1.6. Müşteri Sadakati Oluşturmada Kullanılan Pazarlama Stratejileri
1.6.1. Sıklık Pazarlaması
Ao compararmos os dois jornais, percebemos que as grandes diferenças se manifestam muito mais no âmbito do conteúdo do que no âmbito das questões físicas. É fato que os jornais do final do século XIX são maiores que os do início, mais no tamanho da folha e na disposição das colunas do que no número de páginas. Este fato não seria tão relevante se associado a ele não estivesse a ampliação das seções e do tamanho dessas seções no A
39 As últimas edições de 1878 e as dez primeiras de 1879 trazem expresso em seu cabeçalho “redactores
Actualidade. Essa diferença do tamanho possibilitou tanto a inserção de novos temas e seções,
como crônicas, textos literários e a ampliação da seção de anúncio, como a necessidade de outros agentes que se dedicassem a esses novos temas.
Tal fato pode ser comprovado ao observarmos a quantidade de anúncios existentes nos dois jornais observados, quantos desses anúncios são assinados e se há repetições desses anúncios.
Observando mais detidamente os anúncios, notamos que eles são compostos de textos que anunciam prestação de serviço, que declaram serviços prestados e propagandas de serviços e produtos. O maior índice de textos assinados está nas declarações de serviços prestados, seguido das propagandas de serviço. Os anúncios de prestação de serviço constituem casos particulares por, na maioria das vezes, parecerem redigidos pelos redatores a pedido dos anunciantes. Em alguns casos, o nome do anunciante é citado, em outros não.
A seguir apresentamos dois gráficos que irão mostrar a quantidade dos anúncios assinados e não assinados nos dois jornais, ao longo do século XIX.
Gráfico 4.2: Quantidade de anúncios assinados e sem assinatura, no jornal O Universal, em três períodos de tempo.
Gráfico 4.3: Quantidade de anúncios assinados e sem assinatura, no jornal A Actualidade, em três períodos de tempo.
Duas informações podem ser deprendidas destes gráficos: a primeira é que há um aumento considerável da publicação de anúncios – este aumento pode ser observado tanto dentro do próprio jornal quanto na comparação entre os dois jornais –; a segunda é que há um aumento no número de anúncios assinados tanto dentro do próprio jornal quanto na comparação dos dois jornais.
A primeira informação mostra a inserção de novos agentes nos períodos em que há ampliação de títulos de jornais. Esta informação é bastante relevante porque mostra que os fatores que selecionamos para interpretar essas ampliações são bastante produtivos.
A segunda informação mostra que há um número cada vez maior de pessoas identificáveis que se manifestam por meio da escrita nestes jornais. Esta informação só é relevante para os nossos objetivos se os anúncios não forem exatamente os mesmos em todos os exemplares analisados. Por essa razão, observamos os anúncios assinados que são repetidos em diferentes edições, nos dois jornais, como mostram os gráficos a seguir.
Gráfico 4.4: Anúncios sem repetições e com repetições, no O Universal.
Gráfico 4.5: Anúncios sem repetições e com repetições, no A Actualidade.
O Universal apresenta um pequeno número de anúncios assinados que são repetidos
em mais de uma edição ao longo do tempo. Já o A Actualidade apresenta um índice maior. Isso significa dizer que apesar de haver anúncios repetidos, e, por isso, não devem ser interpretados como produto de novos agentes, não inviabiliza a percepção da atuação dos novos agentes nos anúncios, pois ainda assim temos um crescimento do número de pessoas distintas anúnciando em jornais tanto n’ O Universal como no A Actualidade. Ainda que se possa encontrar um número maior de artigos repetidos do que dos não repetidos, no final do século XIX a quantidade de artigos com assinaturas distintas também é grande, maior que a dos períodos anteriores do mesmo jornal e maior do que n’O Universal.
O aumento da replicação dos anúncios nos jornais do final do século XIX parece estar mais associado ao fato de neste período já se fazerem sentir traços do jornalismo industrial no
qual o jornal passa a ser interpretado também como espaço de divulgação do que ao fato de serem as mesmas pessoas atuando recorrentemente nos mesmo espaços. Se fosse apenas fruto deste segundo caso, os anúncios seriam assinados por pessoas distintas.
Um outro índice que corrobora essa avaliação é o fato de as repetições não serem mantidas por muitas edições. No gráfico a seguir, mostramos que a grande maioria das repetições ocorre em duas edições apenas.
Gráfico 4.6: Repetições de anúncios por número de edições, nos dois jornais.
Tendo em vista todas essas informações, podemos concluir que, se n’O Universal as principais contribuições externas, ou seja, além das do próprio redator, eram os textos escritos por membros do governo e as cartas escritas por leitores, excertos retirados de outros jornais e um ou outro anunciante, no A Actualidade passou a compor esse quadro cronistas, escritores que publicavam seus folhetins e poemas e um número maior de missivistas. Da mesma forma, se n’O Universal cada edição trazia um ou dois anúncios ou avisos, no A Actualidade, esta seção ganhou um espaço maior, ocupando de meia a uma página.
Por si só o aumento dos anúncios – mesmo que estes sejam, em alguns casos, reescritos pelo redator – já significa ampliação de colaboradores no jornal. Principalmente se considerarmos a existência de poucos avisos assinados em detrimento do período posterior, em que o número de avisos assinados aumentou. Aumentou, também, o número de avisos e começaram a surgir as propagandas que, até a década de 1870, eram praticamente inexistentes nestes jornais.
