C. Kaynaklar ve Araştırmalar
1. Kaynaklar
2.2. Kötülük Kovma Ritüelleri (Apotropaic)
2.2.3. Hastalık ve Tedavi
2.2.3.2. Tedavi Ritüelleri
Felizmente, a Bertolt Brecht não foi “destinada” a mesma sorte de Walter Benjamin, caso contrário, em vez de uma perda irreparável, teríamos duas e esta biografia estaria em vias de chegar ao seu fim. Brecht “poupado” do encontro desafortunado com os nazistas, concluiu no ano seguinte, 1941, “A Alma de Boa Setsuan”, onde narra a história de três deuses em sua visita à Terra e seus questionamentos sobre a existência de almas boas, depois de muito procurar abrigo batem à porta da prostituta Chen Tê, a única entre muitos que permitiu que em sua casa pernoitassem.
Mediante ao ato de benevolência resolvem presenteá-la como uma quantia em dinheiro, a fim de que Chen Tê mudasse de vida ao ter seu próprio negócio. A única condição é que continuasse boa, no entanto, os “miseráveis” e oportunistas “aproveitam” da sua generosidade e, a Alma Boa passa a distribuir arroz e cigarros. Ao tomar consciência de que está sendo explorada, assume o disfarce de Chuí Tá, um primo que é a encarnação do seu oposto. De acordo com Williams (2002):
Nessa peça, Brecht nos convida a ver o que acontece com uma pessoa boa em uma sociedade má [...] Brecht procura mostrar, por meio de Chen Tê, como os bons são explorados por deuses homens. Nas situações e lugares que a bondade não pode expandir, mas é meramente usada e abusada, há uma ruptura na consciência. (WILLIANS, 2002, p. 255).
Porém, enquanto encarnava Chuí Tá, o coração bondoso de Chen Tê desaparecia, o primo disfarçado isento da obrigação da caridade para com os necessitados termina por tornar-se rei do Tabaco e “culpado” pelo sumiço da única alma boa existente no mundo. Descontentes, os deuses voltam à Terra para testemunhar a confissão de Chen Tê, que ao declarar sua culpa, se defende ao cogitar a impossibilidade da bondade em um mundo criado por deuses, repleto de injustiças e desigualdades sociais. E assim, diante de tal irrefutável argumentação, nenhuma sentença é proferida, “a tensão se mantém até o fim, e somos formalmente convidados a refletir sobre ela”“(WILLIANS, 2002, p.256).
Em meados desse mesmo ano, embebido de sentimentos angustiantes descendentes de um mundo onde o nazismo e a guerra comandavam a marcha da “autodestruição” Humana, Brecht, exilado na Finlândia, escreve a paródia inspirada em Hitler, “A resistível ascensão de
Arturo Ui”, tendo como o pano de fundo o espetáculo da cidade de Chicago e personagens
gângsteres e Homens passíveis de corrupção. Através da qual Brecht objetivou representar de forma cômica a ascensão de Hitler, a fim de ridicularizar a imagem transcendental de poder atribuída a ditadores genocidas.
Segundo uma opinião muito difundida, é estéril e de mau gosto expor ao ridículo os grandes delinqüentes políticos, vivos ou mortos. Dizem que até o povo pobre é sensível em tais questões, não só porque se viu envolvido no delito, mas porque os que ainda sobrevivem entre as ruínas não podem achar graça num tema assim... Os grandes delinqüentes políticos devem ficar totalmente expostos e, de preferência ao ridículo. Porque, antes de mais nada, não são grandes delinqüentes políticos, mas agentes de grandes delinqüentes políticos, o que é muito diferente...È necessário acabar com o respeito pelos assassinos. Não é porque a situação se repete há séculos que vamos nos acovardar [...] Ui é uma parábola escrita com a intenção de destruir o habitual respeito pelos grandes mortos. (BRECHT apud LOUREIRO; MUSSE, 1998, p.91).
O dramaturgo encerra 1941 com a peça “As visões de Simone Machard”, peça que retrata a invasão alemã a França. Entre 1942-43 escreveu “Schweyck na II Guerra Mundial”. Sendo a URSS o único país que resistira a ofensiva de Hitler, caberia ao mesmo mudar o curso do interminável conflito; os russos passaram por cima do considerado indestrutível exército, provocando a ira do segundo Napoleão que, ao ver-se encurralado, demitiu os generais e assume “pessoalmente o comando”.
