C. Sirkülerin Yargısal Denetimi
2. VUK’nun 369. Maddesinin Yargısal Denetim Üzerindeki Etkisi
Seu contexto sócio politico e religioso é diversificado e sua origem judaica convive em meio ao governo Romano e a prevalecente cultura Grega. A confluência destas culturas proporcionaram um ambiente e época propícios para a disseminação da mensagem do Evangelho (cf. Gl 4,4).
Conybeare resume estes fatores como segue:
Elementos Gregos e Romanos são reunidos de forma notável com os antigos e mais sagrados elementos do judaísmo. Vê-se no povo hebreu um alicerce divinamente estabelecido para a superestrutura da Igreja, a diáspora dos judeus como um solo fértil para a semeadura do Evangelho. Vê-se no espalhar do idioma e comércio dos gregos, sua perfeição na poesia e filosofia, meios apropriados para a rápida comunicação das ideias cristãs e para trazê-las a uma estreita conexão com os melhores pensamentos da humanidade. Vê-se na união das muitas províncias incompatíveis sob a lei e governo de Roma, uma forte estrutura que podia mantê-las juntas pelo período suficiente para que o Evangelho se infiltrasse.23
Os gregos, mesmo que sobrepujados militarmente permaneciam espalhando sua intelectualidade através de suas ideias. Os romanos prevaleciam através de sua organização político-militar, capacidade de empreender edificações e realizar uma política de urbanização, mas, mesmo que detivessem o poder, acabaram assimilando muitos traços da cultura sócio-religiosa grega e perpetuando-a. Na verdade houve24 uma orientação de interesse mútuo onde a
política imperial em relação à Ásia também incluía a confirmação da autoridade da elite provinciana existente. A continuidade desta elite no governo local facilitava sua lealdade a Roma. Era empreendido o fomento da “civilização” com construções e benefícios que atenuavam a sensação de domínio romano, colocando o mesmo em uma perspectiva mais positiva.
O Evangelho também encontra um cenário religioso regado pelo misticismo e pelo politeísmo e uma acentuada decadência no campo da moralidade25.
23 CONYBEARE, W. J. Life and Epistles of ST. Paul. Grand Rapids, Michigan: W. B. Eerdmans
Publishing Company, 1954, p.7. Tradução minha.
24 HOWARD-BROOK, W.; GWYTHER, A. Desmascarando o Imperialismo. Interpretação do Apocalipse ontem e hoje. São Paulo: Edições Loyola e Paulus, 2003, p. 126-130.
Em relação às religiões gentílicas, predominava o culto ao panteão greco- romano, e isto era tão perceptível que Paulo nota que Atenas, o centro religioso da Grécia, estava dominada pela idolatria (cf. At 17,16). Ao longo de suas viagens missionárias, por mais de uma vez Paulo foi considerado como uma divindade pelos habitantes (cf. At 14,8-18; 28,1-6)26.
Também é conhecida a prática do “culto ao imperador”27 e à deusa Roma em
muitas cidades inclusive com a construção de templos erigidos em homenagem a estes; O que naturalmente era plenamente incompatível para cristãos; Principalmente porque a população devia descrever o imperador como “Deus”, “Salvador” e “Senhor”.
A influência dos cultos locais também era fortíssima. Em decorrência de antigas crenças e temores, grande parte da população buscava o sobrenatural através de formas de contato com o mundo do além, espíritos, demônios, previsões do futuro, astrologia, mágica, exorcismos. Paulo em suas cartas alerta às igrejas a rejeitarem o envolvimento com o animismo (cf. 1Cor 10,20- 21; Ef 5,11-12). O livro de Atos também descreve Paulo em confronto com as práticas cultuais específicas (cf. At 13,6-11; 16,16-18; 19,13-17; 19,19)28.
