1.5. KAYNAK BAĞIMLILIĞI KURAMINI OLUŞTURAN TEMEL KAVRAMLAR
1.5.5. Politika Kavramı
O conjunto arquitetônico e paisagístico da cidade de Igarassu é um dos principais testumunhos do Brasil Colônia, na forma de bens culturais edificados de pedra e cal, herança da colonização portuguesa, e remanescentes de vegetação nativa ou introduzida nos primeiros anos da colonização.
O conjunto arquitetônico e paisagístico de Igarassu foi inscrito no livro arqueológico, etnográfico e paisagístico do IPHAN através do processo 359-T-45, em 10.10.1972 (INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL, 1994). Ele ocupa uma área de 396.202 metros quadrados, da qual o sítio histórico ocupa uma pequena parte. A foto 8 ilustra o reduzido tamanho do sítio histórico, conseguindo capturar
praticamente toda sua extensão131:
Foto 8 – Sítio histórico de Igarassu.
131 O sítio histórico compreende as edificações que aparecem em primeiro plano, com destaque para as três edificações religiosas que dominam a paisagem, e o casario em torno do largo localizado logo após a ponte sobre o Rio São Domingos. A mancha urbana do alto da foto não apresenta elementos de interesse histórico ou arquitetônico.
Apenas três monumentos históricos não aparecem na foto: a Casa de Câmara e Cadeia e as ruínas da Igreja de Nossa Senhora da Misericórdia e da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos.
A presença de mangues, alagados e terrenos com alta declividade fez com que o entorno do sítio histórico demonstrasse certa capacidade de resistência às pressões de ocupação geradas pelo adensamento populacional da RMR e implantação de grandes indústrias em Igarassu a partir dos anos 1960 (UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO, 1974). Isto fez com que o desenvolvimento da cidade de Igarassu ocorresse a partir de diversos núcleos, evitando-se áreas com alto custo de ocupação gerado por obstáculos naturais, ao contrário do que aconteceu com diversas cidades históricas do Nordeste, com adensamento populacional em torno de um único núcleo.
A foto 8 ilustra a presença de abundante vegetação em torno do sítio histórico e em direção ao interior. A foto 9 mostra o domínio dos coqueirais e tabuleiros litorâneos, na área
compreendida entre o sítio histórico e Oceano Atlântico132:
Foto 9 – Aspecto do entorno do sítio histórico de Igarassu.
O conjunto paisagístico tombado pelo IPHAN, no entorno do sítio histórico da cidade, é composto de mangues, alagados, remanescentes de Mata Atlântica, coqueirais e tabuleiros litorâneos.
Nas últimas décadas, o entorno do sítio histórico de Igarassu sofreu um processo de ocupação irregular, com a formação de favelas e pequenos núcleos habitacionais. Apesar da
declividade do terreno e ausência quase completa de infra-estrutura urbana, a ocupação desta área é vista como solução de moradia por pessoas provenientes da Zona da Mata pernambucana, em busca de emprego na RMR.
O secretário de turismo, cultura e esportes de Igarassu no período 2001-2004, Márcio Rodrigues, afirma em entrevista que a “favelização” dos arredores do sítio histórico gera problemas de entorpecentes e insegurança na área, antes ausentes.
Diversos habitantes do sítio histórico relatam que o número de assaltos e arrombamentos na área, e em sua vizinhança, aumentou muito nos últimos cinco anos. Isto gerou a proliferação de um elemento antes ausente do sítio histórico de Igarassu: grades e correntes em portas e janelas. A moradora de um imóvel da Praça Marechal Deodoro, com fachada tombada pelo IPHAN, justifica:
Eu coloquei a grade na janela porque Igarassu está igual ao Recife, a violência só faz crescer. [...] Há uns dez anos atrás, isto aqui era uma tranquilidade, agora nós escutamos problemas de roubo e assalto quase toda semana. [...] Já veio um funcionário da prefeitura [municipal de Igarassu] e um do IPHAN dizendo que eu não posso colocar grade, que é patrimônio tombado, que estou errada e tal. Agora, eu perguntei para eles quem garante a segurança do meu pai e minha mãe. Eles são idosos e eu só volto do trabalho depois das 22:00 hs. (Entrevista em Igarassu, julho de 2005).
O casario colonial do sítio histórico de Igarassu é formado por exemplares dos séculos XVII, XVIII, XIX e início do XX. O tombamento do conjunto arquitetônico da cidade contempla apenas a fachada e coberta das edificações, o que faz com que a quase totalidade das casas possua interior adaptado a funções contemporâneas.
