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Uygulama Tebliğlerinin Asli Kaynak, Yorum Tebliğlerinin ise Yardımcı

A. Genel Tebliğlerin Vergi Hukuku Kaynakları Arasında Yeri

1. Uygulama Tebliğlerinin Asli Kaynak, Yorum Tebliğlerinin ise Yardımcı

Os escribas são citados na Bíblia, a partir do profeta Jeremias (cf. Jr 8,8). Nesta passagem, é salientado o problema já existente, da reprodução de cópias incorretas. Mas é exatamente a necessidade de preservação da Lei que elevará o papel do escriba, quando da queda de Judá e destruição do templo no Antigo Testamento. Estes descendentes dos levitas e dos sacerdotes copiavam, editavam e interpretavam o conteúdo oral e escrito da Lei, a função, portanto, era de preservação. Mas é somente após o exílio que os escribas têm preeminência. Ao discorrer sobre os escribas, é imperativo que se analise a pessoa e obra de Esdras. Esta personagem serve como transição entre a função sacerdotal e os posteriores escribas no ensino da Lei. Assim como Samuel foi juiz e profeta, Esdras era sacerdote e escriba (cf. 1Sm 3,19-21; 1Sm 7,16-17; Esd 7,1-6; Ne 8,1-2.9).

53 WOOD, L. Distressing Days of the Judges. Grand Rapids, Michigan: Zondervan Publishing House,

Constatou-se na pesquisa, que três passagens bíblicas são essenciais para uma maior compreensão deste sacerdote-escriba Esdras e as funções desempenhadas pelo mesmo (cf. Esd 3; 7 e Ne 8).

Em Esdras 3 nós vemos a importância da celebração da festa de Sucot no que tange a esta pesquisa, Rubenstein observa:

A passagem enfatiza que os sacrifícios oferecidos em Sukkot inauguraram o funcionamento regular do culto, a partir daí, Sábados, Luas Novas e outras festividades poderiam ser observadas de maneira adequada (cf. 3,4-5).54

Esta “maneira adequada” sugerida pelo autor acima está intrinsecamente relacionada às prescrições da Lei como afirma Breneman:

Aqueles que retornaram do exílio queriam começar corretamente, eles foram cuidadosos em adorar a Deus de acordo com a Sua revelação nas Escrituras. A “lei de Moisés” era considerada como autoritativa (...) A festa dos tabernáculos era uma das três mais importantes festas do calendário religioso judaico. As festas dos peregrinos, quando todos os homens de Israel iam para Jerusalém, a Páscoa na primavera, Pentecostes (Semanas ou Colheitas) no verão e Tabernáculos no outono (Ex 23,14-17; Dt 16,16). Em Nm 29,12-38 há uma lista extensa de sacrifícios a serem feitos em cada um dos sete dias da festa de Tabernáculos. Novamente, os que retornaram do exílio mantiveram a festa “de acordo com o que estava escrito”, enfatizando a autoridade do Pentateuco (Ex 23,16; 34,22; Lv 23,33-36.39-43 e Dt 16,13-15... Foi também na festa de Tabernáculos que Esdras leu a Lei para o povo (Ne 8,14- 18).55

Blenkinsopp56 também afirma que a celebração de Sucot foi uma maneira

apropriada para marcar um novo começo a exemplo da dedicação do primeiro templo (cf. 2Cr 5,3). Levering57 declara que no calendário litúrgico de Israel

(descrito em Nm 28-29; Lv 23; Dt 16; Ex 12;23), o sétimo mês é o de maior proeminência. Neste contexto Esdras 3, marca o retorno para a terra, um “novo Êxodo”, com a esperança do estabelecimento de um povo santo que habitaria

54 RUBENSTEIN, J.L. The History of Sukkot in the Second Temple and Rabbinic Periods. Atlanta:

Scholars Press, 1995, p.33.

