística se desenvolve como corrente teórica autônoma a partir da década de 1960, com os estudos dos linguistas William Labov e John Gumperz e do antropólogo e estudioso da linguagem Dell Hymes. As preocupações científicas desses teóricos baseavam-se

89 em "descrever e interpretar as variáveis que interferem na variação e mudança linguística" em contexto real do uso linguístico – objeto linguístico desprezado pelo estruturalismo e pelo gerativismo (CEZARIO & VOTRE, 2008, p. 146)

Benzer Belgeler