3.2.2. Alt Araştırma Sorusu 1’i Açıklamaya Yönelik Bulgular
3.2.2.1. Değişime Adapte Olma (Uyum) Yeteneği
A recessão mundial repercute nos setores mais estritamente ligados ao mer- cado mundial. Ela agrava indiretamente as condições locais da crise em que a evolução das economias locais desempenha um papel determinante. Nos dife- rentes países, a degradação da situação econômica é notável antes mesmo que se tornem sensíveis as reviravoltas da conjuntura mundial. Da mesma forma, uma melhora conjuntural não se traduz automaticamente em uma evolução positiva e paralela no Egito e no Magreb.
Na Tunísia, quando do desencadeamento da recessão mundial, a conjuntura local agravou -se em razão da seca que tornou catastrófica a safra agrícola nos anos 1935 -1936. Em 1939, a economia da Argélia ainda não reencontrara os seus níveis de 1929.
As economias locais são abaladas por uma crise de origens internas. Na rea- lidade, trata -se de várias crises cujos numerosos significados são, para algumas dessas economias, divergentes. A antiguidade da colonização e a amplitude das transformações econômicas permitem distinguir diferentes tipos de crise.
Na Líbia, as dificuldades econômicas são aquelas de uma primeira valoriza- ção do setor agrícola. No Marrocos, a crise intervém após uma primeira fase de expansão econômica, marcada inclusive por momentos de euforia. Na Argélia e na Tunísia, a crise corresponde à própria economia colonial cujos fundamentos são solapados. No Egito, em que pese a recessão mundial, os progressos econômicos são importantes e conferem a este país uma evolução absolutamente original.
A Líbia tornou -se colônia italiana em 1916 mas, a administração e o emprego de quadros funcionais foram seriamente limitados até 1931, em razão das dife- rentes resistências.
A conquista italiana custou ao país importantes perdas, humanas e econômi- cas. A criação de animais, principal riqueza da Cirenaica, é dizimada; o número de ovinos, caprinos, bovinos, camelos, equinos e asnos, passou de 1.411.800, em 1910, para 978.000, em 1926, e posteriormente, para ínfimos 140.300 em 19336. O país encontra -se, no desenrolar da recessão mundial, despovoado e
arruinado. A economia “tradicional” deve, prioritariamente e sobretudo, superar as dificuldades consecutivas à guerra de conquista italiana, em comparação ao que lhe cabe enfrentar no tocante aos efeitos de um mercado mundial, ao qual ela quase não está atrelada.
A colonização agrária de povoamento italiano enfrenta graves problemas. A colonização econômica, praticada de 1911 a 1921, foi abandonada em 1928, em proveito da colonização de povoamento. As leis de 1928 suscitam uma primeira onda de imigração seguida de uma subsequente, lançada pelo próprio Mussolini, a partir de 1938. As concessões agrícolas são destinadas à implantação de cam- poneses italianos recrutados pelas organizações fascistas. A colonização agrária e de povoamento revelou -se um duplo fracasso, humano e financeiro, da política fascista. As dificuldades das empresas agrícolas na Tripolitânia e na Cirenaica são semelhantes àquelas encontradas durante a colonização agrária na Argélia, na segunda metade do século XIX. Na Líbia, como anteriormente na Argélia, a colonização agrária se choca com três obstáculos: a falta de capitais, a ausência de um amplo mercado e de mão de obra assalariada.
A crise do Marrocos, tardiamente colocado sob protetorado, tem significado distinto. Após uma primeira crise em seu crescimento, nos anos 1924 -1925, a expansão retoma o seu fluxo até 1931. Entre este ano e 1936, o comércio exterior diminui e as empresas especulativas são afetadas, particularmente na construção civil, na agricultura e nas minas.
As atividades industriais mantêm -se, não obstante o crescimento indus- trial se encontre em baixa. Novas atividades se desenvolvem: as indústrias de transformação e os moinhos subsistem; as fábricas de conservas de sardinhas estão em plena expansão; as prospecções petrolíferas alcançam seus objetivos; as manufaturas de tabaco entram em atividade nas cidades de Casablanca e Kenitra; a indústria da crina vegetal continua a prosperar.
Apesar das dificuldades, a atividade econômica não fraqueja e conhece um leve crescimento, embora menor que aquele percebido nos anos 1925 -1930. Em seu conjunto, a atividade industrial resiste melhor à crise e se renova7.
As crises tunisiana e argelina são assaz comparáveis. As dificuldades econô- micas não são de uma implantação colonial, em sua primeira fase, mas dizem respeito antes àquelas referentes a economias coloniais em que amplas transfor- mações e períodos de expansão haviam ocorrido.
