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1. YATIRIM ORTAMININ GENEL ÇERÇEVESİ

1.4. Türkiye’de Yatırım Ortamına İlişkin Yapılan Çalışmalar

1.4.1. Yatırım Ortamını İyileştirme Koordinasyon Kurulu

A proposta de mediação estabelecida nas normativas do Programa de ATES, como dito anteriormente, é originária de uma longa trajetória de experiências da ação extensionista. As críticas a um modelo padronizado da ação extensionista direcionou experiências da ação extensionista por demanda. Nos poucos anos de existência do A- TES, a proposta inicial era atuar por demanda, não havendo um itinerário fixo da ação extensionista, embora houvesse a necessidade do cumprimento das etapas de desenvol- vimento dos assentamentos de acordo com o que a proposta de intervenção, coordenada pelo Estado (na figura do INC RA) determinara, e as visitas individuais não ocorriam a todos os assentados. Nas pesquisas consultadas sobre o Projeto LUMIAR, é registrado um descompasso entre as propostas técnicas, principalmente produtivas e especializa- das, e a realidade produtiva dos assentados. O direcionamento para cultivos “financiá-

veis” pelo PROCERA72 não correspondia às experiências anteriores dos assentados, representando uma dificuldade e expondo limites na ação extensionista, sobretudo pela descontinuidade e a falta de acompanhamento que o programa emergencial se caracteri- zava (DIAS, 2004; PIMENTEL, 2007). Já em trabalhos sobre o ATES, é registrado que, na maioria das vezes, somente os assentados que contavam com acesso e financiamento creditício tinham visitas periódicas dos extensionistas (MIRANDA, 2008)73. A partir de 2010, o Programa de ATES passa a obrigar as prestadoras do serviço extensionista visi- tar todos os lotes, no mínino três vezes ao ano, independentemente se acessam crédito ou não.

A visita individual, lote a lote, passa a ser um componente importante para com- preender a ação extensionista no Programa de ATES. Apesar de haver algumas críticas a essa visita padronizada, de uma forma geral, ela possibilita a composição de um cená- rio mais completo sobre as atividades e a condição dos assentados e dos assentamentos. O INCRA ressalta que a visita individual é uma das mias importantes metodologias de funcionamento do Programa ATES. Pelo fato da ação extensionista proposta pelo ATES não impor uma mudança, ela não se caracterizaria exclusivamente pela padronização, a partir do momento que é o assentado, em diálogo com o extensionista, que define as práticas produtivas e sua relação ambiental com o lote. Esse modelo, “parcialmente pa- dronizado”, ao mesmo tempo em que garante certa autonomia entre os mediados na relação assentado-extensionista, por não orientar somente a partir da intencionalidade do extensionista, pode sinalizar uma mudança paliativa do programa do ATES, tendo em vista que muitos assentados não se interessam pelas propostas apresentadas pelo ATES74. Assim sendo, pode-se notar uma contradição entre os objetivos do programa e

      

72 O Programa Especial de Crédito para Reforma Agrária (PROCERA) foi criado pelo já extinto Ministé-

rio Extraordinário de Política Fundiária, em 1986, direcionado exclusivamente aos agricultores assenta- dos. Segundo PEREIRA (2004) esse programa colocou em evidência as deficiências dos serviços de ATER no país e expôs o descompasso entre as propostas do aparato estatal e dos movimentos sociais no campo. Enquanto o Estado compreendia que o problema de viabilidade dos assentamentos era uma mera questão creditícia, com vista a produção, os movimentos entendiam que os assentamentos são mais que apenas espaços produtivos, para aprofundamentos consultar PEREIRA (2004). No LUMIAR, além da Equipe de Supervisão, detalhada no capitulo anterior, foi criada as Comissões Estaduais PROCERA LU- MIAR em cada Superintendência Regional do INCRA e a nível nacional a Comissão nacional PROCERA LUMIAR, sob responsabilidade da Divisão de Assentamento do INCRA Nacional.

73 O estudo de MIRANDA (2008) se restringe a uma cooperativa (Copserviços) no sudeste do estado do

Pará, restringindo generalizações às prestadoras não-estatais.

