Durante o período de estudos, ao longo das disciplinas nas aulas do mestrado e nas explanações dos professores muito ouvi dizer que o objeto de estudo é quem define o método e assim me perguntava quando o meu objeto indicaria a melhor alternativa para a realização desta pesquisa. As viagens a trabalho de alguma maneira impediram que esse clareamento das ideias acontecesse, já que foi o período de discussão das abordagens metodo lógicas, e mesmo me dedicando a leit ura, acredito que a falta do diá logo com os professores e os colegas nos faz perder (e muito !) os conteúdos que poderiam facilitar esse processo de definição, contudo, iniciado o processo é preciso caminhar para chegar ao fim e dessa maneira, imaginando as possibilidades que se abriam, fiz a escolha acreditando ser o método que mais se adequava ao meu objeto de pesquisa.
65 Inicialmente as observações se davam em dois municípios diferenciados – Maracanaú e Guaiúba. A perspectiva era realizar um estudo comparativo no qual seriam avaliados os passos para implementação dos parâmetros estabelecidos pela Resolução Nº 16/2010 em cada um dos municípios.
Para proceder à análise de ambos os municípios a pesquisa de campo tinha como proposta a realização de uma análise comparativa dos casos de cada município, já que um método de estudo de caso não contemplaria o proposto pelo objetivo, pois se fazia necessário enveredar pela percepção das semelhanças e diferenças de cada município, bem como de cada conselho e seus membros, para compreender as sutilezas e as especificidades dos processos de implantação da resolução em cada um desses espaços, a forma como esse processo se efetiva e os primeiros resultados. De acordo Schneider e Schmitt (1998, p. 1)
a comparação, enquanto momento da atividade cognitiva, pode ser considerada como inerente ao processo de construção do conhecimento nas ciências sociais. É lançando mão de um tipo de raciocínio comparativo que podemos descobrir regularidades, perceber deslocamentos e transformações, construir modelos e tipologias, identificando continuidades e descontinuidades, semelhanças e diferenças, e explicitando as determinações mais gerais que regem os fenômenos sociais. Nesse sentido, pelos motivos já relatados anteriormente, decidi optar pela realização da pesquisa apenas em Maracanaú e, dessa maneira, novamente foi necessário repensar um método que pudesse se adequar à realidade do que relato.
Feito esse novo recorte, parti da premissa de que para at ingir os objetivos é necessário o envolvimento com a pesquisa, que é dinâmica e engloba métodos e estratégias diferentes, que possibilitam a apreensão do conhecimento, a compreensão do fenômeno e ainda o alcance desses objetivos traçados inicialmente, daí por que optei por um estudo de caso.
De acordo com Yin (2005, p. 32), o estudo de caso é uma pesquisa empírica que não tem uma única definição, mas que “investiga um fenômeno contemporâneo dentro de seu contexto da vida real, especialmente quando os limites entre o fenômeno e o contexto não estão claramente definidos”.
66 Portanto, contempla o fenômeno sociológico da participação social, já que esta permite a análise de diferentes variáveis, que se intercalam e possibilitam sua compreensão. Ao mesmo tempo o estudo de caso “baseia-se em várias formas de evidências, com os dados precisando convergir [...] e, como outro resultado, beneficia -se do desenvolvimento prévio de proposições teóricas para conduzir a coleta e análise de dados” (YIN, 2005, p. 33).
Ele completa afirmando que “a pesquisa por estudo de caso caracteriza-se como um dos tipos mais árduos de pesquisa porque não há fórmulas de rotina” (YIN, 2005, p. 81). Segundo Martins (2008, p. 3)
o sucesso de um Estudo de Caso, em muito, depende da perseverança, criatividade e raciocínio crítico do investigador para construir descrições, interpretações, enfim, explicações originais que possibilitem a extração cuidadosa de conclusões e recomendações.
