1.2. Türkiye ile ABD’de Polislik Mesleği Ve Polis İmajı
1.2.5. Türk Emniyet Teşkilatı’nın Polis İmajına Yönelik Çalışmaları
Teorizar sobre quadros tem se tornado recorrente na atualidade, haja vista a grande preocupação com a metodologia que envolve os trabalhos de pesquisa e se contrapõe às metodologias “irrefletidas”, que vêm perdendo forças desde a década de 1970. Segundo Rousseau (2003), há necessidade crescente de criar e adequar métodos por meio de uma reflexão metodológica que atente para as diferenças de locais que moldam os diversos contextos de pesquisa e que devem ser explicados ao longo da construção da metodologia.
Com referência aos enquadramentos, não existe método específico de pesquisa e construção, visto que o quadro varia de acordo com o contexto específico que se pretende compreender. Como resultado disso, é possível elaborar enquadramentos relacionando os níveis de organização de grupos e não apenas as estruturas cognitivas ou esquemas mentais (SNOW, 2004).
Matthes (2012) afirma que, em campos interdisciplinares, como é o caso da Perspectiva de Enquadramento, há muita fragmentação quanto às formas de desenvolvimento dos estudos. Contudo o fato pode apontar para crescimento da abordagem e, ao mesmo tempo, demonstra que os estudiosos talvez estejam agindo isoladamente, ignorando estudos paralelos. O autor explica que, para ter a compreensão de um quadro geral de dado processo político é necessário ter uma única situação, mas analisar todos os atores envolvidos - movimentos, população em geral e mídias - no período de tempo necessário.
A elaboração de quadros permite a organização do que se pode ver no dia a dia, pois os quadros são parte da realidade. A interpretação resulta da visão de quem realiza o enquadramento, podendo destacar alguns aspectos da realidade em detrimento de outros (BORAH, 2011). Vreese (2012) sugere que as pesquisas de enquadramento não façam escolhas definitivas sobre o design das pesquisas, mas permitam que os questionamentos orientem o design dos quadros, ou molduras, que apresentam as imagens dos contextos analisados. Borah (2011) sugere que as pesquisas de enquadramentos não foquem apenas as questões específicas de seu interesse, mas que colaborem com a descrição do processo como forma de colaborar com o crescimento e amadurecimento da teoria.
Em termos de métodos, Carragee e Roefs (2004) afirmam que os estudos utilizem múltiplos métodos, entre os quais etnografia, grupos focais, análise do conteúdo, análise do discurso e pesquisas de opinião. Assim, como escolha metodológica para este estudo, indica-se a netnografia, que, conforme a próxima seção, está alinhada à perspectiva de enquadramento e é a mais adequada para pesquisas sociais no ciberespaço, entre as poucas metodologias aplicáveis aos estudos sociais na internet.
6. METODOLOGIA
Neste estudo são adotados métodos e técnicas da pesquisa qualitativa, que se originou da Antropologia e depois se estendeu para a Sociologia e a Psicologia, entre outras áreas da ciência. O surgimento se deu quando os antropólogos entenderam que os dados pesquisados deveriam ser interpretados e não quantificados (MARCONI; LAKATOS, 2007). Assim, a pesquisa qualitativa se destacou como uma possibilidade de compreender relações entre variáveis sociais, processos dinâmicos vivenciados por grupos sociais e, de forma mais aprofundada, os comportamentos das pessoas (RICHARDSON et al., 2011).
O método qualitativo é ainda mais útil e poderoso quando o pesquisador o utiliza para descobrir como os indivíduos pesquisados veem e percebem o mundo (McCRACKEN, 1988). Portanto, “além de ser uma opção para o investigador, a escolha do método qualitativo justifica-se, sobretudo, por ser uma forma adequada para entender a natureza de um fenômeno social”, já que possibilita compreender situações e significados de forma mais apurada (RICHARDSON et al., 2011, p.79).
