MALÎ PİYASALAR
IV. 1.4. Yasal ve İdarî Düzenlemeler
Uma vez que o foco deste estudo foi diagnosticar a Gestão do Conhecimento numa Instituição Federal de Ensino Superior e Tecnológico, consideramos oportuno apresentar um modelo de Gestão do Conhecimento mais adequado às especificidades dessas organizações, especialmente no que concerne à natureza do conhecimento por elas criado, à cultura que envolve os seus membros e o comportamento destes em relação à informação e ao conhecimento. Este modelo refere-se ao proposto por Leite (2006), a partir de estudo desenvolvido em uma universidade federal brasileira, por meio do qual fez uma análise e propôs um modelo conceitual de Gestão do Conhecimento Científico (GCC) para o ambiente acadêmico, tendo por base os processos de comunicação científica.
Conforme Leite (2006, p. 136), os 15 pesquisadores docentes da instituição, envolvidos na pesquisa, foram selecionados com base nos seguintes critérios: “[...] ser líder de grupo de pesquisa produtivo; ter produção científica recente; orientar mestrado e doutorado; ter envolvimento com o ensino em nível de graduação e pós-graduação”. Os principais elementos constitutivos desse estudo foram as comunidades científicas, a comunidade acadêmica, a comunicação científica, a cultura científica e organizacional e a gestão do conhecimento científico.
Para fins do seu estudo, o autor (2006) adotou as seguintes definições:
Conhecimento científico:
[...] conjunto de saberes baseados na experiência, proveniente das atividades de pesquisa, e na informação científica, natural do ambiente acadêmico, contextual e relacional, composto de duas vertentes: a tácita, própria do indivíduo, proveniente da experiência, relacionada às habilidades e competências, parte de sua estrutura cognitiva, portanto, subjetiva; e a explícita (ou codificada), externa ao indivíduo (informação), proveniente da externalização do conhecimento tácito. (LEITE, 2006, p. 48).
Conhecimento científico tácito:
[...] conhecimento ou habilidade que pode ser passada entre cientistas por contatos pessoais, mas não pode ser exposto ou passado em fórmulas, diagramas, descrições verbais ou instruções para ação. Relaciona-se [...] às habilidades, experiências, e competência de um pesquisador, empregado no desenvolvimento de suas atividades científicas e difícil de ser comunicado formalmente [...]. (LEITE, 2006, p. 48-51). Conhecimento científico explícito:
[...] refere-se a toda forma e conhecimento científico codificado, facilmente estruturável e que tem possibilidade de ser transferido ou veiculado por sistemas ou meios formais de comunicação científica. Compreende, então, todas as formas de literatura científica, avaliadas ou não. (LEITE, 2006, p. 49).
Comunidades científicas:
[...] podem ser entendidas como o agrupamento de pares que compartilham um tópico de estudo, desenvolvem pesquisas e dominam um campo desconhecimento específico, em nível internacional. (LEITE, 2006, p. 195).
Comunidade acadêmica:
[...] diz respeito ao agrupamento de membros de uma instituição acadêmica envolvidos com atividades de ensino e pesquisa, constituindo os seus recursos humanos para a pesquisa, compartilhando ou não interesses comuns em seus tópicos de estudo. No entanto, pertencem individualmente a grupos de interesse em tópicos específicos, sem limites geográficos, denominados comunidades científicas. (LEITE, 2006, p. 195).
Comunicação científica:
[...] constitui, portanto, um processo que proporciona os meios de interação social entre os membros de comunidades científicas, possibilitando a criação, compartilhamento, utilização de conhecimento, e, consequentemente, o avanço da ciência. (LEITE, 2006, p. 195).
Cultura científica:
[...] está relacionada às normas, valores, forças, costumes e pressuposições consensual e socialmente compartilhados em comunidades científicas em seu sentido mais amplo – pesquisadores de todas as áreas do conhecimento –, que influenciam e orientam a dinâmica das interações entre eles e a prática científica. Por consequência, condicionam a produção do conhecimento científico. (LEITE, 2006, p. 196).