Também era marcante a influência filosófica e esta tinha muitas formas e ênfases. Nos dizeres de Paulo, era a busca frequente de ouvir algo novo (cf. At 17,21). Certos movimentos que futuramente iriam suscitar o Gnosticismo depreciavam o valor do mundo material e exaltava a alma e a mente; Como o corpo era somente temporário, podia-se dar a concessões luxuriantes. Os Estóicos ensinavam que o mundo era governado por um propósito racional, embora negassem a existência de um Deus pessoal, a função primordial do homem era adequar-se aquele propósito racional. Os Epicureus criam que o mundo veio do acaso através de colisões cósmicas de átomos, não acreditavam em um bem absoluto, sendo assim o homem devia buscar o prazer, não a verdade. Os Platonistas negavam a realidade do universo material e o via somente como uma cópia do mundo real das ideias29.
26 GROMACKI, R. G. New Testament Survey. Grand Rapids, Michigan: Baker Book House, 1987, p.
24-25. Tradução minha.
27 HOWARD-BROOK, W.; GWYTHER, A. Desmascarando o Imperialismo. Interpretação do Apocalipse ontem e hoje. p. 136-140.
28 GROMACKI, R. G. New Testament Survey. p. 25-26. Tradução minha. 29 GROMACKI, R. G. New Testament Survey. p. 26-27. Tradução minha.
Paulo comenta e rebate estas visões de mundo em seus ensinos (cf. At 17,21; 1Cor 1,22-23; Cl 2,8).
3.2.1 Desenvolvimentos do Cristianismo primitivo até Paulo
Faz-se necessário nesta pesquisa avaliar também o que teria acontecido no que tange à Igreja no curto período de tempo entre a morte, ressurreição e ascensão de Jesus e a conversão de Paulo.
Barnett30 fixa a crucificação e ressurreição de Cristo em 33 d.C. e a conversão
de Saulo de Tarso em 34/35 d.C.. Este autor sumariza o que aconteceu em Jerusalém entre Jesus e Paulo da seguinte forma:
1. A igreja manteve uma continuidade com os ensinos de Jesus através dos apóstolos (cf. At 1,3-4.11.14-15.21-26; 9,2).
2. A Igreja testemunhou sobre o Cristo ressuscitado através de seu estilo de vida, crescimento e sinais miraculosos (cf. At 2,43; 4,30; 5,12).
3. A Igreja desenvolveu gradativamente uma comunidade com variedade étnica (cf. At 6,1-7): Composta de “Hebreus” e “Helenistas”. Os hebreus31 eram os
nascidos na Palestina e de fala aramaica. A identidade dos helenistas32 tem
sido alvo de debate entre os estudiosos, provavelmente judeus de fala grega, originários das partes helenizadas do mundo mediterrâneo (cf. Jo 12,20-21; At 2,9-11; 6,1).
4. A Igreja estabeleceu-se como uma comunidade de reflexão teológica (cf. Mt 28,20; Jo 14,26; At 2,42). Ou seja, retransmitia os ensinos de Jesus (cf. Mt 28,20 “...ensinando-os todas as coisas que eu vos tenho ordenado...”. Interpretava os dizeres de Cristo (cf. Jo 2,22. Estudava sobre as profecias do
30 BARNETT, P. Behind the Scenes of the New Testament. Illinois: InterVarsity Press, 1990, p. 130.
Tradução minha.
31 Esta primeira comunidade Cristã ainda mantinha suas raízes judaicas como se pode verificar em sua
continuada ligação com o Templo (cf. At 2,46; 3,1-26; 5,19-21.42; 21,17-26; 22,17-21). Porém logo de início havia diversidade étnica (cf. At 6,1-7). Tal diversidade vai aumentando à medida que o Evangelho vai sendo proclamado também entre os gentios (cf. At 1,8; 2,5-11; 8,1-40; 10,23-48; 11,1-23). Destaca-se de forma emblemática o concílio de Jerusalém (cf. At 15) onde a Igreja estabelece limites de continuidade e descontinuidade na relação de sua identidade judaica com seus irmãos gentios.
