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II. GENEL OLARAK MEKÂN

II.4. Edebî Metinlerde Mekân

II.4.3. Coşku ve Heyecana Dayalı Metinlerde (Şiir) Mekân

II.4.3.1. Klasik Şiirde Mekân Tasavvuru

2.1. Barınma Mekânları

2.1.1. Ev (Beyt, Hâne, Hân-mân, Âşiyân, Yuva, Külbe)

2.1.1.7. Eşik (Âsitân, Dergâh, Südde)

também nesse nível se dá a relação de pressuposição dos processos comunicativos em relação aos processos e sistemas de significação. Assim, a questão é saber se, em sistemas nos quais há apenas uma transmissão, por meio de um canal, de estímulos ou sinais (e, portanto, de informação), há processo comunicativo, a exemplo do caso em que um índice, surgido de uma relação de causa e efeito, indica algo sobre seu objeto.

Se se considerar que a transmissão de informação (estímulo ou sinal) é processo comunicativo, tem-se um caso em que a significação não é pressuposta pela comunicação. Independentemente da resposta que se dê, está-se diante de um fenômeno que representa um caso de soleira da Semiótica. No caso de um índice posto sob olhos humanos (como o ponteiro no painel de um automóvel que, devido ao estímulo da boia no tanque, indica ao

motorista o nível de combustível), sem dúvida se está diante de um processo comunicativo que pressupõe um processo e um sistema de significação, pois o observador do índice o relaciona a uma noção sobre um estado particular do mundo (no exemplo, noções como “tanque cheio” ou “reserva”) por meio de um código, de uma convenção social que liga o índice (posição do ponteiro) a uma noção (nível do combustível). A dúvida surge quando se considera o momento anterior a o observador do índice dirigir sua atenção ao índice e relacioná-lo a uma noção48, pois há quem considere haver aí, além da transmissão de informação, um processo comunicativo, e há quem considere não haver. Eco filia-se à segunda posição, que só poderá ser explicitada em suas consequências no decorrer da exposição de seu modelo elementar de processo comunicativo. A exposição do modelo elementar de fenômeno comunicativo apresentado por Eco, bem como das diversas consequências epistemológicas e teóricas por ele extraídas, será de extrema utilidade não apenas por facilitar sobremaneira a compreensão de sua proposta de ciência semiótica, mas por permitir vislumbrar as múltiplas relações categoriais dos fenômenos jurídicos conforme as descrições de cada autor a ser abordado no próximo capítulo.

Eco imagina um sistema hidráulico composto por uma represa entre dois montes e abaixo, num vale, uma estação em que o técnico responsável controla o nível de água conforme as indicações de um aparelho que recebe, por um canal, informações a esse respeito fornecidas por outros dois dispositivos, uma boia e um transmissor, instalados na represa e acionados quando a saturação de água atinge o nível de perigo. Assim, a presença ou ausência de água, a velocidade de enchimento ou vazão, o fato de a água estar aquém ou além do nível de perigo e tantas outras situações mais, todas são informações que podem ser transmitidas a partir da represa, que, desse modo, constitui a fonte dessas informações. A boia, atingindo o

48 Eco, na esteira da tradição estruturalista, pensa ser equivocado considerar a relação entre o signo e seu referente (objeto) como fundamento da semântica, conforme propugnado por Charles Morris, posição a que Eco (2005, p. 48-52) designa, em dois diferentes enfoques, como “falácia referencial” e “falácia extensional” com o intuito de evita-la na elaboração de sua teoria dos códigos. Não obstante, a questão do objeto ou referente assume relevância em um tipo de estudo por ele designado como “teoria da menção”. Assim, por ora, considere-se que o significado (ou interpretante) veiculado por um (ou representâmen) não remete de modo direito a um objeto (ou referente), mas que, seguindo a posição de Hjelmslev, a significação reside na função contraída entre dois funtivos de expressão e conteúdo. Com a última colocação, não se está a afirmar uma identidade ou equivalência entre categorias como significante (ou expressão) e significado (ou conteúdo), de um lado, e representâmen e interpretante, do o outro – nesta altura, deve já parecer bastante clara a diversidade das construções epistemológicas em que se sustentam e das quais derivam tais conjuntos categoriais; entretanto, inclusive em atenção à pretensão teórica de Eco em seu Tratado Geral de Semiótica, não se há de negar categoricamente a possibilidade de um diálogo entre esses conjuntos categoriais diversos, tampouco a possibilidade de produção de um modelo unificado ou mesmo mais amplo a recolocar, sob outra perspectiva, as reais ou meramente aparentes incompatibilidades entre uma e outra tradição, superando-as. Essa questão, bastante polêmica, recebe de Eco um tratamento do qual exsurge justamente a proposta de um modelo teórico, aqui assumido como possível e meritório, cabendo ao leitor, contudo, decidir se tal proposta de Eco é viável e verossímil. 

