1.2. Türkiye ile ABD’de Polislik Mesleği Ve Polis İmajı
1.2.4. Polis İmajını Etkileyen Faktörler
Tomando por base as leituras dos clássicos da literatura sobre enquadramentos, Vliegenthart e Zoonen (2011) esclarecem que os quadros não são únicos e exclusivos, mas múltiplos e até contraditórios. Além disso, são resultado tanto de uma batalha de sentidos entre diferentes atores, que apresentam diferentes recursos simbólicos e acesso a uma multiplicidade de meios de comunicação, quanto de articulações entre o conhecimento experiencial, a sabedoria popular e o discurso da mídia.
Não se pode pensar ou classificar os movimentos como entidade unificada, mas como um campo de atores que buscam várias estratégias, em locais distintos, institucionais e extrainstitucionais. Por isso é necessário distinguir os atores, ainda que, em virtude da conveniência da linguagem, a perspectiva de enquadramento leve a um tratamento unificado dos atores. Diante disso, normalmente não é sensato falar em enquadramento de movimentos, portanto é mais interessante enquadrar processos e ações, colocando os atores em diferentes posições (GAMSON; MEYER, 1996).
Snow (2004, p.386) discute os focos que os trabalhos com enquadramentos podem ter nos movimentos sociais e propõe que as análises contemplem cinco categorias que considera mais relevantes: a) esclarecimento da arquitetura conceitual dos quadros de ação coletiva e dos processos de enquadramento; b) pesquisas empíricas que investiguem a aplicação e utilidade de análise dos vários conceitos de enquadramento; c) exploração das ligações entre os processos de enquadramento e outros fatores relevantes para a dinâmica dos movimentos sociais, como oportunidades políticas, campos discursivos, estruturas de oportunidade, mídias, etc.; d) questões metodológicas e técnicas relevantes para conduzir pesquisas de enquadramento; e) avaliações críticas da perspectiva de enquadramento.
Os estudos realizados na perspectiva de enquadramento têm se mostrado incompletos por negligenciar informações acerca das atividades cotidianas realizadas pelos participantes dos movimentos sociais. McAdam (1996) chama a atenção para a necessidade de que os estudos busquem desvendar as práticas diárias pelas quais os ativistas empreendem suas ações. Na visão do autor, torna-se necessário, para compreender completamente o significado do trabalho de um grupo, dar atenção às táticas e ações nas quais as pessoas se engajam. É em virtude disso que, para este estudo, as análises se apoiam na netnografia, para acompanhar o cotidiano do movimento em questão.
Para Williams (2004), os movimentos sociais apresentam relação muito próxima e, de certo modo, até dependente do contexto cultural no qual se desenvolvem. Por esse motivo, o autor explica que o nível de desafio imposto aos movimentos sociais, bem como os resultados alcançados por eles estão diretamente ligados ao tipo de ambiente cultural no qual se inserem. A perspectiva de enquadramento foca a relação entre três variáveis: objetos culturais, produtores culturais e receptores culturais. O foco da perspectiva enfoca, pois, a cultura e, assim como Snow (2004), Williams admite que as ações coletivas dos movimentos sociais sofrem grande influência do contexto cultural, tornando-as factíveis ou vulneráveis em razão de cada contexto.
Em virtude de tantas questões contextuais, a perspectiva de enquadramento se apresenta como um terreno amplo e amorfo, mas permite criar um sentido de mundo, além de prover modos alternativos para o comportamento. Também possibilita compreender os repertórios de contenção e de organização, que incluem a organização de diversas formas de manifestações, como organização de marchas, construção de barricadas, rupturas não violentas. Rupturas e contradições culturais devem ser analisadas, dada sua importância para a formação e o desenvolvimento dos movimentos sociais (ZALD, 1996).
Segundo Snow (2004, p.384), com visão diferente da mais tradicional, que enxerga ideias e crenças pré-configuradas, a perspectiva de enquadramento enxerga os movimentos como “agents engaged in the production and maintenance of meaning for protagonists, antagonists, and bystanders”. Os bystanders, como já foi explicado, são indivíduos que acompanham os movimentos como expectadores, de forma passiva, “de fora”, sem participações efetivas, mas que, em dado momento, podem decidir entrar no movimento de forma ativa.