55 BRENEMAN, M. Ezra, Nehemiah, Esther. The NAC. An Exegetical and Theological Exposition of Holy Scripture. Nashville: Broadman & Holman, 1993, p.87.

56 BLENKINSOPP, J. Ezra-Nehemiah. The Old Testament Library. Philadelphia: The Westminster

Press, 1988, p.98.

com Deus na terra e prestaria uma santa adoração. Daí pode-se traçar o paralelo entre Moisés e Esdras como mestres da Lei.

Araújo, abordando de maneira abrangente as diversas nuanças da festa de Sucot, também descreve sua importância em Esdras e Neemias. Este autor salienta a importância em Esdras, quanto à continuidade das antigas tradições:

Esta ideia é visível na ânsia dos repatriados de reconstruírem o altar dos sacrifícios, “como está escrito na Lei de Moisés” (3,2- 6). A reconstrução do altar dos sacrifícios “no seu lugar”, no sétimo mês, junto com a celebração da Festa de Sucot, coloca este evento em estreita relação com a consagração do Templo de Jerusalém (1Rs 8) (...) A Festa de Sucot aparece, em Esd 3, em estreita relação com reinício da vida cultual do Templo de Jerusalém (...) Assim, o início do ciclo festivo de Israel através de Sucot liga-se com a dedicação do Templo de Salomão e, ao mesmo tempo, confere legitimidade ao novo culto (...) A Festa é usada em Esdras e Neemias como referência histórica e teológica. A comunidade, que havia negligenciado a Lei do Senhor resultando no exílio da Babilônia, agora possui como única referência para reiniciar uma nova vida na “Terra Prometida” a estrita observância da Torá como obediência ao Deus de Israel.58

Em Esdras 7 Blenkinsopp59 observa Primeiro: O interesse do autor em enfatizar

a genealogia Aarônica de Esdras, portanto sacerdotal. No período pré-exílico, já temos apresentado que eram os sacerdotes que serviam de guardiões da Lei e ensinavam a mesma ao povo, os Levitas tinham este dever entre suas tarefas e foi uma tribo separada por Deus para tal função (cf. Dt 32,26-29; 33,10; Nm 3,5-8; 2Cr 17,7-9; 35,3).

Assim sobre esta linhagem sacerdotal de Esdras observa-se o que diz Williamson:

Como alguém que poderia traçar sua descendência até o próprio Aarão, Esdras era clara e totalmente qualificado a continuar esta tradição. Com o desenvolvimento do Judaísmo durante o período do segundo templo, contudo, a classe dos escribas como aprendizes e mestres da Torá cresceu em preeminência. Esdras é retratado como o primeiro e grande exemplo desta classe. Assim, ele representa de forma singular

58 ARAÚJO, G. L. De. História da Festa Judaica Das Tendas. São Paulo: Paulinas, 2011, p. 74-81. 59 BLENKINSOPP, J. Ezra-Nehemiah. The Old Testament Library. Philadelphia: The Westminster

a transição entre os diferentes modos de mediação da Torá nos períodos pré e pós exílicos60

Em segundo: O papel de Esdras como escriba, incluiria anotar registros rápida e acuradamente (cf. Sl 45,2), conhecer a Lei de Moisés, interpretá-la e aplicá-la a casos específicos.

Assim Esdras estudava, observava e instruía a Lei a partir de sua dupla função sacerdote e escriba. Os estatutos e as ordenanças (Esd 7,10) então, mais do que termos sinônimos, seriam respectivamente, as provisões básicas e as estipulações e aplicações da Lei nos casos judiciais (cf. Dt 4,1.5.8.14; 5,1; 11,32; 12,1; 26,16).

Clines61 concorda com esta perspectiva sobre o destaque da linha sacerdotal e

também alista a possibilidade de Esdras ser um alto oficial do estado persa, talvez um embaixador persa para assuntos israelitas, mas acha mais provável que a ênfase do texto (cf. Esd 7,6) o retrate como um doutor, um expert da Lei, oque mostra a predominância de Esdras como mestre da Lei. A ideia é de um pesquisador e expositor da palavra de Deus.

