VERGİLERİN KANUNİLİĞİ İLKESİ AÇISINDAN ÇEVRE TEMİZLİK VERGİSİNDE BELEDİYE MECLİSLERİNİN YETKİSİ
A. Genel Olarak Çevre Temizlik Vergisi
Em âmbito internacional, o ano de 1987 foi marcado por uma profunda crise nos países do Leste Europeu e pelo refluxo do movimento comunista. Em âmbito nacional, o país vivia um processo de reestruturação produtiva acompanhado de uma política de recursos humanos cujo objetivo era quebrar o poder de mobilização dos sindicatos. No plano político mais geral, desenvolvia-se a luta contra a prorrogação do mandato do então presidente José Sarney. Internamente, o PT passava por um processo de definição no qual uma força majoritária se consolidava, agora organizada como tendência nacional, abrindo uma clara ação ofensiva contra outras correntes que acusava de agir apenas “taticamente” dentro do PT.
Foi no 5° Encontro Nacional, realizado em 1987, que o PT criou uma disciplina regimental para o direito de tendências buscando principalmente sufocar a atuação de grupos trotskistas. Assim, a Articulação iniciaria um processo de consolidação do que seria a “verdadeira face” da estratégia petista, vencendo as eleições para os diretórios regional e nacional e aprovando as suas teses nos Encontros Nacionais. Esta situação pode ser ilustrada pela composição da Comissão Executiva Nacional, criada no período anterior ao 5° Encontro Nacional e formada apenas por membros da Articulação.
Quanto aos objetivos estratégicos, o 5° Encontro Nacional, de 1987, inicia as suas resoluções fazendo uma distinção entre a “tomada do poder político” e a efetiva “construção do socialismo”. Esta diferenciação se dirige para um foco interno, aqueles que defendiam, à época, que o partido deveria assumir uma linha “revolucionária” e que viam com certa desconfiança a política de acúmulo de forças, identificada como uma linha reformista.187 A resolução encabeçada pela Articulação188 explicita a divergência com outros setores do partido:
187No subcapítulo “Acumulação de Forças e Hegemonia” evidenciaremos os debates que envolveram
esses conceitos e a importância destes na consolidação da estratégia petista liderada pela Articulação.
188 A tese-guia aprovada no Encontro foi “Por um PT de massas, democrático e socialista”, encabeçada
97
Muitos companheiros não fazem essa distinção, não compreendem o processo de mediação que deve existir entre o momento atual, por exemplo, em que as grandes massas da população ainda não se convenceram de que é preciso acabar com o domínio político da burguesia, e o momento em que a situação se inverte e se torna possível colocar na ordem do dia a conquista imediata do poder. Dessa forma, seu discurso, pretensamente revolucionário, não é entendido pela população e pelos trabalhadores e, em vez de contribuir para a organização e a luta no sentido da conquista do poder e da construção socialista, a desorganizam e a transformam na luta de pequenos grupos conscientes e vanguardistas.189
Assim, em contraposição à proposta supostamente “vanguardista” apareceu a proposta de uma política de “acúmulo de forças” para a qual seria necessária a formação de um “bloco social histórico” (conceito gramsciano) capaz de forjar um programa de reformas, que contaria com a presença de pequenos e microempresários.
Muitos companheiros colocam no campo da burguesia parcelas significativas de pequenos e microempresários urbanos e rurais e mesmo as camadas assalariadas que não trabalham diretamente na produção fabril ou agrícola. Com isso, não levam em conta que tais camadas possuem profundas contradições com o capital e, por isso, podem se incorporar à luta por transformações sociais no sentido socialista.190
Essas alianças seriam estratégicas, até porque, como vimos, iriam além da conquista do poder, chegando a definir a forma e os limites da própria construção do socialismo, por exemplo, na impossibilidade de superar o mercado. Neste sentido, aqui relacionamos o problema das alianças com o perfil da sociedade socialista a ser construída.
Constituído por milhões de pequenas empresas, pequenos negócios, serviços e autônomos, desempenha um papel econômico de grande importância no atual sistema capitalista brasileiro, o que obriga a um processo permanente de destruição e recriação desse setor – papel que deve continuar desempenhando mesmo depois de iniciarmos a construção socialista no Brasil.191
189 Resolução do 5° Encontro Nacional de 1987 In: ALMEIDA; VIEIRA; CANCELLI (Org.). Partido dos Trabalhadores: Resoluções de Encontros e Congressos. São Paulo: Editora Perseu Abramo, 1998, p. 313.
