• Sonuç bulunamadı

3.2. Milli Mücadele Dönemi’nde Trabzon

4.1.1. Müslümanların Eğitimi

Como apontado anteriormente, a influência do naturalismo pedagógico sobre as atividades da Escola de Barcelona parece ter se reorganizado frente a outras demandas oriundas de

um projeto de educação que se propôs como meta inserir-se no processo revolucionário orientando a presença da formação infantil entre as ações diretas, no seio das disputas urbanas. Entretanto, deixou este programa de ensino impregnado pela herança do meio natural como o lugar propício para o desenvolvimento intelectual, como pôde ser observado reiteradas vezes entre os discursos e relatos guardados como memórias da concepção metodológica da Escola Moderna. As poucas fotos deixadas como registro dessas atividades, bem como a ilustração de capa do Boletín de la Escuela Moderna, de igual maneira, parecem demonstrar em imagens tal incidência. Porém o acúmulo dos valores libertários sobre essa prerrogativa metodológica inicial pode ser percebido no incentivo à equidade entre a observação da natureza, de seus fenômenos e seres, e a observação do trabalhador, ser social que em igual proporção deveria ser elemento de apreensão durante o aprendizado.

A aproximação aos espaços sociais, predominantemente urbano-industriais, marcada pela inserção do edifício da Escola Moderna, bem como pelas manifestações chamadas por Ferrer para que alunos e simpatizantes das escolas racionalistas celebrassem suas reivindicações por meio das merendas coletivas, demonstra outra tônica da educação infantil sobre o uso da cidade. Por estes fatos parece que sua proposta de educação se permitia cultivar a mesma imagem de um espaço de aprendizado móvel, ou seja, que se deslocava para enriquecer as experiências, da qual discorre Reclus, reiterando a importância da observação de acontecimentos urbanos. Muito embora, a atitude dessas atividades deva ser considerada também por seu caráter de propaganda política.

De modo que categorizar ou construir afirmações exatas sobre esta aparente dicotomia entre sua aproximação ora ao meio urbano, ora ao meio natural, seria impor ao trabalho conclusões prematuras frente ao amadurecimento de suas leituras. Mas cabe expor o aparente diálogo entre este programa escolar e as ideias de progresso e retorno à natureza observada nos textos de Élisée Reclus, uma vez que estas se estruturam por ideais revolucionários bastante aproximados com os norteamentos pedagógicos do projeto de Francisco Ferrer.

No trecho que segue, retirado da obra O Homem e a Terra, fica transparente que, não por coincidência, Reclus pode ser considerado como um dos criadores da geografia social (PHILIPPE PELLETIER In RECLUS, 2010d, p.13). O geógrafo, recorrentemente lembrado entre as publicações da Escola Moderna, demonstrou que as conexões entre organização urbana, educação e revolução, não seriam fortuitas quando vistas como fatores de um mesmo organismo social em evolução infinita.

“A escola verdadeiramente liberada da antiga servidão só pode ter franco desenvolvimento na natureza. O que em nossos dias é considerado nas escolas como festas excepcionais, passeios, cavalgadas pelos campos, landas e florestas, nas margens dos rios e nas praias, deveria ser a regra, pois é apenas ao ar livre que se conhece a planta, o animal, o trabalhador e que se aprende a observá-los, a fazer-se uma ideia precisa e coerente do mundo exterior.” (RECLUS, 2010b, p.25 | grifos meus). O retorno ao meio natural, em Reclus, parece fundamentar-se no reconhecimento das relações educativas entre os animais e homens primitivos em um processo no qual

as crianças em relação imediata com os pais aprendiam imitando seus discursos, seus comportamentos e suas ações. Nestas sociedades, o modelo da vida adulta, sobretudo desde a figura materna e a paterna, desempenhava influência direta sobre o crescimento infantil. Protagonismo dos pais que a sociedade moderna deslocou para a figura de educadores especiais – mestres, professores, tutores, a “tia” do jardim da infância – que passaram a assumir a responsabilidade pelo direcionamento da educação infantil, uma vez que houve uma ruptura na unidade primitiva das famílias, em grande medida proporcionada pelas exigências da vida laboral (2010b, p.13). Entre outros fatores, houve o inevitável surgimento da escola que, segundo Reclus, não deveria ter modificado o desenvolvimento natural do aprendizado, criando ambiências artificiais para a educação infantil, impregnando o processo de formação do cidadão por valores de competitividade e atribuindo-lhe a noção de carreirismo como eixo estruturador de todo aprendizado escolar (2010b, p.36). Da exposição dessa perspectiva que atribui falta de organicidade à educação tradicional praticada ao longo do século XIX, o geógrafo anarquista fundamentou sua concepção de aprendizado em critérios que extrapolavam os contidos pelos limites do edifício escolar, retomando uma concepção educativa que imaginava o processo de formação de maneira mais orgânica e espontânea. Em seu ideário, mesmo tendo sido reconhecido como um importante lugar da educação, a escola não deveria ser enfatizada como o único, tão pouco como o mais importante.

