1.1. Etik
1.1.4. Örgütsel Etik Ġklim Tanımı
1.1.4.1. Örgütlerde Etik Ġklim OluĢturulmasındaki Belirleyiciler
As questões que envolviam a saúde — e, por conseguinte, a boa alimentação — foram importantes nas discussões médicas durante o século XIX na capital do Império. Para trabalhar os diferentes aspectos que envolviam a saúde e a doença no Brasil oitocentista, pesquisadores contemporâneos vêm se utilizando de documentação ainda mal explorada, como, por exemplo, as teses médicas produzidas pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, que também utilizaremos em nosso estudo.
Tendo como base essa vasta documentação, os trabalhos concentram-se, de maneira geral, em torno de temáticas que envolvem as epidemias e as doenças que acometeram a cidade no período, as ações sanitárias propaladas, a discussão das teorias médicas sobre as moléstias à luz do ―paradigma pasteuriano‖ e da medicina experimental, além de discussões sobre a institucionalização da Medicina no Brasil.72
71 Braga, Sabores do Brasil em Portugal, 14.
72 Tais questões, discutidas pelos pesquisadores citados a seguir, seguem propostas de análise que são, de maneira geral, diferentes das adotadas em nosso Programa. Sobre questões de institucionalização, cf., por exemplo, Benchimol, ―A Instituição da Microbiologia e a História da Saúde Pública no Brasil‖, Ciência e Saúde Coletiva; Edler, ―A Medicina no Brasil Imperial: Fundamentos da Autoridade Profissional e da Legitimidade Científica,‖ Anuário de Estudios Americanos; e Ferreira, Maio & Azevedo, ―A Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro: A Gênese de uma Rede Institucional Alternativa,‖ História, Ciências, Saúde — Manguinhos; sobre medicina experimental, cf. Edler, ―O Debate sobre a Medicina Experimental no Segundo Reinado,‖ História, Ciências,Saúde — Manguinhos, e ―A Escola Tropicalista Baiana: Um Mito de Origem da Medicina Tropical no Brasil,‖ História, Ciências,Saúde — Manguinhos; sobre epidemias e doenças, cf. Cabral, ―Lepra, Morfeia ou Elefantíase dos Gregos: a Singularização de uma Doença na Primeira Metade do Século XIX,‖ História Unisinos, Nascimento & Carvalho (org.), Uma História Brasileira das Doenças, e Benchimol, Dos Micróbios aos Mosquitos – Febre Amarela e a Revolução Pasteuriana no Brasil; sobre curandeiros e médicos, cf. Sampaio, ―Nas Trincheiras da Cura: as Diferentes Medicinas no Rio de Janeiro Imperial‖ e Pimenta, ―O Exercício das Artes
30 Há, ainda, trabalhos sobre periódicos médicos publicados no período. Entretanto, não localizamos nenhum estudo que, a partir desses documentos e de outros a serem ainda explorados, se aproveite das relações entre a saúde e a doença no século XIX buscando examiná-la em suas relações com as ideias sobre alimentação e nutrição, necessárias para a manutenção da saúde.
Cabe aqui, portanto, enfatizar a volumosa produção de trabalhos forjados há um bom tempo em nosso Programa e que tratam de questões médicas e químicas no Brasil, tanto no período colonial quanto imperial (segundo a metodologia já referida), e que contribuem de maneira fundamental, entre outros, para o entendimento da institucionalização das ciências no Brasil e para a compreensão das permanências de antigas ideias médicas em textos ―modernos‖.73
Assim, um bom volume destes trabalhos produzidos pelos médicos ainda precisa ser explorado. A questão das fontes pode explicar, em parte, a carência de trabalhos desse tipo. Alguns exemplos de estudos que utilizam fontes médicas do século XIX dão conta da situação em que se encontram os pesquisadores.
Em sua tese de doutorado, que tem a Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro como estudo de caso, Tânia Salgado Pimenta levanta problemas como restrição de acesso aos documentos do hospital, a falta de catalogação do material e as péssimas condições de
de Curar no Rio de Janeiro (1828-1855)‖; sobre periódicos médicos, cf. Fereira, ―Os Periódicos Médicos e a Invenção de uma Agenda Sanitária para o Brasil (1827-43),‖ História, Ciências,Saúde — Manguinhos.