Para Gamson (2004), a opinião pública existe como uma força independente com a qual os líderes devem lidar, seja de forma positiva, seja de forma negativa. Em virtude disso, o público em geral e os bystanders são impactados por informações que, em dado momento, podem ser úteis para o alcance dos objetivos dos movimentos. Os principais enfoques dados pelas organizações dos movimentos sociais são estas arenas: da mídia, pública, eleitoral e governamental. As quatro arenas compõem a dimensão externa aos movimentos, para a qual os atores dos movimentos direcionam seus esforços com a intenção de compartilhar informações com um público maior e mais diverso, por meio de repórteres, líderes de organizações não governamentais, líderes partidários, eleitores, entre outros (McCARTHY; SMITH; ZALD, 1996).
Para compreensão dessas arenas, é válido realizar uma breve explicação. A arena da mídia apresenta acesso de dificuldade intermediária, sendo mais acessível que as arenas eleitoral e governamental e menos acessível que a arena pública. A principal vantagem dessa arena é que os atores dos movimentos buscam, de forma estratégica, alcançá-la para poder acessar as demais. A arena pública é aquela na qual várias organizações civis competem para persuadir as pessoas a atentar para a importância de suas questões, em especial buscando recrutar colaboradores. A arena eleitoral é o campo das negociações de apoio político às causas defendidas pelos movimentos. A arena governamental é aquela que pode possibilitar apoio estrutural aos movimentos, além da possibilidade de inserir suas demandas nas agendas de compromissos públicos (McCARTHY; SMITH; ZALD, 1996).
Morris e Staggenborg (2004) defendem a utilização dos enquadramentos nos estudos de movimentos sociais, mas criticam a forma como têm sido realizados, pois muitas vezes não consideram os líderes, que assumem importante papel nas ações coletivas e, por sua vez, na formulação da ideologia e da cultura dos grupos. Para os autores, alguns autores pecam por considerar os líderes como mais um fator nos enquadramentos, quando deveriam ser os principais analisados, já que normalmente são os mais engajados nas ações coletivas. Além disso, é preciso considerar que os líderes podem ter passado por outros movimentos ou fases nos quais exerciam outras formas de participação, até se tornarem líderes, um fato que possibilita esclarecer o desenvolvimento das pessoas nos movimentos. Os líderes influenciam e são influenciados pela organização e pelo contexto, portanto tipos diferentes de organização “produzem” tipos diferentes de líderes. Além disso, Morris e Staggenborg (2004) acrescentam que tipos diferentes de líderes podem dominar estágios diferentes do desenvolvimento dos movimentos, o que, em alguns casos, pode permitir que surjam conflitos.
Portanto é necessário discutir a importância da liderança para os movimentos sociais. Algumas das teorias têm sido negligentes quanto ao estudo do papel dos líderes, ao focar exclusivamente seus temas de análise, como abordagem de processos políticos, destacando a estrutura de oportunidades políticas e deixando de lado a ação humana. Por conseguinte, há necessidade de estudar os líderes por considerar que fazem diferença nos contextos estruturais, em especial na relação entre oportunidades e estratégias dos movimentos. A importância do papel dos líderes está nas suas experiências e origens, tradições culturais e redes sociais, que possibilitam obter seguidores e iniciar os processos necessários para os movimentos sociais (MORRIS; STAGGENBORG, 2004).
Carragee e Roefs (2004) fazem crítica à negligência apresentada por muitos estudos de enquadramentos, ao deixar de considerar o contexto de poderes políticos e sociais. Para os autores essa negligência é resultado de uma série de fatores, como inadequação conceitual da perspectiva de enquadramento, falhas ao examinar as disputas políticas no contexto político e social e redução dos quadros aos efeitos da mídia.
Apesar desasas críticas, os estudos de enquadramentos têm focado a interação entre diversos atores, tendo em vista que normalmente são analisados contextos sociais com trocas de informações em que é interessante a observação não só de uma, mas das várias partes que formam uma relação analisada, visto que os contextos guardam codependência entre os atores. No caso de pesquisas que focam comunicações políticas, faz-se necessário compreender as dinâmicas organizativas dos defensores políticos e as dos representantes da mídia (VREESE, 2012).
Além do desenvolvimento do sistema político, o desenvolvimento da própria democracia de forma inclusiva deve ocorrer com base na análise dos fluxos de informações que permitem realizar discussões na esfera pública. Tanto essa esfera quanto o sistema político são impactados pelos fluxos midiáticos, que ocorrem em duas direções, tanto dos discursos políticos que buscam legitimação, quanto das manifestações das demandas de atores que buscam se inserir no contexto político (PEREIRA, 2011).
