BÖLÜM 1: TERÖR VE GENEL GÖRÜNÜMÜ
1.2. Terörün Unsurları ve Özellikleri
1.2.5. Terörün Amaçları ve Yöntemleri
Após um breve levantamento sobre o percurso do que hoje se denomina “racismo” e suas diferentes formas de concepção ao longo do tempo, importa ressaltar neste item que tal processo acompanha o projeto de desenvolvimento da nação brasileira associada à construção de uma identidade nacional. Sendo assim, nesta sociedade as questões de relações raciais sempre foram trabalhadas dentro campo imaginário, do discurso de nação, ou seja, da produção discursiva por parte de um Estado totalizador que atribui os sentidos do que seria a identidade brasileira. Vale notar que tal construção é uniformizadora, não concebendo a ideia de diversidades seja ela qual for, no âmbito daquela sociedade. Isto posto, adentremos nas questões relativas ao uso do termo racismo nos movimentos negros.
Entendemos a utilização do termo “racismo” por ativistas dos movimentos negros hoje, como um posicionamento político e estratégico de mover-se em um campo discursivo diferente daquele de nacionalidade que é uniformizador, hegemônico e nega as diferenças e comportamentos discriminatórios e como consequência desta constante negação, naturaliza as desigualdades existentes na sociedade brasileira. De encontro a esta postura adotada pelo Estado o movimento negro articula-se a partir do campo discursivo da igualdade, de denúncia das injustiças, sociais e dos direitos.
A partir daqui, buscaremos bases teóricas que nos ajudem a compreender a dimensão discursiva dos termos racismo e racismo institucional, o que faremos a partir da perspectiva da análise estrutural e institucional. Como já mencionado anteriormente, os dois termos citados foram recorrentes entre ativistas entrevistadas para a pesquisa que desenvolvo. Em linhas a pesquisa investiga a percepção das militantes em relação ao acesso das mulheres negras à saúde pública. Acreditamos que entender a apropriação destes termos pelos movimentos negros, nos trará melhor conhecimento do campo e das ideologias a partir das quais as ativistas produzem seus discursos e atribuem sentido a sua participação política e percepção destes fenômenos enquanto determinantes sociais que interferem no acesso das mulheres negras à saúde pública.
Entender a dimensão histórica e discursiva do racismo no ajuda compreender a retomada do termo “racismo” pelos movimentos negros, mas agora com outro significado, e sua atuação na sociedade contemporânea que inclui as múltiplas modalidades de protesto e mobilização no processo de implementação de políticas públicas e de ações para promover a integração dos negros na sociedade brasileira.
Neste sentido GUIMARÃES (2003) pontua que, nos anos de 1920 e 1930, todos, inclusive os movimentos negros, participaram da incorporação simbólica do negro no projeto de criação de símbolos nacionais, o autor afirma que, pensar no movimento negro implica em sua luta por integração na nação mesmo que atualmente não seja apenas simbólica.
Um dos posicionamentos que marca significativamente a atuação política e intelectual do movimento negro se dá em torno da denúncia da democracia racial enquanto “mito” uma vez que se contrapunha ao cotidiano da população negra, tanto nas relações pessoais como aquelas institucionalmente mediadas. O acesso destes aos bens comuns da sociedade começa a ser questionado em comparação aos brancos, assim como as condições precárias de vida ou a quase ausência de negros em cargos
socialmente prestigiados. Concluem que, as diferenças sociais eram perpassadas por uma linha de cor, que contradizia a ideia de igualdade de oportunidades para brancos e negros e coloca em questionamento a democracia racial. Como esta ideia já fazia parte do imaginário brasileiro, o movimento teve que desmistificá-la apontando que, ao contrário do que se acreditava, existia racismo no Brasil, sendo o principal responsável pelas desigualdades raciais.
Desta forma o racismo é considerado pelos movimentos como uma categoria importante a ser estudada, enquanto um fenômeno persistia ainda que de outra forma, e estava na base da produção das desigualdades raciais existentes no país. Além da denúncia do mito da democracia racial, figurava entre as medidas de diminuição destas desigualdades a formulação e implementação de políticas públicas que produzissem resultados para além das leis punitivas das práticas racistas e discriminatórias. Estas políticas deveriam ser eficientes nas intervenções em instituições para garantir resultados não apenas de cunho quantitativo, mas qualitativo em relação ao fortalecimento dos grupos discriminados e subalternizados.
Os movimentos negros marcam assim, sua presença no cenário de debates das desigualdades na sociedade brasileira, como principal protagonista intelectual e militante contra a discriminação racial no Brasil. Estas características de resistência e luta por reconhecimento dos direitos e da cidadania marcam significativamente a história da população negra desde o período da escravidão. Conforme afirma GUIMARÃES (2003) a própria denúncia da discriminação por parte do movimento negro retoma a década de 1930.
As entidades negras neste período restringiam suas ações ao campo cultural e artístico, todavia estas atividades segundo a perspectiva de alguns teóricos das relações raciais e ativistas do movimento negro, não se configuraram em instrumento de transformação. Estas ações não tinham caráter político e não denunciavam as questões de violência, pobreza e desigualdade que permeavam o cotidiano desta população, ao contrário disto reforçou a visão da identidade negra aos estereótipos do folclore brasileiro.
Apenas em meados dos anos 1960, por influência da linha estruturalista da Escola Paulista de Sociologia, na figura de Florestan Fernandes que,
[...] a democracia racial é concebida como um discurso de dominação política, não expressava mais nem um ideal, nem algo que existisse efetivamente, seria usado para desmobilizar a comunidade negra; como um discurso de dominação, sua outra face seria justamente o preconceito racial e a discriminação sistemática dos negros (GUIMARÃES, 2003, p. 102).
Os pesquisadores já não associam mais o racismo a atitude ou comportamento individual, mas às questões de poder na sociedade. A continuidade desta abordagem estruturalista proporciona, nos anos 1980, uma linha de estudos sobre desigualdades raciais baseadas em dados sócio-demográficos.
Ainda durante a ditadura militar, na década de 1970 os movimentos negros ressurgem na cena pública com um caráter mais político e denunciador das injustiças sociais perpassadas pelo racismo. Assim em 1978, se o ato de fundação do Movimento Negro Unificado Contra Discriminação Racial que:
[...] representou uma forma de protesto que o movimento negro do Brasil assumiria doravante, tomando os espaços públicos abertos como palco privilegiado de manifestações. Se os anos de 1970 e 1980 viram florescer o protesto reivindicativo, no limiar do novo século os eventos públicos ganharam aspectos mais expressivos (RIOS, 2012, p.42).
Como exemplo disto, Flávia Rios menciona as manifestações expressivas e protestos realizados pelo movimento no Brasil contemporâneo como a Marcha Noturna pela Democracia Racial, as marchas do centenário da Abolição, a marcha do tricentenário de Zumbi dos Palmares, bem como a presença marcante dos movimentos negros nas discussões da Conferência Mundial contra o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância Correlata em Durban na África do Sul, a partir do qual foram tomadas algumas medidas mais concretas pelo governo em relação às discriminações em geral, neste contexto a autora afirma que a mudança do nome MNUCDR para tão somente MNU fez parte do processo de construção da identidade do movimento.
Capítulo 2. O discurso feminino e o campo político: Mulher negra, pobreza e