190 Idem, p. 314. 191 Idem, p. 315.
98 O caráter mercantil do socialismo petista é reafirmado e apresentado como o “único caminho” possível, confirmando, entre outras coisas, a aliança estratégica com a pequena burguesia.
O único caminho, até hoje, consiste em permitir que a pequena economia mercantil ainda se desenvolva em uma certa escala, e que seu próprio desenvolvimento natural e contraditório conduza à concentração e centralização econômicas e sua transformação socialista por meios administrativos [...] serve para que a sociedade desenvolva suas forças produtivas, contribua para que não haja escassez de bens e serviços e permita incorporar ao trabalho o conjunto da população economicamente ativa, sem prejudicar a eficiência das empresas [...]Essa política de desenvolvimento da capacidade produtiva da sociedade, utilizando todas as forças econômicas, é a base da aliança dos trabalhadores assalariados com a pequena burguesia urbana e rural. Essa aliança é, pois, uma questão estratégica, referente tanto à destruição do capitalismo quanto à construção do socialismo.192
A continuidade desta aliança de classes na construção socialista revela o fato de que certas classes sobreviveriam à “mudança política radical” que levou a classe dominante a se converter em classe “hegemônica e dominante” no poder do Estado. A resolução diz que, nas condições do capitalismo brasileiro, seria impossível, em um primeiro momento, extinguir todas as classes sociais. A convivência entre estas classes e as “diferentes expressões políticas” caracterizam a forma “democrática” do socialismo proposto pelo PT, que se apoia na concepção “ampliada” do Estado moderno, perdendo assim, até o seu caráter de classe.193
A própria magnitude do Estado moderno brasileiro só é viável se a burguesia for buscar, na massa das outras classes, os funcionários do Estado. E se, para conseguir consenso e legitimidade para esse mesmo Estado, for obrigada a abrir, pelo menos formalmente, o Estado à disputa das diversas classes.194
Nas resoluções do PT, a “sociedade civil” aparece como um terreno de disputa entre as “instituições” da burguesia e “instituições” dos trabalhadores cujos resultados
192 Idem, p. 315.
193 Como veremos mais adiante, no subcapítulo “Concepções acerca do Estado”, o PT assumiu a
concepção gramsciana de “Estado ampliado” para forjar a sua proposta de construção do “Estado de Direito Socialista”.
194 Resolução do 5° Encontro Nacional de 1987. In: ALMEIDA; VIEIRA; CANCELLI (Org.). Op. cit, p.
99 seriam “os avanços e recuos da democracia, sua ampliação e retração”.195 É de supor
que tal característica seguiria da mesma forma na “construção socialista”. O Estado burguês adjetivado de “moderno” amanhã serviria à hegemonia do proletariado.
Na impossibilidade imediata da luta pelo socialismo, o 5° Encontro propôs o programa democrático-popular, fundado em uma aliança de classes com a pequena burguesia como parte da estratégia de constituição de um bloco histórico para o processo de acúmulo de forças. Tal programa se baseava numa série de propostas vagas de estatizações e de enfretamento ao FMI.
A relação entre socialismo e democracia se constituiu, para o PT, numa questão crucial, principalmente após a realização do 5º Encontro Nacional. Tais categorias seriam gradualmente alteradas a cada encontro realizado pelo partido, isto é, a democracia deixaria de ser entendida como expressão de classe no capitalismo para ser tomada como um valor universal. E o socialismo se adaptaria à categoria gramsciana de hegemonia como simples ocupação de espaços institucionais.
Na análise de um dos primeiros estudiosos de Gramsci na América Latina, José Aricó, a influência do pensador italiano se deu de modo significativo entre nós:
Desde meados da década de setenta em diante, o conhecimento da obra de Gramsci progrediu de maneira constante e significativa entre os intelectuais e cientistas sociais não apenas da área de língua espanhola, como também portuguesa. Uma série de conceitos próprios da elaboração gramsciana, mesmo aqueles mais complexos e específicos como o de bloco histórico, revolução passiva, guerra de posição, guerra de movimento, reforma intelectual e moral, etc., generalizaram-se de maneira tal que se transformaram em algo próprio, uma espécie de "sentido comum", não apenas do discurso mais estritamente intelectual, mas também do discurso político da esquerda – ainda que não somente desta.196
Na década de 1980, na Europa, desenvolveu-se, explica Lúcio Costilla, “uma leitura ideológica culturalista de Gramsci na tentativa de um reposicionamento político dos partidos comunistas europeus e de alguns intelectuais (foi bem conhecido o trabalho de Moffe e Chantall)”. Tal leitura teria sido assimilada na América Latina após os períodos ditatoriais no Brasil, na Argentina, no Chile e no México com a crise do