Em pesquisas de cunho qualitativo, “não se admitem regras precisas, como problemas, hipóteses e variáveis antecipadas”, mas uma estruturação prévia mínima para que o pesquisador possa se orientar no contexto estudado, como planejamento cuidadoso e embasamento teórico (MARCONI; LAKATOS, 2007, p.271). Apesar de o pesquisador ter liberdade na seleção de métodos e teorias, deve ter coerência no trato dos dados e nas análises (MARCONI; LAKATOS, 2007).
Neste contexto de pesquisa, pela necessidade de trabalhar com dados de forma qualitativa, apresenta-se, na sequência, uma discussão acerca do método selecionado.
6.1 Método
No caso específico deste estudo, que trata de grupos sociais na internet, vários métodos e técnicas estão sendo desenvolvidos ou adaptados a novos contextos relacionais da sociedade, visto que o crescimento do hábito de usar sites de redes sociais virtuais, blogs, fóruns,
podcast, videocast, comunidades de photosharing e mundos virtuais fez a internet se tornar importante espaço de pesquisa (BOWLER JR, 2010).
Desde o momento em que a internet permitiu às pessoas se relacionar em um ambiente virtual, perguntas (Quem? Como? Onde? Por quê? O quê?) passaram a exigir nova forma de estudo para compreender contextos e responder a dúvidas que a nova dinâmica social impõe. Portanto a netnografia surgiu para tornar possível o estudo de diferentes contextos sociais virtuais, tanto para analisar a formação de grupos de consumo e do surgimento de vínculos emocionais quanto para compreender formação de comunidades, costumes e socialização (GEBERA, 2008).
A netnografia constitui uma aplicação da Etnografia para compreensão de experiências na internet, em especial por meio do estudo dos hábitos dos usuários (GEBERA, 2008). De acordo com Kozinets (1998; 2002), é uma adaptação da tradicional etnografia para o ambiente da internet, sendo virtual o local de trabalho.
Como grande parte dos pesquisadores da área considera que a netnografia é uma aplicação da etnografia adaptada para estudos na internet, faz-se necessário recorrer à conceituação antes de explicar o método.
6.1.1 Etnografia
O método etnográfico constitui a “análise descritiva das sociedades humanas” feita com o objetivo de “conhecer melhor o estilo de vida ou a cultura específica de determinados grupos”. Mas o pesquisador deve iniciar a pesquisa como participante, sem preconceitos, para buscar “entender o sistema de significados dos indivíduos ou grupos”. Como este tipo de pesquisa busca significações, não se permite formulação antecipada de hipóteses (MARCONI; LAKATOS, 2007, p.273).
A pesquisa etnográfica se originou na Antropologia, “sendo utilizada tradicionalmente para a descrição dos elementos de uma cultura específica, tais como comportamentos, crenças e valores, baseada em informações coletadas mediante trabalho de campo” (GIL, 2010, p.40). O método se desenvolveu à medida que os antropólogos reconheciam que todas as sociedades são afetadas por ações dos governos e por organizações privadas:
more and more researchers both within and outside the discipline of anthropology have begun to recognize that ethnography is a particularly valuable method of research because it problematizes the ways that individuals and groups constitute and interpret organization and societies on a daily interactional basis
(SCHWARTZMAN, 1993, p.3).
Na etnografia, os pesquisadores vão a campo para aprender sobre uma cultura, mas mergulhado nela, observando o que as pessoas dizem e fazem, bem como o conhecimento, comportamento e artefatos que compartilham entre si. Desse modo, é possível compreender as rotinas dinâmicas que constituem as estruturas sociais e organizacionais (SCHWARTZMAN, 1993). De forma sucinta, pode-se definir a etnografia como um tipo de método útil para a compreensão do “homem e seu contexto sociocultural” (OLIVEIRA, 2010, p.73). Portanto o foco da pesquisa é a compreensão e a análise das pessoas no seu próprio ambiente.
Em função disso, “a etnografia leva a um entendimento empático de uma cena social”, demandando engajamento e eliminação de preconceitos dos pesquisadores nos novos ambientes em que se inserem para as pesquisas (MAY, 2004, p.177).
