II. GENEL OLARAK MEKÂN
II.4. Edebî Metinlerde Mekân
II.4.3. Coşku ve Heyecana Dayalı Metinlerde (Şiir) Mekân
II.4.3.1. Klasik Şiirde Mekân Tasavvuru
2.1. Barınma Mekânları
2.1.3. Sığınma Yeri (Penâh, Melâz, Me‘âz Me’vâ, Melce’)
A Semiótica Jurídica é um campo nascente62 e, como tal, apenas pode apresentar certa modéstia frente a outras disciplinas, já mais bem constituídas, como a Sociologia Jurídica e a Filosofia do Direito. Parte disso se deve ao próprio status da Semiótica enquanto ciência, pois, em muito, apesar dos diversos e inegáveis avanços no campo, pode ela ainda ser pensada
62 Losano lembra que (2011, p. 163-164) “[...] da semiótica geral nasceu, nos anos 1970, também uma semiótica jurídica. Nela, os estudos enraizados criticamente no estruturalismo francês confluíram com os derivados da semiótica de Charles Sanders Peirce.” Segundo Bittar (2009, p. 38-39), “[...] podem-se alistar, grosso modo, três etapas nas quais se identificam as fases de evolução dos estudos semióticos: uma primeira uma primeira com os estudos de Lógica Jurídica, na linha de Von Wright e Georges Kalinowski (Lourival Vilanova); uma segunda com os estudos de nova retórica e tópica, derivadas de Theodor Viehweg e Niklas Luhmann (Tércio Sampaio Ferras Junior), e uma terceira filiada à matriz da Escola Analítica de Buenos Aires de Luís Alberto Warat e outros.” Todavia, é necessário não olvidar, nesse sentido, das contribuições de Greimas e Landowski a serem a seguir consideradas.
como uma ciência ainda em caminho de se estabelecer. No entanto, a empreitada de disciplinas dela derivadas, que se voltem a um objeto ou corpus específico, há de ser profícua por possibilitar a consideração do grau de explicabilidade das categorias da Semiótica geral quando confrontados com situações e universos específicos, como o direito. Desse modo, a Semiótica jurídica busca evidentemente alcançar um grau de produção de modelos gerais e explicativos comparável aos dessas demais disciplinas há mais tempo estabelecidas e, com isso, ser capaz de fornecer, segundo suas próprias perspectivas e procedimento investigativo, certo grau de compreensão sobre o fenômeno jurídico, tão diverso e multifacetado, conforme comumente se diz. Um dos graus da complexidade do fenômeno jurídico surge do fato de ele não ser adstrito às normas do direito positivo, pois há uma série de fatos, atos e práticas a considerar: fatos que geram efeitos jurídicos, atos que criam relações jurídicas, práticas interpretativas. Uma questão a se considerar é sobre qual a vocação e sobre quais as possibilidades de a Semiótica abordar o fenômeno jurídico e, desse contato, viabilizar um modelo teórico que explique em algum grau esse objeto. Segundo Landowski, em linhas gerais, seria tarefa da Semiótica:
Descrever os sistemas de signos, isto é, a organização de certo número de “códigos” (código de surdos-mudos, códigos de sinais nas estradas) que associam de maneira unívoca – pelo menos para aqueles que têm conhecimento da convenção – certas unidades de uma rede preestabelecida de “significados” (passagem proibida versus passagem permitida versus passagem obrigatória, no caso de um semáforo) com tais unidades correspondentes do “significante” (neste caso, cromáticas: vermelho, amarelo e verde). [...] Se a tarefa da Semiótica, por sua parte, não é assinalar ou classificar os objetos-signos, é porque ela fixou para si um objetivo mais ambicioso e, sobretudo, ao que nos parece, mais estimulante na medida em que – ao menos em projeto – põe de entrada a disciplina em um terreno de encontro possível com outras ciências sociais, entre aas quais, seguramente, está o direito. O objeto da Semiótica, diga-se, é a significação. (LANDOWSKI, 1993, p. 76-77, grifo do autor).