74 O interesse pelo Programa ATES é muito variável entre os assentados. Entre os motivos estão as expe-

riências anteriores de ATER vivenciadas pelos mediados, os objetivos diferenciados entre o programa e as intenções dos assentados. Muitas vezes o que o agricultor procura é uma relação de dependência foca- da no produtivismo, reflexo de décadas de intervenção assistencialista e da histórica posição marginaliza- da dos grupos de agricultores sem-terra (PEREIRA, 2004; PINTO, 2005; MIRANDA, 2007).

a forma de operacionalizar estes objetivos. Exemplificando: o terceiro princípio do Ma- nual de ATES, que especifica a forma da ação extensionista, ao mesmo tempo em que estimula a adoção de metodologias participativas, não problematiza e não qualifica o enfoque agroecológico, assim como a “transição agroecológica”, exposto no Manual de ATES (BRASIL, 2008).75

Há de se considerar que o enfoque adotado, a agroecologia, é um conceito em construção e não fica evidente sua complexidade apresentada pela Norma Interna n° 71 de maio 2008 do INCRA (NI/n° 71, INCRA, 2008), a qual estabelece critérios e proce- dimentos sobre a ATES. Na norma em questão, a agroecologia aparece como um prin- cípio da ATES, já no segundo Manual de ATES de 2008 (II - Manual de ATES, IN- CRA, 2008) o conceito é descrito, contudo não é problematizado, demonstrando a ne- cessidade de capacitação não apenas técnica, mas social, dos agentes que visam traba- lhar com esse conceito, que se apresenta multidimensional. A agroecologia não deveria apenas ser um referencial de prática agronômica, pois em sua definição conceitual já existem elementos que ultrapassam as questões agrícolas e produtivas. Inclusive nas definições normativas existe a incorporação, além da dimensão técnica e agronômica, de aspectos complexos, como variáveis econômicas, sociais e ambientais (MDA/INCRA, 2008). Contudo transpor a norma para a prática exige um esforço con- siderável na qualificação e na formação dos extensionistas que visam trabalhar com essa definição. Já na lei de ATER, de 2010, o termo “agroecologia” não aparece uma única vez, somente os termos manejo ecológico e agroecosisstemas, representados por unida- des de análise do enfoque agroecológico (BRASIL, 2010).

No que diz respeito à formação dos extensionistas um conceito chave para a compreensão da extensão rural em assentamentos foi cunhado por D’INCAO (apud MASSELLI, 1998) no começo dos anos 1990, o de “técnico-militante”76. O trabalho identificou que os extensionistas que trabalhavam em assentamentos da reforma agrária tinham um “perfil particular”77 Segundo a definição, o técnico-militante é um extensio- nista preocupado com a conscientização política, e que por sua vez, se identifica com os

      

75 Sobre agroecologia e Extensão Rural, consultar GLIESMMAN, 2000; ALTIERI, 2001; CAPORAL,

2003; CAPORAL e COSTABEBER, 2003, 2004, 2007.

76 É importante ressaltar que o “técnico-militante” abordado nestes trabalhos está diretamente ligado ao

aparelho estatal, como no caso as EMATER, vivendo contradições mais profundas pela proximidade com o papel ambíguo do Estado, do que os extensionistas vinculados a ONG e cooperativas que firmam acor- dos, contratos ou convênios com instituições estatais.

77 Termo utilizado “[...] para designar o profissional cujo comprometimento político se dá através de sua

“oprimidos”. Tem o perfil de um profissional que, inserido na realidade acadêmica, to- ma uma atitude crítica aos conteúdos estritamente relacionados à produção, passando a considerar a condição social, a estrutura desigual da propriedade da terra, dos meios de produção e das relações de trabalho no mundo rural. Neste sentido, não é na formação oficial que ocorre as maiores contribuições na formação do extensionista, mas é no mo- vimento estudantil, e seu papel na vida dos futuros profissionais e na formação político- ideológico, sendo um dos principais responsáveis pela “descoberta da realidade” (MASSELLI, 1998). A outra forma de inserção social que contribuiu na formação des- tes profissionais é o trabalho com educação popular, aproximando as reflexões do edu- cador Paulo Freire às concepções profissionais do extensionista rural. Essa forma de militância direcionou ação extensionista a um conteúdo político, pelo processo de ação- reflexão-ação, objetivando o pressuposto de que para se chegar à “conscientização críti- ca”, seria necessário conciliar o esforço intelectual à práxis (FREIRE, 1980). Enfim, o perfil do técnico-militante, independente do vínculo político partidário, caminha na di- reção de que a ação extensionista não é neutra e que o técnico não está, mesmo que as- sim se intitule, desvinculado do universo político que se encontra o agricultor na socie- dade (MIRANDA, 2007). Dessa forma, trabalhar com os assentados, mesmo com as adversidades e com a precariedade estrutural que subsidia a ação extensionista, tem uma importância social valorizada como projeto político de mudança social no intuito de uma sociedade mais democrática e menos desigual.

