[65] – Posição do processo maxilar do palatino. (0) – paralela / (1) – oblíqua
Nos crânios de Cathartidae, duas condições são observadas acerca a posição relativa do processo maxilar (proc. maxillaris) do palatino (os palatinum). Sarcoramphus, Vultur e Gymnogyps possuem tal processo inclinado (~ 45°) em relação ao plano frontal do crânio, enquanto em Cathartes e Coragyps tal processo é paralelo ao mesmo plano.
Phasianidae, Ardeidae, Ciconiidae, Threskiornithidae, Scopidae, Sagittariidae e Pandionidae possuem o processo paralelo ao plano frontal. Anatidae, Balaeniciptidae e certos Falconidae (Phalcoboenus e Caracara) possuem-no posicionado obliquamente, sendo que nos demais Falconidae ele é paralelo.
Em Accipitridae, apenas Pithecophaga, Torgos e Gyps possuem o processo obliquamente posicionado, enquanto os demais representantes desta família o possuem paralelo.
[66]– Fossa coanal. (0) – fechada rostralmente / (1) – aberta rostralmente
Em Cathartidae e Phasianidae o processo maxilopalatino não é fusionado ao simétrico, fazendo com que a fossa coanal (fossa choanalis) nessas aves seja aberta rostralmente e contígua à cavidade nasal. Anatidae, Ciconiidae, Balaeniciptidae, Threskiornithidae, Scopidae, Sagittariidae, Falconidae, Pandionidae e Accipitridae possuem a fossa coanal fechada rostralmente, tendo o processo maxilopalatino fusionado ao seu simétrico.
Cathartes burrovianus (estado [1])
Necrosyrtes monachus (estado [0])
FCh – fossa coanal; CN – cavidade nasal; PrMxP – proceso maxilopalatino
[67] – Processo na região do ângulo caudomedial do palatino em forma de espinho. (0) – ausente / (1) – presente
Na região do ângulo caudomedial (angulus caudomedialis) do palatino de Vultur, Sarcoramphus e Gymnogyps existe um processo na forma de espinho voltado caudalmente. Existem variações nos táxons estudados e serão discutidas no caráter seguinte. Os demais gêneros de Cathartidae não possuem tal estrutura.
Ardeidae, Ciconiidae, Balaeniciptidae, Threskiornithidae, Scopidae, Sagittariidae, Falconidae, Pandionidae e Accipitridae não possuem tal processo espinhoso.
Em Anatidae e Phasianidae são bem curtos os processos.
[68] – Forma do processo do ângulo caudomedial do palatino. (0) – fino e longo / (1) – curto e robusto
Vultur possui o processo do ângulo caudomedial do palatino fino e longo, enquanto em Sarcoramphus e Gymnogyps ele é mais curto e robusto.
Em Anatidae e Phasiandae são curtos e robustos.
Vultur gryphus (estado [0]) Gymnogyps californianus (estado [1]) Pr – processo
[69] – Ângulo medial. (0) – evidente / (1) – pouco evidente
Nos gêneros de Elaninae analisados (Elanus e Gampsonyx) e nos Circinae, o ângulo medial do palatino é pouco evidente, quase não se diferenciando do corpo deste osso. Nos demais táxons tal estrutura é facilmente detectável.
Elanus caeruleus (estado [1]) Haliastur indus (estado [0]) AnM – ângulo medial; Pl – palatino
[70] – Anquilose rostral da lâmina dorsal do palatino. (0) – completa / (1) – incompleta Os ossos palatinos anquilosam-se por meio de sua lâmina dorsal. Em Sarcoramphus, Vultur, Gymnogyps e Coragyps tal anquilose é completa em toda extensão da lamina dorsal. Nos exemplares do gênero Cathartes tal anquilose é incompleta permitindo a vizualização do rostro parasfenoidal entre os ossos palatinos rostralmente.
Anatidae, Phasianidae, Sagittariidae, Falconidae, Ardeidae, Ciconiidae, Threskiornithidae, Balaeniciptidae, Scopidae, Pandionidae e Accipitridae possuem anquilose completa rostralmente.
Vultur gryphus (estado [0]) Cathartes aura (estado [1]) RP – rostro parasfenoidal; Pl – palatino
[71] – Anquilose caudal da lâmina dorsal do palatino. (0) – completa / (1) – incompleta As famílias Sagittariidae, Falconidae e as subfamílias Gypaetinae, Polyboroidinae, Circaetinae, Haliaeetinae e Buteoninae (Accipitridae) possuem anquilose incompleta dos ossos palatinos caudalmente e a porção mais caudal da lâmina dorsal é livre. Os demais táxons estudados possuem anquilose completa caudalmente.
