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II. GENEL OLARAK MEKÂN

II.4. Edebî Metinlerde Mekân

II.4.3. Coşku ve Heyecana Dayalı Metinlerde (Şiir) Mekân

II.4.3.1. Klasik Şiirde Mekân Tasavvuru

2.1. Barınma Mekânları

2.1.6. Konak (Kasr, Kaşâne, Kâh, Gurfe, Merhâle)

Partindo desse modelo actancial, Landowski propõe a distinção de dois tipos de relações surgidas da análise do discurso do direito: relações horizontais e relações verticais. Com essa clivagem, pode-se traduzir em termos semióticos o modo como o direito intervém na vida social, pois ele cria verticalizações onde há horizontalidade: o direito toma como seu plano da expressão estruturas sociais que são semióticas (todos dotados de dependências internas) e, com isso, submete-lhes a um esquema modal que lhes é estranho, a modalidade própria da racionalidade jurídica. Landowski (1993, p. 91) utiliza quase os mesmo exemplos de Eco a respeito da estrutura básica da cultura para demarcar o modo próprio de o jurídico inserir-se na vida social: a circulação de bens e valores, a troca de mulheres, as regras de produção e transmissão de mensagens, entre outros exemplos possíveis, apresentam uma estruturação própria, isto é, são comportamentos sociais passíveis de serem descritos, pelas ciências particulares a lhes perscrutar, em termos de estruturas de regras sintático-modais aléticas ou ontológicas (descrição modal com base na necessidade e possibilidade de seus enunciados); o direito, por sua vez, toma tais estruturas previamente existentes e constitui-se como discurso ao tomá-las como elementos de seu plano de expressão, dotado, como se viu, de uma estrutura modal própria, estrutura que não tem natureza alética, mas deôntica. Deve-se sinalizar e, todavia, deixar para uma abordagem posterior, que o direito também toma o plano de conteúdo das línguas naturais como matéria prima ou substância que se organiza especificamente, pela projeção de uma forma, em uma estrutura de conceitos e institutos jurídicos diversos – e tal discussão há de ser enfrentada apenas quando se considerar o plano de conteúdo do direito.

Assim, voltando-se à discussão sobre a formação do plano de expressão próprio do direito, dado pela captação de fenômenos básicos da cultura por uma grade modal própria , há de se considerar que, embora a troca de certos bens econômicos seja possível e mesmo provável devido à estruturação da esfera econômica – como a troca de dinheiro por tempo de exercício de força de trabalho, de dinheiro por um vestido ou de dinheiro pela prática de um assassinato –, algumas dessas operações de troca são marcadas por um semema “ilícito” ou “lícito” ao serem captadas pela estrutura modal do direito. Embora se trate de sememas, isto é,

de grandezas do plano do conteúdo, o que possibilita sua expressão em relação a um ou outro fenômeno social particular é em primeiro, para Landowski, a estrutura sintática do direito, exprimível em termos modais e deônticos. É por essa razão que insiste na distinção entre um nível superficial do discurso jurídico, em que já se manifestam unidades ou grandezas do plano do conteúdo, e um nível profundo, estruturado como sintaxe específica. Isso porque “ilícito” e “lícito”, embora sejam unidades semânticas, são particularizações de valores modais conjuntivos e disjuntivos, de modo que o caráter ilícito de uma conduta particular decorre de um sujeito ter transitivamente atribuído a outro um valor modal da ordem do dever-fazer, estabelecendo uma proibição.

Aqui fica demarcada a íntima correlação entre os planos da expressão e do conteúdo, já flagrada por Hjelmslev, o que não isenta – ao contrário, estimula – abordagens particulares para cada uma dessas dimensões. Ademais, é desse modo que o direito transforma o sentido alético próprio de certos fenômenos sociais em sentido deôntico e, por isso, propriamente jurídico, independentemente de poder ser, ele mesmo, tomado como semiótica-objeto pela Semiótica ou pela Teoria do Direito, estas também preocupadas traduzir a estrutura do direito em termos aléticos e mesmo ontológicos. O direito regulamenta relações horizontais, existentes anteriormente à sua intervenção, de modo a inserir certo grau de verticalidade, tomando-as como relações jurídicas, fazendo dos fatos e objetos previamente existentes fatos e objetos juridicamente relevantes e, assim, construindo um lugar de significação jurídica: assim se dá com a circulação de bens econômicos, com a organização das formas de poder social, com diversas relações sociais como as de parentesco, enfim, com diversos aspectos da cultura. Logo, pode-se dizer que o discurso jurídico insere-se em um nível diferente das relações sociais que busca regular, traduzindo-as em uma lógica propriamente jurídica. Nota- se aí uma hierarquia entre os discursos aléticos quotidianos e o discurso deôntico do direito.

Tal hierarquia se manifesta também da seguinte forma: os sujeitos que praticam atos jurídicos e dão causa ao surgimento de efeitos e situações jurídicas, embora lhes cumpra realizar as operações de conjunção ou disjunção que põe em circulação valores modais e objetivos de toda ordem, não dispõem, por si mesmos, do poder de dizer qual a qualificação jurídica dos atos que praticam. Isso depende de uma instância enunciadora que os transcende e tem por função qualificar – e, desse modo, orientar e sancionar – as ações reais ou possíveis desses sujeitos, novamente possibilitando a captação de estruturas aléticas por estruturais deônticas. Assim, se por um lado os sujeitos são autônomos para a realização de atos a implicarem conjunções e disjunções de valores modais, por outro são heterônomos em relação

à definição do significado desses atos, pois isso depende de uma instância enunciadora que os transcende.