Assim, a tarefa da Semiótica deve ser a de explicar as condições de compreensão e de produção da significação, entre eles as do direito. A Semiótica obtém objetos empíricos particulares para analisar ao tomar, como que em empréstimo, certos fenômenos que podem estar e frequentemente estão sob o domínio de outras disciplinas. Assim, a Semiótica não tem a intenção de substituir as ciências e disciplinas vizinhas, mas de demarcar sua metodologia e interesses a fim de com elas contribuir, conforme já se explorou ao comentar o modelo de Eco. Logo, o fenômeno jurídico, em torno do qual se organiza uma ciência própria, a ciência do direito, é abordado pela Semiótica como um conjunto de elementos portadores de
significação. Esse interesse da Semiótica pelo direito é correspondido pelo interesse da ciência do direito pela Semiótica e por outras disciplinas e ciências voltadas ao estudo da linguagem, porque também a Teoria do Direito, conforme se verá, reconhece esse aspecto como componente de seu objeto de estudo. Grande parte desse interesse por parte da ciência do direito decorre de que o sentido de um texto particular reconhecido como texto jurídico está longe de ser unívoco e, ainda mais sobe certas circunstâncias, claro, e isso justifica o recurso a campos como a Lógica, a hermenêutica filosófica, a teoria da informação etc. E entre os diversos tipos de estudo que, devido a essa questão e outras mais, têm chamado a atenção dos juristas certamente está a Semiótica e sua capacidade de analisar textos e neles encontrar dependências entre estruturas de elementos negativa e oposicionalmente organizados.
Todavia, conforme já houve oportunidade de se registrar, sendo o fenômeno jurídico algo muito vasto e complexo – composto pelo discurso legal, pelo discurso jurisprudencial, por instituições, agentes, atos jurídicos, situações decisórias etc. –, é evidente que não pode ser ele reduzido, para ser plenamente compreendido, a modelos estritamente textuais ou linguísticos. Partir da consideração do direito como discurso é deveras uma simplificação incapaz de esgotá-lo em sua complexidade. Todavia, tampouco a Semiótica jurídica pretende fornecer a explicação última e total do fenômeno jurídico. Apesar de se pretender o ousado objetivo de descrever os sistemas de significação e comunicação, a vida cultural não pode, como se viu com Umberto Eco ao estabelecer os limites naturais da Semiótica, ser reduzida a essas duas categorias, significação e comunicação; não obstante, a cultura e todos os seus setores particulares, entre eles o direito, podem ser estudados em seus aspectos de significação e comunicação, pois tais categorias são, conforme se viu anteriormente, imprescindíveis para o estabelecimento da própria cultura.
Assim, a Semiótica não pode pretender esgotar, em termos de modelo explicativo, a complexidade do fenômeno jurídico, o que não exclui que possa abordar o direito em seus aspectos significativo e comunicativo. Sendo o fenômeno jurídico algo complexo, conforme se tem repetido, apresenta-se às pretensões da Semiótica como um todo heterogêneo e mais ou menos ininteligível, um aparente caos a ser desbravado e descrito. A Semiótica, contudo, ao abordar a linguagem como um todo, também se depara com um universo complexo e heterogêneo, mas é como que sua vocação extrair metodologicamente da heterogeneidade uma estrutura mais ou menos homogênea de significação e de comunicação. No universo jurídico, podem-se também identificar certas constâncias e grupos de homogeneidades, como aquelas que revelam gêneros discursivos: discurso normativo, discurso burocrático, discurso
decisório, discurso científico. Entre esses gêneros, há relações de conotação e denotação, de modo que a Teoria do Direito conota, entre outros, o discurso legal ao tomá-lo como substância de seu plano do conteúdo. Sem debruçar-se especificamente sobre nenhum desses gêneros, se não como procedimento parcial, uma Semiótica geral aplicada ao direito busca captar os traços comuns a guiarem a possibilidade de significação e comunicação em todos eles. Por fim, trata-se, em princípio, de desenvolver uma perspective geral de inteligibilidade relativa ao domínio do jurídico na vida social, perspectiva que o tome como conjunto de elementos portadores de significação e destinados à comunicação, vislumbrando, assim, suas dimensões.