“Atualmente, com a posse do ouro tendo se tornado, pelo próprio funcionamento da sociedade, o objetivo quase fatal da juventude, é difícil imaginar-se quão belos poderiam ser os locais de estudo, onde o amor pelo conhecimento e pela ciência da vida seriam as únicas ambições, pois o bem estar teria sido assegurado de antemão. É certo, em primeiro lugar, que os grupos de estudantes tornar-se- ão cada vez mais móveis e que, por consequência, eles serão cada vez menos ligados à sede universitária que, por seus laboratórios, suas coleções e bibliotecas, constituem o centro necessário de suas pesquisas. Assim como certas escolas de crianças, ainda bem raras, deslocam-se do final da primavera ao começo do outono, indo à descoberta de sítios curiosos ou cidades interessantes, do mesmo modo alguns grupos de estudantes, centenas, às vezes, reúnem-se para autênticas viagens de estudos, nas regiões mineiras oferecendo um grande interesse geológico, ou, então, nos países curiosos por suas plantas, seus animais, suas artes e seus costumes. Vimos estudantes americanos fretar um navio para ir durante meses estudar a natureza da costa africana.” (RECLUS, 2010b, p.36-37)

Por outro lado, o ideal de progresso entendido como um movimento infinito de evolução da humanidade sobre si mesma, alavancando melhoria geral das condições de vida do homem, contemplava a cidade como um de seus lugares de realização e, por isso, previa a ocupação e tomada de seus espaços como um dos eixos estruturais da revolução (RECLUS, 2011, p.26). Diferente do que costuma dizer o senso comum, o pensamento anarquista, em geral, não disseminava a negação das máquinas, da industrialização ou

Capa do último

Boletin

publicado. A mesma ilustração foi mantida em todas as edições.

(In

Boletín de la Escuela Moder

na,

13

4

13

5

Fotos dos passeios escolares

Assim, por questões que certamente vão além desta breve retomada, é possível imaginar que na iminência dos primeiros anos do século XX talvez não coubesse mais às ações libertárias promover instituições de educação voltadas ao meio rural, priorizando o crescimento dos alunos em pleno contato com a natureza. Apesar de todas as contradições apontadas na construção programática da Escola Moderna de Barcelona, e apesar de todos os problemas das novas cidades, parece que as prerrogativas de seu programa educativo contavam com perspectivas revolucionárias que viam a organização física da sociedade por um viés muito pouco utópico quando se lançaram ao desafio de também disputar as cidades que se constituíam como grandes centros urbano-industriais.

“[…] Sem sombra de dúvida, o novo funcionamento dará origem a novos organismos, e as cidades, já tantas vezes renovadas, terão de renascer sempre sob novos aspectos em concordância com o conjunto da evolução econômica e social.” (RECLUS, 2010d, p.80)

mesmo da vida urbana41. Ao contrário, via com otimismo a possibilidade da reorganização social e a descentralização dos poderes acontecerem por meio da apropriação desses mesmos lugares que conformavam a cidade industrial. O problema da forma urbana, para Reclus, estava na desigualdade que separava em dois um corpo social que deveria estar unido. Tudo bem considerado, toda questão da edilidade confunde-se com a própria questão social (2010d, p.73). A passagem que segue, fala a respeito da sociabilidade como a primeira lei da natureza humana como causa da inviabilidade do retorno à vida no campo, ainda que o contato com o meio natural, com o farfalhar das árvores e o som dos riachos, fosse imprescindível.

“Por um movimento de reação bem natural contra o pavoroso consumo dos homens […] reformadores pedem a destruição das cidades, o retorno voluntário de toda a população ao campo. Sem dúvida, numa sociedade consciente, desejando resolutamente o renascimento da humanidade pela vida no campo, essa revolução tal como nunca aconteceu seria estritamente possível, porquanto, avaliando em cem milhões de quilômetros quadrados apenas a superfície das terras nas quais se pode viver de maneira agradável e salutar, duas casas por quilômetro quadrado, contendo cada uma sete e oito habitantes, bastariam para alojar a humanidade; mas a natureza humana, cuja primeira lei é a sociabilidade, não se adaptaria com essa dispersão.” (RECLUS, 2010d, p.77) A junção entre as necessidades de sociabilidade e vida salutar, em proximidade à natureza, trazem rapidamente à lembrança o projeto inglês de cidade-jardim onde industriais inteligentes e arquitetos inovadores criaram condições saudáveis para pobres e ricos. Entretanto, Reclus ponderou que os habitantes dessas cidades eram privilegiados e que a boa intenção de filantropos não era suficiente para conjurar as consequências do antagonismo existente entre o Capital e o Trabalho (2010d, p.74). Reclus aponta ainda que, apesar do valor desta iniciativa projetual, ela não se faz uma referência indispensável, pois outras experiências – como, por exemplo, as comunas dos polabos, na bacia do rio Jeetze, na Alemanha – experimentaram formas urbanas alternativas que foram tão quanto valorizáveis (2010d, p.75).

O geógrafo, discorrendo sobre mapas demográficos de diversas cidades, reitera que existe uma tendência da população ao adensamento porque o grande privilégio de poder discutir os interesses públicos, por tradição, transformou todo mundo em citadinos e por isso é

“Assim que na Provença, o pequeno proprietário, em vez de habitar em seus campos, permanece, contudo, um ‘urbano’ inveterado. Embora possua pequena ou grande casa de campo, não se instala absolutamente nessa propriedade rural, mas reside na cidade de onde pode ir, passeando, visitar suas árvores frutíferas nesse caminho de ligação, e fazer sua colheita.” (RECLUS, 2010d, p.76)

41. Sobre o caráter destrutivo das revoluções, Reclus salienta: “[…] é errôneo ver nas revoluções simplesmente o efeito de um instinto de destruição que excitaria as massas populares e as levaria a destruir. Sem dúvida, esse instinto existe, todos os educadores observam o quanto ele é imperioso nas crianças, amantes natos da renovação. Não se deve esquecer que ‘viver é agir’, e que a ‘destruição é a forma mais fácil da ação’ (Anatole France): mas não há apenas o instinto; é preciso levar em conta, sobretudo, a vontade coletiva proveniente das condições gerais da sociedade” (RECLUS, 2010c, p.35).

CIDADE,