nível crítico, aciona um transmissor que emite um sinal que, por meio de um fio (o canal), viaja até o receptor. O receptor converte o sinal elétrico em eventos sensorialmente perceptíveis (poderiam ser movimentos mecânicos, combinações de apitos etc., mas no exemplo se assumirá tratar-se de combinação de lâmpadas) que constituem a mensagem a ser interpretada pelo técnico (destinatário) e exigir uma reação ou a produzir o estímulo que acionará uma resposta automática do próprio sistema hidráulico (como abrir as comportas para vazão). O código, no exemplo, é o artifício que assegura ao sinal elétrico a possibilidade de produzir uma mensagem capaz de solicitar do técnico uma resposta.

Nesse sistema hidráulico, ocorre a seguinte correlação: a presença do sinal +A no canal ascende a lâmpada correspondente no receptor, indicando que a boia sensibilizou o transmissor por estar no nível de perigo; a ausência do sinal no canal, –A, deixa a lâmpada do receptor apagada, indicando que a boia e a água se encontram abaixo do nível de perigo. O modo como o receptor expressa por meio das lâmpadas a presença ou ausência dos sinais elétricos no canal e transmite informação sobre o estado da água na represa se deve ao código estabelecido pelo projetista do sistema hidráulico, código que o técnico deve dominar para estar apto a responder as mensagens mostradas no receptor de maneira a realizar a função para qual foi designado. Além disso, o modelo apresentado por Eco prevê a possibilidade de ocorrência de um rumor no canal que venha a prejudicar a transmissão de informação e a produção de mensagens: no exemplo do sistema hidráulico, pode-se pensar em um distúrbio elétrico que altere a natureza do sinal, elimine-o ou o torne de difícil captação, o que poderia produzir uma mensagem errônea (+A em lugar de –A ou o oposto). Assim, antes de prosseguir, há de se notar que o modelo de Eco para a estrutura elementar da comunicação apresenta os seguintes elementos, dispostos segundo a Figura 7: fonte, sinal, transmissor, canal, receptor, mensagem, destinatário, código e rumor49.

49 Conforme se verá à frente, Eco, com esse modelo, não procura questionar os seis fatores da comunicação de Jakobson, mas colocar a questão em outra perspectiva, buscando ao máximo eliminar a presença humana ou de convenções culturais justamente a fim de testar a hipótese de haver processos comunicativos que prescindam de processos e sistema de significação. Logo à frente, ver-se-á que é justamente por meio desse artifício metodológico que Eco delimitará os horizontes epistemológicos de teoria da informação e Semiótica. Para tanto, Eco deve considerar os elementos de um sistema de dispositivos eletromecânicos segundo a divisão que deles faz a teoria da informação. Assim, cabe aqui alertar para que estes elementos – fonte, sinal, canal, transmissor, receptor e rumor – poderiam ser agrupados como aspectos das categorias do modelo de Jakobson: por exemplo, a fonte poderia ser considerada parte como aspecto do emissor parte como aspecto do contexto; sinal, transmissor, canal “stricto sensu”, receptor e rumor como aspectos do canal. Justamente por querer eliminar ao máximo a presença humana, inclusive de convenções culturais, é que categorias do modelo de Jakobson como emissor e contexto não são consideradas. Ademais, diga-se que os fatores da comunicação verbal não considerados nesse modelo elementar – como mensagem, contexto, emissor, destinatário – serão incluídos quando discutidas a teoria da comunicação (mensagem), a teoria da menção (contexto) e a teoria dos atos comunicativos (emissor e destinatário), todas partes do que Eco designa como teoria da produção sígnica. 

