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1.3. Pazarlama Karması ve Turizmde Pazarlaması Karması Elemanları

1.3.10. Turizm Pazarlamasında Tutundurma Kararları

Montibeller-Filho (2008) demonstra que o conceito, em essência, não trata de modificar alguns procedimentos pelo qual o mercado opera atualmente, mas, uma mudança civilizatória que abrange questões éticas, culturais e ideológicas, o conceito, segundo Montibeller-Filho (2008) possui uma posição ética fundamental, voltado para as necessidades sociais mais urgentes e dizem respeito à melhoria da qualidade de vida de toda população. Essa mesma ideia compartilha a visão de Guatarri (1990) em que não haverá verdadeira resposta a crise sem uma autêntica revolução política, social e cultural reorientando os objetivos da produção de bens materiais e imateriais. Deste modo, mesmo que não conclamando uma luta socialista, observa-se que a ideia do desenvolvimento sustentável, em âmbito teórico, dos valores que busca empreender na realidade, são tão complexos quanto uma luta ao capitalismo, que leva ao título do livro de Montibeller-Filho (2008) “O mito do desenvolvimento sustentável”. Isso porque analisado teoricamente os conceitos de desenvolvimento e sustentabilidade pouco é possível se concretizar na realidade, haja vista os constrangimentos reais.

Para avançar no aprofundamento teórico, Veiga (2008) propõe a definição separada do que significa desenvolvimento, seus valores e desafios e em seguida sustentabilidade com seus valores, só então pode-se compreender o que desenvolvimento sustentável significa teoricamente.

35 Sachs (2009) por sua vez, trabalha um conceito anterior de ecodesenvolvimento, que foi sendo associado cada vez mais ao desenvolvimento sustentável. Atualmente, expõem a complexidade de fatores que seriam essenciais para aplicar-se na realidade ações sustentáveis, consequentemente, não existiria o estado de sustentabilidade “perfeito”, mas sim, ações que estariam a ela associadas.

Veiga (2008) observa que, historicamente, os conceitos de desenvolvimento e crescimento sempre estiveram próximos, principalmente, na década de 1960 em que eram usados como sinônimo na comparação entre os graus da industrialização entre nações, quando havia (e ainda há) a separação entre desenvolvidos e subdesenvolvidos (o que na realidade significava o nível de industrialização). Esse tipo de associação acabou voltando as esperanças neste processo como um fim em si mesmo, crescimento e industrialização levaria a mudança de status, contudo, especificamente nos países em desenvolvimento, a junção de três características, a saber: Estado sem nação, progresso científico tecnológico e explosão demográfica levaram esses países a uma utopia desenvolvimentista (VEIGA, 2008).

O primeiro fator trata do surgimento de um Estado nacional que não era composto por uma burguesia unificada e sem um mercado nacional, como foi nos Estados modernos. Os países em desenvolvimento segundo Veiga (2008) nasceram do entusiasmo pela livre determinação, mas não da prosperidade burguesa e do progresso científico-tecnológico. Essa mesma característica sobre nível de organização da burguesia e, consequentemente, independência do Estado para sua autodeterminação é uma das características levantada por Offe (1989) como determinante.

O investimento em recursos humanos e na constante evolução da matriz produtiva é fundamental nessa comparação entre desenvolvidos e subdesenvolvidos, se as trocas passam a ser determinadas por aqueles que possuem o progresso científico tecnológico como pilar, uma vez que “a demanda mundial de produtos e serviços de alta tecnologia aumenta 15% ao ano, enquanto a de matérias-primas não chega aos 3%” (VEIGA, 2008, p 23.)

Por fim, o fator que acentua os outros que foram historicamente construídos é a explosão demográfica nas cidades, que torna a vulnerabilidade urbana e deterioração ambiental latente (VEIGA, 2008).

Ao falar em desenvolvimento surge a priori a matriz de produção, recursos humanos e legado histórico, que não se restringe especificamente ao crescimento do

36 PIB como um fim em si mesmo, mas engloba outras ações capazes de mudanças qualitativas.

Essas mudanças qualitativas que permeiam o desenvolvimento são bem tratadas por Sen (1993) e compiladas por Veiga (2008) quando observam a importância de não se pautar apenas na renda e tratar o conceito de crescimento como sinônimo de desenvolvimento. Resgatar o valor humano do indivíduo é algo não só urgente como necessário para basear os planejamentos futuros. Salvaguardar o valor subjetivo do indivíduo é algo complexo, e nesse sentido Sen (1993, 1999) demonstra que a economia como ciência não basta para explicar a tudo, uma vez que ela tenta transcrever ideias, vontades em fórmulas que não são capazes de representar a realidade. O desenvolvimento deve ser interpretado como a possibilidade do indivíduo efetivar novas capacidades (de seu interesse) de forma a aumentar as suas liberdades de escolha, por meio de condições mínimas de: educação, meio ambiente equilibrado, comida, casa, família, relações familiares dentre outros.

