1.1. Hint Alt Kıtasında İslâm Öncesi Dinî Yapı: Hinduizm’in Tarihsel Gelişimi
1.1.3. Hinduizm’in Tarihsel Gelişimi
1.1.3.1. Klâsik Dönem
1.1.3.1.1 Veda Dönemi (M.Ö 2000/1500-M.Ö 400/500)
Embora esta pesquisa tenha tido como campo de investigação uma escola de ensino formal particular, visto ser o fenômeno da terceirização do ensino de língua estrangeira restrito a essas instituições – quando do início da mesma – passados pouco mais de três anos, hoje já podemos vislumbrar outra realidade.
Era possível prever que, mais cedo ou mais tarde, as instituições privadas, de alguma forma, também influenciariam o ensino público em termos de língua estrangeira, pois os mesmos aspectos de deficiência e frustração evidenciados nas escolas particulares estavam também presentes nas escolas públicas, talvez até mais acentuadamente.
Além disso, outras categorias de privatização e acesso de empresas educacionais nas escolas públicas têm acontecido efetivamente, com uma certa regularidade, já há algum tempo. Em artigo publicado em 2009, sobre as parcerias entre as administrações municipais e o setor privado, é declarado que as ações governamentais com vistas a implementar essas parcerias foram iniciadas no Estado de São Paulo desde 1996 e, posteriormente em nível nacional, após a criação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério (FUNDEF), por meio da Emenda Constitucional n. 14/96. (Adrião, et al). Segundo o jornal Folha de São Paulo, em sua versão eletrônica do dia 30 de janeiro de 2006, há a constatação de que as prefeituras estão terceirizando a educação. Segundo a reportagem, 145 cidades brasileiras, 129 só no Estado de São Paulo (um quinto das 645 totais), passaram a usar os recursos federais destinados ao setor para pagar convênios contratados com sistemas particulares de ensino bastante conhecidos no mercado educacional brasileiro. Trata-se da aquisição de “sistemas apostilados de ensino”. Citando a reportagem,
Os municípios compram um kit básico que contem apostilas para os alunos, treinamentos periódicos para professores e planejamento pedagógico. Alguns pacotes incluem avaliações da rede e fornecem ajuda pela internet. As principais empresas não divulgam seus custos, mas eles variam de R$ 145 a R$ 260 por aluno/ano. As aulas ocorrem em escolas da rede municipal e os docentes são pagos pelas prefeituras. (op. cit.)
Essas parcerias são autorizadas por lei e embora muitos especialistas contestem o fato do dinheiro público ser repassado ao setor privado, nem sempre garantindo uma melhora na qualidade de ensino, é justamente por este fator – a qualidade do ensino – que muitos pais, alunos e até mesmo professores mostram-se favoráveis às parcerias. Em capítulo anterior desta pesquisa, ao citarmos o pano de fundo da terceirização contextualizado pelas forças neoliberais da sociedade capitalista como uma força hegemônica que propõe uma ordem social criada a partir do livre-mercado, o discurso da qualidade total tem sido o mote principal para justificar a transposição dos objetivos empresariais do mercado, para a educação (GENTILI, 1999).
Há poucos meses atrás, durante a parte final desta pesquisa, foi noticiada a assinatura de um decreto (apêndice p.169-170) pelo Governador de São Paulo, José Serra, estabelecendo
a possibilidade de deslocar as disciplinas de língua estrangeira da escola pública para os Centros de Estudos de Línguas (CELs) e destes para instituições privadas. Isso aconteceu em 10 de setembro de 2009, tendo sua publicação no Diário Oficial em 11 de setembro de 2009.
Embora no trecho inicial do referido decreto 54.758 (texto na íntegra no anexo deste trabalho) haja a citação específica da língua espanhola “considerando a oferta obrigatória pela escola e de matrícula facultativa para o ensino da língua espanhola, a partir de 2010...”, os artigos 4º e 5º deixam estabelecido que as línguas estrangeiras da grade curricular do ensino fundamental e médio podem passar a ser cursadas nos Centros de Línguas (CELs), e se a capacidade destes estiver esgotada em vista de grande procura, segundo o texto da lei, “a Secretaria da Educação poderá contar com instituições públicas e privadas que tenham por finalidade o ensino de idiomas, devidamente credenciadas para esse fim, observando as disposições legais pertinentes.”
Chega-se assim, à terceirização das línguas estrangeiras também na escola pública, não só do espanhol, mas também podendo acontecer com o inglês e outras línguas que façam ou que venham a fazer parte do currículo.