195 Idem, p. 317.
196 ARICÓ, José. O Itinerário de Gramsci na América Latina. Trad. Alberto Aggio. Revista Estudos de Sociologia, n.5, 1998, p. 03.
100 “partido de Estado”. Mas também se dera frente ao “[...] contexto de emergência duma sociedade civil em luta contra o velho Estado autoritário ou ditatorial [...]”.197
A recepção das ideias política de Gramsci no Brasil se deu em meados da década de 1970, em meio à conjuntura daquele período: a crise econômico-social, o surgimento de novos movimentos sociais, dentre eles, o chamado “novo sindicalismo” e a necessidade de fornecer “novos argumentos para novas questões” da realidade social. De acordo com Carlos Nelson Coutinho198, um fenômeno internacional no âmbito da cultura de esquerda teria favorecido a ampliação do pensamento de Gramsci no Brasil: o surgimento do eurocomunismo por intermédio da célebre declaração de Enrico Berlinguer de que “a democracia é um valor histórico universal”. A partir deste momento, muitos intelectuais brasileiros teriam rompido definitivamente com o marxismo-leninismo.
Para Edmundo Dias, a visão gramsciana adotada pela esquerda, (leia-se por Carlos Nelson Coutinho) naquele momento, ratificava o pensamento predominante no Partido Comunista Italiano (PCI) que ainda estava sob a influência de seu Secretário- Geral, Palmiro Togliatti, e no qual Gramsci era visto apenas como
[...] um “filosofo e crítico literário, no qual a dimensão estritamente política tinha peso secundário”. Mesmo sendo apontado, “de pleno acordo com a leitura de Togliatti”, como discípulo e continuador direto de Lênin, Gramsci tem sua obra restringida, na análise da sociedade brasileira, “à questão literária e à problemática dos intelectuais”.199
Os conceitos de sociedade civil e política, hegemonia, intelectual orgânico e outros, passaram a fazer parte das discussões intelectuais e políticas brasileiras. Entretanto, algumas vezes, o emprego das ideias gramscianas resultou somente em tentativas de adaptá-las ou transportá-las para a realidade brasileira sem a devida observação de suas particularidades.
Na década de 1980, a “recepção gramsciana” no Brasil foi realizada principalmente por intelectuais do PT, que se tornara o sujeito político detentor de uma
197 COSTILLA, Lucio Oliver. Um Gramsci para o século XXI: para nos re-apropriar e re-pensar a ciência
do Estado moderno. Revista de Ciências Sociais, 2004, p.02.
198 Carlos Nelson Coutinho é reconhecido internacionalmente como um dos maiores especialistas no
pensamento de Gramsci. Responsável pela coordenação e edição da obra do autor italiano no Brasil. Coutinho é professor na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e autor de livros fundamentais para os estudos de teoria política no país, como A Democracia como Valor Universal e Outros Ensaios (Salamandra) e Gramsci, um Estudo sobre Seu Pensamento Político (Civilização Brasileira). Filiou-se ao PT em 1989.
101 interpretação própria acerca das ideias do autor italiano. Porém, a apropriação que o PT fez das ideias gramscianas ocorreu gradativamente até a realização do 5º Encontro Nacional, em 1987, quando se delineou, a partir de então, um novo quadro conceitual que foi sendo incorporado ao discurso das diversas tendências existentes no PT.
Lincoln Secco demonstrou como esses grupos internos, por intermédio da revista
Teoria e Debate, foram assimilando, mesmo com certas reservas, o referencial gramsciano. De forma mais especifica, o historiador entende que a aceitação pelo PT das teorias formuladas pelo filósofo italiano, em particular a concepção de socialismo, ocorreu em virtude de dois movimentos internos singulares. O primeiro teria sido a organização da “Articulação dos 113”, liderada simbolicamente por Lula; e o segundo estava relacionado ao aumento do peso da institucionalidade (executiva, parlamentar e sindical) no partido. Estes fatos teriam impulsionado tanto a burocratização partidária, como o “deslocamento de centros de decisões para instituições alheias ao partido”.200
O 6° Encontro Nacional, realizado em 1989, ocorreu logo após as vitórias do partido nas eleições municipais de 1988, quando os partidos que se colocavam no campo da esquerda, entre eles o PT, foram favorecidos pelo fracasso da política econômica do governo Sarney e o consequente aumento da inflação e a recessão econômica no país.
