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Sır Saklama Yükümlülüğünün Ortadan Kalktığı Haller

E. Sır Saklama Yükümlülüğü

2. Sır Saklama Yükümlülüğünün Ortadan Kalktığı Haller

Não só os europeus e os norte-americanos viveram a época do fervor da comunicação e da divulgação de opiniões após a era do tipo móvel de Gutenberg. No Brasil, o período de desenvolvimento da imprensa e o despertar da revolução do conhecimento ocorreu com cerca de 400 anos de atraso, mais precisamente com a chegada da Corte de Dom João VI, em 1808. No país, a expansão da imprensa também representou uma inserção contínua da opinião pública da sociedade – mesmo tendo em vista que o número de alfabetizados era pequeno –, assim como o início da batalha contra a censura e a busca pela formação de um Estado democrático.

Controlada por poderes reais, a imprensa teve desenvolvimento tímido em seus primeiros anos. A introdução de prelos e tipografias no Brasil era proveniente, principalmente, do empenho dos governantes portugueses que se instalaram no país. A mobilização em torno do aperfeiçoamento de tecnologias que ampliassem a circulação de informações colaborou, inclusive, para o nascimento do primeiro jornal de língua portuguesa na América, a Gazeta do Rio de Janeiro, editada por Frei Tibúrcio José da Rocha.

Devido ao fato de não ter nascido livre, desde cedo, a imprensa brasileira sofreu com a limitação na divulgação das informações, ao mesmo tempo em que engatinhava para conquistar um espaço que colaborasse na formação das opiniões e no processo de democratização. O conteúdo divulgado nos impressos era também alvo de interesses do governo. Por meio da imprensa era possível reproduzir textos de interesse governamental, o que dava a idéia de que atuava como porta-voz das ideologias governistas.

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Além do controle direto de seu conteúdo, os jornais brasileiros foram monitorados por três censuras no início de suas atividades: a do Ordinário, a do Santo Ofício e a da Régia. Na fase que predominou este rígido controle das atividades de impressão (de 1808 a 1820), a média de conteúdos impressos por ano era de 52 unidades. Com o fim da censura prévia, as publicações ganharam mais liberdade. Conforme Jobim (1992), acredita-se que o número tenha crescido para cerca de 265 por ano.

Com as proibições à imprensa, foi fomentado o nascimento dos primeiros periódicos produzidos em Londres, como o Correio Braziliense, surgido entre 1808 e 1819, editado por Hipólito José da Costa e enviado clandestinamente ao Brasil. A publicação tinha caráter político e abriu espaço para as informações geradas na Europa. Considerado o mais antigo periódico brasileiro, o Correio mostrou para o Brasil a atuação de Hipólito da Costa na defesa da liberdade de imprensa.

Durante o Segundo Reinado, no comando de Pedro II, a imprensa viveu seu melhor período de liberdade do século. Era possível ser livre para dizer o que se quisesse sobre o soberano, e o imperador se recusava a aprovar medidas que limitassem o poder de comunicação. Os jornais passaram a ampliar a idéia de que funcionavam como uma janela à realidade, sem sofrer com restrições relevantes.

Com a independência do Brasil, em 1822, o poder da imprensa ganhou destaque no cenário político, e as publicações independentes passaram a atuar diretamente nas lutas políticas e no desenvolvimento de instituições. Depois, surgiu o jornalismo no país, oferecendo à sociedade uma visão ainda mais crítica e opinativa sobre o processo político e social e levaria à construção da democracia. Conforme Rüdiger (1993), neste período, que perdurou até meados do século XX, as forças políticas descobriram na imprensa a maneira ativa de atuar na formação da opinião. Neste caso, a liberdade de informação representava para o povo letrado a maneira prática de digerir as idéias que surgiam.

Uma série de estados de sítio foi presenciada no Brasil após a primeira República, o que fez ressurgir a censura. A ausência de uma legislação eficaz, contra os abusos da liberdade de imprensa favoreceu a circulação livre das idéias e da informação, mas justificou uma variedade de atentados contra a impressa.

No governo de Floriano Peixoto (1891-1894), prisões e deportações terminaram com o legado da liberdade de informação, gerando prisões e deportações. No início do século XX, quando as estruturas arcaicas da imprensa deram espaço a padrões sintonizados com as necessidades do mercado (em paralelo com as expectativas de leitores, anunciantes e mandatários do poder), foi consolidado o processo de modernização do jornalismo brasileiro. Com um viés patriótico, amplamente contribuindo para a formação e manutenção das bases políticas do país, as mudanças se transformaram em uma tendência que impediram até mesmo a participação de capital estrangeiro nas empresas jornalísticas No pós-guerra, estas características perderam força, abrindo oportunidades para a entrada de capital estrangeiro na economia nacional.

A introdução de novas técnicas de impressão foi favorecida pelo apoio do governo, afirma Caparelli (1989). A modernização dos equipamentos seguiu, principalmente, pelo avanço das tecnologias no rádio e na televisão, que tinham a capacidade de abranger públicos maiores e de não exigir o esforço da leitura. Houve, a partir de então, uma tendência à concentração de capital regional e a formação de oligopólios da comunicação.

Na Segunda República, de 1945 a 1964, o país assistiu ao fortalecimento dos partidos políticos de caráter nacional e à grande efervescência social. A indústria expandiu-se rapidamente e o país tentou reaver a democracia por meio de uma política autoritária (o assunto será abordado no próximo capítulo).

Após 1985, o país tem um novo cenário na comunicação. A partir de então, ocorre a modernização da indústria jornalística brasileira, que amplia suas conexões internacionais, os

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desafios tecnológicos e consolida a retomada de um estado democrático. O modelo da liberdade de imprensa, adotado no Brasil durante os séculos XIX e XX, com forte influência francesa, segue novos rumos com a Constituição de 1988. Nessa época, o país adota o modelo norte-americano, o que não inibe a vigência da Lei de Imprensa, de 1967, que disciplina os crimes de opinião.