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4. FİRMA BÜYÜKLÜĞÜ, SEKTÖR VE BÖLGE BAZINDA YATIRIM

4.4. Firma Büyüklüğü Bazında Sorun Alanlarında Farklılaşma

Somente no final do século XIX o espaço geográfico que viria a ser o atual Estado do Acre teria sua realidade modificada a partir da exploração da borracha. Por essa razão, um número considerável de homens deslocou-se do nordeste do Brasil para atender a demanda de uma economia globalizada. Segundo Tocantins (1979):

Esse processo de imigração, anárquico ou precipitado que fosse, demandaria uma base de retaguarda, um agente de serviços contínuos para fazer o giro de gêneros, mercadorias e o próprio tráfego humano. As casas aviadoras de Belém e Manaus, fornecendo o crédito e os artigos necessários à vida e a embarcação, evoluindo do tipo de ubá de canoa e remo, para o navio a vapor que a inventiva popular denominou o “gaiola”, criaram, incentivaram, mantiveram a sociedade dos seringais acreanos (TOCANTINS, 1979: 154).

A economia da borracha na Amazônia exigiu mudanças rápidas e abrigava formas de relações, semelhantes às estabelecidas no Brasil colônia, como aquelas mantidas entre o senhor de engenho e o escravo, essa é a analogia que Tocantins (1979) faz, com relação às posses do patrão seringalista e o seringueiro, sendo o barracão, a unidade que dava sustentação ao seringueiro com o fornecimento de mantimentos e outras condições para mantê-lo no local da produção, sendo a barraca a casa do seringueiro:

Barracas e barracões na Amazônia tiveram o mesmo sentido social da casa-grande e senzala no Nordeste. Ambos traduzem a fisionomia e o ritmo de duas civilizações, ou melhor, de dois ciclos econômicos primos entre si. Dessemelhantes em forma e grau, mas semelhantes na essência comum do patriarcalismo, a civilização da borracha aproveitou muitas das constantes culturais daquela, naturalmente adaptando-as às realidades do meio amazônico, num interessante experimento de assimilação (TOCANTINS, 1979: 156)

Os primeiros contatos entre índios que habitavam a região que é hoje o Estado do Acre, aconteceram com a chegada dos nordestinos que vieram em busca do chamado ouro negro, no final do século XIX. Segundo Aquino e Iglesias (2005a):

na região de florestas que hoje constitui o Estado do Acre, quando aconteceram os primeiros encontros dos diferentes povos indígenas com caucheiros6 peruanos e exploradores de seringais, vindos do Nordeste, foram marcados pelas ‘correrias’, expedições armadas que resultaram em massacres, introdução de doenças, acirramento induzido de antigos conflitos intertribais, ocupação dos territórios tradicionais dos povos indígenas, dispersão de suas populações remanescentes pelas cabeceiras dos rios Juruá, Purus e Acre e instalação da empresa seringalista nessa vasta região (AQUINO e IGLESIAS, 2005a: 2).

De acordo com esses autores foi por volta de 1910, próximo ao declínio da produção do primeiro ciclo da borracha, que ocorreu a inserção da mão-de- obra indígena na produção da borracha. Até metade da década de 1970 nenhuma esfera governamental sistematizou qualquer política para os índios dessa parte do país. Porém, em 1904, o prefeito do Departamento do  Alto  Juruá, Marechal Thaumaturgo, apresentou propostas de “catequese e civilização” dos índios daquela região, para por fim às correrias e colocar normas na relação de trabalho com o seringal (AQUINO e IGLESIAS, 2005a).

A presença do Serviço de Proteção aos Índios (SPI), limitou-se a raras viagens de funcionários da I Inspetoria Regional de Manaus por certos afluentes dos vales do Alto Juruá e Alto       

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Extrativistas do caucho (Castilloa ulei) árvore produtora de látex, encontrada originalmente na Amazônia.

Purus, em começo dos anos de 1910, ocasiões em que proprietários, patrões seringalistas e políticos locais foram legitimados como representantes do órgão federal enquanto "inspetores de índios (AQUINO e IGLESIAS, 2005 :2).

