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Sözleşme Dışı Sorumluluk (Haksız Fiil Sorumluluğu)

B. Sorumluluğu Doğuran Hukuki Nedenler

3. Sözleşme Dışı Sorumluluk (Haksız Fiil Sorumluluğu)

Considerada a luta entre o Bem e o Mal, a Guerra Fria3 dividiu o planeta em dois grandes blocos: um socialista, e outro, capitalista. O conflito lançou artifícios na imprensa de modo que a intensa guerra econômica, diplomática e tecnológica conquistasse a opinião pública.

Em defesa de seus interesses, os blocos criaram exércitos com alta tecnologia militar e arsenais nucleares com potencial para destruir completamente a vida humana. O jogo político que envolvia as nações se transformou em terror e destruição, ilustrado pela imprensa, principalmente por meio da propaganda persuasiva. Embora o mundo temesse a vinda de um novo combate mundial, a relação entre guerra e o trabalho dos jornalistas propiciou uma luta ideológica, política e econômica. Com isso, surgiram grupos de espionagem, golpes de estado, sabotagem, corrida armamentista e alianças militares.

No período da Guerra Fria, fica clara a responsabilidade da imprensa em divulgar o potencial bélico e nuclear de inimigos e aliados. Ao mesmo tempo em que gozava de certa liberdade para informar o público, os meios de comunicação eram também induzidos pelas autoridades para ameaçar a população. Ao expor a situação vivida entre os blocos, alertando para possíveis ataques de violência, a imprensa atuava como uma vitrine de interesse destes grupos. Para os comunistas, era ela a responsável por divulgar como ideal de felicidade a sociedade justa, com a igualdade entre os seres. Para os capitalistas, a imprensa enquadrava a felicidade individual como prioridade, e o Estado justo era aquele que permitia a liberdade para procurar o lucro e construir uma vida melhor.

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Não há consenso sobre o início da guerra. Para alguns historiadores ela começou com as explosões nucleares sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, em 6 e 9 de agosto de 1945. Outros acreditam que se iniciou em 1947, quando o então presidente norte-americano Harry Truman afirmou em um discurso que impediria a União Soviética de criar império comunista. Há ainda a vertente que a Guerra Fria teve início em 1949, quando a Alemanha foi dividida em dois países – um capitalista e outro socialista. A queda do Muro de Berlim (1989) anunciou o início do fim da Guerra Fria, no ponto de vista de parte dos historiadores. Outros consideram a Guerra do Golfo (1991) como o marco do fim dessa guerra.

No contexto mundial, o trabalho jornalístico era pautado a exigir dos cidadãos um posicionamento qualquer sobre a guerra. O enquadramento do conteúdo noticioso variava de acordo com os interesses de autoridades de cada país.

Nos EUA, uma forte política de combate ao comunismo foi divulgada pelos meios de comunicação. Usando o cinema, a televisão, os jornais e, até mesmo, as histórias em quadrinhos, o país aproveitou o poder sobre a mídia para divulgar uma campanha valorizando o american way of life. No país, o direito à liberdade de expressão ganhou restrições: quem defendia as idéias próximas do socialismo era preso ou marginalizado.

Entre os fatores marcantes da atuação da imprensa durante a Guerra Fria, não podemos esquecer o episódio da Guerra do Vietnã (1959–1975). No conflito, apesar de todo aparato tecnológico, os soldados norte-americanos tiveram dificuldades em enfrentar os soldados

vietcongs (apoiados pelos soviéticos). Milhares de pessoas, entre civis e militares, morreram

nos combates. Os EUA saíram derrotados e tiveram que abandonar o território vietnamita de forma vergonhosa em 1975.

Durante os anos de ofensiva, acredita-se que a guerra recebeu um dos maiores contingentes de jornalistas. Além da possibilidade iminente de morte, de acordo com a organização não-governamental Repórteres Sem Fronteiras, 63 jornalistas (de diversas nacionalidades) foram assassinados nos anos desta guerra. Os correspondentes tinham certa liberdade para conduzir seu trabalho, mas eram obrigados a lutar com as informações militares falsas que eram oferecidas. Mesmo assim, durante a grande escalada de intervenção norte-americana, a partir de 1964, o Vietnã ocupava permanentemente as páginas dos principais jornais, revistas e espaços nobres na mídia eletrônica.

Para desenvolver a propaganda de guerra, o rádio representou um meio de comunicação importante, pois era percebido como um objeto capaz de consolidar a estratégia de atingir um público amplo. No caso dos Estados Unidos, as rádios locais do Vietnã

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empreenderam uma propaganda agressiva, que muitas vezes causavam confusão e desorientação entre as pessoas.

Além da idéia de controlar as mentes por meio de palavras e de uma cobertura intensa pelo rádio, o governo tinha a preocupação de manter a credibilidade dos jornalistas no conflito. Para isso, de acordo com um memorando com data de 31 de outubro de 1966, os profissionais da comunicação eram obrigados a publicar o máximo de informações ao público para que a população tivesse a certeza de ter condições de viver em segurança. Ao mesmo tempo, a imprensa tinha a missão de preservar notícias importantes para que tais informações não se transformassem, posteriormente, em artifícios para o revide dos inimigos.

Com esta abertura aos acontecimentos, e o bombardeamento de informações, o público mostrava-se cansado com o excesso de notícias. A liberdade de mostrar imagens e o panorama da guerra aproximou o público de parte de uma realidade do conflito que nem sempre era bem recebida. O excesso de informações e as opiniões que estas colaboravam para formar ajudaram a trazer novas perspectivas sobre a guerra. Na verdade, a mídia passou a ser encarada como uma das personagens principais da derrota dos EUA na guerra.

Para Carruthers (2000), a mídia atuou como watchdogs, fiscalizando as ações das autoridades. Este posicionamento, em meio à luta pela liberdade de informação, não se transformou em relação harmônica. Dessa forma, a imprensa foi criticada pelo seu posicionamento e por não ter colaborado para a construção de uma opinião pública a favor dos Estados Unidos.