Em 1945, o pano de fundo do cenário mundial girava em torno do final da Segunda Guerra. A queda do Terceiro Reich se aproximara na medida em que os russos avançavam, a batalha estava perdida; mas talvez Hitler fosse muito orgulhoso para admitir ou demasiadamente otimista. Segundo Couto (2007), Hitler acreditava “que dois exércitos alemães poderiam libertar Berlim e dar uma virada ao seu favor [...] Porém seus seguidores sabiam que esses exércitos só existiam na cabeça dele. Convencido afinal, proibiu que se falasse em derrota” (COUTO, 2007, p.115).
No entanto, a “convicção obstinada de Hitler de que o desejo suplanta qualquer obstáculo material” (FEST, 2005, p.20), contribuiu significativamente para seu fim e consequentemente de todos os seus fiéis seguidores. Em abril, os russos já haviam chegado às colinas de Seelow até Wriezen e o exército alemão tombava tal como as ruínas desfiguradas por balas e explosões.
O desfecho não se aproximara do idealizado por Hitler, muito pelo contrário, as notícias da derrota eminente apenas se confirmavam Naquela altura pouco lhe restara de credibilidade, tanto que seu protegido, por iniciativa própria, hasteou a bandeira branca em nome do Reich. Por fim, o Ditador decaia mental e fisicamente, a ponto de torna-se um viciado em bolo e chocolate, além de andar beirando as paredes para se apoiar. Era visível em seu uniforme manchas de comida e de saliva em seus lábios.
Tal fato não impediu as tropas de marcharem para frente oriental a mando de Hitler, a fim de defender Berlim, mas não havia soldados suficientes, tão pouco, armas; apenas homens aposentados, quatro mil adolescentes da juventude Hitlerista e Goebbels, o “comissário de defesa do Reich”, que tinha em mãos uma autorização do Führer para recrutar mulheres. E como se não fosse suficiente, encorajava a front mediante argumentos sobre covardia e os horrores de uma “Europa Bolchevista”.
Com os jornais tomados, a única notícia que circulava “retratava” a genialidade dos nazistas, que afirmavam ter atraído o inimigo propositalmente, a fim de exterminá-los. E assim foi instalada uma onda de otimismo, intolerante a qualquer propaganda contrária, que fez aproximadamente mil vítimas no último trimestre da guerra. A derrota era eminente e a selvageria daqueles dias já havia ultrapassado os limites do humanamente permitido, o que não intimidou Hitler, um ávido egocêntrico, que desejava o fim do mundo à humilhação da derrota.
O Exército Vermelho soviético pisou em solo ariano no dia 2 de maio de 1945; o Führer, ciente do trágico fim de seu amigo Mussolini, que fora capturado e depois de morto pendurado pelos pés em postes de iluminação, onde italianos movidos por sentimentos de vingança tiveram a oportunidade de ferir a dignidade do seu corpo. Assim, Hitler afirmara “não querer servir, tanto ele como sua mulher, de espetáculo apresentado pelos judeus para divertir massas histéricas” (SHIRER, 2008, p.684).
Agora, sem esperança na vitória, o ditador toma as providências necessárias para sua morte, “o suicídio, gesto de estremo desespero, permeou a vida de Hitler, arrastando-o e os que dele eram próximos na direção da morte auto-infligida” (LAMBERT, 2007, p.146).
Primeiro, ordenou que seu amado cão fosse envenenado. Entregou cápsulas de veneno às suas secretárias para serem usadas caso não desejassem cair nas mãos dos bárbaros russos, e na última noite documentos foram destruídos.
Por fim, despediu-se momentos antes de entrar na sala-de-estar em companhia da sua esposa; a porta foi fechada e passado alguns minutos, Eva Braun cerrou entre os dentes um pequeno tubo de vidro. Quando sua respiração foi silenciada, Hitler, tal como “Romeu de Shakespeare”, experimentou do mesmo veneno, mas, não contente, disparou um tiro sobre a boca que ecoou pelas paredes do bunker.
Os corpos, postos em uma cova rasa no jardim e embebidos em litros de gasolina, queimaram em meio ao silêncio das chamas e dos bombardeios. No dia seguinte, os filhos, Goebbels e sua esposa “optaram” pelo mesmo destino do fundador do Terceiro Reich. No dia 7 de maio, os nazistas assinaram o documento de rendição incondicional. Assim, o general
alemão Jodl, ao tomar a palavra, declara o fim do conflito: “Com essa assinatura, o povo e as forças armadas da Alemanha são, para melhor ou para pior, entregues aos vencedores [...] Nesta hora, posso apenas exprimir a esperança de que os vencedores nos tratem com generosidade” (SHIRER, 2008, p.693).
Em novembro, foi instaurado o “Tribunal Militar Internacional” em Nuremberg, tendo por fim os crimes cometidos pelos nazistas, crimes estes que reduziram o imponente país a destroços e aos que não foram esvanecidos em sangue à miséria.