Voltando ao exemplo do sistema hidráulico, a fim de evitar o prejuízo causado pelos rumores, pode o projetor torná-lo mais complexo ao possibilitar que o transmissor emita dois níveis de sinal a partir da boia e ao estabelecer a possibilidade de o aparelho receptor ascender as lâmpadas correspondentes aos sinais +A e +B. Com a introdução de mais um sinal possível tem-se duas consequências: (a) a ausência de um sinal, como –A, não pode mais ser considerada mensagem, mas apenas como condição opositiva que realça a presença do outro sinal no canal, no caso, +B; (b) a ausência ou presença concomitante de ambos pode ser entendida como sinonímia a indicar distúrbio no canal. Logo, dispõe-se de três possíveis mensagens: por exemplo, +A para “estado de calma”, +B para “resposta corretiva” e –AB (ausência de sinal) ou +AB (presença dos dois sinais) para “nível de perigo”. Com isso, o risco de o rumor no canal ocasionar a produção de uma mensagem equivocada diminui, pois seria menos provável que o rumor levasse o receptor a ascender a lâmpada correspondente +A em vez da correspondente +B, o que, contudo, é uma possibilidade ainda presente, e seria ainda menos provável que os dispositivos falhassem a ponto de transmitir equivocadamente a mensagem que depende da presença ou ausência simultânea dos dois sinais no canal.

Ao se complexificar ainda mais o sistema hidráulico, o risco de o rumor no canal levar o receptor a produzir a mensagem errada será ainda menor. Por exemplo, se se projetarem a boia e o transmissor para captarem e transmitir quatro níveis de sinal – +A, +B, +C e +D – e o receptor para comportar quatro lâmpadas correspondentes e se se estabelecer, segundo o código, que cada mensagem deverá ser composta por dois sinais, tem-se seis diferentes mensagens possíveis: +AB, +AC, +AD, +BC, + BD, +CD (este é um caso de combinação simples, pois não é possível, no modelo, ter mensagens com sinais repetidos, como +AA, e tampouco importa a ordem dos sinais, sendo mensagens como +AB e +BA, portanto, sinônimas). Se o projetor elaborar o código segundo o qual a mensagem +AB significa “nível de perigo” e deixar as demais mensagens possíveis sem significado, obterá dois resultados: (a) diminui a possibilidade de mensagem errônea, pois seria pouco provável que um rumor no canal levasse o receptor a ascender exatamente as duas lâmpadas correspondentes a “nível de perigo” e, além disso, a produção de mensagens sem significado (como as cinco demais possíveis) ou o ascendimento de uma combinação de lâmpadas não considerada como mensagem (como +ABC) denunciaria justamente a presença de rumor no canal; (b) o projetista, ao dispor, na boia e no transmissor, de seis níveis de sensibilidade e, no receptor, de seis mensagens possíveis, pode elaborar um código mais rico a fim de transmitir mais e diferentes informações sobre o estado da água na represa.

Desse modo, têm-se três diferentes estruturas: (I) as lâmpadas do receptor, formas de expressão de mensagens, (II) estados da água ou noções sobre o estado da água na represa, captados pela boia e transmitidos no canal pelo transmissor e (III) as respostas do técnico, destinatário da mensagem expressa por meio das lâmpadas do receptor. Se o projetor decidir usar o código para produzir quatro correlações possíveis entre essas estruturas, pode ter-se, por exemplo, o seguinte resultado: as lâmpadas indicativas do sinal +AB (I) significam “nível de perigo” (II) a exigir do técnico “medidas de evacuação da água” (III); as lâmpadas indicativas do sinal +BC (I) significam “nível de alarme” (II) a exigir do técnico um “estado de alarme”; as lâmpadas indicativas do sinal +CD (I) significam “nível de segurança” (II) a exigir do técnico um “estado de repouso” (III); e, finalmente, as lâmpadas indicativas do sinal +AD (I) significam “nível de insuficiência” (II) a exigir do técnico “medidas de enchimento” da represa (III). Assim, segundo Eco (2005, p.28):

A primeira complicação do código produziu redundância, já que dois sinais compõem uma mensagem só, mas essa redundância ensejou uma

abundância de mensagens possíveis e facultou a diferenciação de situações

na fonte e respostas à chegada. Se se observar bem, a redundância produziu ainda mensagens adicionais (AC e BD), que [...] não são consideradas pelo código; poderiam ser usadas para assinalar outros estados intermediários e outras respostas apropriadas, ou para introduzir sinonímias (duas mensagens assinalam juntas o nível crítico). Em todo o caso, o código parece funcionar bem assim, não havendo necessidade de complica-lo ulteriormente.

