• Sonuç bulunamadı

1.3. Sinema Ve İmaj Oluşumunda Sinemanın Rolü

1.3.2. Amerikan Film Endüstrisi: Hollywood

A análise de dados em pesquisa qualitativa baseia-se em processos e procedimentos que encaminham o pesquisador para maior compreensão dos contextos estudados nas pesquisas, visto que “a interpretação de dados é o cerne da pesquisa qualitativa” (FLICK, 2004, p.188). Contudo a utilização de métodos de análise qualitativos foi vista por muito tempo de forma limitada como sendo um complemento para o desenvolvimento das pesquisas estatísticas. Apesar disso, estes métodos evoluíram e passou-se a perceber que contribuem com as pesquisas qualitativas de forma muito mais ampla, em especial no fornecimento de insights, bem como em explicações e teorias relacionadas ao comportamento social (RITCHIE; SPENCER, 1994). Para que resultados como esses sejam alcançados, “em pesquisas qualitativas, as grandes massas de dados são quebradas em unidades menores e, em seguida, reagrupadas em categorias que se relacionam entre si, de forma a ressaltar padrões, temas e

conceitos” (MARTINS; THEÓFILO, 2009, p.142). Conforme se vê adiante, a preocupação com o tratamento e interpretação dos dados é o fator que leva à formulação de métodos e procedimentos de análise qualitativos.

As análises qualitativas ocorrem em diferentes níveis de clareza, abstração e sistematização, podendo até estar implícitas no início do processo de pesquisa, quando o pesquisador percebe uma ação e, ao final da investigação, quando o pesquisador se detém nos níveis baixos ou altos de análise de acordo com a complexidade em estudo. Além disso, este tipo de análise se destaca por requerer uma percepção aguçada por parte do pesquisador, que é mediada pela linguagem e experiência (STRAUSS, 1987).

Na prática, a partir do discurso dos pesquisados torna-se possível compreender situações que vão além da interação pesquisador/pesquisado. Mas isso não quer dizer que os relatos dos pesquisados sejam tratados como verdadeiros de forma cega, pois o processo é uma tentativa racional de reconstrução de fatos, sobre o que pode e o que não pode ser considerado. De modo geral, o pesquisador “se limita a enunciar a realidade de uma espécie de matriz interna ao indivíduo que a análise do material qualitativo se esforça por pôr a claro a partir destas manifestações” (MAROY, 1997, p.127).

Portanto a análise qualitativa de dados assemelha-se às técnicas clássicas de análise de conteúdo, podendo servir para fins estritamente descritivos ou para fins de verificação de hipóteses (MAROY, 1997, p.120). Ritchie e Spencer (1994) explicam sobre a análise qualitativa de dados:

is essentially about detection, and the tasks of defining, categorizing, theorizing,

explaining, exploring and mapping are fundamental to the analyst’s role. The

methods used for qualitative analysis therefore need to facilitate such detection, and to be of a form which allows certain functions to be performed. These functions will vary depending on the research questions being addressed, but, certainly in applied policy research (RITCHIE; SPENCER, 1994, p.176).

Os procedimentos e métodos de análise qualitativa são múltiplos, já que os objetivos de pesquisa, objetos de análise e pressupostos teóricos, bem como demais fatores contingenciais, levam os pesquisadores a formular métodos próprios que atendam às especificidades de seus estudos, em especial quando se objetiva “contribuir para gerar uma teoria, um esquema de inteligibilidade de um campo empírico concreto” (MAROY, 1997, p.117).

Maroy (1997) defende que, ao operacionalizar um processo de análise qualitativa, a atenção se concentra na descoberta de categorias de objetos, de acontecimentos, de ações ou de pessoas. Após essa etapa, o foco recai sobre a definição de propriedades específicas das categorias e a elaboração de um quadro de relações entre tais categorias. O processo

possibilita ao pesquisador elaborar três tipos de esquemas: descrição simples, descrição analítica e esquema teórico.

Descrição simples configura um esquema analítico a priori no qual o pesquisador se baseia em uma teoria existente para classificar seu material e relacioná-lo à lógica teórica. A descrição analítica se apresenta como um processo mais inovador no qual o pesquisador não se baseia em quadros de análises já elaborados, mas os constrói a partir de seu próprio material de análise, sugerindo categorias e relações por meio das descobertas indutivas de seus dados. O esquema de análise guarda relações com a sociologia compreensiva, já que se baseia na interpretação e compreensão dos sentidos de ações e situações, bem como nas suas causas e efeitos, distanciando-se de esquemas analíticos que se baseiam na adequação a quadros de categorias existentes. Os esquemas teóricos ou teorias locais são esquemas de análises mais ambiciosos que a descrição analítica e objetivam gerar teorias fundadas ou fundamentadas em dados e fatos, conceituadas como Grounded Theory. Essas teorias não são finalizadas ou definitivas, mas conjuntos iniciais de conceitos e pressupostos inacabados que continuam a ser desenvolvidos (MAROY, 1997).