O técnico-militante vive ambiguidades inerentes ao processo de intervenção ex- tensionista, sobretudo porque está relacionado, de uma forma ou de outra ao Estado. Assim, seu compromisso com a “libertação dos agricultores”, a partir de sua relação com o Estado e pelo jogo dos compromissos políticos que são inerentes, mesmo que inconscientemente, passa a desempenhar, em alguma medida, também o papel de “fisca- lização” e até de “domesticação” (MASSELLI, 1998). Dessa forma, se o profissional não estiver muito atento a problematizar sua própria ação, pode contribuir para confun- dir e fortalecer sistemas clientelístico e paternalísticos (GUEDES PINTO apud. MAS- SELLI, 1998). Além disso, o profissional pode acabar sendo mais um agente de contro- le e domesticação, por parte dos aparelhos estatais, do que um agente de transformação social.

O que se pode por fim depreender destas reflexões é que, de certa forma, por pa- radoxal que pareça, a defesa incondicional de um ideal democrático tem contri- buído para que, a despeito de suas boas intenções, os técnicos reproduzam, com os assentados, relações autoritárias de dominação (MASSELLI, 1998, p.106).

Para a composição das equipes do LUMIAR, esse componente da militância foi fundamental a partir do momento que os representantes dos assentados indicavam os extensionistas para atuar (PIMENTEL, 2007). Já no ATES, todo o processo de creden- ciamento habilitação das prestadoras permite a participação de um universo diferencia- do de extensionistas, sobretudo pela dinâmica de rotatividade dos profissionais e suas conseqüências. Por outro lado, garante certa autonomia da organização extensionistas frente os outros atores sociais, como as entidades representativa dos assentados, situa- ção que era problemática no LUMIAR (PIMENTEL, 2007), contudo como será visto à frente, no capítulo seguinte, essa autonomia deve ser relativizada.

Neste sentido, torna importante ressaltar que a ação extensionista, e o papel do técnico, muda no decorrer do processo de intervenção e no “momento do assentamen- to”. Enquanto no início existe a necessidade de inserção na dinâmica do assentamento e aceitação do trabalho extensionista por parte dos mediados, o profissional se posiciona como “amigo” do assentado; já na medida em que os projetos vão sendo concretizados, o financiamento creditício e as orientações técnicas e políticas passam a ocupar desta- que na ação extensionista, o profissional passa a assumir um papel de “fiscalizador”, o que pode confundir e limitar a dinâmica do processo de intervenção (ALMEIDA, 2000). Esse processo se mostra mais complexo quando não existe articulação entre as diversas instituições que se vinculam à ação do extensionista e que, mesmo entre as instituições envolvidas, não existe diálogo, algo comum nos aparelhos estatais. Neste sentido, a ins- tituição pública responsável pelo Programa de ATES (o INCRA) tem uma importância fundamental para dar continuidade e garantir que a intervenção extensionista tenha res- posta nos aparatos estatais.

Uma última consideração acerca da formação dos mediadores da ação extensio- nista, diz respeito à institucionalização e à consolidação de espaços contínuos de capaci- tação e de troca de experiências sobre a ação extensionista. Apesar de estar previsto a criação desses “espaços de capacitação”, que ocorreria de “forma periódica”, assim co- mo espaços de socialização e troca sobre as experiências da ação extensionista, esses espaços têm sido relegados e esvaziados, seja por questões econômicas ou políticas. Estes ambientes formativos e colaborativos, quando ocorrem, têm demonstrado um grande potencial, principalmente para a melhora na aplicação dos recursos e na troca de

experiências de processos comunicativos e avaliativos (PEREIRA, 2004, OLIVEIRA, 2005)78.

Trabalhos sobre o extinto Programa LUMIAR apontam para um descompasso entre as metodologias participativas propostas e as formas de operacionalização e apro- priação das ações. A retórica e o modismo da participação do LUMIAR levou estudio- sos a classificarem uma postura de “populismo participativo” (Marinho et al. apud. DI- AS, 2004), com uma concepção ingênua da participação, a qual não tinha sustentação institucional, nem política. O relato de um agrônomo extensionista que atuou no LU- MIAR é evidente quando afirma que “[...] não adianta ter uma metodologia salvadora se os técnicos não estão sensibilizados para isso” (PIMENTEL, 2007, p. 105). Em se tra- tando de programas públicos, em muitos casos, como no LUMIAR, a participação dos beneficiários em entidades representativas é uma obrigatoriedade na liberação de recur- sos.