Destaca-se também o seguinte:
etnografia significa literalmente a descrição de um povo. É importante entender que a etnografia lida com gente no sentido coletivo da palavra, e não com indivíduos. Assim sendo, é uma maneira de estudar pessoas em grupos organizados, duradouros, que podem ser chamados de comunidades ou sociedades. O modo de vida peculiar que caracteriza um grupo é entendido como a sua cultura. Estudar cultura envolve um exame dos comportamentos, costumes e crenças aprendidos e compartilhados do grupo (ANGROSINO, 2009, p.16).
A etnografia não é um método subjetivo nem objetivo, mas interpretativo, realizado por pesquisadores que procuram mediar dois “mundos” distintos e suas culturas (AGAR, 1986). É importante destacar que “as pesquisas etnográficas contemporâneas não se voltam para o estudo da cultura como um todo”, mas para os estudos de unidades menores, não se valendo apenas “das técnicas de entrevista e de observação, mas também da análise de documentos, de fotografias e filmagem” (GIL, 2010, p.40-41). Com o passar do tempo, a Etnografia passou a ser empregada em estudos de maior complexidade de elementos informativos, buscando adentrar questões mais profundas dos grupos.
Nas pesquisas etnográficas, não existe preocupação em definir uma amostra representativa da população. As escolhas dos pesquisados são feitas de acordo com critérios adotados pelo pesquisador, ao considerar que determinado grupo é indicado para fornecer informações que possibilitem responder tanto a questionamentos quanto aos contextos estudados. Mas a seleção não se encerra no início da pesquisa, pois o pesquisador pode perceber que outros indivíduos ou grupos devem compor sua amostra (GIL, 2010).
Para Angrosino (2009), a pesquisa etnográfica pode ser realizada com um misto de observação, entrevistas e análise de arquivos, contudo é preciso equilibrar as técnicas. Os etnometodólogos buscam “explicar como o sentido de realidade de um grupo é construído, mantido e transformado” (ANGROSINO, 2009, p.25). Porém os estudos etnográficos não podem predizer o futuro, pois não há clareza dos caminhos a percorrer, nem do lugar ao qual se chega por meio deles (AGAR, 1986).
O método etnográfico tem por base pesquisas de campo realizadas por pesquisadores que observam os contextos e deles participam. E é multifatorial, já que exige duas ou mais técnicas de acessar os dados, requerendo compromisso de trabalho a longo prazo. Além disso, é indutivo, holístico e dialógico (ANGROSINO, 2009).
Afirma Angrosino (2009):
os especialistas em estudos culturais estão preocupados antes de tudo com textos culturais, instituições como os meios de comunicação, e manifestações da cultura popular que representam convergências entre história, ideologia e experiências subjetivas (ANGROSINO, 2009, p.28).
O termo etnometodologia tem a origem no estudo de Harold Garfinkel, da década de 1940, e nomeia uma metodologia cujo objetivo de análise e estudo é este:
as atividades cotidianas dos membros de uma comunidade ou organização, procurando descobrir a forma como elas as tornam visíveis, racionais e reportáveis, ou seja, como eles as consideram válidas, uma vez que a reflexividade sobre o fenômeno é uma característica singular da ação (HAGUETTE, 2011, p.48).
A etnometodologia tem por base a reflexividade da interação humana, “que significa que as pessoas interpretam ações significativas (tais como palavras, gestos, linguagem corporal, uso de espaço e tempo) de forma a manter uma visão compartilhada de realidade”, e a indexação da informação, “que significa que ela tem significado dentro de um contexto específico, sendo importante então conhecer as biografias dos atores em interação” (ANGROSINO, 2009, p.25) A observação participante é uma das técnicas mais comuns na pesquisa qualitativa (MARCONI; LAKATOS, 2007). De acordo com Richardson et al. (2011), a considerável predominância desta técnica se justifica por levar a compreender complexidades de um problema. Também a pesquisa documental pode ser útil para entendimento dos contextos estudados. Tomando especificamente o caso das pesquisas etnográficas, Gil (2011) considera que a observação participante e as entrevistas em profundidade são as técnicas mais recomendadas.
Retorna-se às conceituações da netnografia, especialmente para realizar comparações entre métodos e criar a base metodológica na qual este estudo se desenvolve.