Gradativamente, a ideia de crescimento se descola de desenvolvimento, sendo o primeiro mais fácil de ser atingido, enquanto o segundo é mais complexo não só para se alcançar, mas, também, para se definir.

A primeira definição, portanto, pode ser que aumento de renda per capita não é bastante para definir desenvolvimento. Segundo, que a busca por uma multidisciplinaridade é algo mais que necessário, uma vez que a economia, como matéria única com capacidades explicativas, tende a homogeneizar pessoas, desejos, vontades e interesses que são questões básicas da vida, como já foi discutido aqui por Penteado (2011).

Por último, a ideia de que o desenvolvimento viria como decorrência natural do crescimento econômico graças ao efeito cascata (“trickle-down-effect”) se provou uma falácia, o Brasil, por exemplo, passou pela experiência durante as décadas de 1960 e 1970 de crescimentos no PIB justificados pelo “crescer o bolo, para depois dividi-lo” que resultou num aprofundamento das desigualdades sociais em paralelo a um processo de espoliação urbana.

“Num mundo de terríveis desigualdades, é um absurdo pretender que os ricos precisem se tornar ainda mais ricos para permitir que os necessitados se tornem um pouco menos necessitados. Faz se urgente, portanto, a reaproximação entre ética, economia e política” (VEIGA, 2008, p 80).

37 Esta proposta, ante a realidade demonstra a complexidade da efetivação do desenvolvimento. Mais que ações, seriam um reordenamento das ideias que o acompanham.

Num próximo passo, a ideia de sustentabilidade ganha conotação complexa, dividida por Veiga (2008) em dois grupos: linha econômica de interpretação da sustentabilidade e, linha da fatalidade.

Para o primeiro grupo o mercado é capaz de fornecer os instrumentos necessários para reverter, ou ao menos, diminuir o impacto ao meio ambiente. Parte do princípio que não há impasse entre crescimento econômico e conservação ambiental. Próximo do que a economia verde sustenta hodiernamente, esta linha de pensamento passou a ser pautada “pela hipótese ultra-otimista de que o crescimento econômico só prejudicaria o meio ambiente até um determinado ponto” (VEIGA, 2008, p 109).

O segundo grupo observa com certo grau de fatalidade as questões sobre sustentabilidade e demonstra críticas ao reducionismo econômico das problemáticas ambientais. O crescimento econômico sem considerar a capacidade de resiliência do meio ambiente gera um dos maiores problemas ambientais, uma vez que as pesquisas ainda não dão conta da complexidade dos equilíbrios ecossistêmicos, já se observa inúmeras interferências sem a certeza do resultado.

A última crítica, já adiantada por Ribeiro e Santos Jr (2011) trata da precificação de bens ambientais. Segundo Veiga (2008) o objeto da ciência econômica é o gerenciamento racional dos recursos produtivos em sociedades marcadas pela infinidade das necessidades humanas, subjetivamente produzidas e reproduzidas. Contudo, os resultados deste processo são contraditórios como, por exemplo, mercados de direito de contaminar, cotas de emissão, além da arbitrariedade em precificar bens com funções no equilíbrio ecossistêmico.

A sustentabilidade exige, assim como o desenvolvimento, uma nova postura ética em relação à biodiversidade e ao equilíbrio ambiental, a emergência de um debate político capaz de observar as relações de mercado e sua capacidade destrutiva ao meio ambiente e, o mais difícil segundo Romeiro (2013), a introdução da ideia de limites para o crescimento. Estas ideias seriam o marco inicial para o avanço da sustentabilidade, resguardada sua complexidade.

Se as contradições e complexidades de efetivar o desenvolvimento sustentável teoricamente são grandes, Sachs (2009) de forma positiva, defende e sistematiza em

38 nível gradual as mudanças que o mesmo aponta para se atingir o desenvolvimento sustentável.

Desta forma, não impede seu uso, mas deixa claro que o conceito é constituído de um espectro de ações, em diversas áreas e os baseia-se numa construção conjunta entre sociedade, Estado e mercado, a fim de, gradualmente, alterar o status de crise que as cidades e, em especial as metrópoles passam.

Se por um lado, considera-se que o mercado molda as formas que os indivíduos interagem entre si na sociedade e com o meio ao redor. Por outro lado, o Estado ganha especial atenção, por meio das políticas públicas, de agir para além das vontades específicas da iniciativa privada. As mudanças são possíveis, deste ponto, como um resultado contingente de inúmeras relações entre: Posicionamento do Estado, modo das relações sociais e força do mercado. Nesse ponto, a sistematização de “ecodesenvolvimento” fornece pontos a serem observados no quadro 2.

Cinco são as dimensões da sustentabilidade segundo o ecodesenvolvimento e oito critérios de mensuração, como observado no quadro 3.

Quadro 02. Cinco dimensões da sustentabilidade do ecodesenvolvimento

Sust. Social

O processo deve ser pautado na redução das desigualdades sociais, bem como se pautar na multidimensionalidade do desenvolvimento (necessidade materiais e não materiais).

