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Vergi Hukukunun Yasama Organından Doğan Kaynakları

Ao se tratar da pessoa de Jesus, e seu papel como mestre, logo de início faz- se necessário delinear seu contexto formativo. Qual seria a trajetória percorrida naquele tempo afim de que alguém pudesse vir a ser considerado um mestre? A população da época e mais especificamente a Palestina do tempo de Jesus tinha acesso à educação?

Os autores Eddy e Boyd1 contestam a tese da ampla e majoritária falta de

educação do mundo antigo e principalmente em Israel através dos seguintes argumentos:

1. Presença de alfabetização entre a população rural e os pobres. Há registros arqueológicos de escritos entre os militares bem como os escravos e habitantes de pequenas vilas.

2. A alfabetização não é somente possível através de uma ampla rede de escolas públicas e sim através da educação em casa.

3. Graus de alfabetização e analfabetismo. Em termos de educação, deve-se considerar um vasto espectro que inclui: Pessoas que podem ler, mas não podem escrever, aquelas capazes de escrever devagar textos simples, aquelas que podem ler devagar ou escrever com muita dificuldade.

4. A questão de Qumrã. Ao se considerar a extensa literatura produzida e preservada na comunidade de Qumrã, pode-se chegar à conclusão natural que ao menos certa porção de judeus na Palestina do tempo de Jesus, era de fato bem educada e alfabetizada.

1 EDDY, P.R.; BOYD, G. A. The Jesus Legend. A Case for the Historical Reliability of the Synoptic Jesus Tradition. Grand Rapids, Michigan: Baker Academic, 2007, p. 243-248. Tradução minha.

5. A formação dos judeus da Palestina no primeiro século. A fé do povo judeu era profundamente enraizada em uma coleção de escritos e isto elevava obviamente a importância da leitura. Eruditos atestam a sólida evidência sobre a existência de sinagogas na Palestina (inclusive na Galiléia e mais especificamente Nazaré) do primeiro século, que poderiam funcionar como escolas onde a Lei podia ser lida e ensinada.

6. A educação de Jesus. Exatamente devido às afirmações anteriores sobre a evidência de educação entre os judeus da Palestina e de sinagogas em cidades pequenas torna amplamente concebível que Jesus era bem educado. Isto ainda pode ser enfatizado pelos evangelhos que descrevem Jesus e seus debates com fariseus e escribas. Estes debates exigiam conhecimento e argumentação. Debater neste nível demandaria um treinamento formativo a fim de considerar pontos de interpretação da Lei e da tradição.

Meier resume a questão como segue:

Se nós levarmos em conta que a vida adulta de Jesus tornou- se impetuosamente focada na religião judaica, assim ele é apresentado por quase todas as tradições dos evangelhos, engajando-se em disputas de aprendizado sobre as Escrituras e a halaka com os estudiosos da Lei, tanto é que lhe foi concedido o respeitoso (mas naquela época vago) título de rabbi ou mestre. Mais do que uma tradição dos evangelhos o apresenta como que pregando e ensinando nas sinagogas (presumidamente após da leitura das Escrituras), e que, mesmo quando aparte das disputas, seu ensino era fortemente imbuído com a perspectiva e linguagem dos textos sagrados de Israel. É plausível supor que a formação religiosa de Jesus na família foi intensa e profunda e incluía a instrução na leitura do hebraico Bíblico. Jesus fora bem educado (...) Com a habilidade para ler obras literárias teológicas e comentá-las (habilidade escribal).2

A questão da educação judaica na Palestina da época de Jesus transita na pesquisa sobre qual seria a prática vigente da época. A ideia abordada acima é a da possibilidade de que Cristo pôde inserir-se neste contexto de embates teológicos, também devido à sua formação educacional.

2 MEIER, J.P. A Marginal Jewish: Rethinking the Historical Jesus. New York: Doubledday, 1991, p.

Edersheim3 descreve detalhadamente a prática corrente de educação do

segundo século, chamado período Tannaítico. Estas descrições podem, supostamente refletir uma continuidade da formação à época de Jesus e pode- se resumir da seguinte maneira:

1. Segundo a Mishnah, aos cinco anos a criança deveria ser treinada a começar a ler a partir da Bíblia, e no hebraico. Isto demonstra que para o judeu religioso o conhecimento da Lei era central e atrelado a formação do indivíduo para à vida. Era realizado um cuidadoso treinamento da memória com versículos das Escrituras, bênçãos e dizeres dos sábios. Eram empregadas regras menemônicas com a finalidade de retenção do aprendizado.