A partir da inserção dos índios na produção da borracha eles tiveram que abandonar as práticas culturais, religiosas, modo de produção alimentar e relações com os parentes e outras tribos, para estabelecer novas relações de trabalho com os patrões seringalistas, não só produzindo borracha, mas também várias outras atividades que davam suporte aos seringais como: limpar os campos, plantar roçados, fazer farinha, trabalhar no engenho de cana, na produção de seus derivados, trabalhar na construção de casas, currais e outras estruturas; manter limpas as colocações e estradas de seringa desativadas; carregar borrachas para as cidades; suprir de alimentos oriundos da caça e pesca. O sistema de barracões foi marcado por “dívidas impagáveis, roubo nos preços e no peso da borracha, ameaças de expulsão das colocações e preconceito, configurando uma situação histórica hoje categorizada pelos índios acreanos como ‘o tempo do cativeiro’” (AQUINO e IGLESIAS, 2005a: 2).

Na metade da década de 1970 a situação dos povos indígenas do Acre começava a mudar, momento em que o governo federal através da Fundação Nacional do Índio – FUNAI realizou os primeiros levantamentos em territórios indígenas no Estado do Acre.

Hoje, três décadas depois, 34 terras indígenas estão reconhecidas pelo governo federal no Acre, com área total estimada em 2.659.068 hectares. Esse conjunto de terras corresponde a 16,1% da extensão atual do estado (16.519.263 hectares). Distribuídas em metade dos 22 municípios acreanos, essas 34 terras estão destinadas a 14 povos indígenas, falantes de línguas Pano, Aruak e Arawá. Com uma população estimada em 12.576 índios, representam 1,99% da população atual do estado (630.328 habitantes), calculada pelo IBGE para 2004 (AQUINO e IGLESIAS, 2005: 2).

Esse quadro é resultante da organização entre índios e seringueiros que junto a organizações como o Conselho Indigenista Missionário – CIMI, Comissão Pró-Índio - CPI e a União das Nações Indígena – UNI, fortaleceu o

movimento social dos “Povos da Floresta” e deu início a processos de reivindicação de demarcações de territórios e programas para o aumento da população indígena do Estado.

Mesmo sendo possível reconhecer esses avanços, os conflitos decorrentes do desenvolvimento econômico da Amazônia ainda seguem afetando a integridade física e cultural dos índios. Em julho de 2010 lideranças Indígenas Yawanawa do Rio Gregório do município de Tarauacá-AC enviaram ao Governo do Estado uma carta que denunciavam e pediam esclarecimentos sobre a concessão de licença ambiental para exploração de 150 mil hectares

de floresta em uma região próxima a TI e que esse projeto, que inclui o

beneficiamento de madeira, poderia afetar a vida desse povo. No mesmo documento eles reivindicavam o pagamento de indenizações de benfeitorias dos antigos moradores não-índios da referida TI, pois decorridos dois anos do processo de demarcação, ainda não haviam recebido a indenização de direito. Em reunião ocorrida em junho de 2010, índios e ribeirinhos daquela localidade ameaçaram bloquear a BR 364 caso a reivindicação não fosse atendida.

O que se pode avaliar é que os interesses de grupos econômicos, aliados às políticas públicas, como é o caso o Programa de Desenvolvimento Sustentável – PDS do Governo do Estado do Acre, que será abordado no próximo capítulo, bem como outros programas em execução na Amazônia, continuam se sobrepondo ao projeto de vida dos povos indígenas. É evidente a falta de sintonia entre modernismo e modernização a serviço das classes dominantes como observado por Canclini (2008), quando ele se refere ao que ocorre na América Latina: “enquanto o modernismo é exuberante, a modernização é deficiente”, assim o autor se refere a “renovação de idéias com baixa eficácia nos processos sociais” (p.67).

As palavras de Canclini (2008) sintetizam o movimento de avanço da modernidade sobre as diferentes configurações humanas da América Latina, ressaltando que a sofisticação tecnológica; as decisões concentradas apenas em uma classe social; a conivência do Estado com as elites nacionais e estrangeiras e a incorporação das economias locais na economia-mundo é a face da moeda da modernidade que obteve sucesso. Entretanto, como visto anteriormente, a modernidade gera contradições e conflitos a partir de suas

promessas não cumpridas, como a liberdade e a igualdade, relegando grande parte da população à esfera da exclusão e da inferioridade.