73 Sobre a institucionalização das ciências no Brasil, particularmente da química, cf. Ferraz, As Ciências em
Portugal e no Brasil (1772-1822): o Texto Conflituoso da Química, Ferraz, ―Relatos de Viagens: A Trajetória dos Textos sobre o Brasil‖, Alfonso-Goldfarb & Ferraz, ―A Recepção da Química Moderna no Brasil,‖ Quipu, Alfonso-Goldfarb & Ferraz, ―Reflexões sobre uma História Adiada: Trabalhos e Estudos Químicos e Pré- Químicos Brasileiros,‖ Quipu, e Alfonso-Goldfarb & Ferraz, ―Raízes Históricas da Difícil Equação Institucional da Ciência no Brasil,‖ São Paulo em Perspectiva; sobre antigas concepções médicas em textos modernos, cf., por exemplo, Alfonso-Goldfarb & Ferraz, ―Las Miradas Extranjeras/Autóctonas sobre La Terra Brasilis Independiente: Ciência e Salud entre el Imperio y La Republica‖; sobre o mesmo tema, tendo como estudo de caso as águas minerais brasileiras e com interface entre química e medicina, cf. Alfonso- Goldfarb, ―Viajeros y Estudiosos de Tierras Brasileñas y Aguas Mineirales‖, Machline & Beltran, ―Un Relato de Experimentos Químicos en las Aguas Minerales en Brasil y sus Virtudes Medicinales: el Manuscrito Cód. 64.2 de la Collección Lamego‖ e Beltran & Machline, ―Recursos Brasileños de Agua Mineral: La Fama Efímera de Lagoa Santa‖; sobre matéria médica no Brasil, cf. Ferraz, ―Matière médicale luso-brésilienne au début du XIXème siècle‖, e Ferraz, ―Medicina en Brasil-Reino: El Trabajo de José María Bomtempo‖.
31 conservação de vários dos documentos dos séculos XVIII e XIX.74 Claudio Bertolli Filho
viu-se às voltas com legislações que previam que a documentação hospitalar a que dedicava seus estudos deveria ser preservada por um período de 5 a 10 anos, quando poderia, então, ser destruída. Também os prontuários médicos do Arquivo Central da Santa Casa foram transferidos para uma nova construção, que não apresentava, segundo o pesquisador, condições ideais para a conservação dos documentos.75
Além da raridade de obras de referência para esse tipo de documentação, esses documentos encontram-se espalhados em diferentes bibliotecas. Outras questões que dificultam o acesso a esses documentos são a sua descrição incompleta nas fichas catalográficas — por exemplo, sua catalogação apenas por autor, deixando de lado sua inserção no assunto ―teses médicas‖ — e a perda de grande parte das informações contidas nessas fichas catalográficas quando da transferência delas para o ambiente dos catálogos eletrônicos. Retomando a questão das obras de referência, Fonseca dá notícia de que, em 1877, publicou-se o primeiro catálogo da biblioteca da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, sendo que somente em 1985 o Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) publicou novo catálogo, abrangendo o período de 1833 a 1889.76
A autora relaciona, também, acervos importantes no Rio de Janeiro, arrolando entre eles a Biblioteca da Academia Nacional de Medicina, o que chamou nossa atenção. Foi então que soubemos da existência, ali, de teses médicas oitocentistas. A Academia Nacional de Medicina possui a coleção quase completa das teses médicas da FMRJ produzidas no século XIX, organizadas cronologicamente em volumes, embora muitos deles estejam em condições precárias de manuseio.
74 Pimenta, ―O Exercício das Artes de Curar no Rio de Janeiro (1828 a 1855)‖, 113 e nota 12.
75Bertolli Filho, ―Prontuário Médico,‖ História, Ciências, Saúde – Manguinhos,
178-9. 76 Fonseca, ―Guia de Fontes,‖ História, Ciências, Saúde – Manguinhos, 126-7.
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