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4. YARGI İLE İLGİLİ DİĞER ORGANLAR

4.3. Yüksek Seçim Kurulu

Para fins de comparação entre os termos Visão e Escopo do Projeto tomou-se como exemplo o padrão proposto no PMI (2004). Nesse padrão o primeiro momento em que se faz algo parecido com a Visão é na definição do projeto. A fase de iniciação é o momento onde se gera a primeira definição, no documento denominado de Termo de Abertura do Projeto. Ele é elaborado pela pessoa responsável pela identificação do empreendimento, em conjunto ou não com os patrocinadores do projeto. Este documento autoriza formalmente a existência de um projeto e concede ao gerente de projetos a autoridade para aplicar recursos no seu planejamento.

O Termo de Abertura do Projeto deve, em tese, descrever a primeira versão de uma Visão do Projeto e Produto, conjuntamente. No linguajar tradicional, utilizam-se os termos Escopo do Projeto e Escopo do Produto.

A Visão do Produto dentro do Termo de Abertura do Projeto se dá por meio da Declaração de Trabalho, que visa descrever os produtos, serviços e resultados a serem fornecidos pelo projeto. Dentro da Declaração de Trabalho encontra-se a descrição do escopo do produto. Esse documento registra os requisitos do produto e as características do produto ou serviço para os quais o projeto será realizado. Neste momento, durante o processo de iniciação, requisitos do produto são normalmente menos detalhados. Eles serão aperfeiçoados e detalhados durante os processos seguintes, conforme as características do produto forem progressivamente elaboradas. Para tal, propõe-se o uso de narrativas em linguagens naturais. Portanto, textos tal como o proposto no documento de visão dos teóricos do APM.

O Termo de Abertura pode conter documentos adicionais, como contratos, fatores ambientais da empresa e ativos de processos organizacionais.

Com o intuito de refinar tanto a visão do projeto quanto a do produto, existe ainda o desenvolvimento da declaração do escopo preliminar do projeto. Este documento é a definição do projeto e o que deve ser realizado por ele.

O processo desenvolver a declaração do escopo preliminar do projeto aborda e documenta as características e limites do projeto, seus produtos e serviços associados, além dos métodos de aceitação e controle do escopo. Assim, a Declaração do Escopo do Projeto inclui documentos como: objetivos do produto e do projeto, características e requisitos do produto ou serviço, critérios de aceitação do produto, limites do projeto, entregas e requisitos do projeto, restrições do projeto, premissas do projeto, organização inicial do projeto, riscos iniciais definidos, marcos do cronograma, estrutura analítica do projeto (EAP) inicial, estimativa aproximada de custos, requisitos de gerenciamento de configuração do projeto e requisitos de aprovação.

Em alguns casos o conteúdo da Declaração do Escopo do Projeto pode variar dependendo da área de aplicação e complexidade do projeto. Vale ressaltar que é de fundamental importância que haja a participação do patrocinador ou iniciador do projeto no desenvolvimento da Declaração do Escopo do Projeto. Sem que haja a interação entre as pessoas as informações necessárias podem ser de baixa qualidade gerando assim a má concepção da visão. Por sua vez, a má concepção da visão pode acabar ocasionando problemas nas fases posteriores do ciclo de vida do projeto.

O quadro 1 faz um paralelo entre as abordagens ágil e tradicional para a gestão de projetos, no tocante aos documentos e práticas relacionados à criação da Visão do Projeto e do Produto. Vale ressaltar que as práticas e modelos para a criação e representação da Visão na abordagem de Gerenciamento ágil de Projetos serão apresentadas e discutidas em detalhe na seção 3.1.

Conceitos APM PMI Nome da Fase Fase Visão Fase Iniciação Descrição do resultado do projeto Visão Escopo - do produto - do projeto Práticas de descrição7

- “Caixa” para Visão do Produto - Declaração de Alto Nível - Arquitetura do Produto - Lista de Características do Produto - Cartões de Requisitos de Desempenho - EAP - Declaração Textual Documentos gerados nas fases iniciais Folha de Dados do Projeto - Termo de Abertura do Projeto - Declaração de Trabalho - Declaração de Escopo - EAP

Quadro 1 – Práticas e documentos relacionados à Visão de Projeto e de Produto segundo a abordagem ágil e tradicional

Uma semelhança no tocante aos documentos relacionados à Visão é que tanto na abordagem ágil como na tradicional de GP os documentos que compõem a Visão do Projeto são constituídos dos documentos utilizados para criar a Visão do Produto.

No entanto, nota-se que há uma maior preocupação do APM em definir a Visão do Produto quando comparado com a tradicional. Essa conclusão é devido ao fato de que apesar do ágil possuir menor documentação em relação ao tradicional, há a existência de mais práticas que estão relacionadas à criação da Visão do Produto. Como exemplo, as práticas “caixa” para visão do produto, declaração de alto nível, arquitetura do produto, lista de características do produto e cartões de requisitos de desempenho que servem em conjunto basicamente para:

• focar nos principais requisitos e benefícios; • se tornar uma baseline do projeto;

• responder perguntas como: Por que isso deve ser desenvolvido? O que deve ser desenvolvido?; Por quem isso deve ser desenvolvido?

