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B. İdarenin Düzenleme Yetkisinin Pozitif Hukuktaki Dayanakları

2. Yasal Dayanak

Tanto a profecia quanto a presença de templos e sacrifícios eram comuns no mundo antigo da época da Bíblia, mais especificamente, o Antigo Oriente Próximo.

Bullock cogita sobre as origens da profecia:

As origens da profecia Hebraica tem sido traçada às fontes Cananitas, Egípicias e Arábicas, mas mais recentemente a atenção tem mudado para a Mesopotâmia, especialmente para a antiga cidade de Mari, para a elucidação do fenômeno da profecia Hebraica. Os textos de Mari, datam da primeira metade do segundo milênio a.C., são particularmente interessantes em sua exposição de um grupo de profetas, homens e mulheres, que praticavam a adivinhação intuitiva. Isto é, eles não eram praticantes das técnicas padrão de adivinhação, mas eram dependentes da inspiração para seus oráculos, muitas vezes da mesma forma que os profetas hebreus (...) Além disso, os documentos de Mari foram mais preservados junto à corte real, ao passo que os escritos dos profetas hebreus literários, foram em sua maior parte,

28 WALTKE, B. K.; DIEWERT, Wisdon Literature in BAKER, D. W.; ARNOLD, B. T. Eds. The Face of Old Testament Studies. A Survey of Contemporary Approaches. Grand Rapids, Michigan: Apollos, Baker Academic, 2004, p. 300.

preservados aparte da corte, assim exercendo uma espécie de independência dos reis.29

Petersen, também atesta a importância dos registros de Mari:

Talvez, o maior tesouro da literatura antiga, que ilumina a atividade profética Israelita, remonta a uma época muito mais antiga do que (...) quaisquer dos profetas Israelitas. Na parte superior do rio Eufrates, na cidade de Mari, arqueólogos têm descoberto um depósito que data do décimo oitavo século B.C.E., exatamente anterior a Hamurabi, do código de lei, que regia a Babilônia. Este depósito contém não somente registros políticos e econômicos, mas também uma série de tábuas de barro, que descrevem a obra de vários profetas.30

Soggin31 igualmente destaca estas semelhanças entre a profecia em Mari e a

profecia hebraica. O que se salienta é o uso dos mesmos gêneros e formas literárias, a presença de um povo peculiar, a existência de relacionamentos privilegiados entre a deidade e seus emissários e o chamado destes. Também é ressaltada a iniciativa e exclusividade dos oráculos pertencerem à deidade, a legitimização do profeta e seu ministério através de sinais e maravilhas e as mensagens proferidas em confronto e crítica do governo e culto estabelecido. Também havia em Mari, promessas religiosas e políticas para o presente e futuro e oráculos contra as nações. Este autor, entretanto não especifica quais seriam as implicações de todos estes paralelos e só sugere que continue a verificar a importância destas similaridades teológicas, sociológicas e políticas. Deus também constituiu os profetas para ensinar a Sua vontade a Israel e outros povos. Contudo faz-se necessário uma pesquisa mais acentuada sobre quem seriam estas personagens.

Bullock também comenta sobre os estágios preliminares da profecia bíblica nos seguintes termos:

As raízes da profecia estão profundamente inseridas na história de Israel e na cultura do antigo Oriente Próximo. Desde os tempos patriarcais, líderes eminentes apontavam a direção

29 BULLOCK, C. H. An Introduction to the Old Testament Prophetic Books. Chicago: Moody Press,

1986, p. 14.

30 PETERSEN, D. L. The Prophetic Literature. An Introduction. Louisville: Westminster John Knox

Press, 2002, p.16.

31 SOGGIN, J. A. Introduction to the Old Testament. The Old Testament Library. Louisville:

para o povo de Deus. O modo patriarcal de liderança foi mudado posteriormente para a liderança carismática de Moisés, Josué e os Juízes. Enquanto estes líderes dirigiam o povo, a necessidade de profetas era mínima, embora o fenômeno profético fosse conhecido até mesmo nestas épocas (Nm 11,24-30; Dt 18,15-22). Entretanto, desde o fechamento do período dos juízes até o fim do período bíblico relatado no Antigo Testamento, a palavra do profeta é um dos traços mais distintivos da cultura e religião judaica.32

O autor, Petersen33 divide a tarefa profética em duas vertentes: “Identidade

profética” e “Literatura profética”, apontando oque ele julga ser as características essenciais da profecia Israelita; 1. O profeta é uma pessoa que tem tido uma classe especial de experiência e ou uma espécie de relacionamento com a Deidade. 2. O profeta é uma pessoa que fala ou escreve de uma forma distinta. 3. O profeta é uma pessoa que atua nesta qualidade em um determinado contexto social. 4. O profeta é uma pessoa que possui qualidades pessoais distintivas, ou seja, carisma. 5. O profeta é um intermediário entre os mundos divino e humano. 6. O profeta é uma pessoa que tem uma mensagem distintiva.