Portanto, para a realização do estudo de caso nesta pesqui sa, foi preciso utilizar das habilidades desenvolvidas como pesquisadora ao longo dos estudos no mestrado, mas também seguir uma lógica de raciocínio que partiu de ideias anteriormente formuladas, de uma observação sistemática que foi realizada ao longo do período em que fui membro do conselho e das análises das obras de autores que tratam da mesma temática, já que segundo Martins “o objeto de uma pesquisa pode surgir de circunstâncias pessoais ou profissionais, da experiência cient ífica própria ou alheia [...]” ( 2008, p. 12).
Dessa maneira, o estudo de caso, como estratégia de pesquisa qualitativa eleita se alia a pesquisa avaliativa, de forma a que esta se torne “uma análise em profundidade e não em extensão” (MARTINS, 2008, p. 4).
Para se aprofundar o máximo possível no objeto e se tornar exemplar, se faz necessário compreender os conceitos acerca do que é pesquisa qualitativa e pesquisa avaliativa.
De acordo com Minayo (2012, p. 14) “o objeto das ciências sociais é essencialmente qualitativo”, de forma que este se encontra presente na realidade social, tendo uma especificidade em relação a utilização de métodos de pesquisa sobre esta, já que
67 os códigos das ciências que por sua natureza são sempre referidos e recortados, são incapazes de conter a totali dade da vida social. As Ciências Sociais, no entanto, possuem instrumentos e teorias capazes de fazer uma aproximação da suntuosidade da existência dos seres humanos em soci edade [...]
E complementa dizendo que “a pesquisa qualitativa responde a questões muito particulares. Ela se ocupa, nas Ciências Sociais, com um nível de realidade que não pode ou não deveria ser quantificado” (MINAYO, 2012, p.21).
Há ainda que se compreender como uma pesquisa qualitativa se relaciona com a temática, sua compatibilida de com a mesma. Segundo Silva (2008, p.142), “o paradigma qualitativo se refere ao conhecimento „de dentro‟, da essência, através do entendimento de intenções e do uso da empatia, tendendo a ser mais indutivo que dedutivo”. Ela também destaca a confiabilidade e a validade como características fundamentais ao método ou paradigma qualitativo.
São as afirmações de Minayo e Silva que me dão suporte a justificar a opção por um método qualitativo, haja vista que não é meu desejo analisar aqui a quantidade de instituições que mantém vínculo com o CMAS de Maracanaú, mas sim o processo que culmina com a manutenção de sua inscrição após a aplicação dos parâmetros estabelecidos pelo CNAS em 2010 e a concreção do controle a partir da participação das entidades que tem assento no conselho e de sua ação nesse processo de aplicação dos referidos parâmetros.
No que diz respeito a pesquisa avaliativa, busco o conceito de Ala- Harja e Helganson (2000, p. 5). Para eles a avaliação é “uma análise sistemática de aspectos import antes de um programa e seu valor, visando fornecer resultados confiáveis e utilizáveis”.
Este conceito de Ala-Harja (2000) amplia a proposição da Cepal (1997, p. 8) que define a avaliação como “uma atividade que permite decidir sobre a conveniência de executar o projeto e escolher a alternativa ótima”. O mesmo órgão defende que formulação e avaliação são faces da mesma moeda, na medida em que não é possível formular um programa se este não puder ser avaliado.
68 Na análise de Holanda (2006, p. 105) a avaliação é “uma atividade complexa e polimorfa, que comporta múltiplas abordagens e abarca diversas categorias e tipos de investimentos”, portanto não é possível se deter apenas em ex-ante e ex-post, mas analisar outras categorias ou formas de abordagens.
Sendo assim, falar em pesquisa avaliativa quer dizer se apropriar ao máximo das categorias que possibilitem a compreensão do fenômeno estudado, de maneira que seja possível conhecer o contexto em que se encontra e dominar ao máximo tudo que possa desvelá -lo, de modo que a avaliação atinja a maior amplitude e profundidade possível.
Este estudo que se ocupa em avaliar em que medida se efetiva o controle social pela via da participação, encontra no paradigma qualitativo uma via apropriada e profícua no que diz resp eito à adequação a uma metodologia de pesquisa.