• Sonuç bulunamadı

59SONUÇ: Çalışmaya katılan hemşirelerin malpraktise eğilim düzeylerinin düşük olduğu söylenebilir.

No dia 21 de junho de 2011 ocorreu a abertura oficial da festa que teve como slogan “O melhor São João é na capital do sertão”. Orçada em 1,5 milhão de reais, a expectativa maior ficava pelas apresentações das bandas de forró eletrônico designadas para o dia: Cavaleiros do Forró e Saia Rodada. Antes, porém, todas as formalidades da abertura oficial, ainda com baixo número de espectadores, já que numa noite de terça-feira. Além disso,

aquelas atrações principais ainda se apresentariam após as atrações regionais, Pinto do Acordeon, Flor da Pele e Gê Maria. Aos poucos o espaço foi sendo preenchido.

No palanque, o prefeito com todo o seu secretariado, a primeira-dama, deputados federal e estadual, vereadores e o prefeito da cidade de Campina Grande, este cotado para ser candidato a governador da Paraíba nas próximas eleições e filiado ao mesmo partido do prefeito de Patos. A presença maciça dos secretários e deputados torna evidente o momento político criado a partir da festa popular. De prontidão um batalhão de fotógrafos e jornalistas para adiantar nos periódicos e demais meios de comunicação uma campanha eleitoral velada, financiada com verba pública e sob o manto do apoio à cultura popular.

O mestre de cerimônias anuncia o fim da espontaneidade, elemento próprio das expressões da cultura tradicional e popular, agora sob uma dominação que não somente influencia as ações do dominado, que aguarda sereno o momento da festa, mas faz com que os mandados do dominador se realizem “como se os dominados tivessem feito do próprio conteúdo do mandado a máxima de suas ações” (WEBER, 1999, p. 191), ao denotar efetiva obediência à vontade, sagrada pela tradição, de transformar a ocasião em comício eleitoral. Se sempre foi assim, assim será.

Substituída pela oficialidade burocrática que transfere ao gestor público a determinação quanto ao início e fim da alegria individual e coletiva, numa mistura já indelével de poder discricionário e produção cultural, sentencia: “O Prefeito fará a abertura oficial do evento”. O prefeito de Patos, Nabor Wanderley da Nóbrega Filho, é filho do ex-prefeito Nabor Wanderley da Nóbrega e pai do deputado federal Hugo Motta, cuja cidade também traz a marca do grupo político historicamente dominante na denominação de diversos logradouros e equipamentos urbanos.

Os nomes de membros das famílias Nóbrega e Wanderley aparecem, por exemplo, nas ruas Horácio Nóbrega, Janúcio Nóbrega, Pedro Nóbrega, Darcílio Nóbrega, Adjalma Nóbrega, Belarmino Nóbrega, Aluísio Nóbrega, Ana Leite Nóbrega, nas escolas Nelita Nóbrega Queiroz, Nina Nóbrega, Nabor Wanderley, Caic Dr. Romero Abdon Q. da Nóbrega, Inácio Fernandes da Nóbrega, nas Unidade de Saúde da Família Horácio Nóbrega e Unidade de Saúde da Família Nabor Wanderley.

Antes do prefeito, porém, é dada a palavra ao convidado Veneziano Vital do Rêgo, prefeito da cidade de Campina Grande, que agradece a oportunidade, se reportando nominalmente ao prefeito, à primeira dama, à deputada estadual Francisca Motta e ao deputado federal Hugo Motta, estes também presentes no palco, fato que repete por mais duas vezes ao longo de sua breve fala. A Campanha se aprofunda com o tom de comício dado pelo

convidado, candidato natural, que dependerá oportunamente também dos votos dos patoenses. A festa fica para depois.

Nada mais necessário que os nomes sejam pronunciados reiteradamente para que não se percam na lembrança do folião-eleitor. O discurso do convidado exalta o momento, que tem a presença de Pinto do Acordeon, já no palco, pacientemente sentado em um banco à espera do final dos discursos políticos para poder entoar os primeiros acordes da música “Olha pro Céu”, preferida para abrir as festas juninas oficiais do Nordeste, encontrando utilidade na Lei da causalidade afetiva (TORRES, 1959) ao evocar a presença desse conhecido artista regional, com o intuito de associar o momento político à figura do artista, à tradição nordestina e à festa propriamente dita.

Em continuidade, o convidado intitula a festa de 2011 como o “São João da superação”92

, pois que feito pelos cidadãos, com a interlocução do deputado federal ali presente (o deputado federal Hugo Motta, filho do prefeito anfitrião, a quem chama de Huguinho) e do senador (irmão do discursante, Vital do Rêgo ou Vitalzinho) em Brasília para a liberação de recursos do Ministério do Turismo pelo Governo Federal, e com a ajuda da iniciativa privada.

De início, sua fala reforça a relação de Dependência entre a cultura popular, a vontade política e a ação administrativa e financeira do governo. Sem dinheiro público não há festa. Contudo, a superação que exalta é, antes de tudo, um ato político, em ataque ao governador do Estado da Paraíba, de partido contrário, por não ter liberado verbas públicas para auxílio às festas juninas municipais naquele ano. O orador entrega ao povo o julgamento do fato: de um lado, aqueles que nada fizeram e, de outro, os que envidaram os esforços necessários para que a festa acontecesse. Claramente presentes o Princípio do inimigo único (DOMENACH, 1974; TORRES, 1959) e a Lei da orquestração (DOMENACH, 1974), na medida em que vem reiteradamente atacando a postura do governador em entrevistas e discursos e a Lei do contraste (TORRES, 1959), ao apresentar sua versão de bandidos e mocinhos.

Em continuidade, mais uma vez o mestre de cerimônias registra a presença dos políticos no palco, nomeando-os um a um. Com essa postura fica evidente a intenção: não permitir o esquecimento por parte dos presentes quanto as autoridades públicas presentes no palco-

92 Como poderá ser notado, o argumento da superação será utilizado por outros políticos em Patos e Campina

Grande em 2011 e será repetida em 2012 pelo senador Vital do Rêgo, conforme notícia veiculada em seu site pessoal e repetida pela imprensa paraibana intitulada “Senador Vital diz que edição 2012 do São João de

Campina Grande será o da superação”. Disponível em <http://senadorvitaldorego.com.br/noticia/senador-vital-

diz-que-edicao-2012-do-sao-joao-de-campina-grande-sera-o-da-superacao/>, em <http://www.pbagora.com.br/conteudo.php?id=20120519144922&cat=paraiba&keys=vital-sao-joao-campina- grande-sera-superacao> e em <http://paraibaindependente.blogspot.com.br/> Acesso em 20 maio 2012.

palanque no momento em que o povo recebe o “presente” da festa. Como faziam Hitler ao deixar seus ouvintes em constante estado de excitação e Pavlov com o cão, segundo Domenach (1974), assim o fazem prefeitos e deputados nas cerimônias de abertura das festas juninas pelo interior do Brasil?

É passada a palavra ao jovem deputado federal Hugo Motta, filho do prefeito e neto de ex-prefeito, de atual deputada federal no quinto mandato e de ex-deputado estadual por cinco vezes e federal por duas vezes. O deputado federal, cuja juventude é exaltada em seu site pessoal93, acompanha o pai desde os atos preparatórios ao evento, estando presente na festa desde a solenidade de lançamento da programação oficial em 29 de abril no Coreto II, ao lado do Terreiro do Forró, no casamento comunitário no dia 22 de junho e na queima de fogos no dia 23 de junho, véspera do dia de São João, quando ajudou a acender o pavio que deu início às explosões.

Benzer Belgeler