2. A criança deveria ser treinada em casa e ensinada a respeito dos mandamentos, segundo o Talmude deveria ser ensinada a orar em voz alta. Aos seis anos poderia ser enviada para a escola. Tratava-se de escolas primárias que geralmente eram ligadas a cada sinagoga da terra. Com vinte e cinco alunos constituía-se uma classe com um mestre. Se o número de alunos subisse para quarenta apontava-se um assistente e se houvesse cinquenta alunos as autoridades da sinagoga apontavam dois mestres.

3. Posteriormente, os que se mostrassem mais aptos e promissores poderiam ser enviados para a academia ou “Beth hammedrash” onde estaria na classe de um grande rabbi.

4. Aos dez anos, a criança começava a estudar a Mishnah, aos quinze, ela estaria pronta para o Talmude. O tempo de estudo era dividido pelos rabbis de acordo com suas preferências. Uma parte do tempo era devotada à Bíblia e outras duas para a Mishnah e o Talmude.

5. Rabbis eram apontados para cada distrito e aos dezesseis ou dezessete anos os rapazes promissores eram enviados para as suas academias.

Brown4 reconhece que há uma disputa acirrada entre aqueles que se inspiram

na descrição da escolarização judia apresentada na Mishnah e os céticos a este respeito. A dificuldade seria entre discernir as descrições posteriores como uma continuidade de um sistema inicial, ainda que incipiente ou considerar o estudo um puro anacronismo. Este autor afirma que possivelmente é mais

3 EDERSHEIM, A. Sketches of Jewish Social Life in the days of Christ. Grand Rapids Michigan: W.

B. Eerdmans Publishing Company, 1980, p. 105-137. Tradução minha.

4 BROWN, R.E. Introdución al Nuevo Testamento. I. Cuestiones preliminares, evangelios y obras conexas. Madrid: Editorial Trotta, 2002, p. 123. Tradução minha.

sensato supor que nos tempos de Jesus não existiam instituições bem estabelecidas deste tipo, porém não apresenta nenhum argumento para sustentar esta sugestão. Pelo contrário, Brown, afirma que não se pode julgar o grau de alfabetização judia por esta incerteza. Ao citar o historiador Josefo, Brown afirma que a Lei demandava à formação, o que implicava na ação da família e de uma sinagoga presente. Este autor concorda que a habilidade de Jesus para discutir as Escrituras sugeria a capacidade de ler em hebraico (cf. Lc 4,16-21)5.

Ebner6, também é a favor de uma formação educacional já organizada no

primeiro século e menciona Filão de Alexandria que chegou a afirmar que os Judeus levavam a imagem da Lei em suas almas. Esta declaração era baseada no fato de que os judeus estimavam suas leis como revelações divinas, e eram instruídos nelas desde a infância.

Ebner descreve uma possível formação integrada:

Três instituições serviam o ideal da educação popular- a Bet ha Sefer, a Bet ha Midrash e a Bet ha Kenesset. O escopo popular da Bet ha Midrash, contudo era limitado aqueles alunos que tinham o desejo, habilidade e meios para atender uma instituição de aprendizado secundário. As outras duas instituições- A Bet ha Sefer com o nível elementar e a Bet ha Kenesset no nível adulto- assemelham-se em sua dedicação à educação de massa. Mas, enquanto a sinagoga é mais o produto do crescimento natural, mais do que um planejamento deliberado, a escola elementar deve a sua origem aos esforços de líderes judeus determinados, que visavam fazer possível que todos os meninos recebessem uma educação básica apropriada (...) A aplicação ideal da Torá para a formação da juventude podia ser dividido com os seguintes alvos: Aquisição de conhecimento (habilidade literária), treinamento na observância dos mandamentos e o desenvolvimento de um bom caráter. As influências educativas que vinham do lar e da comunidade eram dirigidas aos dois últimos alvos. O programa da escola se concentrava no cumprimento do primeiro alvo.7

5 BROWN, R.E. Introdución al Nuevo Testamento. I. Cuestiones preliminares, evangelios y obras conexas. p. 123. Tradução minha.

6 EBNER, E. Elementary Education in Ancient Israel. During the Tannaitic Period (10-220 C.E.).

New York: Bloch Publishing Company, 1956, p. 24-25. Tradução minha.

7 EBNER, E. Elementary Education in Ancient Israel. During the Tannaitic Period (10-220 C.E.). p.

Esta conexão entre sinagoga8 e educação é importante para a conclusão de

que, ainda que pautada mais especificamente na religião judaica, os judeus recebiam sua formação educacional.

