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TANZİAMAT DÖNEMİ ORTAÖGRETİM KURUMLARI VE DERS PROGRAMLAR

OSMANLILARDA EĞİTİM VE OKULLARDAKİ TARİH DERSLERİ

C) TANZİAMAT DÖNEMİ ORTAÖGRETİM KURUMLARI VE DERS PROGRAMLAR

Compreender a juventude brasileira, suas necessidades, sua inclusão na agenda pública, pressupõe um entendimento sobre suas condições reais de vida, através de indicadores sociodemográficos que apresentem quantos são os jovens no Brasil e como se revelam os principais aspectos da vida dos jovens brasileiros. Chama-se atenção principalmente, para os segmentos juvenis em situações de maior vulnerabilidade, os quais, por sua vez, são público preferencial das políticas de juventude, dentre as quais se destaca, para o objetivo desta pesquisa, o Projovem Adolescente.

Segundo dados do Censo 2010, a população jovem no Brasil (composta por pessoas com idade entre 15 e 29 anos completos) conta hoje com 51 milhões de brasileiros e brasileiras, o que representa pouco mais de 26% dos quase 200 milhões de habitantes do País. Existe um consenso comumente utilizado que divide esse amplo grupo populacional em três subgrupos: a)jovem--adolescente, com idade entre 15 e 17 anos; b) jovem-jovem, entre 18 e 24 anos, e c)jovem-adulto, entre 25 e 29 anos. Com relação à população de jovens que compõem cada um dos subgrupos, tem-se que o grupo dos jovens-adolescentes, totaliza aproximadamente 10 milhões ou 20% dos jovens; o grupo dos jovens-jovens perfaz um total de 23,1 milhões ou 47%; e os jovens-adultos, totalizam 17,5 milhões ou 33% do total dos jovens (SAE, 2013).

O enorme contingente populacional atingiu tais proporções devido a mudanças produzidas na estrutura etária da população brasileira pela redução das taxas de natalidade, como de mortalidade. Com base nessas mudanças, tem-se hoje, no País, uma situação denominada bônus demográfico, em que a população em idade ativa é superior à população dependente – crianças e idosos (Brito, 2008). O debate sobre o significado desse bônus demográfico para o País tem relação direta com a relação existente entre os grupos etários da população. O bônus torna-se uma oportunidade de crescimento da economia, que também pode se traduzir em desafios para a luta política na garantia de direitos. Seu aproveitamento para o crescimento econômico é condicionado à capacidade do País de conduzir políticas que levem em consideração essa vantagem na conjuntura demográfica. Falar de políticas públicas de juventude significa tratar de políticas com um caráter central para o desenvolvimento do Brasil.

Dessa forma, analisar a juventude brasileira através dos indicadores sociodemográficos significa traçar um panorama que indique como os jovens tem se relacionado com temas como educação, mercado de trabalho, proteção social, direitos

humanos, saúde e violência, dentre outros. A análise de um conjunto de indicadores sociais evidencia que concorrem para a vulnerabilidade juvenil o baixo nível de renda, o acesso restrito à educação de qualidade, ao esporte, ao lazer e à cultura, a falta de alternat ivas de formação para o mundo do trabalho, a violência urbana, o envolvimento com drogas e a gravidez precoce (MDS, 2009).

Em relação à educação, dados da PNAD 2011 apontam para uma redução das taxas de analfabetismo da população brasileira, com idade de 15 anos ou mais, ao longo dos anos, visto que, em 2004; 11,4% do total dessa população era analfabeta e, em 2011, o índice total correspondia a 8,6%. Apesar da diminuição dessa porcentagem o número absoluto continua impressionando, pois são 12,9 milhões de pessoas com 15 anos de idade ou mais em situação de analfabetismo. Com relação ao recorte específico dos jovens de 15 a 29 anos, os dados (IBGE, 2012) apontam que esse grupo possui os menores índices de analfabetismo (5,7%) quando comparados com o grupo de pessoas analfabetas de 30 anos ou mais (31,9%), sendo que as maiores taxas estão concentradas nas pessoas com idades mais elevadas. Vale destacar que, nesse período, com relação ao recorte da juventude(15 a 29 anos), o maior contingente de analfabetos estava na região Nordeste, correspondendo a 11,3% do total da população analfabeta dessa idade, enquanto que a menor concentração de analfabetismo se encontrava na Região Centro-Oeste com 2,6%. A despeito de ter havido redução desses índices a situação encontrada em 2011, apresentava a Região Nordeste concentrando mais que o dobro da média nacional de jovens em situação de analfabetismo.