32 “Helenistas” também é uma expressão usada para judeus de fala grega, não convertidos que
perseguiram Estevão e Paulo (cf. At. 6,11-14; 9,29; 2Cor 11,13.26; Gl 2,4). Contudo pode-se pressupor que estes grupos não falassem exclusivamente uma língua, é mais provável que fossem bilíngues.
Antigo Testamento sobre Cristo (cf. Mc 1,11; 14,27; Mt 1,23; 2,6.15.18; Lc 4,18; Jo 2,22; 6,45; 7,38; 12,14-16; At 3,1-26; 7,1-53).33
Quanto ao último ítem acima, pode-se dizer que nas origens do Cristianismo a proclamação da Igreja enfatizava a redenção e revelação divina cumprida na manifestação messiânica de Cristo. O ensino da Igreja também focalizava apologeticamente o papel de Jesus na história. O alicerce de seus argumentos residia nas Escrituras de Israel e o seu viés Cristológico. A própria Igreja tinha consciência de sua participação no cumprimento escatológico a partir de Cristo. Dodd34 destaca três temas matrizes sobre os quais a Igreja estruturava sua
teologia querigmática:
1. Temas apocalípticos-escatológicos (cf. Jl 2-3; Zc 9-14; Dn 7 e 12).
2. Temas do “Novo Israel”35 (cf. Is 6,1-9,7; 11,1-10; 40,1-11; Jr 31,31-34; Hab
2,3).
3. Temas do “Servo do Senhor” e do “Servo Sofredor” (cf. Dt 18,15.18; 2Sm 7,14; Is 42,1-44,5; 49,1-13; 50,4-11; 52,13-53,12; Sl 2; 8; 22; 34; 69; 110; 118). Longenecker36 aborda o fenômeno das citações diretas no livro de Atos
referentes a esta ênfase Cristológica e alista vinte sete ocorrências diretas: 1. Pedro: (cf. At 1,20 com Sl 69,25; 109,8; At 2,17-21 com Jl 2,28-32; At
2,25-28.31 com Sl 16,8-11; At 2,34 com Sl 110,1; At 3,22 com Dt 18,15.18; At 3,25 com Gn 12,3;18,18; 22,18; At 4,11 com Sl 118,22). Pedro ainda menciona em At 3,24 “E todos os profetas, a começar com Samuel…”;
2. Igreja em geral: (cf. At 4,25 com Sl 2,1);
3. Estevão: (cf. At 7,3 com Gn 12,1; At 7,6 com Gn 15,13; At 7,7 com Ex 3,12; At 7,27 com Ex 2,14; At 7,32 com Ex 3,6; At 7,33 com Ex 3,5-10; At 7,37 com Dt 18,15; At 7,42 com Am 5,25-27; At 7,49 com Is 66,1). 4. Filipe: (cf. At 8,32 com Is 53,7).
5. Tiago: (cf. At 15,16-18 com Am 9,11).
33 BARNETT, P. Behind the Scenes of the New Testament. p. 130-150. Tradução minha.
34 DODD, C. H. According to the Scriptures: The Sub-Structure of New Testament Theology.
London: Nisbet, 1952, p. 61-108.
35 A expressão “novo Israel” também é recorrente ao longo de todo o livro de Oseias.
36 LONGENECKER, R. Biblical Exegesis in the Apostolic Period. Chicago: W. B. Eerdmans
6. Paulo: (cf. At 13,33 com Sl 2,7; At 13,34 com Is 55,3; At 13,35 com Sl 16,10; At 13,41 com Hab 1,5; At 13,47 com Is 49,6; At 23,5 com Ex 22,28; At 28,26 com Is 6,9).
