3.1. Trabzon’un Ruslar Tarafından İşgali
3.1.2. Rus İşgalinin Trabzon’un Fiziki ve Kültürel Yapısına Etkileri
A produção do Editorial de la Escola Moderna foi marcada por grande número de publicações, de autoria própria e de traduções de obras selecionadas. O Editorial foi responsável também pela publicação de livros17 de texto, ora traduzidos ora escritos especialmente para o programa da Escola por encomenda de Ferrer. A maioria deles estava intrinsecamente comprometida com a
16. Diversas instituições operárias, com finalidades culturais, foram iniciadas na região da Catalunha no último quarto do XIX, que desde a presença de representantes espanhóis da Federação Regional Espanhola no Congresso da Internacional em Basiléia, 1869, incitava ações voltadas a programas de ensino. Segundo relato de Anselmo Lorenzo, em 1872, Trinidad Soriano apresentou um plano para o ensino integral no II Congresso da FRE. No Congresso de Sevilla, em 1882, o conceito de educação integral é substituído pelo de ensino laico. Neste contexto, instituições educativas e ateneus operários surgiram com o objetivo de elevar o nível cultural de seus associados mediante conferências, cursos, leituras coletivas, organização de bibliotecas, excursões e até mesmo de representações teatrais. Iniciativas que antecederam a institucionalização escolar proveniente do projeto de Francisco Ferrer i Guàrdia (DELGADO, 1979, p.27-38; MARÍN SILVESTRE, 2009, p.113-166).
17. Segundo Vicente (2008, p. 377), entre 1901 e 1909, o Editorial de la Escuela Moderna publicou 54 títulos. Após a morte de Ferrer, o editorial seguiu funcionando até 1920 com a publicação de mais 73 títulos.
doutrina anarquista como, por exemplo, os livros de aritmética que tratavam em seus enunciados de questões como exploração, capitalismo, parasitismo social, etc. Publicavam-se, indistintamente, obras dirigidas a todas as idades, a criança e jovens em fase escolar, e inclusive para adultos com os quais o Editorial pretendia estender o ideal libertário. A apresentação dessas obras, a qualidade das impressões, a abundância de imagens – em comparação a outras publicações de seu tempo – e o prestígio de seus autores, somado a hábil propaganda entre os círculos operários e as escolas laicas espanholas, foram fatores que asseguraram o êxito desse projeto editorial que, em menos de dez anos, conseguiu alcançar a quarta edição de algumas obras (DELGADO, 1973, p. 54).
Essas edições circulavam pelo mundo a partir dos círculos libertários, locais onde se fazia imprescindível, assim como Ferrer previra, a divulgação de obras condizentes com os pressupostos do pensamento libertário, transformando o Editorial em um instrumento concreto da propaganda libertária. A apresentação feita na primeira edição do Boletín de la Escuela Moderna deixa essa intenção impressa de maneira explícita.
“Examinada con criterio imparcial y por personas competentes la literatura pedagógica española y buena parte de la extranjera, después de reconocer su mérito, ha resultado deficiente para nuestro objeto, porque donde no apunta la preocupación sectaria, aparece franca la patriótica o política […] Esta deficiencia ha inspirado la creación de una Biblioteca que bajo la modesta denominación que nos sirve de epígrafe [Publicaciones de la Escuela Moderna], comprenda todos los libros necesarios para una enseñanza verdaderamente positiva [...]” (In Boletín de la Escuela Moderna, ano I, n°1, 30 de outubro de 1901)
O periódico mensal Boletín de la Escuela Moderna, editado por Anselmo Lorenzo (SOLÁ, 1976, p. 41), foi uma âncora editorial, tendo sido publicados 62 números ao longo de suas duas fases, a primeira de 1901 a 1906 e a segunda de 1908 a 190918. Essa publicação foi o principal meio de divulgação do cotidiano escolar da Escola de Barcelona e inspirou ações semelhantes em outros países, como Itália, Brasil e Argentina, onde Escolas Modernas foram fundadas e seus próprios boletins foram publicados. O Boletín se constituiu como um observatório do tipo de escolarização cunhada por Ferrer, com a função de divulgar sua proposta educativa por meio de resenhas escritas por educadores e livres-pensadores, dando a conhecer suas práticas cotidianas com bastante parcialidade e expandindo a comunicação conceitual de seu credo educativo.