Os dados somente confirmam as análises sobre a falta de igualdade de oportunidades no acesso à educação. Não existe acaso no fato de a Região Nordeste possuir os mais altos índices de analfabetismo, visto que principal fonte de desigualdade de acesso à educação é o nível de rendimento familiar. A região é a que possui os maiores índices de pobreza. Sobre esse ponto da desigualdade na distribuição de renda no Brasil, o IBGE (2010) aponta que

19,3% das crianças, adolescentes e jovens até 17 anos de idade no Brasil viviam com até ¼ do salário mínimo, em 2009, e 45,6%, com até ½ salário mínimo per capita. Enquanto nas Regiões Sudeste e Sul as proporções das que viviam com até ¼ salário mínimo são inferiores a 10%. Nas Regiões Norte e Nordeste alcançam, respectivamente, 25,0% e 35,2%. Esses dados assinalam a situação da distribuição de renda nas famílias brasileiras com crianças, adolescentes e jovens até 17 anos, e colocam o Nordeste em primeiro lugar no ranking da pobreza extrema para a infância e juventude.

Ao analisar os dados sobre escolarização3constata-se, que houve uma melhora em relação aos dados de 1999, porém, em 2009, passados dez anos, os índices ainda se mantinham muito baixos. Somente cerca de metade dos adolescentes e jovens estava no nível adequado, para sua faixa etária (50,9%) e em 1999, o número era de 32,7%. A situação se agrava muito quando analisado o critério territorial, pois as regiões Norte e Nordeste têm os mais baixos índices de jovens de 15 a 17 anos, estudando na série adequada: apenas 39,1% e 39,2% respectivamente da população nessa faixa etária cursam o ensino médio, enquanto a região Sudeste apresenta um número de 60,5% (IBGE, 2010). Os dados que tomam como base a taxa de escolarização líquida revelam que os baixos índices dos adolescentes decorrem dos atrasos ocorridos no ensino fundamental, especialmente, no momento de ingresso das crianças brasileiras nesse ciclo educacional.

A taxa de escolarização líquida representa também mais um índice que tem relação direta com as fortes desigualdades das classes sociais no Brasil. No conjunto (quinto) da população representado pelos 20% mais pobres, somente 32,0% dos adolescentes de 15 a 17 anos de idade estavam no ensino médio, enquanto no último grupo de 20% (caracterizado por ser o grupo dos mais ricos), essa oportunidade atingia quase 78% deste grupo, revelando que a renda familiar exerce grande influência na adequação idade/série frequentada.

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A taxa de escolarização líquida indica a proporção da população em determinada faixa etária que se encontra frequentando escola no nível adequado à sua idade (IGBE, 2010, p.47).

Embora o aumento no nível de escolarização não seja suficiente, e nem tampouco seja responsável pela garantia de acesso ao trabalho decente, eles se constitui em um ponto muito importante, uma vez que o acesso ao ensino médio completo tem se caracterizado como condição fundamental para aumentar as chances de acesso a melhores trabalhos. Acredita-se, então, que esta deva ser uma questão prioritária a ser enfrentada.

Com relação às outras dimensões da vida dos jovens, a inserção no mercado de trabalho e o desemprego aparecem como sendo grandes preocupações das juventudes, tanto pela questão da necessidade de conciliar trabalho e estudo, como também da qualidade do trabalho exercido. No Brasil, de acordo com a Agenda Nacional de Trabalho Decente para a Juventude (MTE, 2011), apesar do relativo aumento dos anos de escolaridade, não houve adiamento significativo no momento de ingresso no mercado de trabalho, ocasionando um aumento do número de jovens que buscam articular trabalho e educação em suas trajetórias. Apesar do aumento desse número, não se pode negar as dificuldades enfrentadas pela juventude ao realizar esta combinação, especialmente em função das longas jornadas de trabalho, situação que se agrava no caso das jovens mulheres pobres, sobre as quais ainda incide, em geral, a maior parte das responsabilidades pelos afazeres domésticos.

Dados da PNAD apontam que, em2009, a taxa de desemprego juvenil se mostra quase três vezes maior que a taxa de desemprego adulto. Mesmo quando os jovens não estão desocupados, o que se tem é que as oportunidades de trabalho que lhes são comumente oferecidas são de curta duração e baixa remuneração, não lhes possibilitando o desenvolvimento profissional, inserção e permanência no mercado de trabalho. O documento Síntese de Indicadores Sociais do IBGE (2012), no que diz respeito à quantidade percentual de jovens que, em 2011, encontrava-se exercendo algum tipo de ocupação econômica, apresenta que, com relação aos jovens de 16 e 17 anos de idade, encontrou-se um índice de 28,6%, de jovens nessa condição. Na faixa etária é esperado que os jovens ainda estivessem

frequentando a escola; assim,59,5% deles somente estudavam, outros 20,0% trabalhavam e estudavam e 8,6% somente trabalhavam.