Diante deste cenário, o PMDB, que se apresentava agora como o partido da situação, enfraqueceu-se enquanto o PT obteve importantes vitórias com a conquista de prefeituras de importantes capitais como São Paulo, Porto Alegre e Vitória. O sucesso eleitoral do partido, às vésperas da primeira eleição presidencial direta, a ser realizada em 1989, colocava o PT como o principal partido de oposição do país. Além do fracasso político e econômico do governo Sarney, o crescimento eleitoral do partido a partir da segunda metade da década de 1980 estaria relacionado com ao fato de que o PT teria ampliado seu discurso, direcionando-o para os demais setores da sociedade.
A partir do sucesso eleitoral em 1988, o partido começou a concentrar as suas forças nas disputas institucionais, deixando em segundo plano, ou até mesmo abandonando, o trabalho com os movimentos sociais e os núcleos de base.
O 6° Encontro Nacional aderiu à conhecida “estratégia da pinça” proposta por Juarez Guimarães, da tendência Democracia Socialista, em artigo da revista Teoria e
102
Debate.201 Segundo esta concepção seria necessário um longo processo de acúmulo de forças no qual seriam desenvolvidas duas ações fundamentais: uma ação de massas, principalmente fundada na construção da CUT “por meio de um movimento sindical classista” e dos movimentos populares e a ocupação de espaços institucionais mediante a disputa eleitoral. Tal estratégia produziria uma alteração na correlação de forças tornando possível uma vitória nas eleições presidenciais, ponto institucional com base no qual seria possível iniciar as transformações democráticas e populares: “Estamos construindo uma hegemonia, política, social e ideológica, estamos acumulando forças para respaldar nosso projeto”.202
O governo democrático-popular perspectivado pelo 6° Encontro deveria estimular a criação de novas esferas públicas de participação política e a afirmação da cidadania, respeitando e resguardando os direitos das posições minoritárias e assumindo a noção de pluralidade de sujeitos políticos, estimulando a diversidade. Além disso, tal governo não estaria a serviço apenas dos trabalhadores, mas também deveria servir aos interesses dos setores populares, pequenos produtores e pequenos proprietários.203 Com isso, o caráter classista do partido se alarga para abranger outros setores da sociedade. Desta forma, podemos perceber que a política de “acúmulo de forças”, antes direcionada para a construção de uma hegemonia do movimento operário, aos poucos, foi direcionada para o fortalecimento da disputa eleitoral, além de ser cada vez mais expandida à medida que passava a englobar outros setores da sociedade.
O socialismo a ser desenvolvido seria, portanto, um socialismo democrático, daí a ênfase dada à conquista de um governo democrático e popular, uma vez que, para o PT, “não pode existir um autêntico socialismo sem aprofundamento e defesa integral da democracia”.204
Partindo desse pressuposto, o partido assume a função de ampliar os seus esforços na esfera institucional, entendendo este como caminho necessário para a conquista da hegemonia.
O PT assume a candidatura Lula convencido de que nas condições brasileiras atuais a luta institucional precisa ser
201 GUIMARÃES, Juarez. A estratégia da pinça. Teoria e Debate, n.12, 1990, p.33. O debate da
“estratégia da pinça” é desenvolvido no subcapítulo “Acumulação de Forças e Hegemonia”.
202 Resolução do 6° Encontro Nacional de 1989 In: ALMEIDA; VIEIRA; CANCELLI (Org.). Partido dos Trabalhadores: Resoluções de Encontros e Congressos. São Paulo: Editora Perseu Abramo, 1998, p. 402.