Na Tunísia, a recessão mundial (1930 -1931) atinge uma economia de sub- -produção agrícola, situação engendrada pela seca de 1930, seguida por inun- dações, em dezembro de 1931, no centro e no norte do país. A conjuntura degrada -se desde 1930, com perdas para o conjunto da atividade de criação de animais, no sul do país. A invasão de gafanhotos sucede, quase imedia-
tamente, às inundações; a safra agrícola é ruim em função das geadas e dos ventos violentos.
A Argélia representa o mais complexo exemplo de dificuldades de diversas origens. Tal como na Tunísia, abate -se neste país uma crise de tipo tradicional que afeta, essencialmente, a população argelina. Ela é agravada pela crise do setor colonial, mascarada e adiada pelas medidas adotadas. As consequências da recessão mundial se fazem sentir depois das primeiras dificuldades locais; elas tocam primeiramente o setor colonial.
Embora afetada pela recessão mundial, a economia egípcia faz progressos em duplo domínio. O grupo Misr, em cena desde a aurora da Primeira Guerra Mundial, busca o seu desenvolvimento criando novas sociedades industriais, tais como: a criação de companhias de navegação, em 1932 e 1934, de uma empresa de fiação e tecelagem de fibras de algodão em 1937, na cidade de Kafr al -Dawwar, e de sociedades comerciais, em 1940. A crise de 1929 -1933 intensificou o afluxo de capitais para o grupo e permitiu o incremento da sua participação no conjunto da economia egípcia. Ele igualmente se beneficiou com mudanças ocorridas nas legislações, fiscal e aduaneira.
O Egito reencontrou em 1930 a sua autonomia fiscal e o direito de se apro- priar das tarifas alfandegárias de todas as importações. Até então, um acordo internacional interditava -lhe a imposição de tarifas aduaneiras. O último acordo comercial com uma potência estrangeira chegara ao seu termo em 1930, quando graças à pressão do grupo Misr e apesar da Grã -Bretanha, uma tarifa aduaneira foi aplicada. A decisão denota um importante ponto de inflexão do desenvolvi- mento industrial: até a guerra, a atividade têxtil, o setor alimentício e a indústria leve conhecem uma expansão. Dessa forma, a longo prazo, os primórdios da industrialização datam da década de 1930 -1940.
No chifre da África, a fraqueza das transformações econômicas ocorridas desde o início do século XX e a insuficiente integração aos circuitos de troca mundial limitam, a exemplo da Líbia, as consequências potenciais da reviravolta na conjuntura mundial. Os exemplos da Etiópia e da Somália apresentam ainda maior nitidez se comparados ao do Sudão.
Neste último país, o desenvolvimento da rede ferroviária e da produção de algodão egípcio sensibiliza a economia diante de qualquer flutuação interna- cional. No início do século XX, lorde Kitchener construiu uma estrada de ferro estratégica na fronteira norte de Cartum. Essa via férrea atingiu o Mar Vermelho em 1905, onde foi criado o Porto -Sudão, concomitantemente à inauguração da cidade de Atbara, no cruzamento de duas linhas da estrada de ferro. Esta via é levada em seguida até Sennar, atingindo em sua vertente oeste o Kordofan,
em 1911. A partir de 1924, uma nova linha férrea liga, diretamente Sennar ao Porto -Sudão, para tornar acessíveis os oásis onde se cultiva o algodão.
A escolha volta -se para o algodão egípcio de fibras longas cujo cultivo acon- tece sobretudo em terras não irrigadas. Após a Segunda Guerra Mundial, o Plano Gezira, isto é, a irrigação de toda a parte leste da Gezira através da bar- ragem de Sennar, é colocado em operação. Outras zonas de cultura são criadas, notadamente no Gash, torrente que desce da Etiópia e se perde nas areias do Kassala. Em 1929, uma convenção é assinada com o Egito sobre a partilha das águas do Nilo8.
A extensão da rede ferroviária e a cultura do algodão fornecem ao Sudão um produto de exportação e permitem uma maior monetarização da sua economia. Nos anos 30, o essencial das exportações é representado pelo algodão. A crise repercute, como no Egito, nas regiões especializadas nesta cultura, atingindo diretamente os produtores. Indiretamente, ela afeta o funcionalismo sudanês formado no Gordon College. Os salários desta categoria foram fortemente reduzidos em 1931, enquanto aqueles dos seus correlatos colegas estrangeiros não sofreram nenhum impacto. Eles recorreram à greve, convocando um con- gresso que obteve um compromisso dos poderes públicos9.
Na Etiópia, as trocas externas são mínimas no início do século XX: 8 milhões de thalers para a estrada que vai de Shoa ao Harar, ou seja, 20 milhões de francos -ouro; quanto ao conjunto do país, o comércio exterior não excede 50 milhões de francos. O café, o ouro, o marfim e as peles são os principais produtos de exportação; os tecidos em algodão, as armas e munições figuram no capítulo das importações.