Os dados evidenciam o quanto a idade de ingresso no mercado de trabalho é também outro aspecto fortemente marcado pelas desigualdades sociais. A realidade aponta que muitos jovens pertencentes a famílias de baixa renda ingressam no mercado de trabalho antes da idade considerada legal para o trabalho4, muitas vezes sem concluir o ensino fundamental, enquanto os jovens de famílias com renda mais elevada ingressam, em geral, somente a partir dos 18 anos, principalmente em situações de trabalho protegidas e tendo completado, no mínimo, o ensino médio. Verifica-se também que, a partir dessa faixa etária dos 18 anos, a distinção de classe entre os jovens se expressa ainda mais nas chances de encontrar trabalho, bem como no tipo de trabalho encontrado: os jovens pobres estão sujeitos a maiores índices de desemprego e a uma inserção mais desprotegida no mercado de trabalho (MTE, 2011). A constatação aponta para a emergência da necessidade de se ampliar e fortalecer as políticas de apoio à inserção profissional, particularmente direcionada para os jovens de baixa renda, mulheres, negros, moradores de áreas urbanas metropolitanas e de determinadas áreas rurais.

Outro aspecto muito importante e que tem caracterizado a juventude brasileira diz respeito à violência. Ao se direcionar uma atenção mais criteriosa para os índices de homicídios em nosso País é possível perceber uma conjuntura em que a cultura da violência somada à falta de investimento na juventude se constituem como fatores que impactam diretamente nos números. Tem-se, então, os elementos necessários à constituição de um contexto em que os jovens são as maiores vítimas, quando confrontados os índices com os da população em geral. Conforme dados do Mapa da Violência 2013 (Waiselfisz, 2013), a taxa total de mortalidade da população brasileira caiu de 631 por 100mil habitantes em 1980, para 608 em 2011, o que pode ser percebido através do aumento na expectativa de vida da

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No Brasil a legislação determina que a idade mínima considerada legal para ingresso no trabalho é de 16 anos, com exceção das situações de aprendizagem protegidas pela Lei 10. 097/2000, nas quais o trabalho é permitido a partir dos 14 anos.

população nesse período. Embora tenha ocorrido ganhos no índice geral da população, a taxa de mortalidade juvenil manteve-se praticamente estagnada ao longo de todo este período (que totaliza 31 anos entre os dois índices), sofrendo, ainda, pequeno aumento, passando de 127 em 1980 para 136 por 100mil jovens5 em2011.

A configuração da mortalidade juvenil durante esse período sofreu alterações e hoje se caracteriza pela violência com que ocorre. São as causas externas, principalmente, homicídios e acidentes de trânsito, as responsáveis principais pelas mortes dos jovens brasileiros. Waiselfisz (2013) aponta que, em 1980, as causas externas já eram responsáveis por 52,9%, pouco mais da metade do total de mortes dos jovens do País, fato que se agravou com o tempo fazendo com que em 2011 esse percentual correspondesse a 73,2%, quase 3/4 da juventude brasileira. Ainda de acordo com o autor, o aumento no número de homicídios é o primeiro responsável pelo crescimento no índice de mortalidade juvenil. O número cresceu 132,1% no período referente à análise feita; em segundo lugar, o autor aponta o número de suicídios, que aumentaram 56,4%; seguidos do aumento nos óbitos em acidentes de transporte, que alargaram 28,5%.

Ao comparar os índices de mortalidade violenta entre a população jovem e a população não jovem, Waiselfisz (2013) ressalta a vitimização da juventude brasileira, pois, enquanto na população não jovem somente 3,1% dos óbitos foram homicídios, entre os jovens os homicídios têm sido responsáveis por 39,3% das mortes. Os números correspondem às médias nacionais, no entanto, tornam-se ainda mais agravados em determinados estados do Brasil, em que os dados assinalam mais da metade do total de mortes juvenis provocados por homicídio. Dentre os estados com esses números alarmantes encontra-se o Rio Grande do Norte, em que os homicídios foram responsáveis por 50,1% das mortes dos jovens, enquanto que para os não jovens esse número correspondia a 3,0%.