Assim, o arranjo institucional do Programa LUMIAR, ao invés de contribuir pa- ra a participação autogestionária, favoreceu conflitos e disputas, e não conseguiu tirar a centralidade das decisões (DIAS, 2004). A falta de clareza sobre os papéis atribuídos – sobre até aonde cada instituição participante (INCRA, associação e equipe local) pode- ria agir e efetivar suas proposições – confundia e limitava a ação conjunta das ações e emperrava uma proposta fluida e organizada de prática extensionista. O papel das orga- nizações de movimentos sociais e da representação dos trabalhadores também foi con- fuso e como traços clientelísticos, marcado por “disputas políticas que quase sempre se resolviam a favor de quem fosse partidário da entidade cujo representante estivesse em uma instância hierárquica com maior poder de decisão” (DIAS, 2004, p. 530), minando o ideário de compartilhamento de poder decisório e de prática democráticas (ECHENI- QUE apud. DIAS, 2004). Enfim, faltou “[...] a sistematização de um referencial meto- dológico que estivesse à altura do caráter inovador proposto pelo LUMIAR” (DIAS, 2004, p. 529). Como será visto à frente, esses limites e desafios ainda não foram sana- dos no ATES.

      

78 O trabalho de PEREIRA (2004) analisa comparativamente o serviço de ATER executado pelo LUMI-

AR, pela EMATER e por duas ONGs (AS-PTA e PATAC), revelando que as ONGs, especialmente a AS- PTA, conseguiram, apesar das dificuldades institucionais, criar e desenvolver espaços colaborativos mais eficientes. Já no trabalho de OLIVEIRA (2005), abrangeu dez instituições (cinco estatais e cinco priva- das), no qual analisou as mudanças nos parâmetros técnicos dos projetos de assistência creditícia no su- deste do Pará. A criação destes espaços é o que garantiu um levantamento técnico mais condizente sobre o papel do crédito em assentamentos rurais.

A última questão basilar na reflexão da política de ATER, e conseqüentemente de ATES, diz respeito ao monitoramento, acompanhamento e avaliação da intervenção. Todo o processo de avaliação se concentra em reunir informações e índices sobre o tra- balho de intervenção da prestadora, ficando centrado, sobretudo, nos critérios objetivos que se restringem ao cumprimento de metas acordadas, as quais se refletem no repasse de recursos (INCRA SR7, 2009). Os critérios subjetivos, na tentativa de quantificá-los, perdem importância e somente em casos extremos são geradores de mudanças e refle- xões sobre a ação extensionista no programa de ATES. Não existe uma avaliação espe- cífica sobre o papel da instituição pública responsável, nem sobre a ação dos assentados, apenas respostas específicas sobre os frutos do trabalho de intervenção.

Os índices avaliativos que são mais importantes estão diretamente vinculados ao repasse de recursos e o comprimento das metas e acordos estabelecidos nos planos de ação e no termo de compromisso firmado entre a prestadora e os aparatos estatais. Neste sentido, fica distante um processo dialético e amplo de avaliação do programa, qual não se restringe a intervenção pontual, mas a todos os atores que viabilizam os processos de mudança social e suas várias dimensões sociais. A preocupação com a gestão de recur- sos públicos e a transparência na aplicação dos mesmos ficam condicionados, princi- palmente, a índices quantitativos e objetivos, não dimensionando mudanças mais sutis, tácitas e subjetivas, quais poderiam acenar para caminhos mais próximos da realidade dos assentados e mais prósperos da ação extensionista.

Ao considerar o processo de mediação intervencionista da ATES em suas múlti- plas dimensões sociais, ignoram-se formas mais subjetivas de avaliar a efetividade da transformação social provocada pela política. Assim, ao ligar o processo de avaliação à liberação de recursos, cumprem-se as metas estabelecidas, sem, contudo, resolver o ca- ráter contraditório de uma ação orientada por construção conjunta e executada e avalia- da segundo critérios de metas estabelecidas, como quantidade de visitas e de atividades internas e externas.

2.4. Extensão rural para a reforma agrária: diversidade das prestadoras de