6.1.2 Netnografia
É um método de pesquisa sobre culturas presentes na internet que se desenvolveu, inicialmente, para compreensão de mercados consumidores por meio da adaptação de metodologias qualitativas (KOZINETS, 1998). Ela se baseia na perspectiva de processos interpretativos para analisar práticas e outros elementos da cibercultura, como a comunicação. Baseia-se também na investigação e compreensão das relações sociais e interações virtuais como resposta à intermediação tecnológica (GEBERA, 2008).
Outros nomes são dados à etnografia aplicada a estudos na internet, mas o conceito permanece. Entre os principais, destacam-se etnografia virtual (AMARAL; NATAL; VIANA, 2008), etnografia digital (NOVELI, 2010), etnografia na internet (KOZINETS, 2002), ciber- etnografia (WARD, 1999), pesquisa baseada na web ou web-based research (MKONO, 2011). Neste estudo, adota-se a forma mais comum na bibliografia consultada: netnografia, utilizada por Kozinets (2002), um dos precursores e propagadores da metodologia.
A netnografia se desenvolveu desde a década de 1990 (SANDLIN, 2007). Quanto ao nome, a origem está em um desafio metodológico, conforme explica Braga (2006):
O neologismo “netnografia” (nethnography = net + ethnography) foi originalmente cunhado por um grupo de pesquisadores/as norte americanos/as, Bishop, Star, Neumann, Ignacio, Sandusky & Schatz, em 1995, para descrever um desafio metodológico: preservar os detalhes ricos da observação em campo etnográfico usando o meio eletrônico para “seguir os atores.” (BRAGA, 2006, p.4).
No início, os dados eram, exclusivamente, elementos textuais coletados em grupos de discussões e e-mails. Com o desenvolvimento da internet, foram utilizados também elementos visuais e sonoros (KOZINETS, 1998). Em 1998, Kozinets previa que, em futuro próximo, os dados poderiam ser coletados com gravações de encontros mediados por teleconferências, o que é factível nos dias de hoje.
Em virtude dessa e outras diferenças, Amaral, Natal e Viana (2008) discordam de autores que afirmam ser a netnografia apenas uma aplicação do método etnográfico em ambientes de mídia e relacionamento pela internet. Para as autoras, é um método qualitativo que se desenvolveu da etnografia e que expandiu o leque epistemológico em estudos de cibercultura e de comunicação, com técnicas que possibilitam ao pesquisador efetuar contatos intrassubjetivos com os objetos estudados.
Para Kozinets (2002), a diferença mais clara entre os dois métodos é que o netnográfico possibilita o estudo de grupos e culturas on-line, partindo da observação do discurso textual e trabalhando com a identidade duvidosa dos pesquisados. Diante disso, o autor mostra que, na etnografia, o pesquisado apresenta uma identidade mais autêntica e está mais próximo do pesquisador, devido ao contato face a face. Noveli (2010) defende ideia semelhante, acrescentando as possibilidades de pesquisas etnográficas em dois contextos:
os mundos, on-line e off-line, não são necessariamente realidades separadas – mundo real versus mundo virtual – mas podem ser considerados um continuum da mesma realidade. De tal forma, o pesquisador deve desenvolver técnicas que o permita analisar esse continuum. Nesse sentido, é interessante notar que, dentre as comunidades ou os grupos que um pesquisador viria a estudar, pode-se destacar os puramente virtuais, ou seja, que são socialmente criadas no ambiente virtual; as que são construídas tanto on-line quanto off-line; e as que são construídas puramente off-line, ou seja, no ambiente físico (NOVELI, 2010, p.109).
Portanto é possível e, muitas vezes, desejável que o pesquisador desenvolva uma etnografia que integre o método tradicional com a netnografia. Por um lado, a comunicação pela internet proporciona rapidez e acessibilidade; por outro lado, difere da comunicação face a face. Com isso, a análise das duas formas de comunicação possibilita acesso a mais detalhes sobre a identidade dos pesquisados (SADE-BECK, 2004). Mas podem ocorrer dúvidas quanto à aplicabilidade e aos usos desta metodologia, motivo pelo qual tem de haver esclarecimentos.