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KASA /BANKA MEVCUDU, DÖVIZE NATIK ÇEK ,SENET VE MENKUL KIYMETLER

HAKEMSİZ YAZILAR OPINION PAPERS

YABANCI PARA ILE YAPILAN IŞLEMLERDE OLUŞAN KUR FARKLARININ MUHASEBELEŞTIRILMESI

A. KASA /BANKA MEVCUDU, DÖVIZE NATIK ÇEK ,SENET VE MENKUL KIYMETLER

Após a aprovação da Emenda Constitucional que liberava expressamente as coligações assimétricas, outro ponto igualmente feito constar expressamente da nova redação constitucional referia-se à aplicação imediata dos efeitos da nova redação, ou seja, previa a aplicação já para as eleições de 2006.

Diante da manifesta violação ao princípio da anterioridade eleitoral disposto na norma do artigo 16, da Constituição Federal, o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil propôs a Ação Direta de Inconstitucionalidade, julgada procedente para dar

117 DWORKIN, 2002, p. 27. 118 BARROSO, 2004, p. 219.

interpretação conforme no sentido de que a inovação trazido no artigo 1º da referida emenda somente fosse aplicada após decorrido um ano da data de sua vigência119.

Assim, como resultado prático da ação direta de inconstitucionalidade ora em análise, em março de 2006, o Supremo Tribunal Federal decidiu que a Emenda 52, que dava fim à chamada verticalização partidária, não poderia ser aplicada às eleições que se realizariam em outubro daquele mesmo ano.

Além da decorrência lógica da aplicação do artigo 16 da Constituição, a decisão foi justificada como garantidora da igualdade de direitos das minorias, uma vez que, se as maiorias podem alterar a qualquer tempo as regras do jogo eleitoral, poderiam, por conseguinte, manipulá-las com vistas a se perpetuarem no poder.

Dentre outros argumentos coligidos pela tese vencedora no STF, destaca-se o alusivo à alteração do processo eleitoral há menos de um ano do pleito supostamente atentar contra a segurança jurídica, princípio que consiste no suporte axiológico da regra inscrita no artigo 16 da Constituição.

119 “DIREITOS FUNDAMENTAIS - LIMITE AO PODER CONSTITUINTE DE REFORMA - PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE ELEITORAL - SEGURANÇA JURÍDICA E DEVIDO PROCESSO LEGAL - "Ação direta de inconstitucionalidade. Art. 2º da EC 52, de 08.03.2006. Aplicação imediata da nova regra sobre coligações partidárias eleitorais, introduzida no texto do art. 17, § 1º, da CF . Alegação de violação ao princípio da anterioridade da Lei Eleitoral ( CF, art. 16 ) e às garantias individuais da segurança jurídica e do devido processo legal ( CF, art. 5º, caput e LIV ). Limites materiais à atividade do legislador constituinte reformador. Arts. 60, § 4º, IV , e 5º, § 2º, da CF . 1. Preliminar quanto à deficiência na fundamentação do pedido formulado afastada, tendo em vista a sucinta, porém suficiente demonstração da tese de violação constitucional na inicial deduzida em juízo. 2. A inovação trazida pela EC 52/2006 conferiu status constitucional à matéria até então integralmente regulamentada por legislação ordinária federal, provocando, assim, a perda da validade de qualquer restrição à plena autonomia das coligações partidárias no plano federal, estadual, distrital e municipal. 3. Todavia, a utilização da nova regra às eleições gerais que se realizarão a menos de sete meses colide com o princípio da anterioridade eleitoral, disposto no art. 16 da CF , que busca evitar a utilização abusiva ou casuística do processo legislativo como instrumento de manipulação e de deformação do processo eleitoral (ADIn 354, Rel. Min. Octavio Gallotti, DJ 12.02.1993). 4. Enquanto o art. 150, III, b, da CF encerra garantia individual do contribuinte (ADIn 939, Rel. Min. Sydney Sanches, DJ 18.03.1994), o art. 16 representa garantia individual do cidadão-eleitor, detentor originário do poder exercido pelos representantes eleitos e 'a quem assiste o direito de receber, do Estado, o necessário grau de segurança e de certeza jurídicas contra alterações abruptas das regras inerentes à disputa eleitoral' (ADIn 3.345, Rel. Min. Celso de Mello). 5. Além de o referido princípio conter, em si mesmo, elementos que o caracterizam como uma garantia fundamental oponível até mesmo à atividade do legislador constituinte derivado, nos termos dos arts. 5º, § 2º, e 60, § 4º, IV, a burla ao que contido no art. 16 ainda afronta os direitos individuais da segurança jurídica ( CF, art. 5º, caput ) e do devido processo legal ( CF, art. 5º, LIV ). 6. A modificação no texto do art. 16 pela EC 4/1993 em nada alterou seu conteúdo principiológico fundamental. Tratou-se de mero aperfeiçoamento técnico levado a efeito para facilitar a regulamentação do processo eleitoral. 7. Pedido que se julga procedente para dar interpretação conforme no sentido de que a inovação trazida no art. 1º da EC 52/2006 somente seja aplicada após decorrido um ano da data de sua vigência” (STF - ADIn 3685 - Tribunal Pleno - Relª Min. Ellen Gracie - DJe 10.08.2006).

A propósito, vê-se no voto condutor da Ministra Ellen Gracie, relatora do processo, uma explícita associação entre a anterioridade tributária e a anualidade eleitoral, já que ambas seriam destinadas a manter as regras do jogo e a evitar sobressaltos e insegurança ao cidadão-contribuinte e ao cidadão-eleitor, respectivamente.

Embora se alegasse que a anualidade eleitoral, prevista no art. 16 da Constituição, não poderia ser invocada em face de Emenda Constitucional, pois se dirigiria apenas ao legislador ordinário, o Supremo Tribunal Federal decidiu pela inconstitucionalidade da parte final do artigo 2º da Emenda Constitucional n.º 52.

Portanto, como dito, a emenda não produziu efeitos para as eleições do ano de 2006. Entendeu o STF, por maioria, ser a regra da anterioridade eleitoral uma cláusula pétrea. Tal norma, numa interpretação conforme, seria válida apenas nas eleições de 2010.

O julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade, embora não tenha enfrentado o mérito da constitucionalidade da Emenda Constitucional que afastou a verticalização, tem sua importância ressaltada para o objeto do presente trabalho por permitir concluir que a anualidade eleitoral deve ser elevada à condição de cláusula pétrea em razão de promover direitos materialmente fundamentais, sobretudo os princípios da Democracia e da segurança jurídica, embora não seja, a priori, um direito abarcado como cláusula pétrea constitucional.

V.4. A Ação Direta de Inconstitucionalidade n.º 3686: ausência de legitimidade