Também se pode observar o caráter deste mestre da Lei em Esd 7,10, ele está disposto não somente em estudar e ensinar a Lei, mas também praticá-la, como bem acentua Kidner:

Ele é um modelo de reformador porque o que ele ensinou, em primeiro lugar ele viveu, e que ele viveu tinha apoio primeiramente nas Escrituras. Com o estudo, a conduta e ensino colocados deliberada e exatamente nesta ordem, cada um destes aspectos foi capaz de funcionar corretamente e da melhor maneira: O estudo foi salvo da irrealidade, a conduta da incerteza e o ensino da falsidade e superficialidade.62

Verificamos que o envolvimento de Esdras com a Torá é tanto técnico científico quanto litúrgico pastoral. Podemos concordar com a afirmação de Yamauchi63

quando diz que o estudo de Esdras não era meramente uma disciplina intelectual, mas também um estudo para a sua própria vida e para a instrução

60 WILLIAMSON, H.G.M. Ezra, Nehemiah. WBC. Waco, Texas, 1985, p.94.

61 CLINES, D. J.. Ezra, Nehemiah, Esther. The NCBC. Grand Rapids, Michigan: William B Eerdmans

Publishing Company. 1984, p. 99-100.

62 KIDNER, D. Esdras e Neemias: Introdução e comentário. São Paulo: Mundo Cristão e Vida Nova,

1985, p. 84.

63 YAMAUCHI, E. Ezra, Nehemiah. The EBC volume 4. Grand Rapids, Michigan, Zondervan

de sua congregação. Clines64 segue a mesma direção quando diz que Esdras e

os rabis posteriores consideravam o estudo sem a ação como algo sem dignidade e diz que o rabban Gamaliel chegou a afirmar: “todo o estudo da Torá sem obras é em última instância fútil e torna-se a causa de pecado”.

Nef Ulloa também enfatiza que, a “centralidade da Torá e seu estudo”, abrange teoria e prática ao afirmar que:

A valorização do estudo da Torá, o qual não consistia (consiste) tanto no conhecimento como na meta a ser alcançada, ou seja, buscar o conhecimento pelo conhecimento em si mesmo, mas estava (e ainda hoje está) orientado para a interpretação, com o objetivo de encontrar a aplicação da Torá nos mais diversos aspectos da vida cotidiana do povo. Por isso, no interior do judaísmo, estudar a Torá é, antes de tudo, encontrar seu sentido prático, de cujo estudo como vimos anteriormente, Esdras é um exemplo clássico.65

Fensham66 também faz a análise do versículo 10 (cf. Esd 7,10) e comenta a importância da conjunção

yKi

(porque) e sua ligação com a última expressão do versículo anterior “segundo a boa mão do seu Deus sobre ele”, ou seja, a boa mão de Deus, o Seu favor estava sobre Esdras devido ao seu estudo e prática da Torá. Fensham defende a ideia da ênfase do estudo teórico e da prática baseado tanto na pontuação do texto massorético, quanto na interpretação dada pela LXX, este autor também afirma que “as ações de Esdras no restante do livro devem ser interpretadas à luz deste versículo”.

Em Neemias 8, Blenkinsopp67 comenta sobre a função de Esdras, da Lei de

Moisés e dos Levitas e afirma ser imprescindível, no versículo 8, a compreensão do termo hebraico

vr"_pom.,))

a raíz verbal significa dividir, separar, especificar. Após apontar estudos que vêem aqui a origem bíblica dos targuns e o reestabelecimento da acentuação massorética esquecida; Blenkinsopp, após análise das expressões hebraicas, prefere concluir por uma leitura feita de maneira precisa e suas respectivas interpretações. Este autor conclui que a

64 CLINES, D. J.. Ezra, Nehemiah, Esther. The NCBC. p. 101.

65 NEF ULLOA, B. A. O método deráshico no judaísmo. São Paulo: PUC, Revista de Cultura

Teológica 70, 2010, p.31-49.