Diante desse modelo elementar e do exemplo do sistema hidráulico, um semiólogo haveria de se propor seis perguntas: (a) “o que é propriamente um código?”; (b) “os aparelhos do sistema hidráulico tem ou conhecem um código, ou seja, reconhecem o significado de uma mensagem recebida, ou apenas reagem a um estímulo?”; (c) “a resposta automática do sistema hidráulico se baseia em um código?”; (d) “o código se dirige ao técnico ou aos aparelhos do sistema hidráulico?”; (e) “a articulação intrínseca ao sistema de lâmpadas não poderia ser considerado um código, independentemente das noções que veicula?”; (f) “o fato de se segmentar na represa (fonte da informação) quatro posições ou níveis de água a excitar o transmissor não é também um fenômeno de codificação?”. É a resposta a essas perguntas o que permitirá a Eco estabelecer a relação entre os diversos elementos semióticos ligados ao exemplo do sistema hidráulico e ao modelo elementar de comunicação e resolver propriamente a questão inicial: “há processos comunicativos independentes de sistemas e processos de comunicação?”, pois resposta a isso depende da resposta a “o que é código?” e das respostas às demais questões colocadas.

Eco esclarece que considera haver uma diferença entre sistemas (ou estruturas) e códigos. No exemplo do sistema hidráulico, há três sistemas ou estruturas: (I) um sistema sintático, responsável por estabelecer regras de combinação entre as luzes do exemplo, estrutura que poderia ser utilizada para veicular outros fatos ou conceitos diferentes dos estados ou noções sobre o estado da água na represa (assim como o sistema sintático da língua portuguesa, a partir do qual tanto se produziu Os Lusíadas de Camões quanto se pode produzir uma sentença judicial) ou ser compreendido como “[...] pura estrutura combinatória que apenas por acaso assume a forma de sinais elétricos, simples jogo abstrato de oposições e posições vazias.” (ECO, 2005, p. 29); (II) um sistema semântico, a estrutura concernente à série de noções sobre o estado da água, um sistema de posição e oposição de conceitos que poderiam ser veiculados por quaisquer sinais – no exemplo, as noções sobre o estado da água poderiam ser veiculados por luzes em um aparelho, mas por outros sinais como “[...] bandeiras, assobios, fumaça, palavras, ruído de tambores, etc.” (ECO, 2005, p. 29); (III) um sistema pragmático, dado pela estrutura de respostas comportamentais possíveis por parte do destinatário da mensagem, de modo que tais respostas são independentes do sistema semântico e do sistema sintático, pois, no caso técnico, poderia muito bem ele buscar causar uma enchente ante a percepção da mensagem +AB a veicular “nível de perigo” ou, no mesmo caso, ser estimulado a ligar a seu agente de viagens a fim de garantir uma visita à Índia.

O código – diferentemente das estruturas ou sistemas I, II e III – é uma regra de associação que permite particular relacionamento entre as estruturas I, II e III, como “as lâmpadas indicativas do sinal +AB (I) significam ‘nível de perigo’ (II) a exigir do técnico ‘medidas de evacuação da água’ (III)”. Considerando que, em diversos contextos, sistemas ou estruturas são referidas imprópria ou pouco rigorosamente como “códigos” – a exemplo da expressão “código genético”50 –, Eco propõe a expressão “s-código” para referir-se às estruturas ou aos sistemas (sintáticos, semânticos e pragmáticos) e diferenciá-los dos códigos propriamente ditos. Assim:

Os s-códigos são, na verdade, sistemas ou estruturas que podem subsistir independentemente do propósito significativo ou comunicativo que os associa entre si, e, como tais, podem ser estudados pela teoria da informação ou pelos vários tipos de teorias gerativas. Eles são compostos por um

50 O chamado “código genético” apenas pode ser considerado um código na medida em que associa uma estrutura genética a uma estrutura fenotípica, estruturas de natureza bastante diversa, e não na associação entre, por exemplo, os nucleotídeos básicos (no DNA, as duas bases púricas, adenina e guanina, a pirimidina principal, citosina, e a segunda base pirimídica, timina) e os genes, relação que seria mais bem caracterizada, de um ponto de vista semiótico, nos termos de figuras e signos. 

conjunto finito de elementos estruturados oposicionalmente e governados por regras combinatórias mediante as quais podem dar origem a liames finitos ou infinitos. (ECO, 2005, p. 30).