De acordo com Strauss (1987), a análise qualitativa tem sua ênfase na Grounded Theory, que é uma teoria fundamentada em dados. Essa teoria se desenvolveu com base na análise de dados por codificação teórica, cujos procedimentos de análise foram introduzidos por Glaser e Strauss (1967) e depois aperfeiçoados por Glasser (1978), Strauss (1987) e Strauss e Corbin (1990).

A Grounded Theory apresenta semelhança com a indução analítica em relação ao processo de coleta de dados e à teorização. Após a coleta de dados e reflexão em relação ao direcionamento, os pesquisadores formulam categorias nas quais adequam seus dados até que sejam saturadas, ou seja, até o momento em que o pesquisador está certo dos significados e da importância dos resultados (BRYMAN; BURGESS, 1994). A saturação ocorre quando análises adicionais não contribuem para a descoberta de novidades sobre categorias de análise (STRAUSS, 1987).

Com base no trabalho de Miles e Huberman (1984), Maroy (1997) propõe uma organização básica do processo de análise qualitativa que compreende três atividades cognitivas que se mostram importantes desde a coleta de dados: redução dos dados, apresentação/organização dos dados e interpretação/validação dos resultados. A redução dos dados é parte essencial da análise e se realiza antes e durante a coleta de dados, já que é nessa etapa que se definem quais informações são pertinentes e devem ser conservadas, bem como quais podem ser

excluídas do processo de análise. A apresentação/organização dos dados (data display) é uma etapa na qual os dados brutos são apresentados de forma a permitir que deles se obtenham informações, interpretações e comparações. A interpretação/validação dos resultados é a etapa na qual o pesquisador pode conceder sentido aos dados, partindo de interpretações vagas que se tornam mais claras, à medida que o processo de análise é desenvolvido. Mas as três etapas não se apresentam como um processo linear, mas em forma de espiral, visto que se interpõem e se sucedem várias vezes durante a análise, em especial quando as dimensões analisadas são, concomitantemente, objetivas e simbólicas.

Para Martins e Theófilo (2009), as três fases de análise dos dados são: redução de dados: visa a selecionar, simplificar e transformar dados originais coletados; apresentação de dados: enfoca a organização dos dados para possibilitar ao pesquisador obter conclusões; delineamento e busca das conclusões: orientam-se para a identificação de padrões, configurações, causas e efeitos. Segue-se a etapa de validação.

Em geral, esses procedimentos levam a três formas de codificações, que se complementam e podem ocorrer simultaneamente: codificação aberta (open coding), codificação axial (axial coding) e codificação seletiva (selective coding) (STRAUSS, 1987; FLICK, 2004).

A codificação aberta tem por função apresentar dados e contextos sob a forma de conceitos, sendo normalmente aplicada na análise de textos mais complexos e obscuros para possibilitar mais compreensão. Ela possibilita detalhar o texto com a definição de trechos que são selecionados de acordo com o que se pretende investigar ou com o material disponível em função do estágio da pesquisa, entre outros fatores. A codificação axial visa a aprimorar e aprofundar a análise sobre as categorias produzidas pela codificação aberta, pela seleção das categorias mais interessantes e/ou relevantes ao pesquisador, que demandam maior aprofundamento. A codificação seletiva segue como uma continuidade da axial e por meio dela o pesquisador pode acessar maiores níveis de abstração, já que o objetivo central do procedimento é desenvolver uma categoria que englobe e integre as demais categorias criadas. Assim, é possível visualizar um caso, uma categoria central ou um fenômeno central e não apenas pessoas ou fenômenos individualizados (STRAUSS, 1987; FLICK, 2004).

A análise e interpretação de textos advindos da coleta de dados visa a alcançar dois objetivos. Um deles é a codificação dos dados para categorizá-los e o outro é a análise sequencial dos textos como forma de revelar, expor e contextualizar trechos, o que normalmente aumenta o seu tamanho (FLICK, 2004). A codificação é um processo que inclui levantamento de

questões e busca conceder respostas provisórias ou hipóteses a respeito de categorias e de relações existentes entre elas (STRAUSS, 1987).

Portanto, a análise qualitativa de dados, independentemente do tipo de esquema que se deseja elaborar, frequentemente inclui as seguintes situações e interesses de pesquisa: a) definição de conceitos, útil para compreensão de estruturas do contexto analisado, mapeamento do alcance, natureza e dinâmica do fenômeno a ser estudado; b) criação de tipologias, ou seja, categorização de diferentes tipos de comportamentos, atitudes, etc.; c) descoberta de associações entre fatores, como atitudes, experiências, comportamentos, circunstâncias e motivações; d) busca de explicações, explícitas ou implícitas, e desenvolvimento de novas ideias, teorias ou estratégias (RITCHIE; SPENCER, 1994).