As estradas de ferro do Djibuti, progressivamente construídas desde 1903, atingem Addis -Abeba em 1917. Elas permitem estabelecer a comunicação entre o interior do país e os portos marítimos. Em 1935, facilitam a exportação de 15.000 toneladas de café e 7.000 toneladas em peles. As importações são ainda mais fracas10. Por outro lado, a moeda etíope é seriamente afetada pela crise11.
A explosão demográfica e a urbanização, perceptíveis antes de 1930 nas estatísticas e conhecidas por um punhado de especialistas, comovem menos a opinião pública que a recessão mundial, a qual se apresenta, no imediato, como tema ignorado pelas administrações encarregadas da gestão dos protetorados e
8 COLLECTIF, 1966, p. 472. 9 J. KI -ZERBO, 1972, p. 564. 10 COLLECTIF, 1966, p. 482. 11 J. KI -ZERBO, 1972, p. 462.
das colônias. Elas são o resultado de uma antiga e lenta evolução que pertence, por definição, ao “longo período” e surgem assim como traços estruturais das sociedades após os anos 1930 -1945.
O crescimento demográfico12 toma os ímpetos de uma verdadeira explosão
cujos efeitos não se restringem à África setentrional e ao chifre da África. Este fenômeno é notável em outras regiões da África e se opõe à depressão demo- gráfica da Europa.
O antigo regime demográfico prolongou -se tardiamente, mas a sua ruptura, que remonta ao período entreguerras, se manifesta de forma espetacular. Até a metade do século XX, as taxas de mortalidade e de natalidade permanecem elevadas; as grandes fomes e epidemias, apesar de estarem em regressão, ainda não haviam desaparecido. Contudo, os censos demográficos realizados entre as duas grandes guerras traduzem uma evolução divergente das taxas de mortali- dade e natalidade: enquanto a primeira encontra -se em baixa, a segunda ainda se situa em níveis elevados. O exemplo do Marrocos ilustra nitidamente a evolução demográfica: enquanto a mortalidade baixou fortemente, a natalidade oscila, por sua vez, entre 380 (média em 1932 -1935) e 440 (média em 1941 -1945) por 10.000 habitantes13. No norte da vizinha Argélia, a taxa de natalidade era
avaliada em 38% no período entre 1921 e 1925. Ela passou de 43%, entre 1926 e 1930, para 44%, entre 1931 e 1935, recaindo para 42% entre 1936 e 1940. A taxa de mortalidade baixou de 19,8%, nos idos de 1921 -1925, para 16,6%, entre 1936 e 194014.
A ruptura do antigo regime demográfico acontece de forma desigual nos diferentes países. A Líbia e o Marrocos estão próximos de uma demografia de antigo regime; o Egito, a Argélia e a Tunísia apresentam, desde então, uma demografia profundamente alterada. País fracamente povoado, a Líbia paga as resistências opostas à conquista italiana em moeda forte: um elevado custo demográfico. Giuseppe Volpe, nomeado governador em agosto de 1921, decide “fazer valer com sangue os direitos da Itália”. As maiores perdas humanas acon- tecem na Cirenaica, onde as operações militares se realizam mais tardiamente. A evolução demográfica consiste antes em uma recuperação das perdas, desembo- cando na volta aos níveis anteriores a 1916, muito mais que em um verdadeiro crescimento. No Marrocos, verifica -se o mais rápido crescimento do Magreb:
12 Os números dos censos populacionais, todos relativos ao período entre as guerras, constituem um mero valor indicativo.
13 J. -L. MIÈGE, 1966, p. 55.
a taxa de fecundidade é a mais elevada da região. O aumento da população tunisiana (muçulmanos e judeus) atinge 25%, entre 1936 e 1946. Estimada em 2.100.000 indivíduos, em 1926, ela alcança 3.200.000, em 194615. A evolução
demográfica verificada na Argélia, desde o fim do século XIX, se define e acen- tua. Na década de 1880, a população argelina retornou aos níveis anteriores a 1830, com ligeiro crescimento. A reviravolta demográfica, pouco em relevo em 1921, surge nitidamente em 1931. A população passa de 4.923.186 habitantes, em 1921, para 6.201.144, em 1936, isto é, atinge uma taxa de crescimento de 1,53%16. A população egípcia passa de 13.222.000 habitantes, em 1920, para
16.887.000, em 1940. O aumento equivale a 3.665.000 pessoas, em outros ter- mos, a um crescimento médio anual da ordem de 183.000 pessoas. Em 1945, a população é estimada em 18.460.000 habitantes17.