Kent34 delineia os objetivos dos profetas como mestres da seguinte forma:

(1) Apontar e confrontar os males de sua época. O profeta colocava um “espelho” diante da nação para que sua condição ficasse clara.

(2) Guiar seus conterrâneos a agir com justiça e misericórdia. O profeta desafiava o povo a aceitar e aplicar os princípios eternos revelados, em sua vida social e individual.

(3) Esclarecer o caráter e as exigências práticas de Javé. Os profetas ensinavam o povo sobre o caráter de Javé como motivação básica para se fazer o que é certo. O profeta fornecia subsídio ético à religião e subsídio religioso à ética, unindo dessa forma, ambas.

(4) Fazer com que a vontade de Deus fosse realizada na terra. O profeta visava que a definição de religião fosse ampliada e aprofundada e influenciasse o cotidiano do povo, cumprindo assim a vontade de Deus.

32 BULLOCK, C. H. An Introduction to the Old Testament Prophetic Books. p. 13.

33 PETERSEN, D. L. Introduction: Ways of Thinking about Israel’s Prophets, in Prophecy in Israel,

Ed. D. L. Petersen, IRT 10, Philadelphia: Fortress, 1986, p. 1-21.

34 KENT, C. F. Os grandes mestres do Judaísmo e Cristianismo. New York: Eaton & Mains, 1911, p.

Os profetas, assim, eram mensageiros de Deus, enviados a fim de declarar os oráculos de Deus primariamente para Israel (cf. Is 48,16; 59,21), mas também para outras nações, como é possível se observar nas profecias de Jonas e Naum.

Hildebrandt35 preconiza a ideia que o Espírito de Deus tem um papel único na

liderança dos profetas. Por meio do Espírito, os profetas são: 1. Chamados 2. Inspirados 3. Transportados 4. Motivados. Sendo assim, estes profetas são instrumentos do

x;Wr

(Espírito) para Suas difíceis tarefas junto à nação.

Os profetas eram pessoas capacitadas pelo Espírito Santo, em suas proclamações e escritos. Pelo fato de os profetas comunicarem a revelação do próprio Deus, eram também mestres da Lei, pois Deus é o autor da Torá.

O papel dos profetas como mestres da Lei poderia ser ratificado devido à natureza de seu chamado.

Bullock destaca desta forma:

Nós não podemos ignorar o fato básico de que os profetas encontram sua legitimidade e validade de suas credenciais, sobretudo no chamado de Yahweh. O chamado profético encontra-se na fachada de muitos dos livros proféticos (Oséias, Jeremias, Ezequiel). Amós e Isaías registram seus chamados posteriormente na compilação de seus oráculos (Amós 7; Isaías 6). O livro de Jonas é um tratado sobre o chamado e execução do ofício profético. Até mesmo onde o chamado profético não é registrado formalmente, é, contudo embutido, nos livros, na maneira das fórmulas de recepção, que fixam a palavra do profeta como a Palavra do Senhor (“Assim diz o Senhor e outras). A importância do chamado de Yahweh ao profeta não pode ser exagerado. Mesmo quando o registro de um chamado formal do profeta não tenha sido mantido entre os seus oráculos, nós devemos, contudo presumir que sua audiência estava de algum modo, certa de suas credenciais.36

Desta forma, os profetas também aplicavam a Lei de maneira didática à vida do povo, chamando-o para a prática da aliança.

De Vaux 37 cita passagens clássicas onde profetas são mencionados ao lado

da classe sacerdotal (cf. 2Rs 23,2; Jr 23,11; Lm 2,20; Os 4,4-5; Jr 26; Zc 7,12),

35 HILDEBRANDT, W. Teologia do Espírito de Deus no Antigo Testamento. São Paulo: Editora

Academia Cristã e Edições Loyola, 2008, p. 45.

36 BULLOCK, C. H. An Introduction to the Old Testament Prophetic Books. p. 17.

37 De VAUX, R. . Instituições de Israel no Antigo Testamento. São Paulo: Editora Teológica; São

porém desacredita veementemente a suposição de uma classe de profetas cultuais ligadas ao serviço do templo. Na pesquisa realizada, Hildebrandt parece discordar desta posição e assevera:

Para refrear a ameaça de um rei liderando Israel de uma maneira correspondente às práticas de reinado do Antigo Oriente, Deus levantou os ofícios de rei e profeta juntamente. A profecia foi a continuação do ofício mosaico na medida em que ela interpretava a aliança para o povo e para o rei. Ao passo que o rei teria que administrar o reino com justiça e virtude e proteger o povo dos inimigos, o profeta dirigia as matérias espirituais do reino e visava manter um verdadeiro Javismo na nação. Os profetas da corte observavam as atividades do rei e por fim os consideravam responsáveis para que suas ações estivessem em compasso com as obrigações da aliança. O profeta era o mensageiro de Iahweh que escolhia e depunha o rei conforme a direção da Deidade. O profeta visava manter o rei e a nação leais a Iahweh.38

Cross39 vai neste mesmo viés quando alista o papel do profeta em relação à

monarquia: 1. Ele designava o escolhido de Javé para ser rei por oráculo e unção. 2. Ele pronunciava julgamento sobre o rei, a perda do reino devido à quebra da lei ou da aliança, bem como a morte do rei por razões semelhantes. 3. Ele chamava Israel para a batalha na autêntica “guerra de Javé”, bem como determinava o período para Israel ir para a guerra.