Slothuss e Vreese (2010) defendem que o processamento de informações políticas por parte da opinião pública deve ser considerado, e não apenas a explicação psicológica, em razão da influência que os enquadramentos políticos geram sobre a opinião pública e, em especial, sobre os quadros patrocinados por partidos políticos. Entre as possibilidades de estudo a serem utilizados nos enquadramentos destacam-se entrevistas e pesquisas com jornalistas e editores das mídias, com membros de grupos de ativistas, com gestores de campanhas políticas, com patrocinadores dos movimentos (BORAH, 2011).
Elemento-chave para a compreensão dos quadros de ações coletivas, que tem sido exaustivamente apresentado na literatura, é a mídia, ou seja, diversos aspectos acerca de seus interesses, profissionais e influência. Trabalhar com enquadramentos da ação coletiva pode ocorrer com informações da mídia e depois com as experiências das pessoas, ou vice-versa. A ordem da análise depende da proximidade do assunto para as pessoas e do grau de liberdade para tratá-lo de forma não científica ou mais popular (GAMSON, 1992).
Gamson (1992) discute, em “Talking Politics”, a influência política da mídia sobre a sociedade, ao caracterizar os movimentos sociais, criando enquadramentos que condizem com a ideologia dos jornalistas ou com interesses diversos que são representados e defendidos por meio dos discursos que veiculam. Na mesma linha, Zald (1996) defende que a mídia não só informa, mas apresenta o propósito de responder aos desejos dos controladores e às demandas do mercado. Matthes (2012) reforça essa tese e sugere que análises de questões políticas sejam relacionadas à mídia, já que fazem parte de um todo, enquanto análises focadas em apenas um ou outro lado podem limitar o estudo.
A mídia de massa age como divulgadora de informações, para permitir que o público as acesse, mas exerce importante papel, ao espalhar novos usos de linguagem e atuar como parte na formação de consciência política. Além disso, Matthes (2012) considera que os jornalistas podem articular interesses simbólicos e agir em função de seus próprios direitos nos sistemas de mediação. Obviamente, ao negligenciar seu papel de distribuidora de informações ou mesmo deturpá-lo, a mídia de massa, de certa forma, impacta os movimentos sociais. É por esse motivo que a mídia, engajando-se ou não nos movimentos, não pode ser ignorada nas análises. E as redes sociais virtuais, servindo como alternativa midiática, podem prover um espaço alternativo para a divulgação de informações e colaboração, com a formação de consciência política, sem fugir aos interesses dos movimentos e de seus líderes (GAMSON, 2004).
Klandermans e Goslinga (1996) esclarecem que os representantes da mídia de massa manipulam informações e transformam a realidade de acordo com os princípios que regem seus trabalhos:
mass media do not transmit information without transforming it. Space limitations alone introduce selectivity in the production of media discourse. Mass media select and interpret available information according to principles that define news value. In so doing they produce a transformed reality which diverges from the reality as a social actor defines it (KLANDERMANS; GOSLINGA, 1996, p.320).
Obviamente, tentando encontrar meios de comunicação sem manipulações da mídia de massa, muitas organizações de movimentos recorrem à criação e estruturação de canais próprios. Contudo, nesses espaços também podem ocorrer manipulações das informações, mas a favor dos movimentos. Muitas ações podem ocorrer nesse sentido, como no caso citado por Klandermans e Goslinga (1996): a organização de um grupo sindical usava um jornal como forma de comunicação e nele utilizava linguagem emocional para, aparentemente, gerar indignação e raiva nos trabalhadores em relação aos políticos.
Ressalta-se, para os movimentos sociais, a importância da mídia, que, por um lado, se apresenta como arena na qual há um tipo de competição simbólica e, por outro lado, se apresenta com papel central na construção de sentidos e na reprodução da cultura. De qualquer modo, a mídia é um importante elemento a ser analisado, já que pode permitir o acesso dos movimentos a espaços políticos e diferentes oportunidades (GAMSON; MEYER, 1996).
De acordo com Carragee e Roefs (2004), os estudiosos dos movimentos sociais podem construir quadros das ações coletivas e buscar compreender como os participantes, as elites e as mídias enquadram a mesma situação. Os discursos das mídias de massa são moldados e organizados por uma ideia ou enquadramento (GAMSON, 1992). Mas se conclui que isso pode ser assumido para outras mídias e, em especial, para as redes sociais virtuais utilizadas como veículos de criação e compartilhamento de informações.
Segundo Morris e Staggenborg (2004), a mídia de massa é o maior canal através do qual os movimentos podem recrutar membros, elevar o moral dos participantes e se comunicar com o público. Por esse motivo, os autores defendem que, além de enquadrar movimentos, é necessário formular enquadramento das mídias, para melhor compreendê-los.