Safrai9 comenta que a partir do período do segundo Templo surgiram muitos

grupos religiosos judaicos, os quais desenvolveram suas próprias formas de interpretação da Lei oral e escrita. Porém, todos aceitavam a Lei como fundamental para a existência e ensino da nação. A Torá era a base de todo o sistema legal e social da comunidade e servia tanto para conduzir a ética tanto para a adoração. O estudo da Lei era cultivado publicamente na sinagoga (nas leituras da Torá aos sábados, segundas, terças e durante as festas) e no Templo. Todos os estágios da educação eram centralizados no estudo da Torá. Até mesmo o aprendizado inicial das letras do alfabeto.

Pode-se notar a descrição deste autor sobre aquela época:

Durante o período do segundo templo e até mesmo após a destruição de Jerusalém e o templo em 70 C.E., a comunidade judaica como um todo, desde as instituições públicas até as famílias individuais, desenvolveu uma sociedade centralizada na educação (...) O estudo da Torá não era confinado aos especialistas da Lei e aos sacerdotes e sim, tornou-se uma matéria da comunidade em geral (...) no início do primeiro século e talvez até antes, a maioria das crianças recebia sua formação na escola (...) Quando a tradição talmúdica descrevia a grandeza e prosperidade de uma cidade, ela contava o número de escolas e crianças na escola (...) Da Jerusalém pré- 70 nós lemos: ‘Quatrocentas e oitenta sinagogas estavam em Jerusalém, cada qual tinha uma “casa de leitura” e uma “casa de aprendizado”, a “casa de leitura” para a Lei escrita” e a “casa de aprendizado” para a Lei oral (...) Filão e Josefo também enfatizam o esforço educacional realizado pelos pais para providenciar o conhecimento da Torá desde a infância. No fim do segundo século nós ouvimos falar da presença de tutores em certas casas, há provavelmente certas ocorrências também no primeiro século, mas como regra, as crianças eram enviadas para a escola.10

8 LOHSE, E. Contexto e ambiente do Novo Testamento. São Paulo: Edições Paulinas, 2004, p.-147-

155.

9 SAFRAI, S. The Jewish People in the First Century. Historical Geography, Political History, Social, Cultural and Religious Life and Institutions. Minneapolis: Fortress Press, 1976, p. 946-948. Tradução minha.

10 SAFRAI, S. The Jewish People in the First Century. Historical Geography, Political History, Social, Cultural and Religious Life and Institutions. Minneapolis: Fortress Press, 1976, p. 946-948. Tradução minha.

Especificamente sobre Jesus, Bockmuehl11, nesta mesma linha, sugere que

Ele recebeu a formação da época, tendo sido ensinado a ler e escrever a partir da Lei. Também diz que pelo fato de ter sido carpinteiro (cf. Mc 6,3), isto o colocaria na categoria dos artesãos da classe média baixa, possivelmente com alguns deveres comunitários ou religiosos até mesmo na sinagoga local.

Seguindo outra linha, Keith12aponta que se Jesus era um “carpinteiro” (τέκτων),

ou seja, alguém que trabalhava com madeira, ferro e pedras, e isto constituiria uma possível limitação para que participasse da classe literata escribal. Este mesmo autor compara Mc 1,22 com Mc 6,3 e afirma que em Cafarnaum, Jesus ocupa uma posição de mestre letrado escribal e sua fama se espalha, ao passo que em Nazaré ele é rejeitado por ser um “carpinteiro”. Em Cafarnaum a sinagoga ficou atônita porque Jesus ensinava, mas não como os escribas. Em Nazaré, ficaram atônitos porque Jesus, como um carpinteiro, não era como os escribas e assim não devia ensinar.

Schürer13 também destaca a ligação intrínseca entre a valorização da Torá pelo

povo e o consequente investimento na educação. O objetivo era a formação do povo em um conhecimento teórico e prático da Lei. Posto que a prática da Torá deveria ser precedida pelo seu aprendizado, a instrução constituía-se como um requisito prévio fundamental. Começava na infância e prosseguia com a cooperação entre a família, escola e sinagoga. Schürer defende que esta tarefa comunitária já estava em prática na época de Jesus, ainda que não como uma instituição geral e firmemente estabelecida.

