FINANCIAL DECISIONS
3. ADLİ MUHASEBE VE KARAR ALMA ARASINDAKİ İLİŞKİLER Adli muhasebe, özellikle hem yönetsel ve hukuksal konularda alınan
3.4. Adli Muhasebenin Finansal Kararlar Üzerine Etkileri
3.4.3. Dividant –Kar Dağıtımı Kararları
Muitos confundem democracia representativa com “Estado parlamentar”, ou então projetam um estado mais perfeito da democracia nos modelos de Estados “parlamentaristas”. Esta é uma postura reducionista do conceito de democracia representativa. Só para deixar mais claro, o “Estado parlamentar” ou “parlamentarista”, como queiram, é um sistema de governo adotado em muitos Estados cujo órgão central de deliberação no governo é o parlamento. Não quer dizer que os “Estados parlamentaristas” sejam o único modelo democrático de sociedade. Todos sabem, por exemplo, que os Estados Unidos e o Brasil são repúblicas federativas presidencialistas, portanto não parlamentaristas. Porém, estes países figuram no rol de Estados cujo sistema de governo é a democracia representativa. Portanto, o critério que define uma
111
Ibidem, p. 21.
democracia representativa é quando no Estado em questão as deliberações são tomadas por representantes eleitos por sufrágio universal, sejam eles parlamentares, presidente da república ou conselhos de variados tipos que expressam a vontade geral da sociedade.
Por outro lado, a representação política não é uma exclusividade dos sistemas democráticos. Historicamente, os parlamentos vieram antes da adoção do sufrágio universal. Bobbio comenta com propriedade:
Chamo atenção para o fato de que a expressão “democracia representativa” deve-se dar o relevo tanto ao adjetivo quanto ao substantivo. É verdade que nem toda forma de democracia é representativa (daí a insistência sobre a democracia direta), mas também é verdade que nem todos os Estados representativos são democráticos pelos simples fato de serem representativos; daí a insistência sobre o fato de que a crítica ao Estado parlamentar não implica a crítica à democracia representativa, já que, se é verdade que toda democracia é representativa, é igualmente verdade que nem todo Estado representativo é em princípio e foi historicamente uma democracia.113
De fato, não há que se confundir: a diferença fundamental do sistema democrático em relação a outras formas de governo não está no sistema representativo, pois outras formas de governo, como bem sustenta o autor italiano, adotam este modelo político. O que fundamenta esta diferença é a forma de participação dos cidadãos nas decisões políticas. Voltamos mais uma vez a Bobbio para esclarecer ainda mais esta questão: “A expressão “democracia representativa” significa, genericamente, que as deliberações coletivas, isto é, as deliberações que dizem respeito à coletividade inteira, são tomadas não diretamente por aqueles que dela fazem parte, mas por pessoas eleitas para esta finalidade. Ponto e basta!”114
Nesta mesma esteira, segue o autor brasileiro Dalmo de Abreu Dallari, ao afirmar que um dos fundamentos dos Estados democráticos é a supremacia da vontade popular, e que na impossibilidade do povo praticar diretamente os atos de governo “é indispensável proceder-se à escolha dos que irão praticar tais atos em nome do povo”.115
113
O Futuro da Democracia. São Paulo: Paz e Terra, 2009, p. 57.
114
Ibidem, p. 56.
Tanto um quanto outro autor sustenta o sufrágio universal como uma das características principais da democracia, o que, de fato, diferencia a “democracia representativa” dos demais “Estados representativos”.
É certo que desde quando a história acabou por superar outras formas de escolha de governantes - uso da força física, escolha por sorteio, sucessão hereditária –, a democracia representativa vem se impondo como sendo a forma mais adequada de governo para responder aos anseios da população.
Dalmo de Abreu Dallari afirma que “por mais imperfeito que seja o sistema eleitoral, a escolha por eleição é a que mais se aproxima da expressão direta da vontade popular, além do que é sempre mais justo que os próprios governados escolham livremente os que irão governá- los”.116
Não se trata aqui de atribuir uma absoluta perfeição ao sistema de democracia representativa, trata-se isso sim de um reconhecimento a esta forma de governo como sendo a que melhor aproxima o poder dos cidadãos. No sistema democrático, governados e governantes estabelecem uma relação de dependência mútua, onde os dirigentes do Estado (os políticos), para se legitimarem, precisam agir em sintonia com os interesses daqueles que os escolhem para serem seus representantes. Para ajustar a relação de representante e representado, as regras da democracia representativa criaram instrumentos que forçam a classe dirigente do Estado a buscar legitimação constante para melhor assegurar sua governabilidade. Estes instrumentos se expressam, fundamentalmente, no direito de voto assegurado a todos os cidadãos adultos (sufrágio universal), e em eleições periódicas para mandatos eletivos da classe dirigente política.
Não é crível estabelecer uma conexão axiológica do sufrágio universal com a vontade popular. Pois sufrágio universal, cada cidadão um voto, nem sempre expressa a vontade do todo social. No fundo, ao se referir à democracia como um modelo participativo, não se tem nenhuma ilusão perfeccionista - sabidamente existem limitações neste sistema político. Mas, mesmo com as imperfeições, a democracia representativa é o modelo político que melhor aproxima os atos de governo da vontade geral de um povo, sendo que o sistema representativo é o único modelo que possibilita ajustes constantes na relação entre governo e governado. O direito de voto assegurado a todos os cidadãos adultos (sufrágio universal) e as eleições periódicas para as funções políticas de governantes do Estado (cargos eletivos) estabelecem uma relação de equilíbrio onde os
governados buscam limitar a vocação autoritária do Estado, e os governantes, na busca de legitimidade política, procuram satisfazer a vontade geral dos governados. É nesta relação dialética que se estabelece a correlação de forças necessária para, no tempo, buscar os devidos aperfeiçoamentos, pois, como diz Bobbio, “estar em transformação é o estado natural da democracia.”117.
Mas a democracia representativa pressupõe um conjunto de regras primárias e fundamentais que autorizam quem deve tomar decisões coletivas, bem como os procedimentos que legitimam tais deliberações. Nestas regras pactuadas e obedecidas por todos, faz-se necessário firmar o princípio da rotatividade do poder para que a vontade popular não seja torpedeada. Bobbio, corroborando esta ideia, diz:
Para que se possa falar de democracia não basta que a classe política seja eleita, em outras palavras, que seu poder seja fundado num consenso inicial originário. É necessário que esse consenso seja periodicamente repetido. Não basta o consenso, mas é necessária uma verificação periódica do consenso. Uma classe política que tivesse derivado seu poder de uma eleição inicial, e depois não fosse submetida a nenhum controle ulterior, levaria a um regime que não se poderia chamar democrático. 118
O sufrágio universal, não há dúvidas, é um elemento importante da democracia representativa, porém insuficiente para estabelecer padrões transformadores, progressivos e vigilantes deste regime político. Ao falar de controle ulterior, para além da rotatividade do poder com eleições periódicas - que já é uma regra consolidada na democracia -, o autor italiano aponta para a necessária relação programática entre representante e representado. Esta é uma questão fundamental, pois a concessão do poder a título temporário é a fórmula encontrada para avaliar, e até punir, se for o caso, a classe dirigente, em caso de inadimplência das obrigações programáticas assumidas perante o povo.
117
O Futuro da Democracia. São Paulo: Paz e Terra, 11ª Ed. 2009, p. 19.
6. SEMELHANÇAS ENTRE O PENSAMENTO DE BOBBIO E PRINCÍPIOS