66 FENSHAM, C. F. Ezra and Nehemiah. The NICOT. Grand Rapids, Michigan: William B Eerdmans

Publishing Company. 1983, p. 101.

67 BLENKINSOPP, J. Ezra-Nehemiah. The Old Testament Library. Philadelphia: The Westminster

passagem é de valor inestimável e oferece informações sobre o estudo, interpretação e ensino da Torá nos séculos precedentes à emergência do escribalismo Farisaico. Clines68 também enfatiza o valor do termo hebraico

citado acima e alista as seguintes opções: 1. A apresentação de uma tradução ou paráfrase do texto hebraico para o aramaico. 2. A origem dos targuns, segundo a tradição dos rabis. Yamauchi69 discorda desta opção muito

conhecida, porque a considera anacrônica principalmente por não haver evidência de targuns de uma data tão antiga. 3. Uma leitura clara, com pronúncia distinta, com pausas entre cada versículo. 4. Leitura e explanação do texto para a audiência. Williamson70 faz um interessante sugestão a partir de

Ne 8,7-8. Seria possível que a leitura da Lei fosse feita em seções e assim, após cada pausa, os levitas podiam ir de grupo em grupo verificando a compreensão do povo. Fenshan concorda com esta possibilidade, mas opta por “traduzir” para o termo hebraico vr"_pom.,)) , ele diz que “os judeus que falavam aramaico precisavam de alguém para traduzir o hebraico da Lei em seu próprio vernáculo”71. A despeito de qual destas alternativas estejam mais próximas da

realidade, verificamos que a ênfase no ensino da Lei produziu os resultados almejados porque o povo entendeu (cf. Ne 8,8.12) e foi sensibilizado (cf. Ne 8,9.12). Novamente vemos que Esdras e os levitas serviram de guardiões da Lei e mestres da mesma. Através da instrumentalidade do sacerdote escriba Esdras podemos constatar uma mudança metodológica que parte do místico, por exemplo, o proferimento de oráculos a partir do uso do urim e tummim e transfere-se para o exegético através do estudo e interpretação da Torá. Scardelai72 argumenta que Esdras, então inaugura um novo período no qual

tudo será centralizado no livro, constituindo um paradigma da nova comunidade restaurada após o exílio. Johann73 também tem esta mesma

perspectiva sobre esta transição para a religião do Livro, afinal, à medida que “as tradições foram guardadas por escrito a interpretação tornou-se necessária como meio de atualização”. O projeto de reconstrução sob Esdras iria,

68 CLINES, D. J.. Ezra, Nehemiah, Esther. The NCBC. p. 184-185. 69 YAMAUCHI, E. Ezra, Nehemiah. The EBC volume 4. p.725.

70 WILLIAMSON, H.G.M. Ezra, Nehemiah. WBC. Waco, Texas, 1985, p. 290-291. 71 FENSHAM, C. F. Ezra and Nehemiah. The NICOT. p.103.

72 SCARDELAI, D. O escriba Esdras e o judaísmo. Um estudo sobre Esdras na tradição judaica.

São Paulo, Editora Paulus, 2012, p. 87,123.

portanto, além das muralhas e do templo e visaria um reestabelecimento espiritual, este é o fundamento para o judaísmo do segundo templo e posterior. Este “novo período” deveria ser caracterizado não só por um novo templo e sim pela habitação de Deus, Levering74 afirma que a missão de Esdras é a

formação de um povo santo unido pela Torá, (cf. Esd 7-10). Este autor comenta sobre a visão pré-exílica de Ezequiel onde a glória do Senhor, (

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) se aparta do templo devido a idolatria ali instalada. Portanto, este povo deve buscar o conhecimento e a observância do que já fora revelado a Moisés no Sinai e agora surge como um tema revisitado com este “novo Moisés”, o Sacerdote-escriba Esdras.