O acervo tombado apresenta integridade e harmonia arquitetônica difíceis de se encontrar em outras cidades históricas brasileiras. Não há nenhum exemplar de arquitetura moderna ou contemporânea no sítio histórico; todas as casas são históricas, as mais recentes datadas do início do século XX.
132 Infelizmente, as duas fotos retiradas com o objetivo de mostrar a vegetação do entorno de Igarassu queimaram. A foto 9 foi tirada para mostrar a alça feita pela PMIg para o estacionamento dos ônibus de turismo, mas ela mostra um pouco a vegetação do entorno do sítio histórico de Igarassu.
Todos os exemplares estão em bom ou razoável estado de conservação. Poucas casas apresentam pequenas descaracterizações, em virtude da colocação de placas comerciais e grades de ferro em portas e janelas.
A maioria das casas é de arquitetura simples, térrea e com poucos elementos decorativos na fachada. Apenas três casas destacam-se no conjunto: a antiga maçonaria e a agência bancária do BANDEPE, pela verticalidade, e a sede da PMIg, com sua fachada coberta de azulejos
portugueses133.
O casario histórico concentra-se em cinco logradouros da cidade: Praça da Bandeira, Ladeira do Livramento, Rua Frei Caneca, Praça Marechal Deodoro e Rua Marechal Hermes da Fonseca. As fotos 10, 11, 12 e 13 mostram o casario do sítio histórico de Igarassu:
Foto 10 – Casario da Praça da Bandeira.
Foto 11 – Casario da Praça Marechal Deodoro.
Foto 13 – Casario da Ladeira dos Santos Cosme e Damião.
A maior parte do casario histórico da Praça da Bandeira, Ladeira do Livramento, Rua Frei Caneca e Rua Marechal Hermes da Fonseca é de propriedade da PMIg, que mantém no sítio histórico diversos órgãos públicos municipais, como a Secretaria de Turismo, Cultura e Esportes e a sede da prefeitura. A sede da Associação dos Agentes de Turismo de Igarassu e
a Casa do Artesão funcionam em casas cedidas em comodato pela PMIg134.
O casario da Praça Marechal Deodoro é de propriedade particular. Até o início dos anos 1980, predominava o uso residencial, mas a instalação de laboratórios, firmas de engenharia e contabilidade e representações fez com que a maior parte das casas seja hoje ocupada por empresas.
As edificações religiosas de Igarassu, com exceção da Capela de São Sebastião e Igreja de Nossa Senhora do Livramento, possuem uma arquitetura monumental, sendo os principais pontos de referência do sítio histórico (UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO, 1974).
A Igreja dos Santos Cosme e Damião é considerada a mais antiga igreja remanescente do país. Foi construída em 1535, por ordens do primeiro donatário de Pernambuco, Duarte
134 Jorge Barretto, diretor do Museu Histórico de Igarassu (MHI), estima que das quarenta casas existentes nestes quatro logradouros, pelo menos trinta pertencem à PMIg.
Coelho Pereira, em memória da vitória portuguesa sobre os índios tupis, fato que marca a fundação da primeira vila da Capitania de Pernambuco (UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO, 1974). Atualmente, é a igreja matriz de Igarassu.
Situa-se na parte alta do sítio histórico, ao lado do MHI e em frente à Igreja e Convento do Sagrado Coração de Jesus, e possui estilo arquitetônico maneirista, com influências barrocas em seu interior. A fachada é simples, com torre e nave única. Há dois altares laterais, além do altar-mor (IGARASSU, 2005a).
Ademais, ostenta dezenas de imagens barrocas, dos séculos XVI, XVII, XVIII e XIX. Conta ainda com as imagens originais dos santos Cosme e Damião, vindas de Portugal quando de sua inauguração, no início do século XVI. Os altares são de madeira, em estilo rococó, os púlpitos em pedra lavrada e a sacristia possui arcaz, cômodas e lavabo de pedra trabalhada. No altar-mor, há tribunas de jacarandá. O quintal da igreja funciona como mirante, de onde é possível observar a parte baixa do sítio histórico, remanescentes de mata atlântica e parte do distrito industrial às margens da rodovia BR-101.