203 Idem, p. 397. 204 Idem, ibid.
103
assumida com espírito ofensivo e corajoso, abandonando-se qualquer tipo de preconceito que ainda sobreviva entre nós diante da ação eleitoral, através das vias legais, na disputa por hegemonia até mesmo no interior de um Estado controlado pela burguesia.205
Um dos principais articuladores do Plano de Ação do Governo (PAG), o economista Carlos Eduardo de Carvalho, não deixa dúvidas quando afirma que o objetivo do plano de governo – na medida em que o socialismo não estava colocado como possibilidade imediata pelas massas – visava apenas “administrar o capitalismo brasileiro” sob novas formas:
Administrar o capitalismo com o objetivo de transformá-lo é um desafio histórico gigantesco, para o qual não há respostas suficientes na história do movimento operário e dos partidos socialistas. Porém, este é precisamente o desafio histórico colocado para o PT.206
Ou seja, caso Lula fosse eleito, os interesses fundamentais de muitas frações burguesas brasileiras e estrangeiras estariam assegurados:
[...] no capitalismo reformado do governo Lula o que se pretendia era democratizar o capital através de uma profunda redistribuição da renda [...] também ao contrário do que se propalava, o governo Lula não pensava em expulsar as empresas de capital estrangeiro, ou impedir sua entrada no país [...] Embora já tenha amadurecido entre nós a ideia de que não é possível fugir ao processo de internacionalização crescente da economia, isso não significa que não se estabeleçam normas de relacionamento com o capital estrangeiro que garantam a soberania nacional e tragam algum tipo de benefício para o conjunto da sociedade.207
A erradicação da miséria era vista como um esforço de crescimento econômico com distribuição de rendas e um conjunto de medidas, de acordo com o texto das diretrizes, “para que os trabalhadores não tenham dúvida de que em nosso governo suas condições de vida serão alteradas qualitativamente”, de forma que se rompa com a prática usual de “subordinar distribuição de rendas aos problemas conjunturais”.208 Essa
205 Idem, p. 399.
206 CARVALHO, Carlos Eduardo. Tentação reformista: o medo (e gosto) de pecar. Teoria e Debate,
n.10, 1990, p.51.
207 POMAR, Wladimir. Quase lá – Lula, o susto das elites. São Paulo: Brasil Urgente, 1990, p. 43. 208 Resolução do 6° Encontro Nacional de 1989. In: ALMEIDA; VIEIRA; CANCELLI (Org.). Op. cit., p.
104 resolução distributivista evidencia a aproximação petista com as teses do economista J.M. Keynes. Incorre, porém, no erro de deixar intocada a relação entre produção e distribuição, reduzindo a solução do problema econômico a um ato político distributivista, isto é, supondo que basta a vontade política para reordenar a distribuição sem alterar o processo de produção. Em contraposição a esta perspectiva, vale a pena conferir a longa, mas necessária, advertência marxiana:
A articulação da distribuição é inteiramente determinada pela articulação da produção. A própria distribuição é um produto da produção, não só no que diz respeito ao objeto, podendo apenas ser distribuído o resultado da produção, mas também no que diz respeito à forma, pois o modo preciso de participação na produção determina as formas particulares da distribuição, isto é, determina de que forma o produtor participará na distribuição [...] Na sua concepção mais banal, a distribuição aparece como distribuição dos produtos e assim como que afastada da produção, e, por assim dizer, independente dela. Contudo, antes de ser distribuição de produtos, ela é: primeiro, distribuição dos instrumentos de produção, e, segundo, distribuição dos membros da sociedade pelos diferentes tipos de produção, o que é uma determinação ampliada da relação anterior. (Subordinação dos indivíduos a relações de produção determinadas.) A distribuição dos produtos é manifestamente o resultado desta distribuição que é incluída no próprio processo de produção, cuja articulação determina. Considerar a produção sem ter em conta esta distribuição, nela incluída, é manifestamente uma abstração vazia, visto que a distribuição dos produtos e implicada por esta distribuição que constitui, na origem, um fator de produção. 209
Para Antônio Ozaí, a eleição presidencial de 1989 representou um dos maiores testes práticos às formulações políticas definidas pelo partido. Além do seu significado histórico, colocou às claras os limites da estratégia eleitoral. Para o autor, o PT teria cometido equívocos:
Ilusão quanto à disposição da classe dominante em respeitar o jogo eleitoral; subestimação da capacidade de coerção burguesa e da sua força ideológica (por exemplo, sua campanha anticomunista, usando habilmente os acontecimentos no Leste Europeu e a aliança petista com o PC do B). Preocupado com sua imagem perante o eleitorado, distanciou-se de seu ideário