Ao observarmos a seção de correspondências observamos o mesmo perfil ascendente. No início do século, já era bastante significativa, mas possuía um número inferior de colaboradores, havendo muita repetição de escreventes e um alto índice de assinaturas por pseudônimo. No final do século, havia um número maior de cartas assinadas por pessoas distintas e os pseudônimos foram diminuindo.
Gráfico 4.7: Quantidade de cartas de leitores com assinatura e com pseudônimo, no jornal O Universal, em três períodos de tempo.
Gráfico 4.8: Quantidade de cartas de leitores com assinatura e com pseudônimo, no jornal A Actualidade, em três períodos de tempo.
Nestes dois gráficos podemos perceber a inserção de novos agentes por meio da ampliação do número de cartas assinadas. Essa ampliação garante identificar pessoas distintas contribuindo para o conteúdo do jornal. Temos que considerar também, para esse caso, o fato
de haver um mesmo correspondente contribuindo para várias edições. Notamos que a recorrência é maior nos textos assinados por pseudônimos. No caso dos textos em que o autor da correspondência pode ser identificado, o número de repetições não chega a 2%. Por essa razão, não apresentamos um gráfico com esse detalhamento.
É preciso considerar que há uma aparente diminuição do número de correspondências publicadas nos jornais justamente na década final de cada período. Essas décadas, se pensarmos nos perfis delineados até o momento, deveriam mostrar aumento no número de correspondências. Quais seriam as causas desses resultados expressos pelos gráficos? A resposta para essa questão possui fundamentação distinta para cada um dos momentos. No caso do jornal O Universal, é possível notar que houve uma diminuição no número de correspondências em 1842. A causa dessa diminuição está no fato de termos, neste período, a ampliação das outras seções do jornal devido à Revolução Liberal ocorrida em São Paulo e em Minas Gerais. Por ser O Universal, neste período, um jornal de inclinação liberal as seções passaram a ser mais dedicadas à publicações oficiais sobre a Revolução, reduzindo o espaço no jornal destinado às correspondências e publicando preferencialmente cartas que versassem sobre esse assunto.
No caso do A Actualidade, notou-se que no início do ano de 1881 o jornal passou a dedicar-se mais às publicação oficiais. Tais publicações, que nos outros períodos observados ocupavam a primeira página do jornal, no início de 1881 ocupavam as três primeiras páginas.
Ainda que as diminuições sejam justificadas, poderiam ser consideradas um problema para a nossa análise se a quantidade de cartas assinadas no primeiro período fosse maior que a quantidade de cartas assinadas no segundo período, pois não conseguiríamos assim comprovar a inserção dos novos agentes da escrita. No gráfico a seguir, mostramos que o decréscimo ocorrido nos últimos períodos dos dois jornais não significou inviabilização dos nossos argumentos.
Gráfico 4.9: Somatório das cartas de leitores com assinatura e com pseudônimo, nos dois jornais.
Legenda: 2 = O Universal; 4 = A Actualidade
Ao compararmos os dois periódicos chegamos aum número muito maior de cartas assinadas no jornal A Actualidade do que no jornal O Universal.
Este resultado constitui, a nosso ver, uma evidência de que houve inserção de novos agentes. Se somado aos resultados referentes ao aumento do número de títulos de jornais e à análise das epígrafes como indicador de diversidade de perfil social de escreventes, teremos até aqui conseguido reunir um conjunto de condições ou circunstâncias que teriam como consequência o aumento e diversidade do número de agentes no espaço da escrita.
4.4 Conclusões
Ao apresentarmos um breve relato da história da imprensa no Brasil e observarmos a imprensa ouro-pretana, notamos nesta última a manifestação das principais características da imprensa periódica em âmbito nacional. Esta similaridade ficou ainda mais evidente em estudo de caso que corroborou para a percepção da inserção de novos agentes da escrita ocasionada pelo surgimento da imprensa periódica.
Mostramos por meio de dados quantitativos que há, no mesmo momento em que mudanças linguísticas do PB se implementaram, ampliação do número de títulos de jornais e ampliação de seções em que é possível a manifestação de outras pessoas que não as que fazem parte da estrutura do jornal. Também identificamos a ampliação dessa estrutura. Como consequência dessas ampliações, temos uma diversificação social desses novos agentes da escrita.
Se, de fato, o aumento de número e diversidade de novos agentes na imprensa periódica foi responsável pelas mudanças linguísticas manifestadas em textos escritos,
podemos fazer uma predição: o mesmo fator que acarretou mudanças linguísticas nos textos escritos no Brasil também acarretou mudanças em Portugal. Em outras palavras, a ampliação e diversificação da imprensa periódica acarretou mudanças linguísticas em textos portugueses. Para verificar o alcance dessa predição, dedicaremos o próximo capítulo ao PE, mais exatamente à imprensa periódica em Portugal.
Capítulo V
A Imprensa Periódica em Portugal e a Imprensa na Europa
Neste capítulo tomaremos como objeto a imprensa periódica em Portugal, de modo a avaliar a predição de que sua ampliação e diversificação acarretou a manifestação de mudanças linguísticas na modalidade escrita. Inicialmente, faremos um breve histórico nos mesmos moldes utilizados para descrever a imprensa no Brasil. Na seção seguinte, relacionaremos o surgimento e desenvolvimento da imprensa periódica com a periodização linguística do PE. Concluímos com as relações existentes entre o surgimento da imprensa na Europa e a fixação das línguas nacionais.