A igreja possui relíquias dos santos Cosme e Damião, guardadas em seu interior. De acordo com Teixeira (1998), a Igreja dos Santos Cosme e Damião era um dos principais centros de peregrinação religiosa de Pernambuco durante os séculos XVI e XVII. Encontra-se em bom estado de conservação, e é aberta à visitação das 09:00 às 13:00 hs e das 14:00 às 17:00 hs. O acesso rodoviário é pavimentado e em bom estado de conservação. A Igreja dos Santos Cosme e Damião foi tombada pelo IPHAN em 25.05.1951, através do processo 359-T-45 (INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL, 1994).
A foto 14 mostra o Pátio dos Santos Cosme e Damião, e a foto 15 a Igreja dos Santos Cosme e Damião:
Foto 14 – Pátio dos Santos Cosme e Damião.
Foto 15 – Igreja dos Santos Cosme e Damião.
A Igreja e Convento do Sagrado Coração de Jesus começou a ser contruída em 1742; em 1758 foi concluída. É o primeiro convento da Ordem do Sagrado Coração de Jesus no Brasil. Em 1850, a fachada da igreja ruiu, sendo refeita em apenas trinta dias, fato notável à época (IGARASSU, 2005a).
Situa-se na parte alta do sítio histórico, ao lado do Museu Histórico de Igarassu e em frente à Igreja dos Santos Cosme e Damião.
O conjunto arquitetônico é de estilo barroco, com interior simples. Destacam-se quatro imagens em tamanho natural, como a de Nossa Senhora da Conceição. A parte interna do convento encontra-se descaracterizada, com parte condenada pelo IPHAN.
A igreja encontra-se em bom estado de conservação, e é aberta à visitação das 08:00 às 11:30 hs e das 14:00 às 16:30 hs. O convento não é aberto à visitação. O acesso rodoviário é pavimentado e em bom estado de conservação. A Igreja e Convento do Sagrado Coração de Jesus foi tombada pelo IPHAN em 25.05.1951, através do processo 359-T-45 (INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL, 1994).
A foto 15 mostra o Pátio dos Santos Cosme e Damião, sendo possível visualizar a Igreja e Convento do Sagrado Coração de Jesus no lado esquerdo da foto. A foto 16 mostra a imponência do conjunto arquitetônico tombado:
Foto 16 – Igreja e Convento do Sagrado Coração de Jesus.
A Capela de Nossa Senhora do Livramento foi construída em meados do século XVIII, por iniciativa dos “homens bons” de Igarassu, termo usado na época para designar pessoas ligadas a instituições assistenciais e religiosas, bem como conselheiros da cidade
(TEIXEIRA, 1998). Era a igreja da elite civil e religiosa de Igarassu, motivo que a fez funcionar como matriz durante longo período de tempo.
Situa-se na Praça da Bandeira, ao lado da sede da PMIg. A igreja possui estilo arquitetônico barroco, sendo feita de tijolo manual, pedra e cal. A fachada é simples, composta por porta única, duas janelas e sem torre sineira. O desabamento do telhado, no início do século XX, fez a Capela de Nossa Senhora do Livramento perder seus altares e mobiliário, restanto algumas imagens, que se encontram na Igreja dos Santos Cosme e Damião. Encontra-se em bom estado de conservação e não é aberta à visitação. Há missas duas vezes por mês. O acesso rodoviário é pavimentado e em bom estado de conservação. A Capela de Nossa Senhora do Livramento foi tombada pelo IPHAN em 25.05.1951, através do processo 359-T- 45 (INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL, 1994)
A foto 17 mostra a Capela de Nossa Senhora do Livramento:
A Capela de São Sebastião foi construída em 1735, provavelmente em comemoração aos duzentos anos da Igreja dos Santos Cosme e Damião, pelo conselho municipal de Igarassu (IGARASSU, 2005a).
A capela domina a paisagem da Praça Marechal Deodoro. De estilo arquitetônico barroco, com influência maneirista, sua fachada é composta por uma porta, duas janelas e pequena torre sineira lateral. O interior é simples, com altares de pedra.
A igreja encontra-se em bom estado de conservação, e é aberta à visitação em horários variáveis. Há uma missa por semana, às quintas-feiras. O acesso rodoviário é pavimentado e em bom estado de conservação. A Capela de São Sebastião foi tombada pelo IPHAN em 25.05.1951, através do processo 359-T-45 (INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL, 1994).