Em relação ao espanhol, o fato de os CELs atualmente serem bastante limitados em relação à possibilidade de abrangência de possível procura maciça de matrículas, aliado à obrigatoriedade da aplicação da lei 11.161, que estabelece a oferta do espanhol no ensino médio a partir de 2010 nas escolas da rede estadual, pode ter como consequência a não realização de concursos para a disciplina de língua espanhola. Além disso, o seu oferecimento fora do planejamento escolar no formato de terceirização, abre a possibilidade para que cargos que poderiam ser ocupados por professores com estabilidade e direitos trabalhistas, não sejam criados, sendo concedidos a empresas educacionais privadas, onde muitas vezes, as condições trabalhistas não estão garantidas.
Ademais, em relação à língua inglesa, interpretando o artigo 4º que estabelece que a língua estrangeira do currículo da grade escolar poderá ser efetuada pelos CELs – na grande maioria das escolas, a língua inglesa – e do artigo 5º que estabelece que estando esgotada a capacidade dos CELs em atender a demanda de matrículas, empresas educacionais, poderão absorver esses alunos, autoriza-se, estabelece-se, também na escola pública, a terceirização do ensino de língua inglesa pelos institutos de idiomas.
Vemos que a argumentação produzida pelo texto do decreto – “...considerando as inovações introduzidas no currículo...”, “considerando a importância de se assegurar aos alunos da rede pública estadual a oportunidade de desenvolver e ampliar novas formas de
expressão”; “...considerando as necessidades de se propiciar aos alunos instrumentos de acesso às novas tecnologias e ao mercado de trabalho que exige cada vez mais o domínio de um idioma estrangeiro...”, gera um discurso positivo de implementação de melhora, modernidade e sucesso, que serão enfim possíveis fora do espaço público, visto como ineficaz e arcaico, contrapondo-se à imagem de eficácia e modernidade das empresas privadas.
Segundo Santomé (2003), o sucesso dessas argumentações das ações neoliberais fica bastante visível perante a aceitação de amplos setores da sociedade em relação a essas práticas de terceirização. Sobre o decreto em São Paulo, é sabido, por exemplo, que a APEESP (Associação Paulista dos Professores do Estado de São Paulo) manifestou-se solicitando audiência com a Secretaria da Educação do Estado (www.apeesp.com.br), uma atitude seguida recentemente pela APLIESP, que também solicitou audiência (WWW.apliesp.org.br). Outras ações isoladas de contestação, não obtiveram espaço na grande mídia.
Ainda em breve análise do trecho inicial do decreto, evidencia-se o forte apelo não só do caráter instrumental do ensino de línguas, como também a proposição de objetivos meramente reprodutivistas de acesso às tecnologias e ao mercado de trabalho. Infere-se que, nessa visão, as instituições de ensino teriam seu valor e necessidade apenas e na medida em que ofereçam uma formação adequada para esse mercado. Santomé (2003) argumenta:
O conceito de educação como bem de consumo implica promover uma mentalidade consumista em seus usuários e usuárias: professores e alunos. Ele estimula considerar o trabalho escolar e as ofertas de formação do ponto de vista de consumidores e consumidoras, isto é, de seu valor de troca no mercado, dos benefícios que pode produzir esta ou aquela disciplina, especialidade ou título. A instituição escolar só é considerada imprescindível como recurso para obter no futuro, importantes benefícios privados, para enriquecer individualmente (op. cit. p. 32).
Outros objetivos educacionais também importantes que subjazem ao ensino de língua estrangeira, bem como outras disciplinas, já colocados em evidência neste trabalho, os quais visam a formação de um cidadão crítico e atuante em sua sociedade não foram contemplados no texto do decreto. A única citação que poderia sugerir uma interpretação dentro dessa visão educacional e formadora do ensino de línguas limita-se ainda ao plano individual, quando propõe a “oportunidade de desenvolver e ampliar novas formas de expressão” ao aluno. Embora importante essa visão não é suficiente para uma educação linguística que pretenda o desenvolvimento de cidadãos que vivem em uma sociedade em transformação, onde a
diversidade, a pluralidade e a autonomia são conceitos em expansão. Limitar o ensino de língua estrangeira a essa visão instrumental e individual pode representar uma barreira à implementação de uma nova perspectiva educacional contemplada pelas teorias dos novos letramentos e multiletramentos.