O crescimento demográfico é um dos fatores do crescimento urbano. Em algumas cidades, indivíduos europeus provenientes do setor rural reforçam este crescimento mas, a explosão urbana é, de forma maciça, o resultado do êxodo da população rural. A formação de favelas, logo antes da Segunda Guerra Mun- dial, materializa na paisagem o afluxo de camponeses para as cidades médias e localidades costeiras.
Numerosos fatores levam os camponeses a se integrarem às cidades em busca de um trabalho ou para viver da caridade e do assistencialismo. As migrações, até então temporárias, se transformam em migrações definitivas com a chegada das famílias e seu estabelecimento nas periferias urbanas. No Marrocos, na Argélia e na Tunísia, as correntes migratórias se prolongam para além -mar, com a che- gada, na França, das primeiras ondas de trabalhadores imigrados.
Os movimentos migratórios começam no Marrocos, antes mesmo da ins- tauração do protetorado. A partir de 1931, a crise multiplica as partidas rumo às cidades; elas são particularmente numerosas no transcorrer do ano de 1937 em razão da seca e do tifo. As favelas, no entorno de Casablanca, comportam 85.000 pessoas em 1932; Ben Msir conta no mesmo período com cerca de 3.000 a 3.500 barracos18. Novas favelas são formadas em 1935 e no ano de 1936 no
entorno de Casablanca.
Os movimentos migratórios na Tunísia e na Argélia são relativamente con- temporâneos e as favelas nascem quase simultaneamente nos dois países. O
15 P. SEBAG, 1951, p 151; A. RAYMOND, 1955, p. 44. 16 A. NOUSCHI, 1962, p. 31.
17 F. J. TOMICHE, 1974, p. 14. 18 R. GALISSOT, 1964, p. 73.
crescimento populacional de Túnis é da ordem de 1,04% ao ano, entre 1921 e 1936. Os arrabaldes e o subúrbio crescem nesse interlúdio em ritmo da ordem de 2,61%. A zona rural de Túnis passa de 172.000 habitantes, em 1921, para 219.578, no ano de 1936. A crise agrícola provoca demissões de trabalhadores e gera assim uma massa de desempregados que se abrigam nas favelas. O mesmo fenômeno atinge Bizerte e Sfax19.
Crescimento urbano de menor rapidez é registrado na Líbia, onde os oásis permanecem como os principais centros econômicos, acompanhados em alguns casos por centros administrativos italianos. A única cidade importante é Trípoli; ela vê sua população aumentar rapidamente, enquanto os centros de colonização apresentam um tamanho muito modesto20. No Egito, a cidade do Cairo desfruta
do êxodo rural de forma muito mais acentuada que as cidades do delta do Nilo; a capital egípcia passa de 570.000 habitantes, em 1890, para 865.000 habitantes, em 1920, atingindo 1.527.000 pessoas, em 194021.
O crescimento urbano sacode mais profundamente a antiga hierarquia exis- tente entre as cidades marroquinas. Casablanca torna -se, entre 1931 e 1936, a cidade mais densamente povoada (275.000 habitantes, em 1936, contra 163.000, em 1931). Marrakesh não progride (190.000 habitantes, em 1936) mas, as cidades que têm uma atividade comercial e industrial, como Rabat, Salé, Fez, Meknès e Kenitra, são os pontos de chegada das correntes migratórias22. Na
Argélia, a população urbana, estimada em 508.235 indivíduos, em 1926, eleva- -se a 722.293 habitantes, em 1936, atingindo em seguida 1.129.482 pessoas, em 194823.
No chifre da África, a população do Sudão, avaliada no início do século em 3.000.000 de habitantes, atinge 6.000.000 em 193924. A urbanização mais
intensa ocorre na Etiópia, entre 1935 e 1940. Os italianos, após conquistarem o país, tentam valorizá -lo em termos econômicos: setores de colonização são organizados. Importantes recursos financiam a implantação de colonos, a cria- ção de indústrias e sobretudo a construção de modernas estradas e edificações. Adis -Abeba incha e ultrapassa os 100.000 habitantes em 193525. Djibuti, após
19 M. ROUISSI, 1977, p. 85. 20 J. DESPOIS, 1935, pp. 103 -104. R. RANEIRO, 1982. 21 P. LÉON, 1978, p. 479. 22 R. GALISSOT, 1964, p. 117. 23 C. -R AGERON, 1979, p. 473. 24 COLLECTIF, 1966, p. 472. 25 Ibid., p. 482.
a construção da estrada de ferro, substitui Zeila na qualidade de mercado para Harar e Shoa, dobrando sua população e passando de 10.000 habitantes, em 1900, para 20.000 pessoas, em 1940, isto é, aproximadamente a metade da popu- lação do território. Em 1938, um porto com cais lá é criado; a cidade estende -se, além das salinas, até o oásis de Ambouli26.