Um dos integrantes da Confraria de São Sebastião explica o horário de abertura da igreja:
A igreja fica fechada, pois se deixarmos ela (sic) aberta alguém pode entrar e roubar uma imagem, crucifixo, ou mesmo os pertences de membros da confraria que ficam na sacristia. A confraria é muito pobre, então não podemos pagar alguém para tomar conta. Como quase não vêm turistas para cá, muito raramente chamam a gente para abrir a igreja. [...] É só chamar naquela casa ali, que a mulher tem a chave da igreja. (Entrevista em Igarassu, janeiro de 2005).
A foto 18 mostra a Praça Marechal Deodoro, a partir da Capela de São Sebastião. A foto 19 retrata o monumento tombado:
Foto 18 – Casario histórico da Praça Marechal Deodoro.
Foto 19 – Capela de São Sebastião.
O sítio histórico de Igarassu conta com ruínas de duas igrejas. A Igreja de Nossa Senhora da Misericórdia foi construída em meados do século XVI, sendo o local de realização dos Autos da Inquisição na então Vila de Igarassu. Durante a invasão holandesa, serviu de quartel- general às tropas holandesas e foi palco de estupros de mulheres locais por parte dos invasores. Após a restauração pernambucana, a igreja foi abandonada pela população, arruinando-se. Resta de pé a parede lateral erguida do lado norte.
A Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos foi construída em 1701. Resta de pé parte da parede lateral construída do lado norte, em avançado estado de deterioração.
A foto 20 retrata o que restou da Igreja de Nossa Senhora da Misericórdia, e a foto 21 mostra as ruínas da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos:
Foto 20 – Ruínas da Igreja de Nossa Senhora da Misericórdia.
A Casa de Câmara e Cadeia de Igarassu foi construída em meados do século XVIII, sendo a maior de seu gênero no Estado de Pernambuco até a construção da Casa de Detenção do Recife, nos anos 1850. Atualmente, o prédio abriga a Câmara Municipal de Igarassu, e se encontra em bom estado de conservação. É aberta à visitação de segunda a sexta-feira, das 08:00 às 17:00 hs (IGARASSU, 2005a). O acesso rodoviário é pavimentado e em bom estado de conservação. Faz parte do conjunto arquitetônico e paisagístico de Igarassu, tombado pelo IPHAN.
A Câmara Municipal de Igarassu conta com um vereador perpétuo: Santo Antonio. Pela participação do santo, a Igreja e Convento de Santo Antonio recebe um salário mínimo anual. Como coloca Inaldo Félix, tesoureiro da Associação dos Guias de Turismo de Igarassu: “Santo Antonio é o melhor vereador do Brasil: nunca falta a nenhuma reunião, não rouba e é a menor despesa da câmara municipal. Já quem faz companhia a ele...” (Entrevista em Igarassu, dezembro de 2004).
A foto 22 mostra a antiga Casa de Câmara e Cadeia de Igarassu:
Foto 22 – Casa de Câmara e Cadeia.
O Sobrado do Imperador foi construído para receber o Imperador Dom Pedro II, em sua segunda visita ao Nordeste do Brasil, em 1859. Com dois pavimentos, apresenta estilo colonial e se encontra em avançado estado de deterioração. Pertence à PMIg, e já abrigou o
fórum da cidade e o MHI. Atualmente, encontra-se fechado à visitação. O acesso rodoviário é pavimentado e se encontra em bom estado de conservação.
Jorge Barretto relata a breve passagem do Imperador Dom Pedro II pela cidade:
O sobrado foi construído para Dom Pedro II, para ele conhecer a cidade e pernoitar [em Igarassu]. Ele veio do Engenho Monjope, e ficou impressionado com o luxo e requinte da casa grande. Então, ao invés de dormir em Igarassu, no sobrado que construíram para ele, Dom Pedro II preferiu passar mais uma noite no Monjope. [...] Construíram a casa e o homem passou duas ou três horas lá. (Entrevista em Igarassu, janeiro de 2005).
O Museu Histórico de Igarassu foi inaugurado em 24.01.1954, na data da rendição dos holandeses na Campina da Taborda. O Instituto Histórico de Igarassu tinha como objetivo reunir, em único lugar, peças, livros e documentos que pudessem contar a história da cidade, do Estado de Pernambuco e, eventualmente, do país. A primeira sede do museu foi no Sobrado do Imperador. Depois de passar por outros lugares, foi instalado em três casas no Pátio dos Santos Cosme e Damião, entre a Igreja dos Santos Cosme e Damião e Igreja e
Convento do Sagrado Coração de Jesus135.