Sagittarius serpentarius (estado [1]) Pl – palatino
[72] – Fusão da lâmina dorsal do palatino. (0) – ausente / (1) – presente
Cochlearius possui a fusão total das lâminas dorsais do osso palatino medialmente, sem a presença de suturas entre elas. Tal condição não é observada nos demais táxons.
Cochlearius cochlearius (estado [1]) Pl – palatino; Ldrs – lâmina dorsal do palatino
[73] – Processo rostral do palatino. (0) – presente / (1) – ausente
Em Vultur, Gymnogyps, Coragyps e Sarcoramphus é observada a presença do processo rostral (proc. rostralis) do palatino. Cathartes não possui tal estrutura. Nos exemplares
onde este processo está presente, ele é extremamente reduzido. Baumel & Witmer (1993) atestam que tal estrutura articula-se com o vômer, osso que não ocorre em Cathartidae. Threskiornithidae, Anatidae, Ardeidae, Ciconiidae, Falconidae e Scopidae possuem esse processo, mas ele é indiferenciável do vômer, osso com o qual se articula. Sagittariidae possui o processo bem diferenciado, apesar da ausência de vômer. Balaeniciptidae e Pandionidae possuem tal processo também visível, pois o vômer nessas aves é extremamente reduzido a uma pequena trabécula óssea ligada ao processo.
Accipitridae, com exceção de Leptodon e Haliaeetinae, apresenta um diminuto processo rostral que se fusiona ao vômer.
Sagittarius serpentarius (estado [0])
Pl – palatino; PrRs – processo rostral do palatino
[74]– Vômer. (0) – ausente / (1) – presente
Todos os exemplares de Cathartidae e Phasianidae não possuem vômer.
Todos os exemplares de Ciconiidae possuem vômer, que pode se apresentar de duas maneiras: uma lâmina óssea extremamente fina e frágil em forma de seta direcionada rostralmente (Anastomus, Mycteria, Ephippiorhynchus e Ciconia), ou uma lâmina óssea mais larga e robusta (Jabiru e Leptoptilos).
Anatidae, Ardeidae, Balaeniciptidae, Threskiornithidae, Scopidae, Falconidae, Pandionidae e Accipitridae (exceto Leptodon, Gyps e Torgos que, aparentemente, não apresentam tal osso) possuem o vômer como uma fina lâmina óssea. Sagittariidae aparentemente não possui vômer.
Vultur gryphus (estado [0]) Leptoptilos crumeniferus (estado [1]) Pl – palatino; Vo – vômer
[75] – Processo quadrático do pterigóide. (0) – ausente (ou muito reduzido) / (1) – presente O processo quadrático (proc. quadraticus) do pterigóide situa-se caudodorsalmente neste osso. Está presente em Cathartes aura, Cathartes burrovianus, Coragyps atratus, Gymnogyps californianus e Vultur gryphus. Em Sarcoramphus e Cathartes melambrotus ele é muito pequeno.
Em Ciconiidae pode-se observar a ausência de tal processo (Anastomus e Mycteria), ou como uma elevação pontiaguda (Leptoptilos e Ciconia), ou uma elevação retangular (Ephippiorhynchus). Os exemplares de Jabiru analisados não possuem pterigóide.
Balaeniciptidae e Threskiornithidae possuem o processo quadrático do pterigóide como uma elevação arredondada. Scopidae, Falconidae, Sagittariidae, Pandionidae e Accipitridae não apresentam tal estrutura.
Em Ardeidae este processo é bem menos evidente em Cochlearius.
Phasianidae possuem tal processo bem evidente e articulado ao processo orbital do quadrado. Anatidae possui o processo como uma elevação retangular.
Cathartes aura (estado [1])
Pt – pterigóide/ PrQ – processo quadrático
[76] – Forâmenes pterigoideanos. (0) – ausente / (1) – presente
Representantes de Pithecophaga, Accipitrinae e Circinae (Accipitridae) possuem forâmenes na face medial do pterigóide, na região de sua articulação com o quadrado. Os demais representantes da família e os demais táxons estudados não apresentam tais forâmenes.
[77] – Parede ventral da fenestra anterorbital. (0) – formada apenas pelo osso jugal / (1) – com participação do osso maxilar
A barra jugal dos Cathartidae possui diferenças interessantes em sua porção mais rostral. Em Cathartes o processo jugal (proc. jugalis) do osso maxilar é projetado caudalmente, sendo que ele participa da formação da parede ventral da fenestra anterorbital.