Mas, na época da publicação do texto de Morris e Staggenborg (2004), não havia preocupação de analisar as mídias sociais da forma como este estudo pretende. As redes sociais virtuais não se apresentavam de forma tão estruturada e latente, nem mesmo com tamanha facilidade de acesso para pessoas dos mais distintos contextos sociais. O fato permite levantar questionamentos sobre o poder quase indestrutível que a mídia de massa historicamente deteve e a forma como, nos dias atuais, tem perdido capacidade de influência sobre a sociedade.
Além do problema da “indústria da consciência” figurado pelas mídias de massa, conforme discute Gamson (1992), há outro talvez maior: a existência de um tipo de aprisionamento da comunicação. Quanto a comunicação detida, a culpa da “passividade política” sai da responsabilidade exclusiva das mídias de massa e recai sobre a estrutura de classes, que muitas vezes não permite o acesso de todos às discussões políticas, em razão de um tipo de preconceito linguístico. Portanto existe necessidade de adequação linguística para ser possível participar de discussões políticas. O fato é mais facilmente compreendido, por exemplo, com problemas disfarçados como de caráter técnico, mas muitas vezes de natureza política, que coíbem a participação em discussões de natureza predominantemente política.
Como forma de enfraquecimento desse tipo de discussão, os enquadramentos podem propiciar um meio de construção dos sentidos e entendimentos sobre política a pessoas que, de alguma forma, se relacionam e agem pelas redes sociais virtuais, que se apresentam como instrumento de facilitação para acessar grupos envolvidos com movimentos sociais e discussões de questões políticas.
A elaboração de enquadramentos das mídias sociais, no caso das Redes Sociopolíticas Virtuais, pode ser útil para compreender ações coletivas dos movimentos sociais que, de alguma forma, se situam no ciberespaço, propiciado por essas mídias. O mais importante no contexto deste trabalho, entretanto, é mostrar que as redes sociais virtuais, quando apropriadas e utilizadas por movimentos sociais, podem ser valioso instrumento de veiculação de ideologias, de mobilização e de organização para ações coletivas.
No contexto há uma série de contornos possíveis para estudos realizados nessa perspectiva, de estudos que buscam comparar ações de um grupo ao longo do tempo ou ações realizadas em vários contextos culturais a estudos que buscam averiguar a presença de temas que guiam ações, frequências e distribuição nos movimentos, bem como estudos que considerem os quadros de coletividade em diferentes contextos sociais (WILLIAMS, 2004).
Como sugestão, na perspectiva de enquadramento, Zald (1996) apresenta algumas possibilidades de pesquisa, entre as quais estão destacadas as três que mais se relacionam aos objetivos deste trabalho: a) construção cultural – análises sobre incorporações culturais e transformações dos quadros e imagens dos movimentos sociais; b) ação estratégica – análises comparativas de ações empreendidas em contextos e sociedades distintos; c) processos midiáticos – análises de mídias e informações, de controles e ausência de controles.
O Quadro 4 organiza as principais categorias de análise elencadas na discussão, considerados os autores que defendem a perspectiva de enquadramento.
Quadro 4 - Categorias de análise na perspectiva de enquadramento
Categorias analíticas Autores
Comunicação Borah (2011).
Construção Social de Significados e Sentidos
Gamson (1992); Carragee e Roefs (2004); Snow (2004); Williams (2004); Vliegenthart e Zoonen (2011).
Ideologia Snow (1996); Snow (2004); Williams (2004). Cultura e Símbolos Zald (1996); Rousseau (2003); Snow (2004);
Williams (2004). Experiências Pessoais Gamson (1992).
Relações de Poder Carragee e Roefs (2004); Vreese (2012). Quadros Estratégicos de Ação Zald (1996); Snow (2004); McAdam (1996). Práticas Diárias e Repertórios de
Contenção e de Organização
McAdam (1996); Zald (1996). Distinção de Atores, Papéis e
Contextos
Gamson e Meyer (1996); McCarthy, Smith e Zald (1996); Carragee e Roefs (2004); Gamson (2004); Slothuss e Vreese (2010); Vreese (2012).
Lideranças Morris e Staggenborg (2004).
Mídia Gamson (1992); Gamson e Meyer (1996);
Klandermans e Goslinga (1996); Slothuss e Vreese (2010); Vreese (2012).
Fonte: Elaborado pelo autor, 2015.
Há, porém, preocupação com a maneira de lidar metodologicamente com tamanha complexidade, com tantos atores e contextos envolvidos. Por essa razão, na próxima subseção são apresentadas possibilidades metodológicas e encaminhamentos para os estudos no campo dos movimentos sociais e, posteriormente, a metodologia utilizada neste estudo.