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Okuma Sıklığı DeğiĢkenine Göre Öğrencilerin Okuma Kaygısı Düzeyleri

4.4. DeğiĢkenlere Göre Öğrencilerin Okuma Kaygısı Düzeyleri

4.4.8. Okuma Sıklığı DeğiĢkenine Göre Öğrencilerin Okuma Kaygısı Düzeyleri

Outro eixo temático que podemos extrair do Romanceiro de Dona Beja é o nascimento e em todos os seus significados: o sair do ventre materno; o brotar, germinar da terra; o formar-se, constituir-se. É interessante observar que ao tratar de começos e recomeços, a poeta recorre à forma do soneto. Sua dicção, permeada de “desencanto, inquietação, acabarão forçando os limites dessa moldura inicial [a forma], fazendo a poesia percorrer um itinerário que vai das formas tradicionais ao verso livre, havendo, porém, sempre um retorno ao soneto.”174, que é o berço de sua voz lírica, suas publicações anteriores

ao Romanceiro fazem uso constante dos quatorze versos, sendo que seu livro de estreia é exclusivamente composto por sonetos (XX Sonetos).

Como a fonte que jorra, ambivalente marejados de sono, navegamos – que esse rio de amor e de abandono seja leito comum para quem morre. Impelidos à margem da corrente sacudimos a tarja temporária – e a alma se evapora: tarlatana sobre a nossa nudez contraditória.

173

ELIOT, 1981

174

Na umidade do riso, no desejo impreciso e profuso, pelo pranto que no calor das órbitas poreja, Ah, transidos de frio, patinamos entre quiosques, domos e coretos sem nada surpreender ou consumar.175

Aquavia é um soneto de rimas brancas que faz parte do episódio Caminho das águas e apresenta-se logo após a volta de Anna Jacintha a sua terra, marcando, assim, o nascimento de um novo tempo, de uma nova vida, o vir ao mundo da cortesã Dona Beja. A água tem como significação simbólica três representações dominantes: fonte de vida, meio de purificação e regeneração. De acordo com Chevalier & Gheerbrant, a água é o símbolo da infinitude dos possíveis, ou seja, ela é o potencial que guarda, em estado latente, todas as possibilidades. “A imersão [na água] é regeneradora, opera um renascimento, por ser ela, ao mesmo tempo, morte e vida. A água apaga a história, pois restabelece o ser num novo estado. A imersão é comparável à deposição do Cristo no Santo Sepulcro: ele ressuscita, depois dessa descida nas entranhas da terra. A água é símbolo da regeneração: a água batismal conduz explicitamente a um novo nascimento”176.

A fonte, símbolo que é vinculado até hoje ao mito de Dona Beja por seus tradicionais banhos, pode ser comparada à água batismal, que a conduz à nova vida. E dessa fonte jorra amor e abandono, e, mais uma vez, a ambivalência rege o poema que se desnuda de forma contraditória. Da “umidade do riso” brota a água do pranto “que no calor das órbitas poreja”, enquanto a voz lírica patina transida de frio. E o rio, que é símbolo de vida, também é leito comum para quem morre.

Continuando pelo itinerário do nascimento, temos a trilogia de sonetos intitulada Progenitura, composta por Concepção, Gestação e Maternidade. Devido à cronologia historiográfica que encadeia os poemas, é pertinente relacioná-los com as gestações de Dona Beja, que foi mãe solteira de duas filhas de pais distintos. Os poemas dessa tríade são carregados de símbolos e imagens, construídos a partir de tensões e ambiguidades. A geração do filho pode ser lida como a geração da palavra, bem como o nascimento na poética de Maria Lúcia é sempre relacionado à morte, porque nascer também é morrer.

175

ALVIM, 1979, p. 111

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A solidão a qual a mulher é submetida durante a gestação pode ser sentida nos versos, assim como é solitário o ato da escrita poética. O parir é uma expulsão, um exílio da palavra e desse outro que antes era uno ao corpo. Em Concepção o eu lírico, quase em estado de inanição, se vê parasitado por um novo ser, como “cogumelos prorrompem à deriva” “Sob o limo das pedras, parasitas” que dilata o tempo e o corpo, desvelando os arcanos de um lugar que não esse, sempre um outro, sempre futuro “promessas e preâmbulos de vida”, enquanto tudo é ainda é nebuloso e obscuro, a “placenta de vidro” e a “côncava piscina” que lateja gerando o novo translúcido.

À força de sofrer, engravidamos com certa indolência compassiva; no torpor de esquivanças e vigílias cogumelos prorrompem à deriva a capciosa jiga. Vesperal

que o tempo dilatamos no delito do nebuloso engaste, tíbio arcano em placenta de vidro, volumoso. Sob limo das pedras, parasitas os venenosos dedos compilando promessas e preâmbulos de vida; e pelo desalinho dos estímulos na côncava piscina latejando o ser se concretiza e se adivinha.177

O poema segue tomado de tensões e oposições conflituosas. E, no último verso, “o ser se concretiza e se adivinha”, o outro ser, a segunda voz, a própria palavra. Tanto este quanto os outros dois poemas que integram a trilogia são sonetos sem divisão estrófica e de rimas brancas.

Em Gestação o corpo é o artesão que tece a vida recrudescendo “na morte a carne viva”. A geração moldada da argila é permeada de oscilação, é flor e náusea e o corpo já não pesa, rompe-se, assim como a terra, num “fluxo de aurora” promovendo o nascimento. Todo esse processo de angústias e incertezas ronda os poemas que contam com uma densa adjetivação das palavras, aumentando sua carga de significação, bem como sua multiplicidade de sentidos. Observemos um excerto:

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O corpo é o artesão que mistifica o próprio sentimento de gerar – ao tecer o embrião fibra por fibra recrudesce na morte a carne viva.178

O corpo é o criador do mistério que consegue tecer a vida, fibra por fibra, enquanto aproxima-se da morte. A relação que o eu lírico estabelece entre gestação e morte, que teoricamente seriam substantivos opostos, revela uma profundidade e extrapolação do significado das palavras e ações. Gerar também é morrer, é ter o corpo invadido por outra vida, que ao deixa-lo o transforma em um outro, o novo.

Em Maternidade a marca da solidão e do desterro retomam a questão do exílio e esse entre-lugar pelo qual a voz poética flutua. A gestação também é exílio.

Mas como acalentar os nossos filhos neste exílio do amor? Nessa precária sombra de árvore maldita? No seio de imprecisa flor? Resta-nos calcar o pranto sem ressalva, a doce fraude enquanto a alma foge pela boca.179

O eu lírico se coloca repartido, como um pássaro que canta sem desejos. A geração do filho é um confronto entre o corpo e o imprevisível, que de forma parasitária, como no primeiro soneto da trilogia, abandonará seu lugar de origem e constituição, exigindo, agora no fora, amor de um corpo já desalmado. O confronto dos sentimentos carrega o tom dos poemas, que correspondem a uma das partes mais líricas e densas do romanceiro.