1. BÖLÜM
1.2. Politika Transfer Süreci
1.2.4. Politika Transferinin Nedenleri
As reflexões e resultados desta investigação baseiam-se na confrontação entre as discussões de nível mais geral sobre a juventude rural e as evidências empíricas obtida da
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experiência realizada junto ao Assentamento Rancho Alegre. Norteada pelo caráter transversal da problemática envolveu-se ao mesmo tempo aspectos universais e particulares.
Considerando o problema norteador, os objetivos da investigação, e a relação estabelecida entre pesquisador/pesquisados, utilizou-se como principal estratégia na pretensão interpretativa, uma postura baseada na observação participante através de entrevistas individuais semi-estruturadas.
O procedimento metodológico empregado foi a entrevista semi-estruturada, com base em questões norteadoras pré-estabelecidas e levantamento da memória e história oral dos sujeitos. Para possibilitar o registro das informações e o relato oral fez-se uso do gravador e diário de campo.
A busca pelos discursos efetuou-se principalmente através de entrevistas individuais realizadas nas casas dos informantes, com duração aproximada de 120 minutos, por meio de conversas formais e informais, com o intuito de conhecer a realidade local dessa juventude, seu cotidiano, demandas, potencialidades e projetos futuros e dessa forma realizar uma leitura e análise em relação a permanência ou possível saída dos jovens da comunidade.
A técnica de utilização do diário de campo permite o registro detalhado de informações, observações e reflexões surgidas no decorrer da investigação. As observações anotadas foram revisitadas diversas vezes durante a elaboração desta dissertação.
Segundo Haguete (1997, p.95) o levantamento da memória e história oral dos sujeitos “É uma técnica de coleta de dados baseada no depoimento oral, obtido através da interação entre o especialista e o entrevistado, ator social ou testemunha de acontecimentos relevantes para a compreensão da sociedade”.
Durante a pesquisa foram entrevistadas as 15 famílias residentes no Assentamento através de um roteiro de perguntas elaboradas a partir da vivência do dia a dia dos jovens pesquisados, com o intuito de verificar as suas expectativas com relação à sua permanência ou possível saída do meio rural e os sistemas de produção adotados pelas famílias. O critério de seleção utilizado considerou jovens as pessoas que se encontravam na faixa etária entre 14 e 34 anos, levando em conta a pluralidade e diversidade das juventudes rurais.
Quanto à dinâmica dos sujeitos a serem entrevistados houve uma preocupação de não se realizar um estudo baseado apenas em poucas idas à região, utilizando informantes- chaves, mas uma permanência constante na medida do possível no dia a dia do Assentamento. Apesar de ter um cronograma estabelecido, o tempo de duração da fase de campo não foi previamente estipulado, sendo determinado pelas experiências locais e com as necessidades levantadas na pesquisa.
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Para preservar a identidade dos jovens entrevistados, os mesmos serão denominados com letras do alfabeto. Para os jovens do sexo masculino serão utilizado o alfabeto na forma maiúscula, exemplo entrevistado A, entrevistado B, e para as jovens do sexo feminino será empregado o alfabeto na forma minúscula, exemplo entrevistada a, entrevistada b, para que seja possível analisarmos as relações de gênero. Além disso, será acrescido um número para cada jovem das unidades produtivas estudadas. Assim o jovem JA1 é um jovem do sexo masculino residente no lote 1, e assim sucessivamente.
Durante este período além de realizar as entrevistas, foi possível inserir-se ao máximo na dinâmica do Assentamento, levando a freqüentar festas locais (a exemplo das festas juninas e aniversário do Assentamento), as celebrações religiosas, atividades coletivas junto aos agricultores (como um mutirão dos homens para concerto dos canos de irrigação), atividades promovida por mediadores sociais (como cursos e oficinas promovidos por professores da Universidade Federal do Ceará), visita constante a casa dos agricultores do Assentamento e comunidades vizinhas.
Na vivência com as famílias buscou-se uma aproximação com os jovens para a obtenção de informações detalhadas. Isso permitiu a observação do dia-a-dia dos mesmos, e registro in loco dos fatos e dados por parte da pesquisadora.
Nas entrevistas com os jovens buscou-se conhecer seus comportamentos no contexto das atividades rurais e das transformações sociais vividas no campo, principalmente da agricultura familiar. Além disso, objetivou-se avaliar a inserção desses jovens rurais em um mundo globalizado, projetos para o futuro e a sua busca por uma realização pessoal.
As conversas e experiências, somada às impressões proporcionadas por atividades desenvolvidas em momentos anteriores (a exemplo da Oficina de Gênero e Agroecologia), determinaram os jovens a serem entrevistados.
A oficina foi realizada pelo Programa Residência Agrária da Universidade Federal do Ceará e permitiu uma aproximação com os jovens do Assentamento por meio de vivência em seus quintais. Neste momento observou-se a quantidade de jovens que eram donos de unidades produtivas e tinham suas vidas direcionadas pela dinâmica do universo rural a qual estavam inseridos. Assim optou-se em entrevistar os jovens que possuía um lote com produção constante.
Os sujeitos das pesquisas foram quinze jovens compostos por jovens do sexo masculino e do sexo feminino que são agricultores (as) assentados (as), são donos da sua própria unidade produtiva. Objetivou-se verificar a sua situação atual, os motivos que o levaram a luta pela terra e seus projetos de vida no meio rural.