Nos anos 1970, as casas e o acervo do museu foram transferidos à PMIg, dada a incapacidade do Instituto Histórico de Igarassu de manter o museu. Artur Malheiros, em nota de jornal no início dos anos 1970, expõe a situação presente no museu:
Teria, repito, continuado [a escrever sobre o carnaval do Recife], não fôsse o fato curioso de me deparar com a notícia de que o Instituto Histórico de Igarassu fechou suas portas à visitação pública porque seu cicerone entrou de férias. E o presidente da instituição, mostrando que a diretoria não dispõe de meios para contratar um substituto e nem mesmo para a manutenção do museu, admite que, mesmo com a volta do cicerone, a casa continue fechada. (Diário da Noite, 10.01.1972).
As três casas do Museu Histórico de Igarassu (MHI) apresentam estilo colonial, tendo sido construídas no século XIX. Jorge Barretto descreve o acervo do museu:
135 Estas informações foram prestadas por Jorge Barretto, diretor do MHI, durante entrevista em janeiro de 2005, na cidade de Igarassu.
Perg.: No que consiste o acervo do MHI?
Resp.: O acervo do museu é um tanto eclético. Consiste de armas, mobiliário, arte sacra, numismática, que não está exposta no momento, pois as moedas ainda estão sendo catalogadas, e temos também documentos e jornais antigos. A maior parte das peças pertence ao século XIX, embora tenhamos peças de outras épocas. (Entrevista em Igarassu, janeiro de 2005).
O MHI cobra R$ 1,00 de ingresso, e o horário de funcionamento é das 07:00 às 17:00 hs, de segunda a sexta-feira, e das 09:00 às 12:00 hs, aos sábados e domingos. Estudantes de escolas particulares e idosos pagam apenas R$ 0,50, e estudantes de escolas públicas não pagam ingresso para visitar o museu.
No início dos anos 1970, época do tombamento do conjunto arquitetônico e paisagístico de Igarassu pelo IPHAN, o sítio histórico da cidade apresentava diversos problemas de conservação e descaracterização de monumentos e casario. Havia o risco de perda irreversível de bens culturais edificados, e a área sofria com as pichações nas paredes de casas, igrejas e outros monumentos.
Nos últimos trinta e cinco anos, trabalhos de recuperação e conservação do patrimônio material transfomaram o sítio histórico de Igarassu em um dos mais bem conservados do Brasil. O Sobrado do Imperador, em avançado estado de deterioração, é uma exceção.
A Casa de Câmara e Cadeia chega ao final dos anos 1970 em péssimo estado de conservação. A restauração inicia-se em 1980, com verbas estaduais e municipais, terminando apenas em 1985, em virtude de problemas com a primeira empresa encarregada do restauro. Parte da edificação correu risco de desabar no início dos anos 1980. A legenda da foto que ilustra matéria sobre os monumentos de Igarassu, retratando o interior da Casa de Câmara e Cadeia, resume a situação do monumento: “O teto do interior da cadeia está em iminência de desabamento, sem solução.” (Diário de Pernambuco, 02.05.1983).
Atualmente, o monumento é utilizado como sede da Câmara Municipal de Igarassu, e apresenta bom estado de conservação.
O conjunto arquitetônico do Museu Histórico de Igarassu (MHI), após décadas sem passar por reformas estruturais, foi alvo de serviços de restauro em 2003 e 2004, a partir de
convênio firmado entre IPHAN e PMIg136. Questionado a respeito das fontes de recursos do MHI, Jorge Barretto diz:
Perg.: As únicas fontes de recursos do MHI são a bilheteria e o tesouro municipal?
Resp.: Não, há também os recursos advindos de convênios. (...) Ano passado, nós só fizemos um , que foi o de restauração do prédio do museu.
Perg.: Com quem foi feito este convênio?
Resp.: Fizemos com o governo federal, com o Ministério da Cultura através do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. [...] R$ 124.000,00, em uma restauração que custou R$ 300.000,00. O restante foi dinheiro verde e branco. A contrapartida do município era de, no máximo, 50% do valor inicial do convênio, que daria R$ 60.000,00, mas com isto não dava para terminar a obra, pois quando se começou a reformar as edificações e parte do acervo, percebeu-se que a situação era mais crítica do que se imaginava. Com isto, a PMIg fez aportes adicionais, e chegou a bancar mais da metade do projeto. (Entrevista em Igarassu, janeiro de 2005).
Márcio Rodrigues, secretário de turismo, cultura e esportes de Igarassu entre 2001 e 2004, classifica a recuperação do MHI como uma das marcas mais importantes de sua gestão: