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20. yüzyıl Cumhuriyet Dönmi) Tezhip Sanatı

5.3. MUSHAF 3

5.3.1. Tezhip Süsleme Özellikleri

O anteprojeto, buscando manter a lógica do sistema acusatório, coíbe a participação do magistrado em tarefas puramente investigatórias, nos termos de

seu artigo 4º 125.

Sabe-se que no “sistema acusatório ideal, com o órgão julgador passivo diante das partes, não deve o juiz praticar atos de colheita preliminar de provas”

(ABADE, 1997, p. 12)126.

Assim, a vedação prevista no artigo 4º do anteprojeto de fato demonstra que se pretende romper com a matriz inquisitória que formata o processo penal

brasileiro desde as Ordenações127.

Se assim for aprovado, o anteprojeto põe termo “à tradição inquisitória da produção da prova de ofício pelo juiz, que se iniciou no período das Ordenações com a adoção das inquisições-devassas do Direito Canônico” e que se perpetuou

em nossas legislações, mantendo-se viva, inclusive, no Código de 1941128

(MARQUES, 2009, p. 152).

Nesse prisma, a instituição do juiz das garantias reafirma o papel do juiz como “guardião da legalidade e dos direitos individuais no curso da investigação, afastando-o de uma concepção fortemente inquisitória que o focava como ator

125

Ressalte-se que, como visto na introdução, nos termos do ordenamento jurídico atual (artigo 156, I, com redação dada pela Lei 11.690/08), o juiz pode ordenar de ofício, mesmo antes de iniciada a ação penal, a produção antecipada de provas. Ademais, também se prevê a possibilidade do magistrado, ex officio, decretar a prisão preventiva, no curso da ação penal (art. 311, CPP); decretar busca e apreensão (art. 242, CPP) e sequestro de bens (art. 127, CPP). Essa iniciativa do juiz recebe inúmeras críticas. Lopes Júnior (2011, p. 131) afirma que a redação do artigo 156 “consagrou o juiz-instrutor-inquisidor com poderes para, na fase de investigação preliminar, colher de ofício a prova que bem entender, para depois, no processo, decidir a partir de seus próprios atos. Decide primeiro, a partir da prova que ele constrói, e depois, no golpe de cena, se transforma o processo, formaliza essa decisão”.

126

Nesse sentido, Zilli (2010) afirma que a filiação do sistema brasileiro à cartilha acusatória e o equacionameto dos papéis dados aos atores processuais foram solucionados a contento pelo projeto do novo CPP que se encontra tramitando no Congresso Nacional. Com efeito, pela proposta, a estrutura acusatória, além de ser reafirmada, galga o terreno dos princípios fundamentais. Trata-se de importante sinal que conduz a várias consequências, entre as quais a expressa inadmissibilidade de atuações investigatórias do juiz.

127

Insta aclarar que com a queda do sistema inquisitório e a consequente divisão de tarefas entre três sujeitos distintos, a função acusatória deve ser exercida exclusivamente pelo Ministério Público, não dispondo mais o juiz de poderes amplos para investigar a verdade (MARQUES, 2007).

128

Lembre-se de que nosso Código de Processo Penal concede ao juiz a oportunidade de produzir prova antes de proferir a sentença e também ordenar, mesmo antes de iniciada a ação penal, a produção antecipada de provas consideradas urgentes e relevantes, nos termos do art. 156, incisos I e II do CPP.

interessado no resguardo do sucesso da própria atividade investigatória” (ZILLI, 2010, p. 19).

Não se pode olvidar que a inserção desse artigo no anteprojeto traz implicações claras. O magistrado que atua na fase de investigação (juiz das

garantias) é impedido de determinar a produção antecipada de prova129, de

ordenar a realização de buscas e apreensões, interceptações telefônicas e prisões temporárias, de ofício. A ele cabe decidir tais questões, sempre que

provocado130.

De acordo com Zilli (2010, p. 20), o fato de o juiz não mais poder decretar a interceptação das comunicações telefônicas sem requerimento prévio do sujeito legitimado para fazê-lo, é prudente em face da natureza eminentemente investigativa da medida. Afinal:

O juiz que determina a interceptação, independentemente de provocação, se antecipa aos sujeitos que seriam naturalmente interessados nos resultados de tal meio de busca de prova, assumindo ele próprio o papel do investigador. É justamente isso que o projeto procura coibir131.

129

Ao contrário do que se prevê hoje, o juiz não irá mais determinar a produção antecipada de provas, e sim “decidir sobre o pedido de produção antecipada de provas consideradas urgentes e não repetíveis, assegurados o contraditório e a ampla defesa”, como dispõe o artigo 14, inciso VII do anteprojeto – redação final.

130

Os incisos I a XVII do artigo 14 relatam, de maneira não exaustiva, quais são as competências do juiz das garantias: I – receber a comunicação imediata da prisão, nos termos do inciso LXII do art. 5º da Constituição da República Federativa do Brasil; II – receber o auto da prisão em flagrante, para efeito do disposto no art. 555; III – zelar pela observância dos direitos do preso, podendo determinar que este seja conduzido a sua presença; IV – ser informado sobre a abertura de qualquer investigação criminal; V – decidir sobre o pedido de prisão provisória ou outra medida cautelar; VI – prorrogar a prisão provisória ou outra medida cautelar, bem como substituí-las ou revogá-las; VII – decidir sobre o pedido de produção antecipada de provas consideradas urgentes e não repetíveis, assegurados o contraditório e a ampla defesa; VIII – prorrogar o prazo de duração do inquérito, estando o investigado preso, em vista das razões apresentadas pelo delegado de polícia e observado o disposto no parágrafo único deste artigo; IX – determinar o trancamento do inquérito policial quando não houver fundamento razoável para sua instauração ou prosseguimento; X – requisitar documentos, laudos e informações ao delegado de polícia sobre o andamento da investigação; XI – decidir sobre os pedidos de: 5 a) interceptação telefônica, do fluxo de comunicações em sistemas de informática e telemática ou de outras formas de comunicação; b) quebra dos sigilos fiscal, bancário e telefônico; c) busca e apreensão domiciliar; d) acesso a informações sigilosas; e) outros meios de obtenção da prova que restrinjam direitos fundamentais do investigado. XII – julgar o habeas corpus impetrado antes do oferecimento da denúncia; XIII – determinar a realização de exame médico de sanidade mental, nos termos do art. 452, § 1º; XIV – arquivar o inquérito policial; XV – assegurar prontamente, quando se fizer necessário, o direito de que tratam os arts. 11 e 37; XVI – deferir pedido de admissão de assistente técnico para acompanhar a produção da perícia; XVII – outras matérias inerentes às atribuições definidas no caput deste artigo.

131

Nos ensinamentos de Choukr (2011, p. 273), o juiz das garantias “não é um juiz investigador”, não tendo qualquer semelhança funcional com o juiz instrutor.

Infere-se que o anteprojeto busca firmar quais os papéis desempenhados pelos sujeitos processuais, afastando o juiz do domínio material da investigação e evitando qualquer comparação entre o juiz das garantias e o juiz instrutor, como observado no capítulo anterior.

Consolida-se o conceito de que o juiz não exerce o papel de investigador, e sim de garantidor dos direitos fundamentais, assegurando-se também sua

imparcialidade, como se passa a analisar132.