Por outro lado nota-se que a abordagem tradicional dá maior ênfase à Visão do Projeto, haja visto o grande número de processos para a realização desta tarefa.

7 Autores como Highsmith (2004) e Chin (2004) pertencentes ao APM não foram rigorosos quanto à

nomenclatura utilizada. Em momentos de seus livros se referem a documentos e a práticas fazendo-se uso das mesmas denominações.

A figura 6 mostra um paralelo entre o Escopo gerado pela abordagem tradicional de projetos e a Visão gerada pelo APM.

Figura 6. Diferenças entre Escopo e Visão do projeto Fonte: elaborado pelo autor

Nota-se na figura acima duas diferenças básicas com relação aos documentos gerados. A primeira a se observar é a grande quantidade de documentos gerados pela abordagem tradicional de gestão de projetos para a criação do escopo e a segunda, seria a utilização de documentos mais simplificados e de ícones visuais para a geração da Visão segundo o APM

Sendo assim, por meio da análise da literatura a respeito da Visão de Produto e Projeto e levando-se em consideração tanto a abordagem tradicional como o ágil para a gestão de projetos foi possível a observação das seguintes diferenças:

• Abordagem tradicional - Depois de criadas as Visões do Projeto e do Produto há por meio do grupo de processo de monitoramento e controle a iniciativa de manter a mesmas visões até o fim do projeto.

• Abordagem ágil - A criação da Visão do Produto se da na fase inicial do ciclo de vida do projeto (fase visão), no entanto as equipes de desenvolvimento são encorajadas a rever e se preciso for, mudar as Visões de Projeto e Produto desde que estas não fujam aos objetivos e escopo do

projeto. Dentro do modelo APM proposto por Highsmith (2004) a fase visão é dividida em 4 categorias chamadas: visão do produto, visão do escopo, visão para a comunidade e visão para a abordagem. Nota-se que o autor trata das características do produto dentro da primeira categoria já, a categoria escopo trata da Visão do Projeto. As duas visões não são independentes, ou seja, a visão do projeto é criada levando-se em conta as restrições do projeto bem como as características do produto.

Ainda, é possível notar que, apesar da aparente diferença entre a abordagem ágil e tradicional em se criar a Visão do Projeto e de Produto, as definições para estes termos são praticamente iguais e as poucas diferenças encontradas são somente a respeito da burocracia em se fazer isso. Conclui-se, portanto que o escopo do projeto na abordagem tradicional da gestão de projetos é bastante similar à Visão do Projeto. Essa conclusão é obtida ao se analisar os documentos existentes tanto para a criação da Visão quanto do Escopo do Projeto. Na tradicional todos os documentos são criados para se ter a Visão do Projeto e do Produto e na ágil toda esta documentação é simplificada e condensada na Folha de Dados do Projeto.

Outro fato que torna similar a Declaração de Escopo do Projeto e a Visão do Projeto é que ambos são baseados em padrões textuais, não havendo até o momento indícios de que as práticas sugeridas pelos autores da abordagem do APM estão sendo realizadas de outras formas.

No entanto, ao se analisar a literatura de desenvolvimento de produtos nota-se que esta é farta em técnicas, métodos e modelos que apóiam a descrição das especificações do produto. Esses modelos ainda não foram explorados pelos autores do APM, como instrumentos para registro e compartilhamento da visão. O que se percebe é que existem apenas menções como a de Highsmith (2004) sobre utilizar a descrição da arquitetura e plataforma do produto para descrever a visão do produto, no entanto, o autor não é claro nos procedimentos, ou seja, não há uma explicação detalhada de como deve ser tal utilização.

Sendo assim, o grande desafio do presente trabalho concentra-se na Visão do Produto. Essa delimitação é justificada por se entender que os itens da Visão do Projeto já são contemplados pelo PMI (2004) e que até o momento não se encontra indícios de que as práticas sugeridas pelos teóricos do APM foram utilizadas para descrever um produto manufaturado.

Portanto, surge então uma nova possibilidade de pesquisa, a de desenvolver métodos e modelos que permitam a descrição da visão de um produto, voltado para apoiar a gestão do seu desenvolvimento.

No próximo capítulo, apresenta-se uma revisão dos modelos de representação de produto encontrados na literatura de Gestão de Desenvolvimento de Produto (GDP). O objetivo dessa revisão é a de mostrar ao leitor o estado da arte de tais modelos para que seja possível analisar os aspectos positivos e negativos de cada um no apoio à criação e representação da Visão do Produto tendo como base os conceitos do Gerenciamento Ágil de Projetos (APM).