A gestão do conhecimento científico ocorre no âmbito acadêmico, a partir de um constante e intenso compartilhamento de conhecimento, conforme os interesses específicos
dos pesquisadores integrados em comunidades científicas, dentro e fora de suas comunidades acadêmicas. A partir dos resultados desse estudo, Leite (2006) identificou os elementos que constituem o processo de Gestão do Conhecimento Científico na esfera da universidade, os quais compuseram o seu modelo, sendo eles: identificação (mapeamento), aquisição, organização/armazenagem, compartilhamento e a criação do conhecimento.
No Quadro 5, apresentou-se, resumidamente, a correlação proposta pelo autor, entre os elementos ou processos de gestão do conhecimento e a forma como são comunicados/explicitados nas instituições acadêmicas.
Quadro 5 – Similaridades entre processos de gestão do conhecimento e a comunicação científica GESTÃO DO CONHECIMENTO E COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA
IDENTIFICAÇÃO: Mapeamento do conhecimento. Levantamento de informações e conhecimentos que
são criados e usados no ambiente da organização. Identificação de competências críticas para o sucesso da organização. Ocorre a partir de levantamentos bibliográficos realizados por pesquisadores.
CAPTURA/AQUISIÇÃO: Processo de aquisição de informação, conhecimento, experiências e habilidades
que serão necessárias para proporcionar a criação e a manutenção das competências essenciais e áreas do conhecimento identificadas e mapeadas. Relacionado também à importação de uma parte de conhecimento de fontes externas à organização, como o conhecimento proveniente das relações com os clientes, fornecedores, concorrentes, parceiros e outros. Constitui-se pelo conhecimento constantemente capturado por pesquisadores de alto nível, tanto formalmente (principais periódicos, repositórios, livros, etc.) quanto informalmente (conferências nacionais e internacionais, visitas a outras instituições, etc.). Ocorre também, a partir da aquisição de livros, periódicos e outros documentos científicos por parte das bibliotecas acadêmicas e universitárias.
VALIDAÇÃO: Atividade com o fim de filtrar o conhecimento, avaliar sua qualidade e confiabilidade, bem
como sintetizá-lo para fins de aplicação em outro momento. O conhecimento é avaliado e validado formalmente pelo sistema de avaliação, pelos pares e pelo processo editorial. O próprio sistema científico se encarrega, naturalmente, em manter padrões de qualidade e confiabilidade ao conhecimento científico produzido e compartilhado.
ORGANIZAÇÃO/ARMAZENAGEM: Tem por objetivo a garantia da recuperação rápida, fácil e correta
do conhecimento por meio de sistemas efetivos. As etapas desse processo compreendem a classificação do conhecimento validado; definição da arquitetura de tecnologias a serem utilizadas; criação e gerenciamento de bancos de dados, informações e conhecimentos. As bibliotecas são as principais instâncias onde os registros do conhecimento científico são organizados e armazenados. Com o desenvolvimento e aplicação de tecnologias de comunicação alternativas utilizam-se também os repositórios institucionais, repositórios temáticos e periódicos científicos eletrônicos.
COMPARTILHAMENTO: Diz respeito ao processo de compartilhamento e disseminação do
conhecimento que já está na organização, de forma seletiva, junto ao maior número de usuários possível, em tempo hábil e local apropriado, pela utilização de tecnologias. O compartilhamento formal ocorre por meio de livros, periódicos científicos, relatórios de pesquisa, anais de conferências, teses, dissertações e outros. Informalmente o conhecimento é compartilhado por meio de atividades de ensino (graduação e pós- graduação), reuniões de grupos de pesquisa, reuniões de orientação de alunos de doutorado, mestrado e iniciação científica, conferências, seminários, ambientes de aprendizagem não presencial e outros.