Sust. Econômica

Eficiência na alocação dos recursos, bem como na gestão do mesmo, desde os fluxos de investimentos privados, como os públicos.

Sust. Ecológica Compreender a capacidade ecossistêmica dos ambientes naturais de resiliência bem como o uso compatível com a mínima deterioração.

Sust. Espacial Observar a concentração de pessoas, poder, atividades em únicos espaços, de forma a gerir a dinâmica que se sucede.

Sust. Cultural

Levar em consideração que as soluções são específicas de cada localidade, salvo suas características ambientais como sociais, respeitando a cultura local.

Fonte: Elaboração própria com base em Montibeller-Filho (2008) e Sachs (2009)

As dimensões tratam, em princípio, da abrangência e da multidisciplinaridade do ecodesenvolvimento, assim, cada dimensão tem suas próprias dificuldades, mas na prática, todas estão interconectadas. Vale ressaltar o valor que cada local suscita e sua

39 dinâmica específica, de forma que não haveria um manual universal para sustentabilidade. Este ponto é importante no momento que se busca estudar empiricamente casos e experiências, alertando para que cada legado histórico e especificidades locais sejam, especialmente considerados.

Quadro 03. Critérios da sustentabilidade do ecodesenvolvimento

Social

Diminuição progressiva da desigualdade (melhora na redistribuição). Diminuição do número de desempregados.

Igualdade no acesso aos recursos e serviços sociais.

Cultural

“Mudança no interior da continuidade” (equilíbrio entre à tradição e a inovação).

Autonomia para elaboração de um projeto nacional integrado e endógeno. Autoconfiança combinada com abertura para o mundo.

Ecológico

Preservação do potencial do capital natureza na sua produção de recursos renováveis.

Limitar o uso dos não renováveis.

Ambiental Respeitar e realçar a capacidade de resiliência ecossistêmica.

Territorial

Melhoria do ambiente urbano. Superação das disparidades espaciais.

Estratégias de desenvolvimento ambientalmente seguro.

Econômico

Des. Econômico intersetorial. Segurança Alimentar.

Capacidade de modernização contínua dos instrumentos de produção. Nível de autonomia na pesquisa científica e tecnológica.

Político (Nacional)

Aprofundamento da democracia.

Desenvolvimento da capacidade do Estado para implementar o projeto nacional em parceria com os empreendedores.

Nível de coesão social.

Político

(Internacional)

Necessidade da cooperação internacional Norte-Sul no que diz respeito as tecnologias limpas.

Preocupação comum na gestão do meio ambiente, dos recursos naturais, biodiversidade e da herança comum da humanidade.

Fonte: Sachs (2009)

Uma vez observado o sentido de desenvolvimento sustentável, pode-se correlaciona-lo ao já discutido no primeiro capítulo acerca da crise urbana. Conclui-se que é urgente ir além das forças de mercado como solução para os problemas urbanos, mas, progredir na análise multidisciplinar da questão, que tem no desenvolvimento sustentável um norte, critérios e dimensões (como os sistematizados nos quadros

40 acima). Cria-se, logo, uma linha de análise que permite compreender as múltiplas direções causais para o atual fenômeno.

Como já debatido, a cidade é a escala espacial onde os resultantes dessa crise se materializam e, criam demandas por respostas. Resta aos cidadãos e gestores locais o ônus e a responsabilidade de agir frente um processo que tem origem numa escala global e manutenção local. A cidade, que, por um lado, pôde ser descrita pelo viés normativo legal (Constituição Federal), por outro lado, como resultado de um processo de urbanização, a cidade ganha uma nova dimensão analítica. Sobre a crise urbana ambiental, pôde ser visto que a sustentabilidade é uma saída possível, condição sine qua non do bem estar social, porém, para alcançá-la, além de esforços conjuntos no âmbito local, exigiria mudanças maiores que fogem à capacidade de uma única cidade, resta, assim, uma necessidade de cooperação, em prol dos critérios e das dimensões do ecodesenvolvimento para superar os efeitos nefastos da crise ambiental urbana.

O crescimento desordenado atrelado às forças de mercado, concomitante a um Estado incapacitado de regular este processo, tem como resultado um processo de deterioração da qualidade de vida urbana, que afastou a teoria à sua prática.

A cidade, então, como foco de um processo histórico complexo de urbanização, ganha, a partir da teoria, contornos práticos de análise e consequente intervenção. O que leva este trabalho a uma terceira análise. Uma vez tratado, num primeiro momento, o valor institucionalizado de desenvolvimento sustentável, em seguida, o seu valor teórico, resta observar suas ramificações reais e práticas, que se pesem as cidades e a necessidade de uma resposta local às demandas que se acumulam, mas tal resposta precisa estar em consonância com os valores observados de desenvolvimento sustentável. Rumo a uma visão multidisciplinar, capaz de reunir as contribuições anteriores e, fornecer novos fatores a serem considerados, surge um terceiro viés; a aplicabilidade prática do conceito. De fundamental importância, haja vista, a urgência de se avançar na realidade os seus princípios.