Ao desenvolver o tema sobre o culto e a profecia o autor Mowinckel40 afirma

que a origem do nabiismo é canaanita e que esta cultura teria sido assimilada por Israel. Pode-se afirmar que Deus tenha se valido de uma função já existente em outras culturas, mas ainda assim o nabiismo Israelita é distintivo devido à relação intrínseca entre Javé e seus mensageiros. Os םי ִאי ִבְנ (nebiins, termo hebraico para aqueles que falam, profetas), seriam então os representantes de sua religião nacional. Na apresentação de seu tema, Mowinckel afirma que havia sim, profetas que exerciam função institucional, relacionada ao culto em Israel. Este autor corrobora sua suposição através de passagens que mostram os profetas como uma instituição (cf. 1Sm 10,5; 2Rs 2,3; 4,38; Jr 26,1-24) e também aponta para passagens onde profetas e

38 HILDEBRANDT, W. Teologia do Espírito de Deus no Antigo Testamento. p. 156.

39 CROSS, F. M. Canaanite Myth and Hebrew Epic. Cambridge: Harvard University, 1973. p. 223-224. 40 MOWINCKEL, S. Cult and Prophecy. Ed. D. L. Petersen, IRT 10, Philadelphia: Fortress, 1986, p.

sacerdotes aparecem juntamente (cf. Is 28,7; Jr 4,9; 6,13; 14,18; 18,18; Mq 3,11; Zc 7,3).

Ao enfatizar a instituição dos profetas do templo, este autor pontua Jr 29,26, porém faz-se necessária uma pesquisa mais aprofundada desta passagem, pois a observação do texto, neste versículo específico, não ratifica a posição do autor. Verifica-se em Thompson41 uma explicação mais convincente da

passagem supracitada. Pelo fato de Jeremias ser um אֵּבַנ ְת ִכ, ou seja, alguém que supostamente aos olhos dos outros, toma a função de profeta por si mesmo, e, portanto deveria ser aprisionado. Esta interpretação abalizaria, por contraste, de forma mais firme, a existência de uma instituição formal de profetas. Wilson defende uma função formal ligada ao templo como se pode constatar:

Com o estabelecimento da monarquia davídica, profetas se tornaram elemento da corte real de Jerusalém. Da mesma forma que Davi unificou o culto, instalando dois sumo sacerdotes, um de Efraim e outro de Judá, assim também pode ter trazido para a estrutura central social profetas efraimitas e judaítas. Em todo o caso, está claro que profetas jerosolimitanos neste período tiveram funções de manutenção social. Com efeito, a fundação da teologia régia jerosolimitana- a perpétua eleição da linhagem davídica e da cidade de Jerusalém- foi guiada pelo oráculo profético de Natã (1Sm 7), ao passo que o profeta Gad legitimou a futura localização do templo (2Sm 24,18). Contudo a pertença à corte real não evitou que os profetas criticassem o rei, o governo e o culto. Estes intermediários centrais tinham a responsabilidade de manter a estabilidade da estrutura social, promovendo, em consequência, mudança ordenada e opondo-se a tudo o que ameaçasse o equilíbrio social.42

Baker43 elucida a questão ao dizer que ao analisar a evidência bíblica, não é

necessário levar ao extremo a participação dos profetas como instituição do templo ou não. Ele crê que o relacionamento dos profetas com o culto oficial vai desde a participação efetiva até a crítica da instituição, assim haveria uma influência mútua, onde certos profetas, ora participavam do contexto oficial do culto ora serviam como uma voz de alerta contra algumas de suas práticas.

41 THOMPSON, J. A. The Book of Jeremiah. The NICOT. Gen Ed. HARRISON, R. K. Grand Rapids,

Michigan: William B. Eerdmans Publishing Company, 1987, p. 550.

42 WILSON, R. R. Profecia e Sociedade no Antigo Israel. São Paulo: Edições Paulinas, 1993, p. 273. 43 BAKER, D. W. Israelite Prophets and Prophecy in BAKER, David W.; ARNOLD, Bill T. Eds. The Face of Old Testament Studies. A Survey of Contemporary Approaches. p. 271.

Ao se analisar os períodos patriarcais, dos juízes e a monarquia unida e dividida, pode-se constatar que as funções proféticas vão mudando e se adequando à sociedade vigente. Os papeis dos profetas variam ao longo da literatura bíblica.