CRIAÇÃO: Relacionado à criação de novas habilidades, novos produtos, ideias melhores e processos mais
eficientes. Inclui esforços propositados para criar capacidades ainda não presentes na organização. Envolve as seguintes dimensões: a aprendizagem, externalização, lições aprendidas, criatividade, pesquisa, experimentação, descoberta e inovação. O processo de criação do conhecimento científico dá-se por meio da realização de pesquisas científicas, geralmente realizadas em grupos de pesquisa. Também é criado por meio da formação de pesquisadores em nível de pós-graduação. Neste sentido, os programas de pós-graduação constituem a principal fonte de criação do conhecimento, capacidades, competências e habilidades relacionadas à ciência.
O modelo de Leite (2006) fundamenta-se no pressuposto de que a Gestão do Conhecimento em comunidades acadêmicas, notadamente em universidades, é largamente impactada pela cultura científica/organizacional, que por sua vez, influencia e é influenciada elos processos de comunicação científica. Por meio de seus pesquisadores, e a partir dos processos de comunicação, a comunidade acadêmica interage com as comunidades científicas, que atuam como canais de entrada do conhecimento que abastece pesquisadores e a própria organização. Leite (2006) oferece-nos um mapa da estrutura de seu modelo de Gestão do Conhecimento Científico, o qual pode ser visto na Figura 7 a seguir apresentada.
Figura 7 – O modelo conceitual de gestão do conhecimento científico no contexto acadêmico de Leite (2006)
Fonte: Leite (2006, p. 194).
Dentre as principais conclusões extraídas por Leite (2006), a partir dos resultados do seu estudo, ressaltou-se o entendimento de que as práticas relacionadas à criação, disseminação e uso do conhecimento científico, desenvolvidas nas universidades ao longo de sua existência, ainda demandam uma sistematização adequada que possibilite o máximo de aproveitamento dos recursos empregados e do conhecimento produzido.
Neste sentido, o referido autor (2006) defende, em consonância com o que também se comprovou na literatura revisada e na realização deste estudo, que a Gestão do Conhecimento pode contribuir para a maximização dos ativos tangíveis e intangíveis baseados em
conhecimento, e para a efetividade da comunicação que a comunidade acadêmica estabelece com seus públicos internos e externos. Salienta-se que os repositórios institucionais foram apontados pelo autor como ferramentas apropriadas à Gestão do Conhecimento Científico, na medida em que agilizam e potencializam os processos de comunicação e de identificação, aquisição, organização/armazenagem, compartilhamento, e criação do conhecimento científico, tácito e explícito.
Tendo sido o tema de investigação deste estudo o diagnóstico ou avaliação da gestão do conhecimento no contexto organizacional, considerou-se importante abordar, numa seção específica, sobre qual a importância para uma organização avaliar seus ativos intangíveis, dentre eles o conhecimento, identificando o que elas sabem e de quais conhecimentos já dispõem e como o gerenciam, e quais os gaps existentes nesse processo de Gestão do Conhecimento, à luz do pensamento de Freire e Horton (2003, p. 28), quando afirmam que:
[...] ao ser produzido, o conhecimento novo supera outro que antes foi novo e se fez velho e „se dispõe‟ a ser ultrapassado por outro amanhã. Daí que seja tão fundamental conhecer o conhecimento existente quanto saber que estamos abertos e aptos à produção do conhecimento ainda não existente. (FREIRE; HORTON, 2003, p. 28).
Por conseguinte, far-se-á uma abordagem sobre o assunto na próxima unidade, a partir de três vertentes: avaliação de ativos intangíveis, avaliação da aprendizagem organizacional e avaliação da Gestão do Conhecimento. Tais vertentes, apesar de estarem inter-relacionadas e em processo de retroalimentação, conservam, no entanto, peculiaridades conceituais e metodológicas que justificam a abordagem distinta, resguardando-se a interdependência. Vale também esclarecer que os termos “avaliação” e “diagnóstico”, neste estudo, têm significação análoga, na medida em que não se encontrou na literatura, diferenças de conceituação acentuadas que exigisse registrá-las, estando, portanto, todos os dois termos, relacionados à análise, investigação e medição.
2.5 AVALIAÇÃO DE ATIVOS INTANGÍVEIS NO CONTEXTO DA APRENDIZAGEM