Longeneker37 também apresenta vários exemplos de como os métodos de
interpretação de Jesus deram ímpeto a Igreja primitiva recorrer a modos de exegese literalistas (cf. Mt 22,37 com Dt 6,4; Mt 22,39 com Lv 19,18; Mt 4,4.7.10 com Dt 8,3; 6,16; 6,13; Mt 15,4 com Ex 20,12; 21,17; Mt 18,16 com Dt 19,15; Mt 19,5 com Gn 2,24) e midráshicos38 (cf. Mt 7,11; 10,25; Lc 12,28; Mt
22,32 com Ex 3,6; Jo 10,34-36 com Sl 82,6; Mt 12,5-7 com 1Sm 21,4-6). Sobretudo como a Igreja aprendeu de Cristo (alinhado com as tradições judaicas de exegese), a interpretação pesher39 como seu tratamento das
Escrituras mais característico (cf. Lc 4,16-21 com Is 61,1; Jo 5,39-47; Mc 12,10; Mt 21,42; Lc 20,17 com Is 5,1 e Sl 118,22; Mc 14,27; Mt 26,31 com Zc 13,7; Mt 11,10; Lc 7,27 com Is 40,3 e Ml 3,1; Mt 13,14 com Is 6,9; Mt 15,8 com Is 29,13 e Sl 78,36; Lc 22,37 com Is 53,12; Jo 6,45 com Is 54,13 e Jr 31,33; Jo 13,18 com Sl 41,9; Jo 15,25 com Sl 35,19 e 69,4; Mc 12,36; Mt 22,44; Lc 20,42 com Sl 110).
Estes tipos de abordagens exegéticas abriam toda a mensagem e história bíblica a uma interpretação Cristológica. Os primeiros Cristãos assim teriam identificado as porções pertinentes à era Messiânica e as explicado de acordo com a direção do Espírito Santo e a tradição e ensinos de Cristo.
Neste contexto que surgirá Paulo, um mundo onde Jerusalém, Grécia e Roma desempenham uma influência notável e estrategicamente abrangente para a disseminação do Evangelho ao mundo (cf Mt 28,19-20; At 1,8).
37 LONGENECKER, R. Biblical Exegesis in the Apostolic Period. p. 93-103.
38 PATZIA, A. G.; PETROTTA, A. J. Dicionário De Estudos Bíblicos. São Paulo: Editora Vida, 2002,
p. 105. Uma forma de exposição bíblica judaica. O termo midraxe é uma forma do verbo hebraico darash, “buscar, “investigar”... Mais basicamente se refere aos antigos comentários judaicos sobre a Bíblia que empregam abordagem homilética... Estes comentários dos textos gradativamente mantiveram um papel de autoridade dentro do judaísmo.
39 EVANS, C. A. Jewish Exegesis in VANHOOZER, K. J., Ed Gen. DTIB. Grand Rapids, Michigan:
Baker Book House Company, 2005, p. 380-384. Na comunidade de Qumran “pescher” significava mistérios que precisavam ser explicados, gerando assim comentários. Também se aplica ao fenômeno onde o intérprete sabe de algo contido na Escritura que o autor original desconhecia (p. ex. At 2,17-21 com Jl 2,28-32). A exegese pescher entendia passagens bíblicas específicas como cumpridas em eventos históricos e experiências específicas.
Paulo será indubitavelmente uma personagem usada como instrumento de Deus para, naquele momento da história, levar o nome de Jesus Cristo diante das nações pagãs, dos reis e dos israelitas, conforme afirmou o próprio Senhor: “Mas o Senhor insistiu: “Vai, porque este homem é para mim um instrumento de escol para levar meu nome diante das nações pagãs, dos reis, e dos israelitas.” (At 9,15).
Paulo será aquele que ensina a Cristo, será constituído como o teólogo notável do Evangelho (cf. 1Cor 15,1-3).
Como já foi feito anteriormente a respeito de Cristo deve-se observar também as condições da formação desta personagem chave do Novo Testamento.