Rops vai nesta mesma linha ao descrever a formação de Jesus, mas deixa algumas questões em aberto, como se pode notar:

A educação recebida por Jesus foi a que todos os jovens israelitas tinham à disposição. Parece que ainda não havia na época um ciclo de estudos como o descrito no Talmude. Eles dependiam da sinagoga e seu presidente, havia uma espécie de bedel e administrador, o qual era reverenciado pelos frequentadores. Na Beth-hasepher, a escola primária os alunos assentavam-se no chão ao redor do rolo do livro da Lei; as

11 SAFRAI, S. The Jewish People in the First Century. Historical Geography, Political History, Social, Cultural and Religious Life and Institutions. p. 38. Tradução minha.

12 KEITH, C. Jesus’ Literacy. Scribal Culture and the Teacher from Galilee. Library of New Testament Studies. London: Bloomsbury T & T Clark, 2011, p.130-134. Tradução minha.

13 SCHÜRER, E. Historia del Pueblo judio en tempos de Jesus. Tomo II. Instituciones políticas y religiosas. Madrid: Ediciones Cristiandad, 1985, p. 540-545. Tradução minha.

crianças repetiam em coro os versículos das Escrituras até que pudessem fazê-lo perfeitamente. Em hebraico a mesma palavra para repetir veio a significar aprender. Isso certamente explica o conhecimento profundo dos textos do Antigo Testamento que Jesus mostrava... Jesus continuou seus estudos? Ele frequentou alguma das escolas rabínicas que podiam ser encontradas próximas de Nazaré? Não há nenhuma indicação e pode-se colocar em dúvida, a julgar pelo assombro que mostraram seus compatriotas, quando da inauguração de seu ministério, onde Ele se mostrava mais sábio e entendido das coisas de Deus do que os mestres de Israel ? (cf. Mc 6,2).14

Renan15dedica um capítulo inteiro de sua obra à questão da educação de

Jesus, ainda que proporcionalmente seja pouco devido ao tamanho da obra. Este autor parece tecer seus argumentos de uma forma contraditória, pois afirma que:

1. Jesus recebeu sua formação nos moldes do Oriente que focava a memorização.

2. É duvidoso que compreendesse os escritos em hebraico.

3. Seus princípios de exegese parecem muito com os Targuns e os Midrashim. 4. Jesus teria cursado “pouco” as escolas mais ilustres dos escribas e não alcançado nenhum título.

5. Talvez não houvesse estas escolas em Nazaré.

6. Os princípios de Hilel não lhe foram desconhecidos, este foi seu verdadeiro mestre.

7. A leitura dos livros do AT teria feito nele impressões importantes e teria lido sem dúvida, muitas das obras apócrifas.

Como se pode notar na construção de suas evidências, certos pontos parecem estar em contraposição com outros.

Descalzo16adota uma postura mais otimista afirmando que a educação era

obrigatória na Palestina. Assevera que a língua materna de Jesus era o aramaico, mas que seus estudos, na escola atrelada à sinagoga, era centrado no hebraico das Escrituras. Também não descarta que soubesse “algo” de

14 ROPS, D. Histoire Sainte. Jésus em son temps. Paris: Librarie Arthême Fayard, 1955, p. 140.

Tradução minha.

15 RENAN, E. Vida de Jesus. Origens do Cristianismo. Porto: Lello & Irmão Editores, 1935, p. 27-39. 16 DESCALZO, J.L.M.. Vida y Misterio de Jesús de Nazaret. Salamanca: Ediciones Sígueme, 2005, p.

grego. Barbaglio17 também se alinha com esta visão mais positivista da

educação de Jesus ainda que julgue que tudo esteja cercado de “certezas, plausibilidades, hipóteses e lacunas”. Laurentin18é um dos autores que

defendem a pessoa de Jesus como “um menino como os demais” ao comentar sobre a educação de Jesus e o suposto aprendizado geral da época, ou seja, teoricamente letrado. Pacomio19apesar de compor uma obra considerável

sobre a vida de Cristo, fala pouco sobre a Sua formação. Conjectura sobre a educação de Jesus em casa, a frequência à sinagoga e a educação desde os cinco anos na escola. Acrescenta que dos doze anos em diante Jesus haveria continuado na escola aprendendo as tradições orais que interpretavam a Torá. Burton e Mathews20 reiteram a formação de Jesus via casa, sinagoga e escola

anexada à sinagoga de Nazaré. Porém afirmam que Ele não continuou seus estudos em níveis mais avançados, ainda assim, podia se valer das Escrituras de Israel em hebraico.