Sarcoramphus, Vultur, Gymnogyps e Coragyps possuem um entalhe no osso maxilar, na altura do processo jugal, onde a porção rostral da barra jugal encaixa-se. Assim, nesses táxons a parede ventral da fenestra anterorbital é formada apenas pelo osso jugal (os jugale).
Entre os Ciconiidae a participação do osso maxilar na parede ventral da fenestra anterorbital é observada apenas em Anastomus. Em Scopidae e Falconidae apenas o osso jugal participa da formação da parede ventral da fenestra, enquanto em Sagittariidae, Anatidae e Pandionidae o processo jugal do maxilar projeta-se caudalmente e participa da
Accipitridae possui as duas condições: em Aviceda, Leptodon, Gampsonyx, Milvinae, Aegypiinae, Gypaetinae, Polyboroidinae, Aquilinae, Circaetinae, Accipitrinae, Circinae, Haliaeetinae, Buteoninae e Pithecophaga há participação do osso maxilar na formação da borda ventral da fenestra anterorbital, enquanto em Pernis e Elanus apenas o osso jugal. Phasianidae, Ardeidae e Threskiornithidae possuem apenas a participação do jugal.
Cathartes burrovianus (estado [1]) Sarcoramphus papa (estado [0]) J – jugal; PrJ – proc. jugal do maxilar
[78] – Inclinação da barra jugal em relação ao eixo rostrocaudal da caixa craniana. (0) – paralela / (1) – oblíqua
Cathartidae possuem a barra jugal praticamente paralela ao eixo rostrocaudal da caixa craniana. Já os Ciconiidae posuem tal barra com uma inclinação conspícua em relação ao mesmo eixo.
Ardeidae, Balaeniciptidae, Threskiornithidae e Scopidae também possuem a barra jugal obliquamente posicionada, enquanto Anatidae, Phasianidae, Sagittariidae, Falconidae, Pandionidae e Accipitridae (exceto Necrosyrtes que possui a barra inclinada) possuem tal estrutura paralela como em Cathartidae.
Cathartes burrovianus (estado [0])
Anastomus lamelligerus (estado [1])
BJ – barra jugal; ERC – eixo rostro caudal da caixa craniana
[79] – Barra jugal. (0) – fina e longa / (1) – robusta e curta
Balaeniciptidae possui uma barra jugal conspícua, muito mais curta e robusta do que os demais táxons estudados, onde tal estrutura é muito mais longa e delgada.
4.1.6.OS QUADRATUM
Devido ao processo de fossilização, todos os caracteres dessa seção são codificados como “missing data (?)” nas formas fósseis de Cathartidae analisadas.
Todos os Cathartidae, Balaeniciptidae, Ardeidae, Threskiornithidae, Sagittariidae, Scopidae, Falconidae e Accipitridae possuem três côndilos do quadrado: lateral, medial e caudal. Em Ciconiidae, no gênero Anastomus e em Acryllium vulturinum (Phasianidae) não ocorre o côndilo caudal, mas os demais táxons possuem os três.
[81] – Associação da crista timpânica do corpo quadrático. (0) – côndilo lateral / (1) – côndilo caudal
Em todos os Cathartidae a crista timpânica do corpo quadrático (corpus ossi quadrati) está associada ao eixo compreendido entre o capítulo esquamosal (cap. squamosus) e o côndilo caudal (cond. caudalis) do quadrado e não ao eixo compreendido entre o capítulo esquamosal e o côndilo lateral, como comumente observado em outras aves. Anatidae, Phasianidae, Ciconiidae, Balaeniciptidae, Threskiornithidae, Scopidae, Sagittariidae, Falconidae, Pandionidae e Accipitridae (exceto Gyps que compartilha a condição vista em Cathartidae) possuem esta crista associada ao côndilo lateral.
Sarcoramphus papa (estado [1]) Harpia harpyja (estado [0]) CdC – côndilo caudal; CdL – côndilo lateral; CaSq – capítulo esquamosal
[82] – Côndilo lateral do quadrado. (0) – com expansão curvada dorsalmente / (1) – sem expansão curvada dorsalmente
Em vista caudal do crânio apenas os representantes de Falconidae possuem, junto ao côndilo lateral do quadrado, uma expansão voltada cranialmente. Os demais táxons estudados não possuem tal expansão.
Falco sparverius (estado [0]) CdL – côndilo lateral; Ex - expansão