2.2. Birebir Pazarlama Stratejisi
2.2.2. Birebir Pazarlama Stratejisi ve Öğrenen İlişkiler Kurma
Já delimitamos acima as causas históricas que nos permitiram concluir que a imprensa periódica propiciou a entrada de novos agentes da escrita no PE ao final do século XVIII. Agora, como procedemos para o PB, buscaremos mostrar essa ampliação dentro da estrutura da imprensa periódica portuguesa. Por estarmos tratando apenas da primeira ampliação dos agentes da escrita, nos dedicaremos a apresentá-los apenas no século XVIII.
Dedicaremo-nos a evidenciar esses novos agentes por meio da ampliação do número de títulos e da alteração no conteúdo dos jornais deste período. Para o tratamento da ampliação do número de títulos, utilizaremos a cronologia apresentada por Sousa (2010b), na qual o autor indica a data de surgimento dos periódicos do período. Embora não tenhamos conseguido depreender se a cronologia apresentada pelo autor é exaustiva, consideramos que as informações trazidas por ele são tão relevantes que não podem ser desconsideradas. Para o tratamento da ampliação no conteúdo dos periódicos utilizaremos o jornal Encyclopedico e a Gazeta de Lisboa como objetos do nosso estudo de caso.
De acordo com Sousa (2010b), até o início do período pombalino, em 1760, apenas a
Gazeta de Lisboa possuía licença para impressão. Deste período até 1808, surgiram quinze
novos periódicos. Três deles eram noticiosos, apresentando estrutura e conteúdo próximos ao da Gazeta de Lisboa, a saber, Hebdomário Lisbonense, Lisboa e Gazeta Extraordinária de
Londres (traduzida). Os outros doze títulos surgidos no período apresentavam alterações
principalmente em seus conteúdos. Dedicavam-se às informações culturais, científicas e à divulgação de ideias. São os principais representantes desse período a Gazeta Literária, o
Encyclopédico e o Correio Mercantil.
Não nos foi possível identificar a data em que surgiram os quinze títulos apontados por Sousa (2010b), no entanto, dentre eles podemos localizar temporalmente seis títulos, além da própria Gazeta de Lisboa: Gazeta Literária (1761), Hebdomário Lisbonense (1763), Lisboa (1777), Gazeta Extraordinária de Londres (traduzida) (1777), O Encyclopédico (1779 cf. TENGARRINHA, 1989) e Correio Mercantil (1790). Só estes títulos comprovadamente surgidos a partir de meados do século XVIII já nos permite falar em ampliação do número de títulos.
Notamos aqui que o mesmo perfil delineado para a imprensa brasileira no século XIX pode ser percebido para imprensa portuguesa no século XVIII. Esta é mais uma evidência de que mesmo que o surgimento da imprensa e, consequentemente, os seus reflexos se
manifestem em períodos e localidades distintos, coincidem com o momento em que findam competições de gramáticas.
Além de termos na ampliação do número de títulos a necessidade de volume maior de agentes da escrita, temos essa necessidade manifestada, também, quando o conteúdo do jornal é observado. Já mostramos anteriormente a diversificação do conteúdo ocorrida no período pombalino. A própria observação da diversificação dos títulos surgidos neste período já manifesta diversificação também no seu conteúdo uma vez que não são mais publicados apenas jornais noticiosos, nos quais o conteúdo se centra em notícias sobre o mundo e sobre Portugal, como a própria Gazeta de Lisboa oferece. A partir da segunda metade do século XVIII, títulos dedicados a outros conteúdos como o literário, o científico, cultural, etc. A ampliação do conteúdo demandou diversificação dos agentes que se dedicam a essa gama de conteúdos mais ampla.
Partindo de um estudo de caso com as seções do jornal O Encyclopédico e da Gazeta
de Lisboa, poderemos comprovar essa ampliação. Avaliando três meses de publicação do Encyclopédico, observamos se as suas seções são assinadas por indivíduos distintos54. Para a Gazeta de Lisboa adotamos estratégia distinta. Como os dois periódicos possuem
periodicidade distinta não foi possível estabelecer o mesmo critério de delimitação do estudo de caso. Por essa razão, contamos quantos textos havia no recorte usado para o Encyclopédico e separamos a mesma quantidade de textos na Gazeta de Lisboa, metade dos textos no ano de 1715 e a outra metade no ano de 172055.
Como resultado obtivemos, em um total de 84 textos publicados em cada um dos periódicos avaliados, números distintos de textos assinados por outras pessoas que não os redatores dos respectivos jornais. Para avaliarmos o real número de textos tivemos que controlar a quantidade de registros traduzidos no caso do Encyclopedico, pois, as traduções são feitas pelos redatores do jornal, assim como os textos não assinados também podem ser atribuídos a ele. No caso da Gazeta de Lisboa, como mostrado anteriormente, todo o texto publicado era de responsabilidade do redator. Ainda assim, encontramos na amostra da
Gazeta de Lisboa três textos assinados por outros indivíduos e quatro cartas que não parecem
54 Não nos dedicamos a observar duas seções específicas como fizemos para os jornais brasileiros, por não haver
equivalência total nas seções observadas. Os jornais portugueses do século XVIII se diferem muito dos jornais brasileiros do século XIX na organização e explicitação do conteúdo.
55 A quantidade de textos selecionados para o estudo de caso foi calculada de acordo com a quantidade de
números que pudemos ter acesso de cada periódico. Como a uma quantidade infinitamente maior de exemplares da Gazeta de Lisboa disponíveis, foi necessário que nos restringíssemos à quantidade de textos disponíveis do Encyclopedico. Como contamos com apenas dois meses dos anos de 1789, 1790 e 1791, observamos um mês de cada ano.
escritas pelo redator, mas que não foi possível identificar a autoria. Consideraremos apenas os três textos assinados.
Na amostra do Encyclopedico, encontramos vinte e três textos assinados, sendo que dezessete apresentavam repetição de autor; três textos que foram assinados com símbolos; um assinado por pseudônimo; quarenta e um eram assinados por estrangeiros (textos traduzidos) e dezesseis textos sem assinatura, atribuídos ao redator.
Computando apenas os textos que são escritos por outros agentes não estrangeiros, textos escritos por estrangeiros e textos escritos por redatores temos o seguinte quadro:
Quadro 5.2: Relação dos agentes nos periódicos portugueses. Encyclopedico56
Novos agentes (sem
repetições) Traduções Redatores Traduções + Redatores
Quantidade de
Textos 6/ 7,1% 41 16 57/ 67,9%
Gazeta de Lisboa
Novos Agentes Traduções/Redator
Quantidade de textos
3/ 3,6% 81/ 95,2%
Ainda que a amostra seja pequena, percebemos que houve um aumento de 33,3% de textos assinados por novos agentes no Encyclopedico em relação ao Gazeta de Lisboa. E uma redução de 17,39% de textos escritos por redatores. Estes números evidenciam a ampliação de novos agentes do final do século XVIII.