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Quanto ao roteiro das entrevistas, as perguntas foram inicialmente pensadas antes da fase de campo, sendo ampliadas ao longo do desenvolvimento da pesquisa. Sua estrutura dividiu-se em quatro pontos principais: a) a trajetória social dos sujeitos; b) a forma de inserção no Assentamento e o trabalho que desenvolve; c) a adoção do sistema produtivo; e d) a educação e a relação com agentes externos.
Para um melhor entendimento da realidade do Assentamento foram realizadas vivências e visitas constantes as casas dos agricultores, conhecendo as atividades desempenhadas e o papel dos jovens no contexto da unidade produtiva.
A pesquisa apresentou como finalidade entender os motivos que levaram os jovens a permanecer no meio rural, obter informações sobre a situação atual dos sistemas produtivo local proveniente das unidades produtivas administradas por jovens e conhecer a contribuição do poder público, das entidades, instituições e programas que de alguma forma contribuem para essa permanência.
A pesquisa partiu do entendimento que a participação da juventude é fundamental no processo de transformação social do campo, visto que os jovens representam uma ampla faixa etária no país. Desta forma entender o que os jovens pensam, sentem, dizem e fazem tem relevância para toda a sociedade.
O pesquisador interessado em perceber as visões de mundo de um determinado grupo social precisa estar atento para o fato de que “a percepção não é causada pelos objetos sobre nós, nem é causada pelo nosso corpo sobre as coisas: é a relação entre elas e nós e nós e ela” (CHAUÍ, 1999, p.125).
As experiências e avaliações do conhecimento obtido pela interpretação de um objeto (os jovens do campo) por um sujeito ativo (o pequisador) é um caminho de mão dupla, indissociável. Dentro do contexto onde se encontram inserido as percepções, discursos e ações dos sujeitos “perceber é sempre perceber um campo de objetos que permite corrigir uma percepção por meio de outra (CHAUÍ, 1999, p.124).
Na pesquisa do tipo qualitativa, o entrevistador deve atentar-se não somente às respostas, mas aos gestos, expressões, entonações, sinais não verbais, ou seja, devendo realizar uma análise escrita de qualquer comunicação oral, visual e gestual (LUDKE; ANDRÉ, 1986). Assim para analisar o material coletado o pesquisador deve compreender os sentidos das comunicações, conteúdo latente ou manifesto e as significações explícitas ou implícitas (CHIZZOTTI, 1991). Para Chauí (1999, p.107) as verdades encontram-se:
Sempre situadas nas condições objetivas em que foram alcançadas e estão sempre voltadas para compreender e interpretar a situação na qual nasceu e a qual volta para
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trazer transformações. Não escolhemoss o país, a data, a familia [o meio ambiente] e a classe social - isso é nossa situação - mas podemos escolher o que fazer com isso, conhecendo nossa situação e indagando se merece ou não ser mantida.
Tais percepções, discursos e ações dependem da personalidade, das trajetórias sociais, dos sonhos, desejos e interesses pessoais aliado às condições socioculturais, econômicas, produtivas e simbólica que formam e marcam a realidade da qual fazem parte. Para Cardoso (1997), observar é contar, descrever e situar os fatos cotidianos e únicos através da construção de cadeias de significados, implicando em um investimento do observador no seu próprio modo de olhar.
A tarefa do analista consiste em observar atentamente as lógicas proprias dos atores sociais(...) [o que] pode ser feito por intermédio de entrevistas e de contatos pessoais aprofundados, por uma observação e discussão detalhada, bem como através de uma escuta de qualidade. [permite também] fazer uma coleta de informações que são de natureza subjetiva, mas que fornecem a possibilidade ao pesquisador de melhor avaliar a veracidade dos dados e dos fatos que serão analiticamente manipulados (ALMEIDA, 1998, p. 40 e 52).
Todavia é importante ressaltar que não é possivel uma participação total do pesquisador. Martin (1997, p.19) afirma que “é uma ingenuidade imaginar que o pesquisador possa se tornar participante de grupos cuja situação social exacerba seus critérios de alteridade e torna precisa a linha que neles separa o „nós‟ e os „outros‟‟, ou seja, o pesquisador sempre será alguém de fora que não chega para ficar, morar e permanecer, mas conhecer, entender e retornar.
Entre o constante processo de idas e vindas entre o aporte teórico e a questão de pesquisa, o método analítico ou interpretativo não deve ser dado “a priori” como acabado, mas ser constituído a partir dos desdobramentos e correspondências com o objeto analisado.
Quanto à abrangência do estudo, a pesquisa não teve a finalidade de discutir aprofundadamente todo o conceito de juventude rural como um todo, nem pretendeu cobrir toda a complexidade das relações e interações no âmbito dos debates acerca da problemática, nem tampouco determinar o vasto e aberto universo da modalidade de atuação dos jovens no meio rural escolhido. A idéia foi perceber como as discussões de caráter mais amplo incidem sobre as realidades locais, buscando identificar mecanismos que estão atuando também nesses espaços e vice-versa. Pretendeu-se assim “com os depoimentos recolhidos, recortar tão somente um corpus de relatos expressivo das experiências” (CARVALHO, 2001, p. 20) do grupo citado.