II ) ORTAÖĞRETİM OKULLARI VE TARİH DERSLERİ
1) Rüşdiyeler
Como apresentado acima, de acordo com a legislação brasileira cada Estado e Município tem autonomia para elaboração de seus currículos para a educação básica desde que sigam as orientações contidas nos documentos de abrangência nacional. Observando a realidade do contexto da Educação Básica brasileira, percebe-se que cada Estado e Município tem implementado o ensino de música à sua maneira. Nesse tópico, apresento uma contextualização do atual cenário do ensino de música na educação básica na cidade de Natal-RN, no qual estive inserido como estudante de licenciatura, professor em escolas da rede privada e pública e como pesquisador.
Um passo importante para a transformação do ensino da arte na Educação Básica foi dado em 2004 com as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Música (BRASIL, 2004) ao determinar a transformação das licenciaturas plenas em educação artística em licenciaturas em música, favorecendo uma formação específica e consequentemente mais sólida e profunda. Em 2005, a primeira turma de licenciatura em música da Universidade Federal do Rio Grande do Norte dá início a um novo curso de graduação no qual a formação é específica na linguagem artística da música, e substitui os até então, antigos cursos de artes com habilitação nas linguagens (teatro, música, dança e artes visuais) nos quais o currículo contemplava essas diversas linguagens formando um professor polivalente. A partir dessa mudança de nomenclatura e de estrutura curricular diversas mudanças aconteceram na
formação dos professores e consequentemente na atuação dos mesmos.
O início da minha formação como professor de música no ano de 2006 (segunda turma do curso de licenciatura em música da UFRN) se deu nesse período de mudanças e adaptações desse novo curso que objetiva formar o professor para lecionar especificamente a linguagem artística da música. Essa mudança favoreceu uma formação mais aprofundada, pois, enquanto que no curso de artes o currículo que abrangia diversas linguagens em oito semestres, no curso de licenciatura em música, com a mesma duração, o currículo enfoca de forma mais aprofundada linguagem artística especifica da música. Essa mudança foi um dos primeiros passos concretos que resultariam em mudanças que impactaram de forma significativa a presença da música na educação básica na cidade de Natal-RN pois uma das grandes dificuldades para a efetivação e consolidação da Lei 11.769/2008 é a falta de professores formados para atuarem com o ensino específico de música nesse contexto.
Em 2010 foi realizado o primeiro concurso público para professores específicos das áreas de música, teatro, dança e artes visuais, através do edital 001/2010 (NATAL, 2010), do qual eu participei e fui aprovado. A convocação aconteceu no ano de 2011, no qual comecei a atuar como professor de música em escolas municipais. Esse foi um grande passo para implementação do ensino de música nas escolas de Natal-RN que inicialmente ficou determinado que aconteceria no 3° e 7° anos do ensino fundamental. Mendes e Carvalho (2012), que descrevem diversas ações para a implementação do ensino de música na Educação Básica, relatam o processo que levou a mudança do Edital da Secretaria Municipal de Educação de Natal.
Ao tomarmos conhecimento de um Edital de Concurso em vias de ser publicado com perfil polivalente, ou seja, para o professor habilitado em Educação Artística, fomos, como representantes dos cursos de Licenciatura em Música e demais linguagens artísticas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte-UFRN, até a Secretaria de Educação, que, diante dos nossos argumentos, suspendeu o Edital e designou uma comissão para efetuar uma reforma curricular na área de Artes para escolas municipais e apresentá-la ao Conselho Municipal de Educação. (MENDES; CARVALHO, 2012, p. 121).
Na cidade de Natal-RN a implementação da referida Lei vem se realizando através de iniciativas nos níveis acadêmicos, políticos e práticos como apresentam os referidos autores. Ao descreverem o processo de implementação do ensino de música na cidade, os autores destacam algumas dessas ações que vem sendo realizadas a exemplo do PAIDEIA- núcleo de formação continuada para professores de Arte e Educação Física, criado por professores da UFRN que produziu e distribuiu nas escolas do Estado e do Município, materiais de formação
para professores entre 2004 e 2007. Destacam outra ação importante que foi a criação do GRUMUS- Grupo de estudos e pesquisa em música da UFRN, e a pesquisa realizada em 2009 sobre a situação do ensino de música nas escolas de Natal, da qual eu participei como colaborador, que teve um papel importantíssimo para a implementação do ensino de artes por linguagens especificas. Ações de formação como o “Escambo de saberes”, “Programa continuuo”, e o “Curso de especialização em Educação musical na educação básica” a criação do curso de mestrado em música da UFRN, e o Programa Institucional Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) música, são algumas delas.
Com relação a escola da rede privada, não existe nenhum órgão regulamentador que forneça informações ou pesquisa que trate da atual situação do ensino de música nesse contexto. Em pesquisa sobre o ensino de música na educação infantil nas escolas de Natal-RN, (GOMES, 2011) fez um levantamento através de contato telefônico com duzentos e oito escolas com o intuito de saber quais possuíam professores de música. De acordo com a pesquisadora das 208 escolas privadas somente 24 contam com educadores musicais atuando na educação infantil e observa que: “Assim, verifico que o contexto do ensino de música na escola privada da cidade de Natal apresenta-se com uma demanda para aulas de música na educação infantil nas instituições que possuem esse nível de ensino” (GOMES, 2011. p. 78).
Na minha experiência como professor de música na educação básica na cidade de Natal- RN, tive a oportunidade de atuar nas duas realidades das escolas públicas e privadas e vivenciar as questões especificas de cada contexto. Essa experiência de trabalhar em dois extremos das classes sociais me fez refletir a respeito de diversos aspectos das aulas de música na escola observando que, em cada contexto os alunos vão apresentar sua cultura, influenciados pelo ambiente em que vivem e as pessoas com as quais se relacionam. De acordo com Queiroz (2013), a cultura é um “conjunto de saberes, conceitos, comportamentos e habilidades adquiridos pelos sujeitos nas interações com a sociedade” e deve ser levada em consideração pois a escola está inserida nesse contexto cultural e exerce um papel fundamental de consolidação e crescimento dessa cultura.
Em uma mesma cidade percebe-se diferenças tão grandes no contexto cultural entre escola pública e privada, destacando-se a diversidade e a pluralidade, conceitos apresentados por Queiroz (2013). O autor considera esses conceitos de grande importância para a realização de uma educação musical significativa que se adapte aos diversos contextos levando em consideração a realidade do aluno, mas, expandindo os horizontes e possibilitando experiência musicais diversas. Partindo dessas experiências pessoais decidi realizar a pesquisa contemplando o universo da escola particular e da escola pública, com o intuito de perceber e
apresentar as especificidades desses contextos.
A Pedagogia de Projetos tem como uma de suas principias caraterísticas, o diálogo com os alunos objetivando partir de seus interesses e tornar o aprendizado mais significativo. Por esse motivo penso que essa metodologia se adapta a diversos contextos culturais e sociais. Apresentei acima uma visão do contexto do ensino de música nas escolas de educação básica de Natal/RN, bem como as ações de pesquisa, formação inicial e continuada para professores de música na cidade com o intuito de que o leitor conheça um pouco da realidade na qual a pesquisa foi realizada. A seguir descrevo os procedimentos metodológicos utilizados para a realização da pesquisa.