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As informações relativas aos dados do Mapa da Violência (Waiselfisz, 2013), referem-se à juventude como sendo a população na faixa etária dos 15 aos 24 anos, uma vez que essa publicação utiliza essa faixa etária como marco para definir a população juvenil.

As desigualdades de raça e cor no segmento juvenil também se expressam na vitimização pela violência e criminalidade. De acordo com a Secretaria Nacional de Juventude – SNJ (2013), dados do Sistema de Informações de Mortalidade do Sistema Único de Saúde (SIM/SUS) revelam que os jovens negros são as maiores vítimas da violência: mais da metade (53,3%) dos 49.932 mortos por homicídios em 2010 no Brasil eram jovens, dos quais 76,6% negros (pretos e pardos) e 91,3% do sexo masculino.

Ao analisar os índices percentuais que diferenciam as juventudes urbana e rural, a SNJ (2013) utiliza-se de dados da PNAD 2009 para ressaltar as enormes distâncias entre esses diferentes jovens. O documento destaca que 84,8% da juventude brasileira vive em zonas urbanas, dentre esse percentual tem-se que 72,2% vivem em moradias inadequadas fisicamente e, destes, cerca de dois milhões moram em favelas. Com relação à dimensão da juventude rural, a SNJ aponta que, em 2009, o número era de aproximadamente oito milhões de jovens, os quais se encontram predominantemente nas regiões Norte e Nordeste. Sobre o nível de escolaridade dos jovens moradores das zonas rurais tem-se que, este é30% inferior ao dos jovens moradores das zonas urbanas, sendo que 8% dos jovens que vivem no campo são analfabetos, contra 2% nas áreas urbanas. Ainda sobre as diferenças sublinhadas na questão da inserção na vida escolar, dados preocupantes encontrados apontam que somente 1/3 dos jovens moradores de zonas rurais conseguem concluir a educação básica e existem mais de 1,2 milhão de estudantes do campo com idade para cursar o ensino médio, no entanto, estes ainda estão no ensino fundamental ou estão fora dos bancos escolares (SNJ, 2013).

Perante os dados apresentados, discute-se que grande parcela da população jovem do Brasil vive em condições reais de vulnerabilidade, dificuldade e desigualdade que impedem a realização de seus projetos de vida, uma vez que o contexto em que estão inseridos contribui para determinar limites nas trajetórias desses jovens, colaborando para a marginalização dos setores mais pobres, nos quais os direitos garantidos de acesso à educação, saúde, segurança e

inserção profissional não são acessados ou não atendem à demanda. Acredita-se que se faz necessário definir a situação de vulnerabilidade social vivenciada pelos jovens e entendida

como “o resultado negativo da relação entre a disponibilidade dos recursos materiais ou

simbólicos dos atores, sejam eles indivíduos ou grupos, e o acesso à estrutura de oportunidades sociais, econômicas, culturais que provêm do Estado, do mercado e da

sociedade” (Abramovay et al., 2002, p. 13).

Fachinetto (2010) aponta que essas múltiplas vulnerabilidades que atingem, de forma diferenciada, a juventude, devem ser entendidas como as constantes violações dos direitos dos jovens, pois, mesmo que sejam legalmente considerados como sujeitos de direitos, na prática há ainda um largo caminho a percorrer. Inseridos nos contextos de vulnerabilidades, os jovens, especialmente aqueles de camadas populares, têm sido cada vez mais alvo de ações violentas. Acredita-se que os indicadores apresentados colocam a questão da juventude como uma questão de alta importância e magnitude, tanto pelos índices alarmantes, como pelo enorme contingente populacional que corresponde aos jovens no Brasil.

Nesse sentido, concorda-se com Carrano (2011) quando afirma que as políticas de juventude se encontram diante do desafio necessário de desenvolver ações que atinjam todos os jovens e, especialmente, aqueles em condições de vulnerabilidade. Novaes (2003) assinala que

É preciso garantir a universalização de acessos e lidar com a diversidade sem cair na fragmentação. O primeiro passo será lembrar sempre que a pobreza e desigualdades sociais se retroalimentam, mas são resultados de dinâmicas sociais específicas. O desenho de políticas dirigidas para a juventude brasileira deve ser feito de maneira a universalizar direitos e acessos sem reproduzir desigualdades (p.141).

Pensar os contextos de vulnerabilidade social em que os jovens estão inseridos, bem como, suas relações com as diversas formas de violência, expressa a necessidade do desenvolvimento de políticas públicas específicas para esse segmento.