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Tüketim Alanları Olarak Kentsel Mekânlar

1.5. Küresel (leşen) Kent Söylemi

2.1.3. Tüketim Alanları Olarak Kentsel Mekânlar

Além das medidas socioeducativas, o ECA (art. 98) prevê também medidas de proteção à criança e ao adolescente. São medidas aplicáveis sempre que os direitos reconhecidos no Estatuto sejam ameaçados ou violados, sendo desempenhadas principalmente pelos Conselhos Tutelares. Essas medidas são determinadas não mais na esfera dos tribunais, conforme a legislação anterior, mas nos bairros, próximos à população, sob a responsabilidade de cidadãos, conhecidos como Conselheiros Tutelares. Nesses casos, os Conselhos Tutelares podem decidir pela aplicação das medidas de proteção, já que seus membros gozam de proteção legal e suas decisões têm força judicial, “só podendo ser revistas por um tribunal”.

Como já discutimos em outro momento deste estudo, o ECA é uma legislação ampla sobre os direitos de todas as crianças e adolescentes. Ele atinge, além das instituições de assistência, todos os serviços de atendimento ao segmento infanto-juvenil, no Brasil. Como afirmam Gregori e Silva (2000, p. 99):

Com o estatuto, antigos conflitos ganharam novos contornos e surgiu a necessidade de redefinição dos papéis e perfis dos atores envolvidos com as políticas do setor. Essa redefinição implicou a redistribuição de recursos materiais e políticos,

passando necessariamente pelo jogo de interpretações acerca das novas funções de cada um dos atores do campo.

Assim, os Conselhos Municipais e Conselhos Tutelares passaram a ocupar uma posição destacada nesse jogo, já que sua criação redimensionou uma série de atribuições exercidas anteriormente por outros órgãos. Os conselhos ficaram com a responsabilidade de, não só participar da elaboração das políticas para o setor, mas também fiscalizar os órgãos e ações responsáveis pelo atendimento. Dessa forma, exceto as situações que envolvam litígios, todas as demais ficaram a cargo de representantes da sociedade.

O Conselho Tutelar, por sua vez, abrange uma região específica do município, sendo definido no ECA (art. 131) como um “órgão permanente e autônomo, não jurisdicional, encarregado pela sociedade de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente”. Os conselheiros são escolhidos pela comunidade e suas decisões só podem ser revistas por uma autoridade judiciária, desde que provocada.

Entre outras funções, o Conselho Tutelar aplica medidas de proteção a crianças e adolescentes; aconselha os pais ou responsáveis; requisita serviços públicos como vagas em escolas, creches, hospitais; assessora o poder executivo local na elaboração da proposta orçamentária para planos e programas de atendimento dos direitos da criança e do adolescente e fiscaliza as entidades governamentais e não-governamentais de atendimento. E aí entra em cena o importante papel de um novo ator – o Conselheiro Tutelar, com uma função cujo exercício constitui “serviço público relevante”, estabelece “presunção de idoneidade moral” e assegura “prisão especial, em caso de crime comum, até julgamento definitivo”. Neste último caso, quando os conselheiros tutelares, a exemplo de alguns outros segmentos da sociedade, são beneficiados pelo direito à “prisão especial” (art. 135, do ECA), talvez seja oportuno registrar aqui que, mesmo no âmbito de uma dinâmica que cria instituições emancipatórias, ainda findam surgindo alguns institutos de privilégios, reproduzindo vícios intoleráveis na compreensão da sociedade, que nem sempre encontra justificativas plausíveis para semelhantes atitudes.

Para efetivação desses propósitos, o Conselheiro Tutelar é o novo personagem que, legitimamente, vem cada vez mais ocupando espaço no cotidiano das cidades brasileiras, com a finalidade de desenvolver ações de defesa dos direitos de todas as crianças e adolescentes, no seu âmbito de atuação.

Na atualidade, a sua presença e o seu papel parecem ainda muito pouco compreendidos, e não raro desconhecidos, embora seja ele escolhido em concorrido processo

eleitoral. A sua escolha, mesmo que já envolva traços de competição entre os interessados, ainda é feita por um número ainda restrito de votantes. Apesar de tratar-se de uma função pública relevante, o seu desempenho ainda enfrenta resistências de natureza diversa. Por outro lado, também se constatam importantes limitações quanto ao perfil dos conselheiros, os quais, com freqüência, são levados a desempenhar suas atividades sem formação adequada, sem clareza de suas atribuições e sem que tenha expressiva inserção na vida do município ou comunidade onde atua.