Os relatos programáticos apresentados em sua primeira fase respaldam o entendimento do cotidiano escolar de Barcelona até o seu fechamento em 1906. A pretensão dos Boletins não era a de registrar com exatidão a rotina didática da Escola de Barcelona, mas de projetar-se como meio de comunicação do programa da educação racional e científica, assumindo o mesmo paradigma de divulgação atribuído às folhas periódicas pelos anarquistas. O relato de um número
18. A interrupção da publicação resultou do fechamento da Escola em 1906. Os textos da segunda fase coincidem com a publicação L´École Rénovée, órgão da Liga Internacional para Educação Racional da Infância, criada por Ferrer após o fechamento da Escola Moderna. O Editorial, que funcionou no mesmo edifício da Escola Moderna, foi reaberto após o fuzilamento de Ferrer, prosseguindo com a publicação de obras relativas à educação libertária e também a outras disciplinas, sendo responsável pela circulação internacional desses escritos.
significativo de atividades escolares foi veiculado nestes boletins que expuseram como o projeto pedagógico da Escola foi, na prática, operado. A informação mais minuciosa sobre o cotidiano escolar coincide com os anos em que Jacquinet esteve entre os colaboradores da Escola Moderna. Logo após sua saída, os informes deixaram de expor os detalhes do currículo escolar e passaram, progressivamente, a dar voz a artigos propagadores do ideal libertário. Condição que se tornou a regra nas edições de sua segunda fase que, com o fechamento da Escola Moderna, passou a coincidir com a publicação da revista L´École Rénovée, editada em Bruxelas.
Se os boletins foram um instrumento de difusão da educação racionalista praticada pela Escola Moderna e considerando que cruzaram o mundo fomentando ações semelhantes em outros países, em que medida a ausência de uma abordagem mais pormenorizada do cotidiano escolar, com parâmetros didáticos explícitos, foi determinante como modelo para outras Escolas Modernas serem inauguradas pelo mundo? Ao abdicar de conteúdos mais voltados às técnicas pedagógicas em detrimento de artigos de tom predominantes panfletários sobre os objetivos e razões da prática educacional como instrumento revolucionário, os boletins (assim como o periódico L´École Rénovée) deixaram em aberto uma lacuna sobre o funcionamento operativo das escolas, tanto em âmbito pedagógico quanto administrativo. Isto é, passaram a tratar predominantemente sobre filosofia da educação, deixando de circunstanciar discussões aprofundadas acerca das dificuldades de sustentação de rotinas escolares.
A tiragem, bem como o alcance que essa publicação teve no Brasil, não pode ser afirmada embora alguns fatores contribuam para a suposição de que teve influência sobre o programa da Escola Moderna em São Paulo: a existência de exemplares originais no acervo de Edgar Leuenroth19; a edição de uma publicação escolar homônima pela Escola Moderna n°1, de São Paulo; a frequente divulgação das obras do Editorial de la Escuela Moderna em grande número de edições de alguns dos principais jornais libertários brasileiros. Entretanto, o indício de que o Boletín de Barcelona tenha sido uma publicação conhecida pelos organizadores da pedagogia libertária no Brasil não significa que tenha sido lido como um referencial direto para o projeto das atividades escolares em São Paulo. A primeira fase do Boletín de la Escuela Moderna foi publicada entre 1901 e 1906, período em que não foi encontrada nenhuma menção à Escola de Barcelona entre as fontes consultadas, tão pouco algum exemplar entre os acervos institucionais visitados. Condição que pode ser consequência, como exposto anteriormente, da “inexistência” da Escola Moderna para o mundo antes da execução de Ferrer em 1909, porque foi somente em treze de outubro deste ano que, instantaneamente, Ferrer, ganhou reconhecimento universal inflamando de indignação a todo o mundo civilizado contra o espetacular assassinato (GOLDMAN, 1910, p.1).
19. As edições originais presentes no acervo abrigado pelo AEL-UNICAMP são todas pertencentes à segunda época da publicação, ou seja, após o fechamento da Escola: ano I, n°3, julho/1908; ano I, n°4, agosto/1908; ano I, n°5, setembro/1908; ano I, n°12, abril/1909.
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Divulgação de publicações do Editorial de la Escuela Moderna (In Boletín de la Escuela Moderna, ano I, n°7, 31 de maio de 1902, contracapa)
Boletín de la Escuela Moderna. Capa e contracapa.