De acordo com os objetivos que este estudo pretende alcançar, a análise qualitativa foi realizada conforme a proposição de Maroy (1997), pela adoção de um procedimento semi- -indutivo que compreende quatro etapas:

a) Trabalho de descoberta – etapa em que é sugerida imersão no material e aperfeiçoamento do quadro de análise, já que o objetivo é descobrir ou realizar testes sobre o fio condutor da análise, bem como reduzir o material coletado. Dessa forma é possível testar a pertinência dos dados e fatos como forma de enriquecer a análise. As principais ações a serem realizadas são: releitura do material diversas vezes; questionamento das perspectivas e das significações produzidas pelas pessoas pesquisadas, análise dos aspectos mais significativos do material, em especial os contrastantes e paradoxais em relação ao contexto analisado; aperfeiçoamento dos conceitos para nomear e categorizar as realidades descritas; seleção e comparação dos materiais com as primeiras categorias elaboradas para testá-las e afiná-las aos dados; elaboração da primeira síntese teórica e formulação de um fio condutor da análise empírica posterior. Para efetuar tais ações, o pesquisador pode se utilizar instrumentos concretos, como folhas-resumo, comentários analíticos paralelos à leitura e descoberta do material, além de sínteses sob a forma de memorando. O quadro de análise resultante serve para codificar, de forma mais sistemática, o conjunto de dados, mas é provisório, visto que pode ser corrigido em decorrência do material empírico coletado.

b) Trabalho de codificação e de comparação simultânea – etapa que configura o fim do período de observação, no qual deve haver comparação sistemática dos materiais coletados e construção de um quadro de análise bem elaborado.

c) Comparação sistemática – etapa que possibilita a redução dos dados e a apresentação, para facilitar a comparação e a elaboração de hipóteses interpretativas, favorecendo uma análise mais rica.

d) Discussão e trabalho de validação das hipóteses – etapa em que as hipóteses desenvolvidas nas etapas a e b passam por um processo mais sistemático de validação para chegar a propostas mais finas. Contudo, em virtude da sobreposição de algumas atividades da análise nas etapas anteriores, torna-se complicado criar esta etapa de forma isolada. Por isso, é vista apenas como forma de reforçar atividades importantes e evitar enviesamento das interpretações. Entre os enviesamentos que devem ser evitados estão: “enviesamento totalizador”, no qual os dados são excessivamente interpretados e se distanciam da organização que existe na realidade; “enviesamento nativo”, no qual o pesquisador é cooptado pelo contexto dos pesquisados e perde a visão do que se passa na situação pesquisada; “enviesamento elitista”, no qual é dada excessiva importância às pessoas mais informadas ou colocadas acima pela hierarquia.

Como forma de tentar evitar o enviesamento dos dados, o pesquisador deve assegurar-se da qualidade deles adotando táticas relacionadas ao maior zelo com a confiabilidade dos dados, com a validade factual das informações e com a ponderação da qualidade dos dados. Além disso, deve testar as hipóteses explicativas para avaliar a robustez das interpretações, desenvolvendo táticas que o levem a raciocinar contra si mesmo. Para isso, deve proceder a um trabalho comparativo seguido de investigação de contraexemplos e casos negativos que parecen invalidar as hipóteses, busca de significado de exceções e casos extremos e realização de testes e pesquisas de explicações alternativas (MAROY, 1997).

Em relação à especificidade deste estudo, as análises devem pautadas em diferentes tipos de informações disponibilizadas nas redes sociais virtuais, em especial textos, vídeos e imagens de diferentes tipos. Outra possibilidade para a análise dos documentos é a averiguação do “peso” das informações para os participantes das redes, que podem ser compreendidos de acordo com a extensão da propagação das informações, por compartilhamentos ou curtidas que os elementos gráficos e textuais apresentam.

As análises foram realizadas sobre as postagens dos administradores das páginas virtuais analisadas, haja vista que o foco de análise sobre os processos de organização, interação e comunicação se deu no movimento social através da organização das ações coletivas. De modo semelhante, as análises das páginas do Governo e da Mídia foram realizadas de acordo com as postagens realizadas pelos administradores de conteúdo buscando conhecer e discutir os posicionamentos assumidos através das comunicações disponibilizadas. Por meio deste tipo de análise foi possível compreender as relações e como elas moldam a ideologia e a cultura política dos membros dos movimentos, bem como a construção e organização das ações coletivas, que permitiram reconhecer os fatos motivadores, as lideranças, a distribuição de atividades, o modo como as pessoas são recrutadas e como se engajam, e outras informações relacionadas às categorias de análise apresentadas no Quadro 4 – Categorias de análise na perspectiva de enquadramento.