Outro autor, Puig21, em uma obra bem documentada e extensa também segue

o viés da formação via família e sinagoga, centralizada na Lei. Considera a presença ou não de um sistema educativo judeu à época de Jesus uma incógnita e prefere salientar o papel central da sinagoga. Defende que entre os seis e doze anos, Jesus teria aprendido a memorizar passagens da Escritura de tipo diverso e também a lê-las e provavelmente escrever. Este autor argumenta que a partir dos doze anos Jesus teria desenvolvido um aprofundamento pessoal em Sua formação, porém sem um mestre reconhecido, pois os poucos mestres ligados a Jesus por certos autores, constituiriam, a seu ver, anacronismos. Puig22 ainda cogita se Jesus teria ficado

somente na sinagoga de Nazaré ou frequentara outras, tais como as na cidade de Séforis. Afirma também que os grandes rabinos e o centro dos grupos religiosos era Jerusalém, assim se quisesse um título formalizado deveria se deslocar. Porém em vista de certos textos (cf. Mt 13,54-55; Mc 6,2-3), prefere

17 BARBAGLIO, G. Jesus, hebreu da Galileia. Pesquisa histórica. São Paulo: Edições Paulinas, 2012,

p. 89-117.

18 LAURENTIN, R. Vida autêntica de Jesus Cristo. Tomo 1. Narrativa. São Paulo: Edições Paulinas,

2002, p. 59-75.

19 PACOMIO, L. Jesus. São Paulo: Edições Loyola, 1999, p.43-44.

20 BURTON, E. D.; MATHEWS, S. Vida de Jesucristo. Buenos Aires: Editorial “La Aurora”, 1947, p.

39. Tradução minha.

21 PUIG, A. Jesus. Uma biografia. Lisboa: Paulus Editora, 2010, p. 192-2002. 22 PUIG, A. Jesus. Uma biografia. p. 192-2002.

sugerir uma manutenção de Jesus em Nazaré e uma formação autodidata, ainda que acene para a possibilidade de que após os doze anos tivesse passado a seguir por algum tempo a João o Batista.

Grenier destaca as hipóteses usuais, porém destaca outro aspecto, a inspiração divina:

Não seria nada suficiente identificar apenas os agentes humanos que contribuíram para o conhecimento de Jesus (...) No quarto evangelho há muitas sentenças atribuídas a Jesus, que indicam a inspiração divina que apóia o seu ensinamento. Durante o discurso na última ceia, ele diz aos seus discípulos: “Dei-vos a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai” (Jo 15,15). Antes, havia dito ao povo em geral: “Não falei de mim mesmo, mas o Pai que me enviou prescreveu-me sobre o que dizer e o que falar (...) Portanto, o que eu falo, digo-o exatamente como o Pai me disse” (Jo 12,49-50; cf. 14,10; 5,24.30; 7,17; 8,28; 17,8; Mt 11,25-27).23

Pode-se lembrar em relação à questão de inspiração divina, que ao ter sua autoridade e formação questionadas, Jesus, ao ensinar no Templo, respondeu: “Minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou. Se alguém quer cumprir sua vontade, reconhecerá se minha doutrina é de Deus ou se falo por mim mesmo (Jo 7,15-16). Assim Jesus atribui ou ao menos associa seu ensino (h` evmh. didach.), à revelação divina. Ao se considerar este aspecto pode-se atentar também para o princípio de cada evangelho, os quais demonstram a singularidade de Jesus; Marcos inicia salientando o batismo de Jesus e a descida do Espírito que o capacita para seu ministério de ensino e curas, Mateus e Lucas iniciam os relatos e fazem a junção de Jesus com o Espírito com Jesus logo a partir do seu nascimento e o João em seu prólogo revela a preexistência de Jesus e ao longo do evangelho destacará Jesus como o Filho de Deus e conseqüentemente uma origem divina de seus ensinamentos.

Na mesma linha Riesner também destaca o papel da inspiração divina no ensino de Jesus, seja do Pai ou do Espírito.

Uma característica do uso de (dida,skein) em Jo 8,28; 14,26 é que é sugerido em primeira instância a presença de uma revelação ou inspiração direta. Em Jo 8,28, Jesus diz em respeito às Suas declarações concernentes a Si mesmo: (avlla.

kaqw.j evdi,daxe,n me o` path.r tau/ta lalw/) (...) Em todo caso, isto denota a capacitação com (dida,skein) de outro mundo. Este uso de (dida,skein) nós não encontramos nos Sinóticos.24

Keith25, em uma obra bem específica e ricamente documentada, afirma que

ambas as posições, a de um Jesus letrado e a de um Jesus não letrado; Dependem naturalmente, ou de apelos ao contexto sócio-histórico ou apelos a textos bíblicos específicos. Como abordado anteriormente, em relação ao contexto sócio-histórico, quem defende um Jesus educado, irá colocá-lo ao