Os s-códigos ou estruturas são postulados ou reconhecidos nas diversas ciências ao verificar a correlação segundo a qual os elementos de um sistema são capazes de veicular o de outro. Não obstante, os s-códigos podem ser estudados em suas propriedades independentemente de sua correlação por meio de códigos. A seguir, vai-se dar alguns exemplos possíveis que ilustram, inclusive segundo as pretensões de Eco, a possibilidade de se descrever em termos semióticos diversas considerações de diferentes ciências e tipos de estudo. Em relação à possibilidade de estudo dos s-códigos e de suas propriedades intrínsecas, pode-se pensar no exemplo da linguística e no estudo do alfabeto: a relação entre figuras e signos, como entre as vinte e seis letras do alfabeto português e as mais de quinhentas mil palavras do léxico do idioma, é um estudo que, apesar de associado à linguística, possui muitas semelhanças com a teoria da informação e a teoria gerativa, pois considera a possibilidade de infinitas combinações a partir de um conjunto finito de elementos. Do mesmo modo, a teoria da informação estuda a quantidade de informação que pode ser transmitida em unidades chamas “bits”, decorrentes de N escolhas binárias, a partir do que é possível estabelecer um código por meio de um algoritmo (uma sequência finita de instruções não ambíguas a partir de escolhas binárias que pode ser executada num período de tempo finito e com uma quantidade de esforço finita, como o algoritmo a possibilitar o funcionamento de um programa de computador).

Eco considera comparar a estruturação de cada um dos s-códigos envolvidos. No sistema hidráulico os s-códigos apresentam uma estruturação homóloga, pois se dão pela oposição de quatro elementos: no caso do sistema sintático, pela oposição entre +A, +B, +C e + D e pela oposição das quatro mensagens possíveis utilizadas na correlação (+AB, +BC, +CD, +AD); no caso do sistema semântico, pela oposição entre “nível de perigo”, “nível de alarme”, “nível de segurança” e “nível de insuficiência”; no caso do sistema pragmático, pela oposição entre “medidas de evacuação”, “estado de alarme”, “estado de repouso” e “medidas de enchimento”. Ao se considerar cada um desses s-códigos em caracteres binários, em que “1” indica ocorrência ou presença e “0” inocorrência ou ausência, tem-se no s-código sintático: +A = 1000, +B = 0100, +C = 0010, +D = 0001. As mensagens seriam: +AB = 1100, +BC = 0110, +CD = 0011, +AD = 1001. Conforme se viu, com uma estrutura em que a presença ou ausência de um único tipo ou nível de sinal dava à ausência por si só um caráter oposicional em relação à ausência, como no caso +A e –A (1 e 0, nos termos agora utilizados); com a consideração de

outros tipos ou níveis de sinal, o caráter oposicional passa a valer não para a ausência ou presença de um membro considerado, mas para a ausência ou presença de uns em relação aos outros, de modo que +AB implica a presença de +A e +B e a ausência dos demais (–C e –D), o que clarifica a representação binária adotada (no caso de +AB, 1100).

Seguindo a mesma forma de representação, o s-código semântico – que decorre da segmentação não exatamente do contínuo dos níveis de água (referentes) em quatro porções consideradas, mas da segmentação do contínuo de noções (significados ou conteúdos) sobre o estado da água – poderia ter sua estruturação assim representada: “nível de perigo” = 1111, “nível de alarme” 1110, “nível de segurança” = 1100, “nível de insuficiência” = 1000. O s- código pragmático, enfim, poderia ser representado, segundo o critério, desta forma: “evacuação” = 0000, “alarme” = 0001, “repouso” = 0011, “enchimento” = 0111. Eco argumenta que a simetria inversa entre sistema semântico e sistema pragmático decorre de o último ter sido construído como modo de compensação do primeiro, o que poderia dar-se de modo arbitrário em outros exemplos ou mesmo nesse, pois “evacuação” poderia ser representada por “1111”. A correlação do sistema sintático em relação aos demais é claramente arbitrária. Apesar de insistir na independência de cada sistema em relação aos demais, à mercê das possibilidades de correlação dadas por um código, Eco chama a atenção para que o importante “[...] é observar como cada um deles possa, independentemente dos demais, fundamentar-se na mesma matriz estrutural – matriz que, conforme se viu, é capaz de gerar combinações diferentes, seguindo diferentes regras combinatórias.” (ECO, 2005, p. 32). Assim,