Atualmente, de 5.564 municípios brasileiros, 1.221 não têm Conselho de Direitos; e 1.849 não têm Conselhos Tutelares. No Rio Grande do Norte, a situação se modifica bastante haja vista que praticamente 100%, dos 167 municípios, contam com Conselhos de Direitos e Conselhos Tutelares. A questão maior aqui é quanto à “insuficiência das condições de funcionamento” dos Conselhos, bem como “a ingerência política” na escolha dos membros dos Conselhos, o que pode comprometer sua efetiva representatividade.

Grande parte dos municípios tem dado apoio à atuação dos seus conselheiros municipais, todavia, ao que consta, são muitos os que enfrentam dificuldades e vêm funcionando de forma precária, o que pode comprometer a própria credibilidade do ECA que consegue ser, ao mesmo tempo, desconhecido e criticado, sendo visto muitas vezes como “uma lei demasiadamente liberal ao propor direitos, e não definindo responsabilidades ou punições”. Isto, na verdade, se constitui verdadeiro equívoco, pois, a nosso ver, dentro de um processo de construção de um novo paradigma para essa área, os conselhos constituem espaços necessários para o estabelecimento de novos mecanismos de ação política para assegurar os direitos fundamentais previstos no ECA.

É oportuno ressaltar que, em geral, os Conselhos Tutelares enfrentam sérias dificuldades no seu funcionamento, como questões ligadas à escolha e à formação dos conselheiros, à disponibilidade de tempo desses conselheiros, à sua motivação para o trabalho, ao valor e à forma de remuneração, às condições de trabalho, à ingerência política, além de questões outras ligadas à sua autonomia. Analisando a situação dos Conselhos Municipais de Direitos da Criança e do Adolescente, Martins (2006, p. 194) afirma que eles “sofrem dificuldades para se firmar e implementar suas atribuições. Dentre as mais comuns, é possível apontar dificuldades materiais, políticas, organizacionais e obstáculos próprios do contexto político e do seu processo de criação”. Dentre essas dificuldades, destaca a falta de condições materiais para instalação, falta de espaço físico, telefone; e afirma que “em alguns casos, o próprio poder executivo municipal ignora as suas deliberações e também lhe oferece

resistência, apresentando obstáculos ao seu funcionamento, inclusive tentando impor condições ilegais à escolha da presidência do Conselho”.

Aspectos dessa realidade puderam ser confirmados junto a técnicos do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente, em Natal. Na mesma direção, a presidente do CONANDA, Carmen Oliveira, em entrevista ao repórter da Agência Brasil, Marco Antônio Soalheiro, em 13 de julho de 2008, baseando-se em pesquisa da SEDH (2006), reconheceu a existência de “condições de trabalho precárias, com falta de infra-estrutura e capacitação adequada de conselheiros”. E afirmou: “Não acredito que seja problema de recursos, porque os investimentos a serem feitos não são tão dispendiosos assim. Se trata mais de uma superação de uma cultura socorrista de só intervir em situações onde a violação de direitos já ocorreu e não em uma forma de defesa e zelo permanente.”

Portanto, passadas quase duas décadas de criação do ECA, podemos dizer que, embora, ao longo desse tempo, tenham sido obtidas conquistas importantes quanto ao funcionamento dos conselhos tutelares e de direitos, na maioria dos municípios brasileiros, os desafios ainda continuam incontáveis. E, assim, lembrando Bazílio (2003), o espaço político de intervenção dos conselheiros ainda enfrenta resistências por parte de atores que atuam na área de garantia de direitos e em outras instituições. E, neste sentido, afirma o autor:

Se as resistências “externas” ao desempenho desta função pública relevante existem, não menos importantes são as limitações do conjunto de conselheiros que, freqüentemente, são levados a desempenhar suas atividades sem formação adequada, clareza de suas atribuições ou expressiva inserção na vida do município ou bairro. (BAZÍLIO, 2003, p. 32).

Muitos desses problemas e seus desdobramentos enfrentados pelos Conselhos, aqui no Rio Grande do Norte, foram percebidos, durante este trabalho, por ocasião de nossa participação na Conferência Regional dos Direitos da Criança e do Adolescente, em 2007, que contou com a presença de conselheiros dos municípios do Estado do Rio Grande do Norte.

Esse evento nos permitiu aferir a fragilidade dos Conselhos Municipais na formulação de políticas sociais e na geração de novas representações sociais, a exemplo do que haviam escrito Saeta e Souza Neto (2006, p. 40), para os quais “há um certo isolamento das lideranças e

do próprio conselho como tal, que não consegue se articular com os diferentes setores da sociedade.” E, também, nessa direção, Souza Neto (2006, p. 188) afirma que “ [...] talvez uma das maiores dificuldades nesse campo é que pessoas e instituições usam, muitas vezes, esses espaços como moeda de troca e braços de interesses políticos e econômicos”.

3.6 A SOCIEDADE BRASILEIRA E A REDUÇÃO DA IDADE PENAL: A SEDE DE