• Sonuç bulunamadı

4- BULGULAR VE YORUM

4.3. SONUÇ VE ÖNERİLER

4.3.1. Sonuç

Primeiramente, foram feitas leituras repetidas e flutuantes das entrevistas transcritas. Após esse primeiro reconhecimento do texto, procuramos organizá-lo, através das idéias gerais surgidas, a partir de temas relacionados aos objetivos propostos. As categorias foram delimitadas após o agrupamento das idéias centrais.

Nessa primeira fase, seis grandes temas surgiram dos textos. Foram então identificadas as idéias centrais referentes a cada um desses temas, que, agrupadas, configuraram as categorias. Buscamos, então, as expressões-chave que melhor expressavam as idéias de cada categoria específica. Essas foram utilizadas para exemplificação do conteúdo das representações sociais sobre cada tema, na discussão dos resultados e para elaboração do Discurso do Sujeito Coletivo (DSC), uma forma de apresentação das representações sociais encontradas, sugerida por Lefèvre e Lefèvre (2003) e colocadas no APÊNDICE C. Para tanto, extraímos de cada uma das 17 entrevistas da pesquisa, as idéias centrais e suas expressões- chave correspondentes, referentes aos temas e categorias predefinidas. O Discurso do Sujeito Coletivo (DSC) foi formado pela construção de um texto com as expressões-chave das idéias centrais de cada categoria. As categorias foram formadas pelo agrupamento das idéias centrais dentro de cada tema.

O Discurso do Sujeito Coletivo é uma proposta criada por Lefèvre e Lefèvre (2003, p. 16) cujo conceito é definido por eles como:

[...] uma proposta de organização e tabulação de dados qualitativos de natureza verbal, obtidos de depoimentos, artigos de jornal, matérias de revistas semanais, cartas, papers, revistas especializadas.

Segundo essa proposta, o material transcrito é analisado extraindo-se, de cada entrevista, as idéias centrais referentes aos temas predefinidos. Entende-se por idéia central a expressão lingüística que traduz de maneira sintética e fidedigna o pensamento do entrevistado referente à resposta ao que lhe foi perguntado. Após extrair-se da entrevista as expressões-chave correspondentes às idéias centrais de cada tema. Essas são trechos, fragmentos literais do discurso que melhor expressam a essência do depoimento. O objetivo da identificação da idéia central é definir as categorias que podem ser formadas em cada tema.

No presente estudo, após extrair as expressões-chave de cada categoria, construiu- se um pequeno texto com as mesmas, como se fosse a fala de uma única pessoa. O resultado final foi um discurso emitido na primeira pessoa do singular, mas que reflete o pensamento coletivo das escolas sobre cada tema.

Para a interpretação das falas foi utilizada a Análise do Discurso, a qual, segundo Minayo (2003), visa ampliar a compreensão de contextos culturais com significações que ultrapassam o nível espontâneo das mensagens.

Nesta pesquisa, utilizaremos alguns elementos da Análise do Discurso que, segundo nossa visão, têm interface com a teoria das representações sociais.

Especificamente, procuramos olhar o discurso produzido pelos educadores, considerando algumas dimensões ressaltadas por Maingueneau (1987 apud BRANDÃO, 2004, p. 17):

?? o quadro das instituições em que o discurso é produzido, as quais delimitam fortemente a enunciação,

?? os embates históricos, sociais, etc. que se cristalizam no discurso,

?? o espaço próprio que cada discurso configura para si mesmo no interior de um interdiscurso.

No caso deste estudo, consideramos que os enunciados contidos nas falas dos entrevistados estão delimitados pelo que pode ou não, deve ou não ser dito, em 2005, por um coordenador ou diretor de uma Escola Privada, em seu ambiente de trabalho, a um pesquisador, psicólogo, vinculado à UFMG e cujo objetivo explicitado é saber o que a Escola pensa sobre acidentes com alunos aí ocorridos. Consideramos também que os enunciados revelam o processo histórico-social, de forma mais marcada, ocorrido no Brasil, e, especificamente, relacionados à criança, à educação e à saúde.

Finalmente, consideramos que os discursos dos educadores configuram um espaço próprio, constituindo uma formação discursiva ligada à pedagogia e à psicologia, como áreas de conhecimento científico, mas também uma construção própria derivada das especificidades e experiências na área educativa, sendo que, no caso dos acidentes escolares, em sua interface com a saúde, em sua vertente de conhecimento científico e em sua vertente de senso comum.

O Objetivo primordial da Análise do Discurso é buscar, de acordo com Minayo (2003), uma reflexão geral sobre as condições de produção e apreensão da significação de textos realizados e produzidos nos mais diferentes setores da sociedade. Assim, a análise do discurso iria além da compreensão objetiva, sistemática e pontual de um texto, buscando conhecer o seu modo de funcionamento, os princípios de organização e as formas de produção social do sentido.

Orlandi ressalta na Análise do Discurso a importância da inter-relação entre os interlocutores, da situação, do contexto histórico-social e das suas condições de produção, no resultado final da análise do discurso produzido. A autora afirma que: “Quando se diz algo, alguém o diz de algum lugar da sociedade para outro alguém também de algum lugar da sociedade e isso faz parte da significação.” (ORLANDI, 1996, p. 26).

Segundo Maingueneau (1998, p. 30) a noção de “condições de produção” foi reelaborada por Pêcheux para designar, no campo da Análise do Discurso, “não somente o meio ambiente material e institucional do discurso, mas ainda as representações imaginárias que os interactantes fazem de sua própria identidade.” Dessa forma, o sujeito falante sofre influências dos saberes, crenças, valores, dispositivos de comunicação do seu grupo social, do lugar que ocupa e da função dentro da instituição, bem como das formações imaginárias do outro. Tudo isso se refere tanto ao entrevistador quanto aos entrevistados.

Portanto, dentro dessa perspectiva, procurou-se ir além do contexto real da pesquisa para as questões imaginárias, mas subjetivamente reais, que permearam a relação locutor/interlocutor.